Resenha Série: The Walking Dead (7ª Temporada)


Já disse para amigos e aqui no Descafeinado mesmo que The Walking Dead é o tipo de série aonde a gente sempre espera que algo impactante vá acontecer. 

Note a palavra: espera

E creio que a exceção de sua primeira temporada (mais curta devido a greve dos roteiristas daquele ano), nas seguintes dependiam sempre dos finais de temporada para compensar momentos de raiva que a gente passava através de seus desnecessários dezesseis episódios. Era aquele negócio, parecia que quando The Walking Dead queria entregava episódios excelentes despertando a vontade de persistir. Mas em especial nos últimos dois anos em que vimos que os zumbis naturalmente foram trocados pelo foco nos dramas e conflitos humanos entre os personagens, a impressão de marasmo se tornou cada vez mais intensa e em consequência incômoda. Em suma, os finais de temporada não compensavam tanto assim como antes.

Dispensada toda a surpreendente violência e sangue no começo dessa sétima temporada, o fato mais impactante tenha sido ver a primeira queda de Rick Grimes (Andrew Lincoln) literalmente de joelhos diante a alguém. O antes destemido e corajoso Rick chorava chocado e assustado diante as mortes daqueles que jurou proteger, e pela primeira vez desde a primeira temporada ele se viu totalmente a mercê de um inimigo. Se tornou óbvio que os zumbis nunca foram o real perigo para se sobreviver no apocalipse, são justamente os seus sobreviventes. Em questão se segundos Rick via ruir tudo o que construiu com seu grupo e era obrigado a obedecer a alguém para sobreviver. Foi humilhante e de certa forma merecido, uma consequência natural do Rick no alto de sua arrogância atacar a alguém que nem conhecia. É o peso da liderança e o preço a ser pago de a democracia não existir mais, lembra?

Portanto esse sétimo ano foi concentrado basicamente na reconstrução emocional de Rick e sua turma, e na reunião de forças entre Rick e Alexandria com outras comunidades. As não tão novas como Hilltop (comandado pelo ineficiente Gregory e agora por Maggie) e novas como O Reinado (comandado pelo aguardado Ezekiel) e do Lixão (comandado por Jadis) contra o Santuário comandado por Negan. 

Escrevendo assim parece legal e é, mas como disse o grande problema de The Walking Dead são seus dezesseis episódios que colaboram enormemente para a "enrolação" de seu público, e agora mais do que antes, na própria construção de seu roteiro. 

Disse que quando The Walking Dead "quer" entrega bons episódios, o que é um problema grave se você vira um viciado em séries ou simplesmente assiste uma ou duas de qualidade para comparar com esta, e não é preciso ir muito longe pra tal, Breaking Bad, Vikings e Sons of Anarchy são suficientes para aumentar seu nível de exigência. 

Não há melhor chance de desenvolver uma história do que um seriado, você entrega um episódio de uma hora a cada semana e fecha com dez ou doze horas de história. Resumindo, é um filme bem comprido. Mas ao mesmo tempo em que é uma excelente chance para desenvolver uma história, tanto que filmes tem a tendência de virar ótimos seriados na convergência entre mídias (como Bates Motel e Hannibal), a responsabilidade direta que cai no colo dos roteiristas é cativar um público de forma contínua apelando pra "ganchos" ao mesmo tempo em que a história de seus personagens se desenvolve. É um desafio e tanto. E com certeza esse é o maior problema dessa temporada em TWD. 

Em dados momentos a série atravancava, não andava. Com a escolha por episódios separados com o foco em um reino ou em alguns personagens pra aí somente no penúltimo episódio termos os núcleos se desenvolvendo simultaneamente nessa hora, a série mereceu ainda mais a crítica por ter os tais desnecessários dezesseis episódios, obrigando o fã a ter muita, mas muita paciência para lutar contra a vontade de abandonar a série. Foram dezesseis episódios mas facilmente condensáveis a uns dez, e prova disso é que resolvi pular vários episódios nessa temporada e não me senti nem um pouco perdido em sua conclusão. Então qual a graça de TWD ser uma série se nem consegue entregar as suas dezesseis horas satisfatoriamente?

Primeiro foi o gancho irritante e novelístico sobre quem teria morrido no final da sexta temporada com a aparição do esperado Negan (Jeffrey Dean Morgan). Mas ok, a revelação ficou para a temporada seguinte, e como previsto, os alvos de Lucille foram Glenn (Steven Yeun) seguido de Abraham (Micheal Cudlitz). Com a chegada de Negan a sétima temporada prometia. Só que não...

E agora no final dessa temporada em que Negan e Rick tem um mero conflito para se preparar para a guerra, seguimos pelo mesmo caminho. Não que a ação seja preponderante para a sobrevivência da série, mas é notório que quando gente como Carol (Melissa McBride) e Daryl (Norman Reedus) resolvem ficar com sangue nos olhos contra alguém a série anda e bem. E houve muita, mas muita enrolação para esse momento chegar. Foi duro defender a série.

Aliás, e Ezekiel? Um personagem que se mostrou interessante mas foi relegado a um papel de até terceiro plano. Não dá. Não dá pra ano a ano me ver elogiando séries aqui no Descafeinado e ver TWD no mesmo marasmo das mesmas críticas. 

Resta torcer que com a queda brutal de audiência da série nessa temporada, os seus dezesseis episódios existentes em virtude da audiência (não vejo outro motivo) sejam diminuídos para o bem do próprio roteiro, senão sou obrigado a dizer de vez:

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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