A nossa justa homenagem que o Chavinho merecia

Quando alguém lhe pergunta qual seriado mais gostamos logo a gente pensa: Breaking Bad, Sons of Anarchy, Game of Thrones, Friends... Mas tem um, não, na verdade dois seriados que a gente gosta pra caralho e nem se dá conta que são seriados também: Chaves e Chapolin.

Sim, Breaking Bad e Chaves são seriados, de gêneros diferentes, mas iguais em sua proposta.

Sei lá, talvez a resposta dessa diferenciação que a gente faça sem querer querendo seja porque a obra de Roberto Gomez Bolaños, tão largamente divulgada ao redor do mundo (já assistiu em japonês?) e salvaguarda eterna da grade do SBT, faça tão parte das nossas vidas, do vocabulário, das piadas e até de trejeitos, que nós esquecemos de que Chaves e sua turma sejam criações de fato. E penso eu, esse é o maior e mais difícil mérito de ser alcançado por qualquer programa de entretenimento.

"El Chavo Del Ocho" é um retrato inocente da realidade que milhares de crianças vivem e que outras milhares de pessoas passam. A pobreza, a disposição pelo trabalho, de aguentar gente chata e tão diferente de você, sempre com a vontade de dar risada dividindo seu bom coração apesar dos desentendimentos numa pequena vila, se confundem facilmente com o que conhecemos como nós. Seu Madruga, Dona Florinda, A Bruxa do 71, ops, Clotilde, Quico, Chiquinha, Jaiminho, Prof Girafales, Seu Barriga são gente como a gente e talvez por isso a série mexicana tenha feito tanto sucesso aqui no país do golpe. É tanto o sucesso aqui no Brasil, que não importa o horário que Silvio Santos resolva colocar o Chavinho, a audiência é mais do que garantida.

Mas contextualizando sobre o curta, "Moleque" é uma justa e comovente homenagem que faria passar mal o Capitão América de tantas referências que traz consigo.


Dirigido e roteirizado pelo cineasta Marcos Pena em parceria com a Guerrilha Filmes, "Moleque" (tradução de "El Chavo") é um curta narrado com muita sutileza e perfeição ao se basear na obra atemporal de Bolaños. Com um humor puro e inocente que a gente celebra com saudades e uma tonelada de referências que qualquer fã de Chavinho irá reconhecer, o curta corre suavemente, sem forçar sequer um refrão ou trejeito, deixando um sorriso em meu rosto e encerrando-se com o mérito de ter sim sua própria característica sem se desgrudar da obra original.

Silvio Santos assista isso peloamordedeus!

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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