"Senna in the heart of Brazil" é o curta que você precisa ver

Quando alguém te diz ou algo te obriga a acordar cedo num domingo soa um verdadeiro absurdo, um crime. Mas no começo dos anos 90 eu era um daqueles moleques que acordava cedo num domingo, estivesse frio ou não, e colava na frente da televisão para assistir mais uma vitória de Ayrton Senna F1. Claro, estatisticamente ele não ganhou tanto assim, foram 3 títulos e 41 vitórias, mas tendo apenas 5 anos na época pouco importava estatística e nem sabia o que era essa coisa chamada vida, queria era acordar todas as manhãs para ver o meu herói destemido que pilotava um bólido a mais de 300km/h enfrentando a morte e desafiando o tempo.

Estava lá todas as manhãs, inclusive no fatídico dia 1º de maio de 1994 que vi ele passar direto na curva e se chocar violentamente contra o muro. Mais uma batida e mais uma corrida perdida pensei. Pena. Mas ele não saiu do carro e o Galvão na época alertava como a batida foi forte. Lembro que a corrida ficou em segundo plano naquela transmissão e direto do hospital noticiaram que Senna morreu. 

Saí correndo pelo corredor da casa e falei pra minha mãe o que tinha acontecido e ela disse: "não, não é possível". Sim, não era realmente, ninguém acreditava do Brasil até o Japão. Como aquele que julgava um herói imortal como aqueles que hoje idolatro nos filmes e nas HQs poderia morrer? Mas ele era humano, um humano inspirador e destemido, mas um humano. A vida que não entendia era apresentada a mim. Lembro que a noite chorei incontrolavelmente como se tivesse perdido um familiar, um amigo, e a comoção que causou sua morte nesse país foi tamanha que hoje ainda temos um buraco que talvez nunca mais irá se preencher nos domingos de manhã.

E sim, você pode questionar que muitos fazem isso, corridas em alta velocidade são um desafio a morte e blá blá blá. Mas esqueça esses carros tecnológicos de hoje que fazem tudo, o que diferenciava Senna dos milhares de outros pilotos era a sua personalidade ímpar que acima de tudo somente queria vencer e que inspira até hoje, atletas ou não, através de seu perfeccionismo, patriotismo e força de vontade gigantesca uma vida digna de construir histórias que são contadas até hoje, como a dessa animação abaixo.

Já passou da hora de Senna ter um filme contando sua vida, isso sim é uma pena. Mas esse curta animado com a narração do próprio Senna contando a vitória épica dele no GP do Brasil de 1991, quando nas últimas voltas ele venceu na chuva com apenas a sexta marcha faz jus a uma pequena parte da sua história. 


Resenha Filme: Ele Está de Volta


Nesse texto de ontem em que falei especificamente do episódio "The Waldo's Moment" (S02E03) de Black Mirror, eu deixei claro a concepção do político-personagem que simplesmente "fala o que todos queriam ouvir" que o episódio trouxe à tona. É exatamente esse o gancho do filme baseado no livro homônimo de Timur Vermes "Ele Está de Volta", mas se a caricatura é a mesma, ao contrário de Waldo, a persona é nada mais nada menos do que Adolf Hitler.

Imagine se Hitler acordasse próximo a seu bunker onde ele foi enterrado e que graças a um fenômeno temporal ele surgisse do nada 70 anos depois exatamente no mesmo local? Sem aviões, sem soldados, sem nada. Desesperado e sem saber o que aconteceu como o Capitão América que viu a Times Square pela primeira vez, Hitler toscamente acorda fedendo no meio da fumaça tentando saber aonde está sua esposa Eva, a SS e seu parceiro Himmler tentando chegar a Chancelaria antes que os inimigos o atacassem.

É aí que após receber spray de pimenta na cara ele se depara em frente a uma banca e vê a data: outubro de 2014. Mas como se fosse o destino, o agora "comediante" Adolf Hitler resgatado por um turco está em um lugar aonde ele pode absorver toda a informação para conhecer esse novo tempo e dar início ao seu plano de dar início ao III Reich (IV no caso). No tom leve do humor que trata de um assunto tão delicado, a situação de um homem totalmente deslocado de seu tempo é engraçadíssima. Por exemplo, é de dar risada a cena dele na lavanderia e na surpresa que ele tem ao saber que os odiados Poloneses ainda existem são praticamente uma parte da Alemanha! Blasfêmia!

Do outro lado da história está Fabian, um freelancer fracassado que trabalha numa emissora chamada MyTV, que é demitido, e que vê no "comediante" que não consegue sair mais do personagem uma chance de ser recontratado de volta. Assim que descobrem seu projeto, os executivos recontratam Fabian e com a baixa da audiência, a emissora vê em Hitler um potencial chamariz do canal. E com seu discurso apoiado no seu livro Mein Kampf, rapidamente ele vira uma web-celebridade instantânea conquistando a simpatia de todos, e como "comediante" que é, viralizando nas redes sociais e no YouTube, sendo falado aos quatro cantos em vlogs elogiando seus pontos de vista nacionalistas e de amor a pátria.

Contudo está na piada a grande questão do filme. É para levar esse cara a sério? Enquanto todos manifestam caras de dúvida, Hitler vai ganhando terreno para ser aquele político-personagem que diz "o que todos querem ouvir".

No tom documental estilo Borat, o ator Oliver Masucci fantasiado de Hitler saiu pela Alemanha para fazer o que o Adolf Hitler queria como segundo passo: saber o que o povo pensa. Surpresas por verem uma cópia de Hitler tão bem feita na sua frente, as pessoas desandam a tirar selfies compartilhando nas redes sociais os momentos com o "comediante" e ele como bom político que era perguntava a elas o que as fazia tão descontentes, não demorando muito para confidenciar a ele o descontentamento atual dos refugiados Sírios, dos políticos e até do sistema democrático ser uma mentira como uma nativa da Alemanha Ocidental declara. E histórias não faltam, como a de um senhor de classe chegar ao absurdo de dizer a Hitler que o QI dos alemães diminuiu em cerca de 20% graças a chegada de estrangeiros, e em outra cena assustadora, que Hitler acaba convencendo facilmente torcedores alemães a baterem num ator que bradava contra o país, obrigando a produção a intervir antes que algo de mais grave acontecesse.

Somente UMA pessoa em todo o filme se declarou contra toda aquela brincadeira. UMA fucking person! E o assustador é que não se tratavam de pessoas marginalizadas, mas sim pessoas de classe média, pessoas normais que acredita-se ter o potencial discernimento do discurso e da figura que Hitler representa.

A maravilha feita pelo homem que a televisão e a internet são se tornam de fundamental importância para Hitler e como ele não é bobo sabe disso, sabe que o povo atual é extremamente idiotizado e midiático, sabe que a sua imagem não mete mais medo a ninguém sabendo que Chaplin e tantos outros o interpretaram no cinema. Como seu amigo Goebbels dizia: "Uma mentira martelada mil vezes se torna verdade" e a piada que ele é e faz todos rirem, impedem quase que automaticamente as pessoas do que elas poderiam separar como certo e como errado. Aqui vemos claramente como um discurso nacionalista de direita, se bem aplicado, é extremamente eficiente aos ouvidos da sociedade. Quem não quer "defender" sua casa? Quem não quer se livrar daquele vizinho incômodo? É muito mais fácil eleger alguém assim do que eleger alguém que promove a igualdade que é inúmeras vezes mais difícil de se trabalhar.

Numa analogia perfeita ao ser imortal que leva um tiro, cai do prédio e surge segundos depois atrás do atirador. Ao final do filme Hitler diz: "Não podem se desfazer de mim, eu faço parte de todos vocês", e o fato é que isso é a pura verdade e é aí que no filme reside a sua maior crítica.

O que Hitler fez numa sociedade cada vez mais fraca em que a Direita para ele é um arremedo de gente que nunca leu seu livro e os skinheads são um bando de idiotas que não sabem o que querem (o que é verdade), foi se aproveitar do Hitler dentro de cada uma das pessoas e dizer justamente o que elas queriam ouvir e descobrindo o que elas de verdade pensam mas não dizem com medo das represálias de um pais que foi assolado pelo Nazismo. Como se lembrasse a cada um de que ele foi eleito de forma democrática pela nação alemã, e agiu exatamente da mesma forma que estava agindo agora, se aproveitando justamente da fraqueza de discernimento e do nacionalismo egoísta de cada um, que vivem cheios de raiva e de ódio mas procuram principalmente um culpado pela sua angústia aonde políticos canastrões e personagens de si mesmos se aproveitam ano após ano para angariar votos, como Hitler fez em 1930.

Ele Está de Volta é um filme certeiro para o que se propõe que é tocar em assuntos delicados, usando o humor para ser extremamente pertinente em uma época de tanta instabilidade política em que a Europa inteira que com bico abriga refugiados assolados por uma Guerra Civil devastadora na Síria. É aí que vale a reflexão: Vale mesmo dar voz a pessoas só pelo meme? Pela zueira? Pelo riso amarelo? Pela promessa que é música para os seus ouvidos, e só os seus ouvidos?

Resenha Série: Vikings


Nos últimos anos as séries de televisão passaram a ter uma outra visão do que era entretenimento. Os tempos mudaram, o público mudou e por consequência esse público que consumia somente sitcoms (extremamente bem sucedidas) como Friends passou a se questionar se algo a mais podia ser realizado. Na época a separação entre cinema e televisão era bem clara, para a primeira restava o entretenimento mais simples, para a segunda o drama e a sofisticação; mas a virada começou quando justamente a HBO começou a carregar o lema que é conhecido até hoje: "muito mais que um canal", e séries como Sopranos foram responsáveis diretas para essa virada que deram origem a séries como Breaking Bad e House of Cards, que tocam em assuntos delicados e se aproveitam do formato televisivo muito mais flexível para desenvolver histórias bem mais densas que em duas horas poderiam ser limitadas, e até na existência da Netflix em si, que investe pesado na criação de seu conteúdo próprio e mudou a forma de consumirmos a própria televisão. Com o perdão do trocadilho, realmente é um castelo de cartas cada vez mais indestrutível.

Portanto não me surpreende que o canal de documentários History Channel fosse se aventurar nesse mundo atualmente tão concorrido e apresentasse - até pelo nome que carrega - uma série de altíssima qualidade carregando um pouco da história em cada cena e é isso o que fascina. É fácil você se divertir durante 40 minutos com a série e correr logo depois pro Wikipédia pra ver se tudo aquilo sobre os deuses e invasões dos Vikings na Europa realmente aconteceram, e sim, aconteceram, Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel) existiu!

Em uma pequena pesquisa, Ragnar Lodbrok (aqui na série como Ragnar Lothbrock) foi um rei semi-lendário na Dinamarca que reinou o pais durante os séculos XIII e IX e foi o grande responsável pela expansão das explorações Vikings dando origem a Era Viking de ouro que conhecemos e que por consequência acabou plantando a semente para o futuro declínio de sua cultura. Seu irmão Rollo (Clive Standen), um grande guerreiro Berserker (denominação para os guerreiros que não usavam nenhum tipo de proteção durante as guerras muitas vezes se utilizando de bebidas e cogumelos alucinógenos para provocar o poder de ferocidade dos animais) que se tornou Duque no feudo na Normandia ao fazer um acordo com os francos para impedir os ataques vikings em Paris. A ex-esposa de Ragnar, Lagertha (Katheryn Winnick), uma skjaldmö donzela escudeira, digna e corajosa valquíria (que de acordo com a lenda eram deidades femininas menores que serviam Odin sob as ordens de Freya) capaz das proezas mais insuperáveis e que entre idas e vindas casou e ajudou Ragnar Lodbrok a vencer diversas batalhas.

Todos os três personagens realmente existiram e a cultura politeísta dos Vikings é retratada de forma brilhante assim como o choque cultural provocado pelas invasões a países do ocidente como a Germânia (hoje Alemanha e ainda não mostrada na série), Frankia (hoje França) e nos reinos da Mércia, Nortúmbria e Wessex na Inglaterra, governados pelos reis Carlos, Ecgbert, Aelle respectivamente. Preciso lhe falar que eles também são figuras que realmente existiram? 

A série retrata corretamente o dia-a-dia e os costumes do povo nórdico e entrega verdadeiras batalhas de tirar o fôlego, não à toa, pois se ficou mole criar batalhas épicas em CGI depois de Senhor dos Anéis, aqui temos um trabalho magnânimo para treinamento dos figurantes. Tudo é muito bem filmado e coreografado e o sangue transborda na tela sem dó. São cerca de 206 dublês e 500 figurantes e cerca de 5 mil deles na terceira temporada! Aliás, quando a gente vê as batalhas em Paris na quarta temporada é impossível não soltar um puta que pariu de boca cheia pensando que aquela sequências alucinantes são realizadas como o mínimo de CGI. Não vi Game of Thrones para efeito de comparação, mas é difícil de outra série do estilo superar a excelência e o cuidado que vi aqui.

O povo Viking era essencialmente guerreiro, e invadiu não só esses países que citei no parágrafo anterior, mas desbravou também a Rússia, Constantinopla (hoje Turquia), Islândia, Groenlândia, e até a América bem antes de Colombo sonhar que a terra era redonda. Como você vê não falta história. Mas também esse foi um povo muito astuto e sonhador que fincou sua cultura a lugares nunca antes imagináveis deixando marcas até hoje. 

O diferencial de Ragnar como rei (e talvez seja por isso que eu o admire tanto), é que ele não busca somente força entre os deuses, vê que o seu povo deve enxergar além disso e ver que há algo além que um rei precisa ter constantemente ao seu lado: honestidade e lealdade. Atributos que sabemos bem que naqueles tempos eram algo que estavam em falta ou simplesmente não existiam, forçando não só Ragnar a se questionar sobre o mistério da morte mas o que faziam pessoas serem realmente dignas de confiança. Algo que vemos na invejosa traição de Rollo e dos ciúmes de Floki (Gustaf Skarsgård) por Athelstan (George Blagden), que vê como heresia diante dos deuses nórdicos ver o rei Ragnar tratar o cristão como amigo, mas que em contrapartida oferecia justamente o que Floki não se dignificava ter. Aliás, esse conflito de religiões é bem claro quando também nos damos conta que enquanto nos Vikings impera sempre o mais forte acima de tudo, os cristãos são mais políticos e preparados intelectualmente, mas não pensam duas vezes em sacrificar seus filhos quando lhes for conveniente. Então quem é o mais selvagem na história?

Ser astuto e sonhador, é o vemos que transpira pela pele de Ragnar e por isso ele tenha sido tão lendário. Ele foi o único que levou seu povo além das fronteiras já conhecidas destronando um a um todos que se opuseram em seu caminho. A série como Breaking Bad e Game of Thrones é feita de escolhas e por isso ela se torna tão grande. Uma frase diz bem o que ser rei significa, quando Rollo na terceira temporada o pergunta sobre a suposta felicidade que o poder pode trazer e que até então ele não provou: “isso nunca foi sobre minha felicidade“.

O que vemos por toda a série não foi um Ragnar somente interessado por saquear e invadir, mas sim por tentar deixar um legado, e a cada vez que ele sente a derrota e a morte daqueles que acreditaram na sua palavra ele sente cada vez mais o peso da responsabilidade. Como disse, a série é feita de decisões e Ragnar, sentindo também o peso da idade e desgostoso de muita coisa, sente esse fardo cada vez mais pesado. 

Ao final da mid-season da quarta temporada ele pergunta a todos: "who wants to be a king?". Quem então tem a coragem de se candidatar? Talvez esse legado que Ragnar construiu seja um fardo tão pesado que nem seus filhos consigam carregar, e se a série continuar seguindo a história sabemos aonde isso vai terminar. E mal posso esperar pra ver!

Finalizando, Vikings é uma série criada por Micheal Hirst para ver para ontem. A construção histórica, o empregamento da pesquisa, a história que transpira e fascina (olha quantos links vou disponibilizar abaixo), e sobretudo, a construção dos personagens Ragnar, Lagertha, Rollo, Floki e Bjorn (Alexander Ludwig) (que agora floresce de vez) é simplesmente fantástica e evidencia quanto essa cultura pouco mostrada antes na televisão e no cinema merecia uma retratação digna - chega de Romanos LOL. Um golaço da History Channel que credencia o canal a se aventurar em outras séries de época como essa.

Para ler e pesquisar:

Black Mirror: O sensacional momento de Waldo e como ele reflete cada um de nós


Black Mirror é uma série espetacular que um dia desses irei falar mais sobre aqui, mas o que a torna ainda mais espetacular do que a competente produção e elenco, são a gama de assuntos e discussões que essa série traz usando a sedutora e ameaçadora tecnologia, tornando-a ainda mais duradoura na mente de quem assiste.

São 2 temporadas disponíveis na Netflix divididas em 6 episódios independentes, quer dizer, o único ponto que os liga é o uso da tecnologia mas fora isso troca-se tudo, elenco e história. Então pequeno gafanhoto acostumado a se enterrar no sofá nas maratonas do deus do streaming, Black Mirror não pode ser vista com sono e que ironicamente não pode ser vista com o celular na mão; resumindo, Black Mirror é o tipo de série densa mas extremamente viciante e que faz a gente perceber o que realmente vale quando consumimos qualquer tipo de cultura: a crítica. E sobre a crítica social que transborda pela tela a cada episódio da série, resolvi falar de um dos episódios mais impactantes e mais absurdos chamado "The Waldo Moment" (S02E03) que talvez te convença mais firmemente a assistir a série.

Com roteiro escrito originalmente por Charles Brooker, o episódio narra a história de Jamie Salter, um comediante fracassado que cria Waldo, um urso azul animado e com um humor extremamente ácido, debochado e até agressivo, viraliza no YouTube após entrevistar o candidato do Partido Conservador Liam Monroe. E como adoramos ver políticos sendo ridicularizados, o sucesso é tanto, mas tanto, que os produtores por trás de Jamie e consequentemente Waldo tem uma ideia absurda dos melhores momentos da publicidade e lançam o Waldo como candidato.

Só que pare um momento e pense, por que Tiririca está lá no Congresso? Em recente entrevista no Programa do Jô, o palhaço não só demonstrou que realmente não faz ideia do que é ser um deputado mas também não faz a mínima ideia do inferno que está realmente acontecendo em Brasília. Só que pare e pense um pouco de novo, o palhaço representou o famigerado "voto de protesto", os quase 2 milhões de votos que representaram um povo cansado da política e que acha o sistema político um verdadeiro picadeiro (como o é realmente). Então porque seria estranho Waldo ser eleito, não é?

Com a candidatura em alta através da interação em apps além da revolta social, Waldo se torna não só um personagem, mas uma voz. E é a partir do debate em rede nacional com todos os candidatos que evidenciou um mero comediante extremamente desconfortável com a situação por temer e ser atacado de forma pessoal por Liam, que essa fofa e tosca figura chamada Waldo cria forma. Uma frase é emblemática nesse momento “Sou um personagem de computação gráfica, mas mesmo assim sou mais humano que todos vocês juntos”. Essa revolta de Jamie só aumenta a popularidade de Waldo, que claro, representa uma parcela cada vez mais alta na sociedade que não enxerga mais o personagem como um personagem, mas sim como uma ideia; e como o sábio V nos ensinou: "Ideias são à prova de balas".

Spoiler, Waldo não é eleito, mas um pouco antes disso os E.U.A. (sempre eles) entram na jogada e viram o feitiço de Jamie contra o feiticeiro de vez. Waldo não depende mais dele para viver e não importa o quanto ele tente, Waldo é uma ideia e uma potencial figura formadora de opinião ao redor do mundo, tanto que ao final do episódio é exatamente isso que vimos; e vimos que para defender ideias de "esperança", uma sociedade enfraquecida, descrente e revoltada pode se tornar extremamente nociva a ela mesmo no que se refere ao respeito e a tolerância. Resumindo, Waldo vira tipo de deus anárquico e a democracia não valesse de mais nada, algo que em países fracos politicamente vira uma arma.

Reflita, e o que nos separa disso? Tá certo que isso soa exagerado agora, mas como adoramos assistir o Discovery Channel pra ver as inúmeras teorias da catástrofe, basta uma eclosão de uma boa ideia para que isso possa virar realidade. Filmes como "A Onda", aonde um professor vê seu aluno desafiar sua tese ao dizer que o Nazismo era um partidarismo político soterrado pelo tempo e pela suposta evolução cultural nossa, prova astutamente de uma brincadeira experimental utilizando da revolta e desejo de inclusão arraigados nos âmagos e convicções de cada um dos seus alunos e que acaba no final das contas resultando num "jogo" com consequências muito sérias, causa uma profunda reflexão sobre o que o "pensamento de manada" pode fazer, tanto aqui como nesse episódio de Black Mirror.

Através desse episódio absurdamente inteligente Black Mirror não só se notabilizou por ser uma série que trouxe sérias discussões sobre as consequências tecnológicas no presente e no possível futuro que estamos talvez estamos "dopados" demais para nos dar conta (como em "The Entire Story of You" S01E03), mas alerta para o fato de grande parte da sociedade estar intelectualmente cada vez mais vazia e preguiçosa vendo no Facebook sua principal tábua de protesto e em vídeos de gatos a sua principal fonte de humor; mas que principalmente tem a política como um clero formado por uma classe de engravatados que dia após dia entram em um picadeiro, falhando miseravelmente em entreter e representar verdadeiramente a população que os assiste.

Por isso o infame Waldo representa alguém, e não se engane, o Tiririca também representa.

Resenha Série: The Flash (2ª Temporada)


Quem acompanha as resenhas que faço das temporadas de "The Walking Dead" sabe bem que critico constantemente o formato da série narrada em 16 episódios por perceber que ela poderia ser melhor trabalhada se ela tivesse de 10 a 12 episódios na temporada, pois percebo que as séries que utilizam desse formato, como "Vikings", "Orphan Black" e "Game of Thrones", acabam por ter um andamento de roteiro mais conciso e objetivo não dando vazão assim a aqueles episódios que só servem para enrolar o espectador pra próxima semana, o que são qualidades que carecem fortemente na grande maioria das series da televisão aberta norte-americana.

No entanto, algumas delas se destacam e aquelas que se destacam são justamente aquelas que se utilizam do artifício do puro entretenimento, como "The Flash", que na primeira temporada abraçou firme o cerne divertido do personagem das páginas das HQs ganhando elogios por aí a fora. Isso continua aqui, mas ao contrário da primeira temporada em que nos longos 23 episódios tivemos uma constância trabalhada muito bem entre os "vilões da semana" e o vilão Flash Reverso, nessa segunda temporada (que costumamos chamar também de "hora da verdade") o herói escarlate tropeçou feio nas provações e escolhas que o herói sempre passa entre a descoberta de seus poderes e o forçado amadurecimento que ele tem que passar, o que enlouquece tanto quanto.

Claro que tudo o que aconteceu nessa segunda temporada é muito para a cabeça de Barry Allen (Grant Gustin) e talvez ele realmente veja em Hunter Zolomon/Zoom seu espelho enlouquecido que ele mesmo reluta em acreditar - o que é perturbador pra qualquer herói (menos o Batman porque ele é o Batman), só que parece que a CW quis tanto adicionar algo dramático nessa segunda temporada que tomou decisões equivocadas pra dizer o mínimo. Além de desaparecer com a detetive Patty Spivot (Shantel Vansanten) (que foi uma das melhores adições dessa segunda temporada) revivendo o dramalhão mexicano entre Barry e Iris (Candice Patton) que já deu no saco, adicionou outro dramalhão entre Caitlin Snow <3 altos="" anielle="" baixos="" deram="" dios="" e="" eddy="" em="" epis="" fizeram="" garrick="" jay="" n="" nbsp="" nenhum="" o="" os="" p="" panabaker="" principalmente="" que="" s="" se="" sears="" sentido.="">
Se tivemos os melhores momentos nos episódios que mostraram a visita de Barry, Cisco (Carlos Valdes) e Wells (Tom Cavanagh) na Terra 2 (E13 e E14) e no próprio direcionamento natural da série que ampliou o leque revelando o tema do multiverso, outros episódios como "King Shark" (S02E15) trouxeram de volta o esquema de "vilão da semana" da primeira temporada em um momento em que não se fazia mais sentido prático, já que Zoom estava tocando o terror pela Terra 1. Aliás, "The Runaway Dinosaur" (S02E21) foi um episódio de tanta choradeira que pensei que ia transbordar água pela minha televisão transformando a Força da Aceleração em um tipo de Deus da física. Bom, como disse, todos os heróis tem que passar pelo seu momento de provação, mas deu pra notar que em diversos momentos o roteiro teve que estender isso por vários episódios por causa do formato de 23 episódios e isso é algo bem chato pra quem já viu coisas melhores... Se a Patty foi uma das melhores adições da temporada, o Wally West (Keiynan Lonsdale) é um adolescente típico.

A segunda parte da temporada aliás foi de muita choradeira e dramalhão, provocado pela introdução da mãe de Iris e Wally a trama e constantemente por Zoom e sua "mania" de ser o mais rápido (contradizendo o que Barry diz na abertura da série) e isso permaneceu até em sua season finale "The Race of His Life" (S02E23) em que Barry vê seu pai Henry (John Wesley Shipp) ser assassinado (a melhor decisão da temporada, pois ele voltou mais para atrapalhar do que pra ajudar), só que se fosse Barry choraria também pelo desfecho da temporada. Assistir um desfecho tão simples para um vilão que se mostrou tão ameaçador e inalcançável durante a temporada foi meio broxante, contudo, abriu infinitas possibilidades e vou explicar porque.

Após o desfecho e do momento mais fucking time da temporada em que foi ver o John Wesley Shipp como o verdadeiro Jay Garrick da Terra 3 vestido de Flash 25 anos depois, ao todos estarem em casa Barry confessa a Iris que "sente um vazio dentro dele que não dá pra preencher", então Barry chuta o balde, abandona sua família e volta no tempo segundos antes da sua primeira viagem no final da temporada anterior (lembra?) em que ele reluta em salvar a sua mãe porque essa decisão alteraria toda a linha do tempo, mas agora com a perda definitiva da sua família no tempo presente ele toma outra decisão.

Se você se lembra bem, Harrison Wells (o outro da primeira temporada, Eobard Thawne) cansou de dizer a Barry e a nós que uma mudança mínima do tempo pode afetar o passado, presente e futuro não só sua Terra mas em todo o multiverso e por consequência o Arrowverse, o que ele em benefício próprio cuidava tanto em seu interesse próprio e que é aquele futuro que Barry e Iris eram casados. Mas agora tudo isso se foi, e isso amigo, a exceção do Flash ter se tornado o Flash, desfaz completamente o que conhecíamos até agora, quem viveu, quem morreu, e o que Barry acabou de salvar das mãos do Zoom nesse mesmo episódio.

Logo de cara questionamos se essa decisão do Barry em passar uma borracha em tudo o que aconteceu foi uma tremenda cagada, afinal, Doc já alertava a Marty McFly as consequências cataclísmicas da mudança do tempo e a gente colocou isso como regra absoluta naquele livro nosso que tem um capítulo sobre o dia Z e o apocalipse da SkyNet. Mas essa virada de mesa de Barry Allen que se baseou claramente no universo da DC nas HQs, é uma chance de ouro nas mãos dos roteiristas Greg Berlanti e Andrew Kinsberg em consertar não só as cagadas que eles fizeram durante a segunda temporada, mas podendo alterar todo o Arrowverse que conhecemos fazendo Oliver Queen nesse novo futuro ser quem? Um economista? Sem contar que agora com a adição recente da Supergirl a esse universo da CW poderíamos ter sim uma aproximação bem maior entre os dois heróis sem necessidade de portais, que no crossover entre os dois foi utilizado desse artifício.

O Flash Reverso? Poderia voltar. E a Nevasca, o Reverb e a Canário Negro? Também. O Wally West como Kid Flash correndo por aí? O próprio Zoom. E a Iris? Patty Spivot? Até a Felicity Smoak pode morar em Central City! São milhões de possibilidades nas mãos e isso por si só é um gancho e tanto para a terceira temporada, e como disse, isso pode ser uma chance de ouro ou pode ser uma cagada tremenda causada por Barry Allen que agora em um tempo que tem seus pais vivos, pode se tornar um Flash menos "cagão" e menos "Flash e seus amigos" que com a adição da Terra 2 ao roteiro deu a impressão de que estar assistindo. 

O que passa pelos meus fones #130 - Lacuna Coil

Assim como o "grunge" e outros gêneros musicais que tiveram seu tempo na moda, o "gothic metal" ou seja lá como você chame, sofreu um desgaste enorme até mesmo com fãs e perdeu muito na notabilidade que tinha. Obviamente que ninguém se matou (haha) mas bandas acabaram e sumiram no limbo musical. E "como o grunge" as que sobraram desse tanto são aquelas que tinham maior qualidade como o Arch Enemy ou se adaptaram colocando outro gêneros do rock em seu som, como o Lacuna Coil que atravessou o atlântico buscando o mercado americano e alterando bastante seu som pra agradar o mercado de lá consequentemente fazendo vários fãs torcerem o nariz; só comparar "Comalies" e "Broken Crown Halo" pra entender a mudança sonora de que estou falando.

Não vou me alongar muito mais, porém esse pequeno texto serve pra ilustrar o que o Lacuna Coil passou e finalmente parece ter encontrado: o equilíbrio. A faixa "Ghost In The Mist" não reinventa a roda, mas mostra uma corajosa agressividade dos caras da terra da bota que eu nem conhecia.

"Delirium" será lançado no próximo dia 27.



O que passa pelos meus fones #129 - Kamelot

Não sou nada chegado a power metal, mas o Kamelot tem aquele algo a mais que me chama tanta a atenção: o Kamelot tem a competência necessária pra se desviar do monte de bandas iguais do gênero. 

As batidas rápidas e os refrões grudentos estão ali, mas a mescla com outros gêneros como o progressivo e o sinfônico são preponderantes para a banda se sobressair. Desde a época de Roy Khan é assim e no jovem Tommy Karevik permanece, provando-se uma escolha certeira dos integrantes em não modificar o estilo vocal tão característico da banda.

É o que você pode atestar no clipe da faixa "My Therapy" pertencente ao álbum "Haven", lançado ano passado.

O que passa pelos meus fones #128 - Apocalyptica

Confesso que o último álbum do grupo de celistas "Shadowmaker" me desagradou tanto que nem consegui chegar até o final, mas quem sabe agora com a volta às raízes na reedição de 20 anos do clássico "Plays Metallica by Four Cellos" que notabilizou um jeito único de tocar heavy metal, o Apocalyptica volte a ter a inspiração que a anos não vejo. Com bateria ou sem bateria.

A versão para "Battery" é um empurrãozinho e tanto!



O que passa pelos meus fones #127 - Muse

Em mais um single retirado do álbum "Drones" chamada "Aftermath", saiu um clipe com mais uma colaboração do diretor japonês Tekken (não o jogo) numa animação sem cores tão bela quanto a música em si - uma das melhores de "Drones" na minha opinião - que retrata todo o clima contemplativo da letra.

"A partir desse momento
A partir deste momento
Você nunca estará sozinho
Estamos unidos
Agora e para sempre
A solidão tem ido"

Confira abaixo:

Tirinhas da Semana #279

Resenha Livro: Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago)


"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." - José Saramago.

Sendo breve, "Ensaio Sobre a Cegueira" conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. A tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície "leitosa", uma luz branca, manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e lentamente espalha-se misteriosamente pelo país. Aos poucos, todos da cidade acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

Por que aconteceu isso, será um episódio de "The Walking Dead"? Por que todos foram acometidos pela doença menos a médica? No começo do livro nos fazemos diversas perguntas, mas a graça de "Ensaio Sobre a Cegueira" é justamente mergulhar de cabeça no mundo de metáforas e filosofias que José Saramago traz na sua ficção.

De acordo com o dicionário, a palavra ficção é um sinônimo de fantasia, é a elaboração e criação imaginária, fantasiosa ou fantástica; mas ao terminar de ler o livro é simples de se perceber que o autor traz diversos questionamentos que, de acordo com a declaração dele que coloquei no início da resenha, são dolorosos, mas sem dúvida alguma indispensáveis pra nossa vida. E dentre das metáforas a mais marcante, claro, é a cegueira. 

O livro não se trata somente de uma cidade que de repente fica cega e que os humanos de repente tem que se adaptar a isso, e talvez a própria "cegueira branca" demonstre exatamente a diferença da cegueira comum que o autor propõe. A cegueira aqui é aquela que acomete a todos nós, dia após dia, que não só nos esquecemos ou simplesmente nos negamos a perceber, se interessar e sentir certas coisas ao nosso redor, mas simplesmente no respeito que temos a pessoa alheia ou a falta dele. Essa cegueira vai daquela pessoa que só lê a seção de esportes no jornal até aquela pessoa que fura a fila, a "cegueira branca" ignora o que lhe é inconveniente e difícil, é difícil ler sobre política, é difícil ser respeitoso com todo mundo; se trata justamente da zona de conforto que muitas pessoas inertes a ela e ao sistema se negam a abandonar.

Com a sociedade sendo reduzida a nada, no começo do livro acompanhamos os desdobramentos horríveis desse "apocalipse" que decaiu sobre aquela cidade, com o Exército colocando os cegos em quarentena e os enfiando de qualquer jeito em um alojamento, passando a os tratar como nada, nem como seres humanos. E nessa situação extrema, não importa se ainda se vê ou não, para cada um, soldado ou cego, o instinto reduziu parte daqueles que estão ali em animais e a parte do alojamento serve muito bem para exemplificar o lado absurdamente egoísta de cada um, que mesmo passando pela mesma situação do próximo olha para o próprio umbigo.

Mas o mais belo da história é o quadro que Saramago pinta sobre a sociedade atual: a solidariedade, o respeito, a simplicidade, a humildade, o egoísmo, a alegria e a tristeza; o que está em falta e o que sobra somente quando perdermos alguma coisa. Ao abrir o livro vemos a frase: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara", e a partir da primeira pessoa ser atingida pela cegueira vislumbramos como o ser humano pode ser reduzido a pó, afinal, podemos viver sem energia elétrica mas não sem os olhos, percebe a gravidade? Aliás, o fato da cidade e as personagens não terem nome dá a real dimensão da inutilidade disso perante a situação. Somos o cara da padaria, o cara da banca, o cara do óculos, o velho, a criança... e a forma de Saramago os tratar dessa forma só aproxima ainda mais a história do leitor como se cada um dali fosse algum de nós, fazendo a gente se perguntar não só como nos lidaríamos a essa situação lastimável, mas no que passaríamos a valorizar na nossa vida relembrando o que está esquecido.

A jornada de cada um deles os coloca frente a frente com seus medos e fraquezas e Saramago deixa cada situação extremamente verossímil de se imaginar. Só damos o valor devido a algo ou alguém quando o perdemos, é só quando sentimos a pontada da saudade e da perda que passamos a perceber o que fizemos e o que deixamos de fazer de verdade, e é a falta da visão que os fazem ficar mais fortes diante a esses sentimentos, passando a valorizar tantos outros que passam a serem mais sentidos do que ditos em circunstâncias normais, como o amor. É emocionante o crescimento da rapariga de óculos escuros em toda a jornada, como ela passou de alguém que só busca o prazer para alguém que é capaz realmente de amar e perceber o que realmente importa na vida além da visão que ela um dia podia recuperar.

Falando da mulher do médico, esta é a única que vê, e ela serve como os olhos do leitor e na minha interpretação como os olhos do autor diante a essa mazela. Não é explicado em nenhum momento porque ela foi a única em toda a cidade a não ser atingida pela epidemia, mas tão dolorido como ser a única pessoa que tem olhos num mundo de cegos, a personagem é admirável e penso que ela não ficou cega porque ela justamente foi a que em nenhum momento se entregou, bravamente lutou contra as dificuldades e cuidou de todos do grupo igualmente, não perdendo o sangue-frio e a esperança de um dia ver todos recuperarem sua visão. Em certos momentos do livro parece que essa foi uma penitência a ela, mas em outros tantos momentos a vi como a pessoa mais valorosa dali como se ela tivesse algum "merecimento divino" ou a missão de ser os olhos de quem não vê.

 "Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança".

A impressão que tive ao terminar de ler "Ensaio Sobre a Cegueira" é que ele um livro difícil que requer paciência do leitor - até porque o estilo de escrita característica do autor dá essa dificuldade -, mas fantástico em suas metáforas sobre a vida. Não, não é um livro de auto-ajuda propriamente, é uma ficção sim; no entanto penso que Saramago quis justamente nos fazer sentir angustiados e sujos com essa cegueira, ele quis nos fazer perceber como um mundo sem esperança, sem respeito ao próximo, lotado de medos e sem uma reflexão em nossas atitudes, realmente nos faz cegos.

Assista o vídeo do primeiro show de Axl Rose com o AC/DC

Confesso que quando foi anunciado que Brian Johnson iria ser forçado a se retirar das atividades do AC/DC por um tempo indeterminado por causa de problemas sérios com a audição, me desesperei; e quando saiu o anúncio de que Axl Rose iria ser o vocalista do AC/DC no restante da turnê Rock or Bust me desesperei ainda mais.

"Porra, esse cara não combina com o AC/DC"

"Porra, esse cara tá muito velho pra isso"

Bom, sabemos bem que Axl Rose não tem mais a voz de antigamente (nem a barriga) e que ele não é um dos caras mais pontuais e íntegros da história do rock, pelo contrário, porém se colocarmos a mão no frio coração nosso e refletir no espelho da verdade, o ódio meu a Axl Rose existe muito mais pela pessoa intempestiva que ele é do que o talento inegável e único que ele tem. Convenhamos.

Pessoas rasgaram os ingressos, xingaram muito no Twitter, personalidades do mundo do rock esbravejaram, mas após ver o vídeo dele cantando "Rock or Bust" no primeiro show da turnê em Lisboa, tenho que me render a seu talento e a boa escolha de Angus Young. Sua voz rasgada combinou perfeitamente com o espírito do AC/DC o deixando não parecer um cover ou um tributo barato que temíamos.

Com a perna quebrada, ele chutou bundas! E ah, ele chegou na hora!

Vai chover.

Será que a volta do Guns n' Roses agora ganha mais a confiança nossa?



Tirinhas da Semana #277