Já pensou em o quanto e como você se importa com tudo?

- E aí fulano, tudo bem?

- Tudo bem, quanto tempo, meu velho. Como você está?

- Bem também!

- E ai, o que anda fazendo?

- É, só na correria, e você?

- Também, cara. Olha, esse governo de filha da puta tá foda viu, viu a carne de papelão?...

Quando bebo viro sindicalista
Bom, a verdade é que, seja pra cortar logo o assunto, na mesa de bar ou numa fila de banco, a resposta é um gatilho certeiro pra disparar o porquê dessa resposta. A "correria" pode ser por falta de tempo, falta de dinheiro, falta de disposição, falta de tudo; sempre provocada pela incompetência do governo e pela escolha dos comunas ou coxinhas que estão ao seu redor e que sempre irão contra às suas convicções mais íntimas que são: reclamar.

O ato de reclamar moveu a humanidade, ela significa estar insatisfeito, portanto, entendo que ela é um ato contínuo melhorar nossa vida por causa disso. Só que nos tempos modernos temos acompanhado que ela também tomou forma de polarização na voz daqueles filósofos de porra nenhuma.

Não é que eles nunca existiram, acho que na Revolução Francesa e na invasão da Constantinopla pelos Turcos tinham os mesmos bostas nas mesas dos cafés: "porra, como esses governantes deixaram essa merda acontecer?"... mas hoje a reclamação é fundamentada pela busca do alguém que concorde com a gente. E ai daquele que não concordar, não, você é sempre o mais sábio e que está o dentro das principais teorias da conspiração prontinho pra tascar um "eu avisei" quando der merda. Lula que o diga e Dória também, quando esquerdopatas e coxinhas estão sempre a postos pra apontar o dedo dizendo que estavam certos o tempo todo e em que os apolíticos entre isso tudo dizem que bom era no tempo da ditadura - quando o moleque que nem tem pelo no cu direito é que defende isso.

Bom, não é que nada mais precise ser discutido e analisado, mas reclamar de tudo toma tanto o nosso tempo que, quando vemos, ficar constantemente insatisfeito por tanta merda existente se tornou parte indissociável da nossa personalidade; ou para o entendimento simples: você se tornou um chato.

Então que tal deixar de lado toda essa corrupção que invariavelmente te fode e apreciar um pouco mais da sua própria vida? O curta "Quando Deixei de Me Preocupar Com Canalhas", dirigido por Thiago Vieira e com participações ilustres como a de Paulo Miklos, Otto e Matheus Nachtergaele (ô sobrenome complicado da porra), é preciso ao tratar desse tema numa forma bem humorada independentemente da sua orientação política.

Assista, ria e reflita.

O que está em jogo em Westworld?

Como o vídeo do Wisecrack diz, diminuir Westworld a um jogo do homem brincando de ser Deus é um eufemismo grande e simplificação de seu caráter filosófico, já que Deus está presente praticamente em todos os episódios e o própria série em si traça um paralelo bem óbvio com Adão e Eva.

Então o que é o bem e o mal?

Se Deus existe em toda onisciência e sua onipotência, como poderíamos ter livre arbítrio? Como poderíamos amar verdadeiramente alguém, se o amamos também ao crer na predestinação de que Ele teria nos feito para amá-lo; contradizendo com o entendimento do que é sincero?

O que está em jogo aqui é a ética e a liberdade, ou em outras palavras: o que é ser realmente verdadeiro.

Na discussão entre os limites entre homem e máquina, o que Westworld acaba passando é que tanto os homens como os anfitriões no parque procuram a plena liberdade de um looping infinito em que tanto um como o outro vivem. O homem buscando um mundo sem limites ou ética para viver e os autômatos buscando sua auto-consciência. Será essa a predestinação de Deus ou Ford?

Vivemos através de um sistema que nos diz o que e bom de comer, o que é melhor de vestir, e o que é sensato de se dizer e fazer, enfim, trabalhamos sempre com a busca de ter um modelo de uma vida tranquila de um padrão sempre pré-concebido; então como, em nossa auto-consciência, podemos mensurar o que é o bem e o mal se tomamos essa decisão sabendo pré-definidamente das consequências? Então, o que é realmente a verdade? Como podemos ter a liberdade de ser o que somos e tomarmos as decisões que realmente queremos?

O sofrimento, como o Homem de Preto diz, torna as pessoas mais verdadeiras - dando a capacidade de elas aprenderem a escolher entre o verdadeiro bem e o mal. Como Adão e Eva só adquiriram o conhecimento disso ao comer do fruto proibido, foi esse sofrimento de não ser quem é na sua realidade e de ter feito coisas que não adiantaram no parque, causaram a sua transformação em Westworld; logo, a incapacidade de ser realmente bom ou mal em realidades que, em suma, são apenas um jogo (uma alegoria precisa entre as cores usadas ao longo da série na transformação de um homem, como a de Walter White em Breaking Bad).

Traçando esse paralelo entre a história bíblica e a série, houve uma decisão, uma decisão que trouxe consequências mas também a auto-consciência.

Resenha Cinema: Logan


Stan Lee é um velhinho tão reconhecido, não somente por ter inventado dezenas de heróis que aprendemos a amar com a vida, mas sim criar heróis que se identificam com a vida em que suas realidades se mesclam com as nossas.

O que dirá um Peter Parker que foi criado para ser o cara como você sonha ser; com poderes pra poder combater as injustiças que lhe cercam, alguém que rala diariamente pra viver no subúrbio com a sua tia, que é inteligente e carrega a dor de ver parte da sua família vítima da violência e da fatalidade da vida. O que dirá a equipe dos X-Men que foi criada com a ideia de traçar um paralelo com a discriminação corrente que vivemos até hoje; da supressão do diferente, do diferente que se sente superior, do normal que se acha no direito de seu lugar ser somente seu lugar, da incapacidade de grande parte dos seres humano de indiferenciar o bem do mal...

Para entender Logan é preciso entender seu contexto e seu título. Quando Logan foi anunciado como apenas Logan, simples assim, sem tradução ou com um subtítulo para passar a ideia de mais uma aventura do Wolverine, o filme começou a tomar forma do que ele se tornou agora. E ao final de Logan, você passa a entender exatamente porque o Wolverine é mostrado quase sem ser chamado de Wolverine, e sim Logan. Logan é uma pessoa e o filme mostra essa pessoa. Logan é um homem cheio de dor, cansado das lutas, das batalhas perdidas e das mortes que causou (ou não). 

O ano é 2029 e o filme conta muito pouco do que aconteceu, mas o bastante para termos toda a ideia do que se passou e a falta de detalhes só abrilhanta a importância de sua ausência. Nesse "mundo que não é como antes" (algo que Logan faz questão de frisar) e mundo esse que Logan (Hugh Jackman) vive e Charles Xavier (Patrick Stewart) como nonagenário sobrevive, os dois são os últimos mutantes conhecidos. Há pelo menos 25 anos não é encontrado mais nenhum mutante e a esperança se foi juntamente com sua família chamada X-Men. 

Nesse futuro distópico em que a gente logo liga com "Dias De Um Futuro Esquecido" meio naquelas "se tudo desse errado", Logan agora é James, um motorista de uma espécie de Uber que apenas busca juntar um dinheiro para levar Xavier para o meio do mar, onde eles poderiam viver sem incomodar mais ninguém e nem serem incomodados.

Logan além de mais um filme de super-herói é um filme dramático, e é fundamental entender esse contexto antes de você sentar com essa bunda gorda (ou não) na poltrona do cinema. Logan carrega o drama de um homem que perdeu sua família, que vê seu mentor debilitado, que vê seu maior poder o envenenando diariamente e que vê não ter mais forças pra lidar com isso. O poder de seguir a vida lidando com a dor de não poder ter feito nada para o que aconteceu e a dor de não sentir que tem mais um propósito. Seus amigos se foram, Logan ficou, e apesar de seu fator de cura já estar falhando (e os óculos são um detalhe simples e impactante sobre isso), Xavier em breve irá também e os laços que os prendem ao passado glorioso e que ele tenta esquecer. Nada dói mais que ficar, e a ausência desse propósito denota a destruição de um homem. Logan é um homem quebrado.

E após a divulgação do título que deixou aberta a possibilidade de que íamos ver um filme sobretudo um filme sobre o homem que está por trás do collant, a trilha usada no primeiro trailer do filme escancarou a porta do que iríamos ver no cinema quando Logan estreasse: a luta de homem por um propósito e a carta de despedida que esse filme foi. 

Escrito por Trent Reznor e lançado como a última faixa do álbum "Downward Spiral" do Nine Inch Nails, "Hurt" é a música sobre a busca da autodestruição por um homem que não suportava mais sua dor por não ver nenhum propósito que faça dar sentido prático ao ato biológico de ainda continuar respirando, e que tomou ainda mais forma na voz de Johnny Cash - a versão que foi utilizada no trailer, e em um clipe que foi a carta de despedida mostrando um homem de um passado glorioso vencido pela ação do tempo.

E então Laura surge, esse propósito surge. Os mutantes não nascem mais, agora são criados. E além da alegria que Xavier sente em voltar a encontrar uma mutante e em voltar a ter a esperança num lugar aonde tenham mais dela o faz renascer e Logan ao assistir ao vídeo da hispânica Gabriela, o faz entender o propósito de ajudar a quem precisa ser ajudado, em suma, os diferentes a quem ele já pertenceu e de como a humanidade os vê, como meras armas de destruição em massa; como Xavier é e ele próprio fora criado pra ser e que o "clone sem alma" X-24 é. Wolverine foi um projeto e os mutantes agora são só isso.

Como X-23 (Dafne Keen), Laura é aquela raiva que Wolverine já foi, ele se enxerga nela e o grande mérito do filme é a forma como ela é apresentada. O universo "poeirento" nos recebe de braços abertos e apenas vamos junto, doce como Xavier é nas palavras que usa. Tudo aqui é muito sutil, e nessas 2h30 somos apresentados a cada personagem e a esse contexto sempre de forma muito suave, adotando os três como parte de nós; com James Mangold alternando partes de ação desenfreada com a mais pura calmaria e contemplação, demonstrando que a FOX tenha entendido uma importante alternativa a fórmula Marvel de fazer filmes (ouviu DC?).

Apesar das cabeças rolando e do sangue sempre presente em toda cena de luta, Logan se mostra não apenas como um filme. X-23 é dona de uma raiva nunca vista, mas apenas uma criança que senta em um cavalinho mecânico por horas. Xavier é aquele doce avô ainda sonhador. Logan fugia do passado, mas através desse propósito, desenvolveu um relacionamento de um pai com uma filha. 

O roteiro é simples, mas tudo é muito tocante, sincero e faz refletir acerca a nossa própria vida. 

"Não seja o que fizeram com você"

Tal frase fez cair um cisco no olho, como em outros momentos, e faz a gente pensar como acima de tudo é importante sermos nós mesmos. 

Sim, não existem mutantes, mas a ignorância da aceitação da diferença é a mesma e seria a mesma se existissem mutantes. Os X-Men foram criados como uma crítica ao preconceito, e seja ele pela cor, pelas convicções, pelo passado... não seja como os outros fazem você ser. 

Seja sempre como você.

Resenha Cinema: John Wick: Um Novo Dia Para Matar


Desde a gente é gente entendemos que o cinema é basicamente entretenimento; e por mais que o drama invada todos os nichos e a fantasia fique meio de lado, o cinema não deixará de ser isso: entretenimento. Por isso que pra mim quando acho que um filme é ruim, não é porque ele apelou mais ou menos do que deveria a essa "realidade" à la Nolan que é febre até hoje, mas sim porque o que ele entrega ou que prometeu entregar, é desconexo... Sinceramente? Filmes como Esquadrão Suicida foram uma maquiagem danada, não é atoa que ganharam um Oscar por isso.

Mas bem, o cinema como entretenimento ele precisa aliar o que é de mais espetaculoso sem parecer piegas, praticar o simples sem pretender reinventar nada. Executar, ser uma arte e nos entregar uma experiência gratificante o suficiente para você recomendar toda aquela "magia" a outra pessoa. Nada mais é mais broxante do que um filme não lhe entregar uma experiência, seja ela emocional, seja ela de provocar sorrisos, seja ela de puro êxtase. Wow. Precisamos dessa sensação se nos dispomos a pagar tão caro num cinema aqui no Brasil porque não queremos baixar tal filme para ver depois no conforto de casa. Há horas e horas,

A sequência de "John Wick" (que é "John Wick: Um Novo Dia Para Matar, mas deveria ser "De Volta Ao Jogo 2", mas que também são títulos que não fazem diferença nenhuma pois pra mim os títulos brasileiros são ruins como sempre e é melhor chamar só de "John Wick 2" mesmo) entrega tudo isso. Entrega uma experiência e uma ideia extremamente bem executada.

Primeiro devemos te situar, mas também te lembrar que filmes de ação não são lembrados pelo roteiro.

No primeiro filme, John Wick (Keanu Reeves) é um cara que resolve se aposentar dessa vida de matar pessoas por dinheiro devido ao falecimento de sua amada esposa. E naquele dolorido luto, a sua esposa num último ato de amor lhe dá um filhote de beagle, um dos cachorros mais fofos do universo, com o objetivo de fazer John distrair dessa dor e ainda ter uma parte dela consigo e ficar feliz por isso, tipo, seguir a vida em frente. Mas aí como sabemos, pessoas do ramo dele não saem assim tão facilmente desse ramo se aposentando e tal. Então uns filhas da puta invadem sua casa, roubam seu carro, catam o cara na porrada e matam o pobre do cachorrinho mexendo com quem tava quieto; ai John sai por aí em busca de vingança matando todo mundo. É isso.

Nesse segundo filme continua basicamente em cima da premissa do primeiro em que John aparece recuperando seu carro da forma mais fodástica possivel, e a sua motivação para o "novo dia pra matar" é um pouco mais dispersa. John está ainda com aquele papo de aposentado, mas ele volta mais uma vez à rotina por causa de uma promissória (que trocando em miúdos é uma troca de favores) e que o faz ir até a Itália atrás da nova líder da Comorra. Antes disso, ele recusa, tem sua casa explodida, tem que fazer um novo terno e a porra toda. Mas lembre-se, não estamos aqui pelo roteiro.

Fora esse pequeno porém, que filmão da porra (apesar de o primeiro ser melhor)!

"John Wick 2" é lindo, colorido, vibrante, com perseguições com carros sendo moídos (e ainda pegarem depois), com sequências de luta simplesmente lindas sempre com a câmera "em cima do rastro" e bem coreografadas (realmente dá pra sentir a dor de cada golpe de Keanu) e com armas a rodo, aliás, que parte com o sommelier cara (e ele é bom nisso mesmo como mostra o vídeo abaixo). E é assim, que fique bem claro; quase todos os personagens ali não tem nome (como o reencontro com o Laurence Fishbourne) como quase todos os ambientes tem somente um propósito, e cada vez fica mais claro esse universo todo de John Wick.


Um mundo paralelo e que a gente só assiste e gosta do que vê sem pestanejar; como as telefonistas que até apareceram no primeiro filme, mas agora tem sequências maiores dando a real dimensão de seu trabalho. Tudo é feito pra impressionar, cenários e enquadramento e "John Wick" com Chad Stahelski se entregou de vez á piada que podiam fazer com o filme (é só olhar pro pôster com cara de jogo de pancadaria, e talvez seja essa a minha impressão final mesmo). 

"John Wick 2" é um dos melhores e mais lindos filmes de ação que pude assistir, é dessa experiência que o cinema pode entregar que estava falando. É a telona do cinema realmente valer à pena!

E foda-se se estou empolgado para uma crítica. John Wick é do caralho!

Links do Mês #2

Ressaca né? Preguiça do caralho nessa terça de Carnaval com cara de domingo, último dia do mês de fevereiro e marco zero do ano de 2017, aqui no Brasil, claro.

Agora é contar as horas pro Natal e ler alguns textos pra distrair até lá...


Este site cria mashups geniais com seus hits favoritos dos anos 2000

É inerente ao ser humano festejar a década que marcou sua vida como melhor década existente, e é tão inerente quanto a gente ficar gritando por aí que "no meu tempo" as música era melhor. Bom, livre de julgamentos se essa época é melhor que a outra, a verdade é que a gente adora aquela mistura de duas músicas, os famosos mashups. 

Quem imaginaria ouvir "In Da Club" do 50 Cent com "Brig Me To Life" do Evanescence e "Real Slim Shady" do Eminem com "Snow (Hey Oh)" Red Hor Chili Peppers que iria ficar bom? São músicas escolhidas a dedo pra dar certo, num trabalho de levantar e bater palmas sentindo saudades da primeira metade dos anos 2000.

Conheça o cara que está tentando virar um vibrador humano

Isso é tão Black Mirror...

Não, isso é tão Orphan Black...

Quem acompanha a série dos clones sabe também que em toda sua ficção científica, não tão ficção assim, há uma ciência chamada de "Neoevolução". Se Neo é de novo e Evolução é de... evolução (seu burro). Tal ciência dos body hackers consiste em um tipo de drible do Neymar do ser humano contra a natureza em que ele usa a tecnologia em si mesmo, assim ditando seus caminhos evolucionistas e virando um grande gadget ambulante.

Quer exemplos? (calma, não é enfiar celular no cu). Que tal injetar uma substância nos olhos pra ver no escuro ou implantar chips sob a pele para abrir portas com um toque. Legal né? Se a tecnologia curou a inutilidade humana além de dar a descarga automaticamente quando sente que o cocô tá boiando lá, as possibilidades são infinitas. Bom, o que citei já existe e modificar DNA nada mais é do que isso, então, com o tempo as tecnologias tendem a cada vez tornar os livros cyberpunks que a gente lê mais próximos da realidade. Prepare-se.

A da desse cara? Ah sim, tentar produzir seu próprio orgasmo com um apertar de botão. É amigos, nem bater punheta queremos mais.


Lordes dos Sith expõe as muitas camadas de Darth Vader

Quem visitou o Descafeinado recentemente viu que resenhei um dos livros do universo expandido oficial da franquia, pois bem, este é mais um.

Darth Vader é o maior exemplo de antagonista multifacetado. Começou bom, cresceu e impulsivo como sempre foi, ficou mal; assim ficou mais mal, mais poderoso, mas morreu bom nos braços de seu filho porque viu que sua vida não valeu tão a pena se rendendo a interesses que não eram tão dele assim. A questão é que o lado negro da força é um termo charmoso pra o que a gente teme: o medo. Esse medo quebrou Anakin Skywalker e Palpatine se aproveitou muito bem disso.

"Lordes do Sith" expõe os detalhes do do relacionamento de Darth Vader com o Imperador Palpatine e um pouco mais sobre o personagem mais asmático e amado de todos os tempos da cultura pop. 

Esse livro eu vou comprar!

Efeito Espectador: porque somos uma sociedade apática

Pra começar te faço uma pergunta básica.

Você ajuda o próximo?

Sim, certo? Tá, você respondeu isso. Mas você se deu conta de que quando você está rodeado de pessoas você na grande maioria das vezes espera sempre "o outro" agir primeiro que você", tomar a iniciativa?! Ficamos congelados, quase sem reação, como se a adrenalina do momento nos dissesse pra esperar o cara ao lado agir primeiro porque "não depende só de nós", tipo ou vai ou racha sabe...

Essa é uma pergunta que nem eu e nem você sabemos responder ao exato, então esse texto traz uma reflexão pertinente do que é ser "o bom samaritano".

O mundo tá foda. 

Esse é um consenso tão absoluto do que se eu perguntar pra você se o carro deve ter volante pra direção, e tá tão foda que tá dificil até em se preocupar com o que você acha que deve se preocupar e com sua própria vida, porque tem gente que cuida dela mais do que você mesmo.

No Facebook ficou rodando o meme dizendo que a pessoa "tá se preocupando com o Trump e mora em Goiás", portanto, o que ele faz ou deixa de fazer nem vai fazer diferença no seu mundo. Bom, ouviu falar em algo chamado globalização? Infelizmente o preço de A e B dependem também lá do cara de laquê no cabelo, se ele tá de boas com o Putin, e se ele vai deixar você viajar pra lá nos próximos quatro anos...

Show do Milhão: conheça o único participante que derrotou Silvio Santos

Talvez o programa mais divertido de perguntas e respostas que povoou a mente de milhares de pessoas sonhando em ganhar o milhão de reais em barras de ouro que valem mais do que dinheiro (muito importante isso), vai retornar com a apresentação da Patrícia Abravanel e com crianças até 12 anos. 

Mas tá, alguém conseguiu esse tal 1 milhão? Sim, uma pessoa de capa e espada conseguiu essa proeza.

E você achando que essas enciclopédias empoeiradas da Barsa aí na sua estante não valem nada né?

Algumas palavras sobre o fim do Black Sabbath

13 de Fevereiro de 2017, o dia que a banda criada no mesmo dia 13, mas de 1970 encerrou suas atividades. Em Birmingham na Inglaterra, mesmo lugar aonde foi fundada e data que o heavy metal viu a luz do dia.

Pode não ser a banda que mudou meu mundo. Não. Conheci Metallica e Iron Maiden primeiro, essa que é a receita de bolo que qualquer um que queira conhecer heavy metal tem que provar. Só que o Black Sabbath simplesmente foi precursor dessa porra toda. 

O tempo passa para todos infelizmente, mas sua extensa obra fica na memória.

Cientistas estão criando abelhas-drones para combater nossa crise de polinização

Ah, isso sim é tããão Black Mirror...

No último e melhor episódio da terceira temporada "Hated In The Nation" temos uma amostra dessas abelhas drones polinizadoras, e naquele futuro distópico, o resultado não é nada bom. Mas como sabemos que o mundo é feito de possibilidades, esta, claro, ajuda muito.

Talvez você não saiba ou não dê muita atenção, mas as fofinhas abelhas estão morrendo pouco-a-pouco, por quê? Não se sabe exatamente. Existem vários fatores e s mudanças climáticas são uma delas além da urbanização acelerada, imagino eu, então não se preocupe, não é o tapão seu e nem seu azar que estão matando a colmeia de abelhas aí perto. O fato é que as abelhas, e outras espécies, são importantes no transporte de pólens das nossas plantas, as fecundando, e sem elas, flores e colheitas inteiras ficam prejudicadas. Um exemplo interessante é o café. Quando cultivado perto de mata, há um aumento de até 15% na produção de grãos,

Então pense bem antes de odiar essas bichinhas fofinhas.

Por que ainda se acredita que reprovar alunos é a solução?

Lá vem eu com esse puta papo de comunista...

O título pode deixar a ideia clara que se é contra a reprovação escolar, mas esse nem é o ponto e nem cabe radicalizações nesse meio, já que no calor da reforma do ensino médio, é importante refletir acerca a alguns fatos. O primeiro e mais forte - e que causa a alta reprovação escolar - é a má formação dos professores e a falta de interesse dos alunos, mas é preponderante também a enraizada cultura meritocrática do nosso país. 

Sabemos por A + B que num país, o melhor nem sempre vence; e nessa cultura que temos, é nocivo apontar somente sobre o desempenho do aluno como expoente de merecimento se ele deve ou não passar de ano. Entendo que, como aluno, meritocracia se opõe a educação, pois essa tem por base de corrigir, e não premiar.


Nesse conto, Carlos, era um homem. Um bom homem. 

Um homem que se esforçou sempre para se encaixar nos padrões da sociedade. Portanto, um bom homem. 

A indicação de Alexandre de Moraes e o governo do retrocesso no Brasil

E falando de um homem, quem é Alexandre de Moraes?

Fomos bombardeados com o nome dele nas últimas semanas, e paneleiros quietos, o governo Temer constrói uma ponte com o STF da Lava-Jato. Simples assim

Resenha Livro: Kenobi (John Jackson Miller)


É consenso que entre o III e o IV filme da franquia de Star Wars há um buraco gigantesco na história. Enquanto na "Vingança dos Sith" temos Anakin Skywalker se rendendo finalmente ao lado negro da força e o desenrolar dramático de Obi-Wan Kenobi por ver seu pupilo se deixar seduzir por Palpatine e o temor da morte que sempre o cercou (sua mãe e agora Padmé), em "Uma Nova Esperança" temos um Luke Skywalker crescido e encontrando um Obi-Wan já envelhecido contando sobre as lembranças de sei pai, o que o motivou a ser um Jedi também. O resto a gente já sabe. =)

Em contrapartida, tais vácuos em vários pontos da história de Star Wars são justamente o que a gente conhece como charme, isto é, o que desperta nossa imaginação ao imaginarmos o que pode ter acontecido com A e com B. Claro que o dinheiro é objetivo e consequência, mas a Disney sabe que comprou uma propriedade valiosa e com uma mitologia absurdamente rica, e tais perguntas que nós fizemos pela nossa curiosidade e imaginação, são justamente as que devem serem respondidas pouco a pouco e esta é a função principal do universo expandido. Star Wars nunca é demais.

Animações, quadrinhos e livros, inúmeros livros. Diria que um dos principais desse universo seja "Kenobi" de John Jackson Miller pois cobre talvez o buraco mais sentido de um dos personagens mais queridos. E quando saí do cinema depois de assistir a "Rogue One" já tinha em mente o que precisava fazer: ler "Kenobi", fechando as principais lacunas entre as duas trilogias.

Não há muito segredo, o livro se trata sobre o que aconteceu a Obi-Wan Kenobi depois dos acontecimentos traumáticos que houveram após "A Vingança dos Sith". Graças a seu pupilo, agora a República se transformou no Império e ele como último Jedi viu-se obrigado a se isolar com uma missão: proteger o filho de Anakin, Luke Skywalker. Portanto, ele viaja para o desértico planeta de Tattoine para dar a criança aos tios de Anakin, os vigiando, ao mesmo tempo em que mantém a esperança de dias melhores. No entanto, todos seus esforços para se esconder se vão completamente quando o "Ben Maluco" (como passou a ser conhecido), se vê envolvido numa luta entre os habitantes de um oásis esquecido no deserto e os Tuskens, ou o "povo da areia".

Com poucos personagens, sendo Ben, Anileen, Orrin e A-Yark como principais, a história se desenrola harmoniosamente pelo deserto de dois sóis de Tattoine (imaginado por George Lucas assim propositalmente) se transformando em um belo faroeste com um fundo de ficção cientifica, afinal, Kenobi é aquele pistoleiro recém-chegado a cidade que esconde um passado misterioso, ao mesmo tempo em que tem consciência da sua responsabilidade do seu poder de fogo.

Trazendo todos os elementos que fazem de Star Wars ser Star Wars: uma história altamente identificável a nós. Star Wars aliás se notabiliza por isso e por isso seu sucesso é tão grande com as pessoas que o assistem. Um exemplo aqui? Enquanto Tatooine é sede desse faroeste, os Tuskens são os índios e o povo do oásis são os selvagens que desconhecem a lei, com medo do desconhecido e seduzidos pelo dinheiro.

"Kenobi" foi o primeiro livro lido da minha remessa comprada recentemente e dentre tantas opções, foi uma compra certeira. Muito bem escrito pelo autor, desde 2005, de diversos contos e livros desse universo expandido, ler "Kenobi" foi delicioso e é tão acessível a qualquer um com suas mais de 500 páginas e seu faroeste. Foi como visualizar mais um spin-off de Star Wars na tela grande, um sonho que talvez um dia vire realidade de acordo com essa notícia aqui.

Ah, como sempre é um prazer a voltar a aquele mundo!


Acorda Disney!

Resenha Série: Vikings (4ª temporada)


No começo da série vimos que Ragnar Lothbrock (Travis Fimmel) era um sonhador, aquele homem que bateu de frente a seu rei na época, e quis não só desbravar o mundo, mas com a mente de um simples fazendeiro que era dar um futuro melhor à sua família e a seu povo.

E talvez o seu desgosto que provocou o seu desejo pela sua morte e em ser dono de seu próprio destino (seu último objetivo), tenha sido causado justamente pelo cansaço do peso de ser a esperança e o espelho de milhares de pessoas, onde ao mesmo tempo ele convivia com as mentiras e as decisões que agora ele quer esquecer de vez. Ele terminou sentindo que era apenas um homem, e que os próprios sonhos falhos não eram responsáveis pelos sonhos de outras pessoas. Ele causou dor não só para ele como para as pessoas que amava. Tudo foi um reflexo inexorável.

Sua sanidade e sua capacidade agora era posta à dúvida, seu remorso o quebrou. Ninguém queria ser rei, mas o rei era ele. Confrontando tudo isso, mesmo na sua morte vimos que ele guarda um último trunfo...

(Se você não assistiu até essa 4ª temporada ou ainda nem começou a ver a série, não leia mais)


Para resumir sua remorso e sua dor, o agora grande e lendário Rei Ragnar em uma das suas incursões a Inglaterra se aproveita do relacionamento próximo com o traiçoeiro Rei Ecbert de Wessex (Linus Roarche) e negocia assentamentos para seu povo numa parte de seu reinado em troca da paz; no entanto Ecbert sabendo que Ragnar está ocupado com sua invasão a Frankia, elimina esses assentamentos num acordo com o Rei Aelle (Ivan Kaye) da Mércia para retomar o poder de Kwenthrith, e Ragnar ao descobrir isso escolher deixar a tragédia em segredo do seu povo para manter sua grandeza,

Enquanto isso ele prepara sua invasão a Frankia, não só para vingar a traição de seu irmão Rollo (Clive Standen) (que seduzido pelo reinado com o poder e a riqueza que ele sempre queria pra si), se aliou ao reinado e Paris acaba triunfando a invasão comandada por Ragnar, o homem que parecia antes invencível.

O peso da derrota fora grande e seu grande amigo Floki (Gustaf Skarsgard) credita isso à proximidade de Ragnar a Athelstan (George Blagden), o beata que ele resgatou como escravo na sua primeira invasão a Nortúmbria ainda na 1ª temporada. Essa proximidade para Floki foi determinante para a derrota, já que os deuses estariam irritados com Ragnar e assim mata Athelstan.

Desiludido com tantas desgraças e inimigos criados, o antes fazendeiro de Kattegat não se sente mais motivado a incursões. Sua fé está abalada e ele não crê mais no seu grande destino em Valhalla. Se na primeira parte da 4ª temporada vimos um Ragnar ainda buscando conquistas, agora ele quer ser dono de seu próprio destino e da sua mortalidade, essa que pra ele seria o último grande feito a ser realizado por ele.

Vikings é a série onde pergunta mór é: para onde vamos agora? 

Da história sabemos, os vikings chegaram até a América do Norte (Canadá) e nessa segunda metade da 4ª temporada já vimos a incursão de Bjorn no mediterrâneo, mas talvez um dos principais desafios de Vikings seja aliar história a ficção ao mesmo tempo. Mas Micheal Hirst sabe disso e não se descuida de seu roteiro que agora teve 20 episódios, e salvo alguns deslizes compreensíveis para um recomeço, manteve a mesma qualidade de antes, o que era um medo meu.

Contrapondo sempre as culturas e as crenças de forma habilidosa - onde podemos claramente ver isso em Athelstan e Ragnar no catolicismo anglicano x paganismo e agora no desiludido Floki com a cultura muçulmana, Vikings se tornou uma das melhores formas de se contar história não querendo só contar história, já que sabemos que essa mistura de crenças foi o começo da derrocada da religião deles.


E o mistério e a sede de vingança continuam...

Enquanto Lagertha (Katherin Winnick) agora é rainha de Kattegat retomando o lugar que sempre sentiu que era dela, Floki agora não vê mais razões em viver após a morte de Ragnar e Helga (Maude Hirst). Com sua morte de seu pai, os seus filhos de Ragnar são os responsáveis por tomar o lugar do protagonismo e seguir em frente com essa história, vingando a morte de seu pai matando Aelle e Ecbert. Bjorn "Ironside" (Alexsander Ludwig) é o líder agora e a um tempo já vem demonstrando esse apreço (aliás é impossível não se lembrar de Ragnar ao ver o jeito de Bjorn, tal pai, tal filho), e Ivar Ragnarsson "Boneless" (James Quinn Markey) com sua raiva reprimida se mostra como aquele que não vê ninguém à sua frente. Opostos que se relacionam intimamente ao duelo entre os irmãos Ragnar e Rollo.

A mudança com a cantada morte de seu principal protagonista foi grande e o choque também, mas Micheal Hirst não deixou cair a bola. Talvez os deixados de lado Ubbe (Luke Shanahan) e Hvitserk (Stephen Rockett) tenham sido um erro por terem sidos tratados dessa forma na 4ª temporada, mas é uma coisa que só poderemos ver nos desdobramento da próxima.