As influências de Os 8 Odiados

As influências de Os 8 Odiados
Recentemente o diretor Quentin Tarantino admitiu que todos os seus filmes habitam o mesmo universo, e isso já era mesmo meio óbvio para quem já assistiu a todo o seu catálogo cinematográfico e já viu aquele vídeo do Seu Jorge e Selton Mello sintetizando bem o que o eu adoro fazer hahaha! Mas o mais importante são as referências.

Todos nós adoramos referências!

E se através do Tarantino's Mind Seu Jorge e Selton Mello evidenciam muito bem as ligações entre os filmes do diretor, há muito mais em que podemos prestar atenção, desde pequenas homenagens ao cinema à homenagens aos próprios filmes dele evidenciadas em pequenos segundos de atuação. Aliás, "Os 8 Odiados" é um filme que no conceito geral é uma homenagem, uma volta às origens muito melhor produzida, já que esse se assemelha muito ao espírito teatral de tragédia anunciada de Cães de Aluguel, concorda?

Ao som delicioso de Roy Orbison...

Tirinhas da Semana #275

Resenha Série: Demolidor (2ª Temporada)


Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox) é talvez o herói da Marvel que retrate da forma mais crua os contrapontos entre agir com a justiça e ser um justiceiro, e bem além disso, se ser justo é decidir pela vida de alguém; e se a primeira temporada foram a formação desses conceitos, essa segunda temporada foi justamente a discussão e afirmação dos mesmos diante ao espectador.

Um Estado firme é um Estado justo sobretudo, mas utópico (ainda mais pelo o que o hoje aponta), já que pelas nuances sociais creio que seja impossível punir exemplarmente TODAS as causas. Em diversos pontos sociais o bairro de Hell's Kitchen em Nova York se assemelha a São Paulo e diversas outras metrópoles em que a corrupção é presente e crescente, e Matt Murdock já acostumado com as "jogatinas" que a vida trouxe junto com a morte de seu pai, se tornou um advogado brilhante e agora famoso por ter colocado atrás das grades nada menos que Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) na sua luta diária para tornar seu bairro mais justo para todos e melhor de se viver.

Tanto Frank Castle (Jon Bernthal - o babaca do Shane em TWD) como Elektra Natchios (Elodie Yung), apesar de serem personagens bem diferentes, tem essa similaridade de ver que a justiça está nas suas próprias mãos e que essa justiça (principalmente pela visão de Frank) depende deles. Mas Matt pela suas crenças religiosas e morais nega veementemente isso, discutindo com os dois e lutando contra si mesmo pois no fundo ele mesmo sabe que essa lei dos homens e moralidade do Deus em que ele acredita não são suficientes, tanto que a prisão de Fisk foi só possível graças a existência do Demônio de Hell's Kitchen porque ele foi além justamente da lei dos homens em que Matt acredita, deixando a cargo da sociedade a capacidade de ela acreditar ainda que ela é capaz de fazer algo e que os justiceiros como ele estão errados na história.

Então o que é certo, agir com a justiça ou ser justiceiro? A lei pode até ser implacável, mas a justiça por almejar ser justa dá muitas brechas, e pessoas como Fisk se aproveitam justamente delas pra se tornarem inatingíveis e invisíveis. E com Fisk na prisão, Matt e nós também passamos a aprender que o dinheiro é poder e o poder vai muito além da leis, e que as pessoas são passíveis da corrupção justamente porque Hell's Kitchen não lhes dá nenhuma perspectiva de futuro. é um salve-se quem puder se assemelhando muito ao nosso país.

Voltando a Cozinha do Inferno, nessa segunda temporada as crenças na justiça e mesmo em Deus que ele tem são abaladas e Matt sofre diariamente com isso, com essa dualidade que o deixa fraco e ao mesmo tempo consegue deixá-lo tão forte e acaba o isolando de quem o ama. Nessa vida dupla, de um lado está o intelecto e de outro a força bruta mas Matt não consegue aplicar nenhuma das duas forças na forma mais prática. Na verdade, temos aqui a pergunta: porque ser justo diante ao que ele acredita muitas vezes é tão distante do que é necessário a se fazer?

Frank Castle e Elektra Natchios tem participações bem definidas na temporada dividindo-a em duas partes sendo que cada uma delas tem um foco bem definido, o de Frank na cidade e o de Elektra trazendo os ninjas e toda máfia chinesa que vimos florescer em Nobu (Peter Shinkoda) e Stick (Scott Glenn) na temporada passada. Muitos reclamaram desse direcionamento e realmente concordo de que a segunda temporada foi um pouco abaixo da primeira, entretanto, o nível da série é tão alto que não só essa discussão de qual foi a melhor foi irrelevante pra mim, como a decisão do roteiro de apresentar ao mesmo tempo dois personagens tão presentes na vida do Demolidor foi acertada para dar ao personagem um espectro ainda maior. Se na primeira temporada vimos Matt Murdock se transformar em o Demolidor, nessa segunda vimos o mundo justiceiro ampliar-se, aumentando a expectativa do que irá vir numa terceira temporada.

Em comum as duas temporadas tiveram um desenvolvimento, olha só, não só há muito mais para se contar sobre Frank e Elektra, mas como Wilson Fisk vai voltar com toda a força prometendo que iria se vingar com todas as forças de Matt, Franklin "Foggy" Nelson (Elden Henson) e Karen Page (Deborah Ann Woll) e eu aqui imagino que a história "A Queda de Murdock" (em que Fisk descobre, chantageia e revela a identidade de Matt) nos quadrinhos é um rumo bastante provável de se tomar daí por diante.

É só eu, ou você também fica empolgado ao pensar nisso?

Para mim, Marvel's Daredevil é disparada A MELHOR série de heróis da atualidade e reafirmou o caminho certeiro que a Netflix resolveu trilhar; se você ainda não assistiu, pare e veja. Todos os personagens são simplesmente invejáveis nas atuações e trazem toda a tensão que os cerca cada um de uma forma, e a entrada da sensual Elektra Natchios (que tem o mesmo desenvolvimento de caracterização que o Demolidor teve na temporada passada) e de Frank Castle como Justiceiro (redimindo totalmente o personagem perante aos fãs) só trouxeram a série todo o fôlego que ela precisava para termos uma terceira temporada.

Sobre House of Cards e Impeachment


Nesse domingo histórico, pro bem e pro mal (depende de seu ponto de vista), para a democracia brasileira em que se teve a votação do processo de Impeachment pela Câmara e o consequente prosseguimento para o Senado, me lembrou muito o roteiro de House of Cards. E entendo que para compreender a situação política que vivemos atualmente no país o meio de entretenimento mais indicado, fugindo de documentários e editoriais, é a série de Frank Underwood. Por isso, nesse texto busco algo diferente. Muito mais que analisar a série em si e o nefasto casal Underwood, de fato, creio que seja fundamental eu colocá-lo dentro do âmbito político em que vivemos.

Ao chegar em casa, a primeira coisa que me chamou atenção foi o semblante de Eduardo Cunha. Claro que visivelmente cansado da interminável votação de cada um dos congressistas e de cada beijo que eles mandavam aos seus parentes - se assemelhando muito a um Xou da Xuxa, mas principalmente pela sua aparente tranquilidade em ter seus interesses atendidos e colocando seu partido e seu "parça" Michel Temer finalmente no poder, eu senti como se Frank Underwood estivesse ali falando comigo.

Temos a democracia como a representação de seu povo, no grego, "demos" é povo e "kratos" (não o do Gof of War) é poder/autoridade, então democracia é nada mais que a autoridade do povo. Isso é lindo na teoria, mas na prática estamos carecas de saber que não é bem assim. Antes que me perguntem, não estou aqui defendendo a mudança do sistema político, mas como os E.U.A. são uma democracia representativa também, é pertinente olhar para isso.

Na série genial da Netflix, Frank Underwood (Kevin Spacey) é um político ambicioso e pragmático presenciando a posse do novo presidente Garrett Walker (Michael Gill), na cena mais emblemática da primeira temporada e antes da posse, o congressista mata um cachorro de estimação com as próprias mãos cessando a dor que o cão sentia. Algo desagradável, mas que é necessário que alguém faça. Underwood é esse homem e essa resenha é um pouco diferente ao abordar a série diretamente com o momento político que vivemos atualmente.

Como congressista fundamental na alçada de Walker ao poder esperando que ele o promovesse a Secretário de Estado, Frank fica devastado ao saber que isso não aconteceria, pois Walker decidiu atender a agenda da sua Chefe de Gabinete no Congresso contra a sua vontade. Naturalmente fervendo por dentro e transparecendo calma e parcimônia por fora, Frank arquiteta um plano para um a um derrubar os políticos que cercavam Walker conquistando a sua confiança e buscando alcançar a Vice-Presidência convencendo um fraco e decepcionado Vice-Presidente a voltar para seu estado. Assim finalmente frequentando o Salão Oval, ele se aproxima de Walker e finge amizade para o conhecer melhor conquistando "armas" para denigrir sua imagem, assim dando um empurrão na votação do Senado no processo de Impeachment que foi aberto contra ele e que finalmente o levou a cadeira da Presidência definitivamente.

Veem a semelhança?

O castelo de cartas construído por Frank e dado pela sua ambição que nas seguintes temporadas se mostra-se cada vez mais implacável e simplesmente passa por cima de qualquer anseio mesmo do Estado da Carolina do Sul pelo qual foi eleito. E não me venham falar de consciência, Frank não teve ao convencer seu jovem amigo Congressista Peter Russo ao fazê-lo abandonar suas convicções em favor chantagem e da lealdade, o convencendo a ser candidato a Governador no seu estado-natal da Pensilvânia para logo depois transformar sua morte em um acidente, sabendo que o Vice-Presidente iria assumir a pasta deixada por Russo deixando assim livre seu caminho para derrubar Walker.

“A estrada para o poder é pavimentada com hipocrisia e vítimas.”


Claro que não posso afirmar se Cunha foi amigo próximo de Dilma, mas como Vice-Presidente, posso afirmar sem dúvida que Michel Temer o foi e os dois jogaram com a proximidade que eles tinham dela. 

Dizem que de boas intenções o inferno está cheio e acho que eles basearam essa frase na política. Em House of Cards vemos que Frank Underwood sabe jogar com cada uma das cartas que se apresentam diante a ele, em qualquer situação adversa, nada o tira a calma pois sempre há uma escapatória, sempre há um podre para se jogar - mesmo que seja contra a pessoa que confia sua vida a você. Interessa o poder e só o poder, e Dilma como Presidente, na posição em que ocupava não soube jogar com isso. Aí você pode me perguntar? Ah André, as coisas não devem ser assim. Mas há também a palavra utopia e para sobreviver num mundo como o que vivemos, é preciso saber jogar. Frank Undrwood nos ensina desde o início que a política é isso e só isso. 

Nada me tira a ideia de que o processo de Impeachment aberto contra ela Dilma muito mais um jogo político do que comprovadamente um julgamento de um crime de responsabilidade por somente e assim será seu prosseguimento. O que vemos na série de Frank Underwood é que representantes do povo não se importam realmente com o povo e fingem se importar com cada um de nós, mas que sim na verdade eles se importam com interesses, poder; e por isso dinossauros como Maluf são fadados a morrer lá. Bom, o que poderia se esperar? Reflita, o Congresso vota as leis e as aprovam, bela democracia representativa que vivemos, assim fica fácil né Zézinho?! O principal culpado é você eleitor desinformado que vota no "menos pior" e não faz ideia em quem votou na última eleição, você que baseia-se na mídia televisiva e social para fundamentar sua opinião política e Frank Underwood sabe muito bem disso. 

A culpada pela crise e confusão política não é só Dilma Rousseff, ela não é a única criminosa e se há alguma liberdade de investigação é porque bem ou mal ela está lá. Mas digo, contem as horas de o Temer e o Cunha tomarem o poder e investigações e processos (principalmente de Cunha) se esconderem num passe de mágica pois só assim esse Brasil "sedado" se torna um "país governável", não é caros amigos? Notem também o show de horrores de hoje onde os ilustríssimos Deputados votaram a favor de Deus, da esposa e até das tias, e contra o Partido das Trevas, como denominou Marco Feliciano; mas se esqueceram quase que completamente de julgar pelo o que ela supostamente se tornou responsável: as pedaladas fiscais.

E não me venham falar que outros Governos fizeram isso, é ilegal e ponto.

Deixo claro que não sou de nenhum partido e sinceramente sou a favor da Dilma sair pois como presidente ela se torna a responsável direta pelo que acontece e aconteceu em seu Governo, mas não me cego diante dos fatos escusos que o Impeachment esconde e do que o poder conquistado de forma indireta e forçada proporciona ao PMDB, que como partido sempre vai atrás do que lhe é mais favorável e é como Frank Underwood é.

"Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos". 

Guarde isso. 

O que passa pelos meus fones #126 - Volbeat

Apesar de desconhecida no Brasil, o Volbeat é sim uma das melhores e mais criativas bandas da atualidade com seu "metalbilly" - se é que dá pra rotular disso. No entanto desde "Outlaw Gentleman & Shady Ladies", que teve a entrada do guitarrista Rob Caggiano na formação, o Volbeat tem tido uma transformação não muito legal em seu som.

Benéfica pra uns e não tanto pra outros, a questão é que Caggiano por ser ex-guitarrista do Anthrax carrega em si doses cavalares do que conhecemos como thrash metal e como também produtor naturalmente ele colocou no Volbeat um pouco desse som, alterando a base do som que o Volbeat tinha no início da carreira, talvez americanizando demais a banda dinamarquesa.

Bom, "The Devil's Bleeding Crown" pertence a "Seal The Deal & Let’s Boogie" que será lançado no dia 3 de junho e continua muito o que vimos no álbum anterior, com guitarras mais baixas, riffs mais cavalares e até com direito a solo.

Pessoalmente eu ainda gosto, no entanto, se não fosse pela voz Micheal Poulsen o Volbeat não teria nada demais comparado a outras bandas do mesmo estilo. Saudades do clima de "Sad Men's Tongue". Tomara que o full-lenght seja diferente.

O que passa pelos meus fones #125 - Katatonia

O Katatonia é uma daquelas bandas que adoro pois são difíceis de se rotular, seu doom metal do começo da carreira se encorpou e adquiriu belas melodias que casam perfeitamente com a voz de Jonas Renske, que é pra mim um dos vocalistas de mais bela voz atualmente.

Semana passada o Katatonia liberou no canal de sua gravadora no YouTube o lyric video de "Old Heart Falls", single de "The Fall of Hearts" com o lançamento programado para o dia 20 de maio.

Consenso é que eles são como vinho, o tempo passa e eles ficam cada vez melhores no que fazem.

Tirinhas da Semana #273

Resenha Série: The Walking Dead (6ª Temporada)


Se nós estamos acostumados as mortes sem dó de Game of Thrones e a estupenda construção de personagens de Breaking Bad, por consequência não estamos tolerantes a certas falhas e soluções simples sendo tomadas; em outras palavras, a qualidade das séries hoje em dia anda tão alta que é num estalar de dedos que a gente perde a paciência e deixa de assistir tal seriado. Sim, eu te entendo jovem padawan. 

Acompanhar a série The Walking Dead não é uma coisa fácil, costumo até dizer que quem assiste deveria ser condecorado com uma medalha honorária de perseverança pois a série tem tantos altos e baixos que em diversas vezes eu me peguei a vendo simplesmente por curiosidade, como se soubesse lá no fundo que ela poderia ser melhor; e ah, como isso valia a pena em diversas vezes. Mas essa é a questão principal: irregularidade. Ou cliffhangers.

Mas o que é cliffhangers tio? Cliffhangers são "ganchos" propositais para o espectador ter a curiosidade de ver o próximo episódio. Tá ligado o "continua nesse mesmo horário e nesse mesmo canal" que o Chaves dizia? Pois é. Só que esse artifício bastante usado em novelas fica ridículo se usada em séries e não é a primeira vez que em TWD usa disso, e o engraçado é que na mesma medida que a sexta temporada tomou um rumo mais violento (a invasão da base de Negan em "Not Tomorrow Yet" (S06E12) foi sensacional), na mesma medida ela utilizou desse escape vazio e irritante mais de uma vez, aliás três!

Mas vamos falar de coisa boa, e não é da TekPix. Vamos falar de Rick e Carol.

O líder Rick Grimes é o foco dessa sexta temporada, representando bem a sua ascensão e queda. Alexandria já era uma comunidade estabelecida mesmo com a iminência de um ataque zumbi e Rick foi lá e "tomou" aquela porra pra si, esse era seu plano. Agindo praticamente como um general, silenciosamente ele queria tomar aquela comunidade pra si independentemente da fraqueza das pessoas que viviam lá. Ou todos seguiam suas regras ou acabariam sendo mortos, não por ele, mas pelo mundo que em que agora viviam. Era matar ou morrer, desde o Governador era isso e penso que a morte de Hershel causada por ele mexeu demais com sua cabeça. Foi com essa ideia que ele chegou em Hilltop e chegou até Negan, era matar ou morrer. 

Rick desde o começo da série foi o líder e se vendo imbatível se tornou mais do que isso: arrogante, mas Negan e seu grupo o ensinaram da pior forma possível como ele era vulnerável. Finalmente ele encontrou um desafio realmente a altura e alguém com poder muito maior que ele. Os olhos marejados e totalmente apavorados de Rick na season finale mostram bem isso.

Como Rick, Carol se tornou cada vez mais implacável e mortal, como uma "força da natureza" intitulada por ele. O mundo sem volta tornou as pessoas também sem volta. Se Rick proporcionou a todos uma humanidade ainda possível ali em Alexandria, Carol via que voltar a ser aquela dona de casa e mãe que era antes de tudo acontecer era algo impossível, algo falso e sem sentido nenhum. A distribuição de biscoitos de porta em porta é uma cena de não muita importância contextual mas emblemática para nos dizer como Carol disfarçava seu sofrimento. Ela conquistava o afeto por todos por seu jeito carinhoso e atencioso, mas ela também tinha um monstro dentro de si que não aguentava mais carregar e que a qualquer momento seria chamado à tona. O episódio "The Same Boat" (S06E13) focado nela e na Maggie foi sensacional para exemplificar isso. 

Agora a luta não era mais focada em matar zumbis, a sobrevivência agora era matar gente viva, humanos, tornar-se assassina, e é aí que nos igualamos a nossos maiores demônios. Na verdade Carol não aguenta mais sobreviver, não neste mundo sem volta e nessa guerrilha sem nenhuma esperança. Confesso que até parece frescura pois sabemos o que é necessário para sobreviver naquela situação, mas o certo e errado ainda é subjetivo e chega um momento em que a guerra toma conta de si próprio. Rick mostra bem como isso é sem volta.

A sexta temporada na minha opinião é a melhor desde a primeira e a que construiu melhor seus personagens, tanto antigos e novos, tomando pra si decisões que não eram tão comuns na série. TWD se transformou em matar e morrer, e desde a entrada em Alexandria na segunda metade da quinta temporada finalmente pudemos ter a noção que exata de que os verdadeiros inimigos são (ainda) os próprios humanos e que o apocalipse de verdade é residido neles. Fomos apresentados a personagens misteriosos como Jesus, outras comunidades como Hilltop e aos Salvadores liderados por Negan; e numa aproximação maior e definitiva com os quadrinhos em certos acontecimentos (como o Carolho), finalmente os zumbis foram deixados em segundo plano em virtude da ruína utópica de uma possível sociedade pós-apocalíptica que em algum momento todos ali vislumbraram. Todos sabem seu caminho agora e o grupo "nômade" de Rick e cia já era (felizmente), agora eles já acharam uma casa e se reaproximaram de uma humanidade mesmo que momentânea mas que ao mesmo tempo é impossível de se ter. Demorou, mas a série caminhou para a maturidade nesse ponto. 

Porém, relegando a sua maturidade alcançada e desperdiçando oportunidades em ter culhões em matar personagens que realmente fazem diferença na trama, como o Daryl (chamem o George Martin!), TWD caiu no mesmo problema das temporadas anteriores devido a seus showrunners, os tais cliffhangers que disseUma característica que realmente pesa contra a série e me fez dizer em "Last Day On Earth" (S06E16) "não fode caralho...". A justificativa usada por Greg Nicotero e Gael Ann-Hurd é que nos quadrinhos isso é muito utilizado e eles adoram isso, mas entendo que quadrinhos e televisão são duas mídias totalmente diferentes e pedem abordagens totalmente diferentes. Será que é difícil entender isso? 

Será que o Glenn morreu? Será que o Daryl morreu? Quem foi o escolhido por Negan pra levar a tacada da Lucille na cabeça? TWD foi até agora uma série de tantos altos e baixos que penso que quem é fã e gosta mesmo da série acompanha ela mesmo se não houvessem esses ganchos, aliás, o "coito interrompido" de Negan tornaria-se motivo para acompanharmos a série com ainda mais afinco especulando o que iria acontecer agora que tal personagem foi morto. Entende o que quero dizer? Quem é fã de uma série, qualquer uma, vai continuar a acompanhando mesmo que ela revele o que tem pra revelar num mesmo episódio. Queremos consequências, soluções e não dúvidas. Suspenses desnecessários como esses só colocam pra baixo a expectativa da série, causando não uma discussão especulativa mas sim uma discussão frustrada, o que é bem decepcionante. E até mais que em outros anos, nessa temporada deu pra ver claramente como TWD tendo 16 episódios tem um formato longo demais favorecendo a enrolação ou "linguiça sendo enchida". Saudades da morte de Shane na segunda temporada que foi tipo "morreu, acabou".

Tirando os episódios de suspense em torno do Glenn e outros inúteis como a morte da Denise - onde a série mais uma vez utilizou do incansável artifício de desenvolver uma personagem secundária para ela morrer logo em seguida e a gente se importar com isso -, vejo que TWD se daria melhor como uma série de formato Netflix com uns 13 episódios no máximo ou até 10, enxuta, sem enrolação. Parece até que ela usa todo seu fôlego na estreia, na mid-season e na season finale, mas nesse meio tempo estende decisões que poderiam fazer parte de um episódio como um episódio independente. "First Time Event" (S06E01), "JSS" (S06E02) e No Way Out" (S06E09) foram marcos na série como um todo, mas "Twice as a Far" (S06E14) que só teve cinco minutos relevantes, foi um episódio chato como tivemos em todas as outras temporadas.  

Bom, o que sabemos é que a sétima temporada promete na mesma medida da possível frustração de Negan dar a tacada na cabeça de um personagem secundário como Aaron - aliás um problema recorrente na série da falta de coragem de matar personagens realmente importantes. Mas até aqui o desenvolvimento foi excelente e o suspense ameaçador em torno do aparecimento de Negan (interpretado pelo excelente Jeffrey Dean Morgan) foi na medida certa, agora Rick encontrou alguém muito mais poderoso que ele fazendo enfim seus conceitos de vitória ficarem rendidos e é aí que TWD se torna um mundo ameaçador como realmente é. Rick e ninguém ali são imortais, ainda mais com os zumbis burros saindo de cena; agora a sobrevivência se tornou uma guerrilha. 

Resumindo, a sétima temporada claramente terá foco em Negan e será uma brochada homérica se ele tiver o mesmo destino simples do Governador, mas creio que The Walking Dead entrou nos trilhos e aprendeu muito de lá para cá como NÃO tomar certas decisões. Com falhas e com momentos épicos, vale muito a pena ainda acompanhar a série.  

Que tal uma guitarra num corpo de uma velha pá?

Se você não for essa pessoa, acho que todo mundo tem um amigo que adora desmontar coisas pra montar de novo com a metade das peças certo? E o que dizer então daquele amigo que adora desmontar as coisas pra montar elas de um jeito totalmente diferente?!

Esses caras são chamados de gênios, ah tá bom nem tanto, mas esses caras são aqueles prodígios que serão os nossos futuros engenheiros. Usando a criatividade e conhecimento das putarias, Bob Clagett do canal I Like To Made Stuff no YouTube simplesmente resolveu na "gambiarra bem feita" construir uma guitarra usando o corpo de uma pá!

O resultado é simplesmente impressionante e o teste foi feito pelo guitarrista youtuber Rob Scallon, tocando a música que talvez seja a escolha mais perfeita pra testar a distorção dessa... pá: Killing In The Name da banda Rage Against The Machine. =)

Seguem dois vídeos, o da música e seu making of:




Tirinhas da Semana #272