O que está em jogo em Westworld?

Como o vídeo do Wisecrack diz, diminuir Westworld a um jogo do homem brincando de ser Deus é um eufemismo grande e simplificação de seu caráter filosófico, já que Deus está presente praticamente em todos os episódios e o própria série em si traça um paralelo bem óbvio com Adão e Eva.

Então o que é o bem e o mal?

Se Deus existe em toda onisciência e sua onipotência, como poderíamos ter livre arbítrio? Como poderíamos amar verdadeiramente alguém, se o amamos também ao crer na predestinação de que Ele teria nos feito para amá-lo; contradizendo com o entendimento do que é sincero?

O que está em jogo aqui é a ética e a liberdade, ou em outras palavras: o que é ser realmente verdadeiro.

Na discussão entre os limites entre homem e máquina, o que Westworld acaba passando é que tanto os homens como os anfitriões no parque procuram a plena liberdade de um looping infinito em que tanto um como o outro vivem. O homem buscando um mundo sem limites ou ética para viver e os autômatos buscando sua auto-consciência. Será essa a predestinação de Deus ou Ford?

Vivemos através de um sistema que nos diz o que e bom de comer, o que é melhor de vestir, e o que é sensato de se dizer e fazer, enfim, trabalhamos sempre com a busca de ter um modelo de uma vida tranquila de um padrão sempre pré-concebido; então como, em nossa auto-consciência, podemos mensurar o que é o bem e o mal se tomamos essa decisão sabendo pré-definidamente das consequências? Então, o que é realmente a verdade? Como podemos ter a liberdade de ser o que somos e tomarmos as decisões que realmente queremos?

O sofrimento, como o Homem de Preto diz, torna as pessoas mais verdadeiras - dando a capacidade de elas aprenderem a escolher entre o verdadeiro bem e o mal. Como Adão e Eva só adquiriram o conhecimento disso ao comer do fruto proibido, foi esse sofrimento de não ser quem é na sua realidade e de ter feito coisas que não adiantaram no parque, causaram a sua transformação em Westworld; logo, a incapacidade de ser realmente bom ou mal em realidades que, em suma, são apenas um jogo (uma alegoria precisa entre as cores usadas ao longo da série na transformação de um homem, como a de Walter White em Breaking Bad).

Traçando esse paralelo entre a história bíblica e a série, houve uma decisão, uma decisão que trouxe consequências mas também a auto-consciência.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

Voltando
Next Post »
Comentários
0 Comentários
0 Comentários