Resenha Cinema: O Chamado 3

Chamados porque o telefone toca mais de uma vez?
Para mim é assim: assistir um filme de terror no cinema nunca é o planejado. E não foi quando acabei assistindo "O Chamado 3". Mas assim que isso foi resolvido, a primeira coisa que veio na minha mente foi me perguntar sobre o segundo filme, o que me lembrava dele. A resposta era nada. E essa amnésia de um filme nada reflete muito bem o que são os filmes de terror hoje em dia, um entretenimento caro (cinema não tá barato não) de fórmulas batidas de seres aparecendo do nada da tela e um som alto, aliados a um roteiro fraco e frustrante para quem muitas vezes espera minimamente um algo a mais, e quando digo minimamente, é porque não coloco nenhuma expectativa.

Mas vamos voltar ao o que me lembrava do segundo filme. Além de ele ter sido lançado a muito tempo, precisamente em 2005; pesquisando no Wikipedia pra refrescar nossas memórias, "O Chamado 2" é baseado em cima de um roteiro original em que Aidan (David Dorfman) adoece e sua mãe Rachel (Naomi Watts) descobre posteriormente que ele está possuído pela Samara. Entre idas e vindas, ela descobre sobre a mãe da Samara, Evelyn, e também de que a única forma de salvá-lo era matando-o afogado (pois a Samara era o Cascão e tinha medo de água). No entanto, Rachel se entrega para salvar a vida de seu filho, prendendo a Samara no poço (supostamente para sempre) e se atirando do penhasco logo em seguida, como nas cenas da fita. Bom, apesar de Naomi Watts ter sido elogiada pela sua atuação, o filme recebeu muitas críticas negativas (finja surpresa) e por sorte ela não retorna nessa bomba que é o terceiro filme. 

Em cima da forte mitologia de Samara estabelecida no primeiro filme de 2002, "O Chamado 3" resolveu por ignorar tudo aquilo que não lembramos no segundo filme (tanto que no título original é somente "Rings"), mas sobretudo por ser uma continuação extremamente tardia, afinal se passaram quase 12 anos, portanto, os roteiristas resolveram apelar mais para o primeiro filme e uma mitologia da Samara para uma nova geração.

Quando o primeiro "O Chamado" foi lançado, aquela construção básica em cima de uma maldição de um VHS com um vídeo misterioso que despertava um espírito que surgia na tela da televisão me assustava pra caralho, "O Chamado" era um filme que funcionava, não só por eu ser mais jovem, mas porque a história era realmente legal e concisa. 

O que temos aqui no terceiro Chamado é basicamente a mesma coisa com a diferença das tecnologias empregadas. O professor Gabriel (Johnny Galecki, sim, o Leonard Hofstadter de Big Bang Theory num estilo descolado com a barba por fazer e um brinquinho na orelha que acaba com qualquer credibilidade que o personagem podia ter) compra um vídeo-cassete velho (e que hoje em dia ninguém sabe o que é) e descobre que uma fita velha está dentro com a clássica mensagem "me assista". Claro que ele assistiu e a merda estava feita. 

Aproveitando de seu status de professor, ele pesquisa e descobre que a sua maldição seria passada pra frente se em sete dias outra pessoa assistisse ao vídeo ao lado dele, e assim foi. Com a desculpa de que era um trabalho de escola sobre uma transcendência da vida após a morte, a merda vai passando de "seguidor" em "seguidor" até que chega em Skye (Aimee Teegarden), sua esposa, e depois em Holt (Alex Hoe), namorado de Julia (Matilda Lutz) e que por não conseguir falar com o namorado, descobre sobre a tal "experiência" e para salvar a sua vida e do namorado vai atrás de saber o que realmente Samara quer e porque faz isso. Enfim, mais uma vez é a história de uma coitadinha.

Com soluções simples, como um vídeo dentro de um vídeo (?!?!), e um roteiro que chega a ser risível em vários momentos, inclusive desperdiçando Vincent D'Onofrio (o Wilson Fisk de Demolidor), como o pai de Samara e irreconhecível com a barba, "O Chamado 3" ignorou o segundo e tirou a Samara do poço para uma possível franquia agora sem essa pausa gigantesca. E bem menos assustadora, agora saindo de celulares e tendo fotos de suas vítimas espalhadas no Facebook. Talvez se o filme tivesse apelado para a pesquisa de Leonard, ops, Gabriel, sem apelar mais uma vez para o passado de Samara e sim do porque ela faz o que faz e da onde vem, talvez o filme seria mais interessante. 

Bom, talvez o mais assustador do filme seja o seu vídeo de imagens aleatórias, que agora não depende mais de cópias de VHS para ser proliferado, bastando um CTRL+C e CTRL+V para tal. No final do filme o seu vídeo vai para todos os contatos de email de Holt. Se fosse verdade, isso seria assustador; mais do que ter uma caganeira com Activia.

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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