Resenha Série: Vikings (4ª temporada)


No começo da série vimos que Ragnar Lothbrock (Travis Fimmel) era um sonhador, aquele homem que bateu de frente a seu rei na época, e quis não só desbravar o mundo, mas com a mente de um simples fazendeiro que era dar um futuro melhor à sua família e a seu povo.

E talvez o seu desgosto que provocou o seu desejo pela sua morte e em ser dono de seu próprio destino (seu último objetivo), tenha sido causado justamente pelo cansaço do peso de ser a esperança e o espelho de milhares de pessoas, onde ao mesmo tempo ele convivia com as mentiras e as decisões que agora ele quer esquecer de vez. Ele terminou sentindo que era apenas um homem, e que os próprios sonhos falhos não eram responsáveis pelos sonhos de outras pessoas. Ele causou dor não só para ele como para as pessoas que amava. Tudo foi um reflexo inexorável.

Sua sanidade e sua capacidade agora era posta à dúvida, seu remorso o quebrou. Ninguém queria ser rei, mas o rei era ele. Confrontando tudo isso, mesmo na sua morte vimos que ele guarda um último trunfo...

(Se você não assistiu até essa 4ª temporada ou ainda nem começou a ver a série, não leia mais)


Para resumir sua remorso e sua dor, o agora grande e lendário Rei Ragnar em uma das suas incursões a Inglaterra se aproveita do relacionamento próximo com o traiçoeiro Rei Ecbert de Wessex (Linus Roarche) e negocia assentamentos para seu povo numa parte de seu reinado em troca da paz; no entanto Ecbert sabendo que Ragnar está ocupado com sua invasão a Frankia, elimina esses assentamentos num acordo com o Rei Aelle (Ivan Kaye) da Mércia para retomar o poder de Kwenthrith, e Ragnar ao descobrir isso escolher deixar a tragédia em segredo do seu povo para manter sua grandeza,

Enquanto isso ele prepara sua invasão a Frankia, não só para vingar a traição de seu irmão Rollo (Clive Standen) (que seduzido pelo reinado com o poder e a riqueza que ele sempre queria pra si), se aliou ao reinado e Paris acaba triunfando a invasão comandada por Ragnar, o homem que parecia antes invencível.

O peso da derrota fora grande e seu grande amigo Floki (Gustaf Skarsgard) credita isso à proximidade de Ragnar a Athelstan (George Blagden), o beata que ele resgatou como escravo na sua primeira invasão a Nortúmbria ainda na 1ª temporada. Essa proximidade para Floki foi determinante para a derrota, já que os deuses estariam irritados com Ragnar e assim mata Athelstan.

Desiludido com tantas desgraças e inimigos criados, o antes fazendeiro de Kattegat não se sente mais motivado a incursões. Sua fé está abalada e ele não crê mais no seu grande destino em Valhalla. Se na primeira parte da 4ª temporada vimos um Ragnar ainda buscando conquistas, agora ele quer ser dono de seu próprio destino e da sua mortalidade, essa que pra ele seria o último grande feito a ser realizado por ele.

Vikings é a série onde pergunta mór é: para onde vamos agora? 

Da história sabemos, os vikings chegaram até a América do Norte (Canadá) e nessa segunda metade da 4ª temporada já vimos a incursão de Bjorn no mediterrâneo, mas talvez um dos principais desafios de Vikings seja aliar história a ficção ao mesmo tempo. Mas Micheal Hirst sabe disso e não se descuida de seu roteiro que agora teve 20 episódios, e salvo alguns deslizes compreensíveis para um recomeço, manteve a mesma qualidade de antes, o que era um medo meu.

Contrapondo sempre as culturas e as crenças de forma habilidosa - onde podemos claramente ver isso em Athelstan e Ragnar no catolicismo anglicano x paganismo e agora no desiludido Floki com a cultura muçulmana, Vikings se tornou uma das melhores formas de se contar história não querendo só contar história, já que sabemos que essa mistura de crenças foi o começo da derrocada da religião deles.


E o mistério e a sede de vingança continuam...

Enquanto Lagertha (Katherin Winnick) agora é rainha de Kattegat retomando o lugar que sempre sentiu que era dela, Floki agora não vê mais razões em viver após a morte de Ragnar e Helga (Maude Hirst). Com sua morte de seu pai, os seus filhos de Ragnar são os responsáveis por tomar o lugar do protagonismo e seguir em frente com essa história, vingando a morte de seu pai matando Aelle e Ecbert. Bjorn "Ironside" (Alexsander Ludwig) é o líder agora e a um tempo já vem demonstrando esse apreço (aliás é impossível não se lembrar de Ragnar ao ver o jeito de Bjorn, tal pai, tal filho), e Ivar Ragnarsson "Boneless" (James Quinn Markey) com sua raiva reprimida se mostra como aquele que não vê ninguém à sua frente. Opostos que se relacionam intimamente ao duelo entre os irmãos Ragnar e Rollo.

A mudança com a cantada morte de seu principal protagonista foi grande e o choque também, mas Micheal Hirst não deixou cair a bola. Talvez os deixados de lado Ubbe (Luke Shanahan) e Hvitserk (Stephen Rockett) tenham sido um erro por terem sidos tratados dessa forma na 4ª temporada, mas é uma coisa que só poderemos ver nos desdobramento da próxima. 

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Voltando
Next Post »
Comentários
0 Comentários
0 Comentários