Resenha Série: Penny Dreadful


A série "Penny Dreadful" exibida nos EUA pelo canal Showtime e aqui no Brasil pela HBO foi cancelada após termos apenas 27 episódios divididos em três temporadas. De um lado o presidente da Showtime explicou seu cancelamento dizendo "que há programas feitos para ter sete temporadas e outros não", e de outro o criador John Logan, que declarou que na segunda temporada viu para onde o arco de Vanessa Ives (Eva Green) caminhava e resolveu que a série estava próxima do fim ao Vanessa ir a encontro de Deus, portanto...

Bom, se a primeira temporada foi baseada na reunião do grupo, tanto para descobrir a causa dos assassinatos cometidos e na busca de Sir. Malcolm Murray (Timothy Dalton) pela sua filha Mina (Olivia Llewellyn) que fora dominada pelo Drácula, a segunda foi na luta de Vanessa Ives contra seus demônios (literalmente), no passado e presente. Na terceira a mulher forte personificada por Vanessa na primeira temporada se vai completamente, como se as suas forças tivessem sido sugadas pela sua ligação com o Drácula. Renegando a Deus na temporada passada, e entregando-se para um destino que provara-se inevitável.

Contendo um dos melhores episódios da série onde o relacionamento de Vanessa e John Clare (Rory Kinnear) é melhor explicada no manicômio (rendendo sempre diálogos excelentes e momentos perturbadores), e aonde a frieza de Dorian Grey ficou clara ao deparar-se como o homem ameaçado por Brona/Lily (Billy Piper) que foi do êxtase a depressão no auge do peso de sua imortalidade. No mais, a terceira temporada tornou-se um pouco maçante nas partes que Ethan Chandler (John Hartnett) está EUA parecendo que somente voltou a Londres somente para salvar Vanessa, tudo rápido demais, resolvendo-se num tiro tudo o que a série construiu.

De todo modo, o terror sobrenatural ambientado ainda no século XIX que teve a árdua tarefa de entrelaçar várias histórias e personagens clássicos da literatura como Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadway), Dorian Grey (Reeve Carney), Dr. Jekyll (Shazad Latif), Dr. Van Helsing (David Warner), Drácula (Christian Camargo), além de trazer lendas urbanas como Jack, o Estripador (na primeira temporada) e seres como lobisomens e vampiros, foi muito bem sucedida tendo me prendido do início ao final apesar de suas ressalvas, e isso para qualquer série hoje em dia é algo louvável por si só deixando sua marca na história na televisão.

A sensação que tive ao assistir as três temporadas de "Penny Dreadful" foi a de estar lendo um belo livro, poético em seus diálogos (principalmente na figura depressiva do Monstro) e encantador em seus detalhes no figurino e fotografia. O cuidado da produção é digno de aplausos, vísceras tomavam conta da tela numa Londres escura e sombria ao mesmo tempo em que a produção assustava com as sequências de ação e suspense aonde o roteiro passeava suavemente na história da literatura. O mistério tomou conta de "Penny Dreadful" em todo seus momentos no arco de Vanessa contra o Diabo e senti falta de seus personagens quando a série terminou.

Deixando pontas soltas numa terceira temporada apressada que ainda apresentava personagens novos, como a Dra. Seward e desaparecia com outros, como Dr. Jekyll/Mr. Hyde que nem chegamos a ver, "Penny Dreadful" terminou o arco de Vanessa deixando um vazio demonstrando que a série tinha ainda mais lenha pra queimar e que a audiência, que nunca fora lá muito alta, foi preponderante pro $eu cancelamento pela Showtime. Uma pena.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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