Personagens da cultura pop estilizados como samurais

Personagens da cultura pop estilizados como samurais
Sumi-ê consiste basicamente em criar desenhos que passam mensagens. Muito popular no Japão, essa técnica de pintura chinesa foi transportada para o mundo pop através do artista MyCKs em seu portfólio no DevianTart.

Ah tá, e você vai me perguntar: Tio André, posso colocar esses desenhos fodásticos na parede do meu quarto? Pode sim pequeno padawan, clica aqui.

Resenha Filme: De Volta ao Jogo


Sendo simples e direto como o próprio filme é, John Wick é um assassino de aluguel aposentado que se aposentou do mundo do crime para viver pacatamente ao lado de sua mulher, que anos depois tem uma doença que a leva a sua vida. Extremamente abalado pela notícia, sua mulher antes de partir lhe deixa um cachorro e agendou a entrega de um bilhete carinhoso dizendo para não desistir jamais. Entretanto um capanga da máfia russa invade sua casa, mata seu cachorro e rouba seu Boss Mustang 1969. Puto da vida, e por isso o filme se chama "De Volta ao Jogo", John Wick retorna à sua velha rotina para se vinga dos agressores da suas últimas memórias da sua esposa.

Sou da opinião de que uma comida requentada é sim boa, desde que ela seja bem requentada. Sabe o prazer de comer pizza fria? Claro que tem aqueles que não gostam e acham abominável quem pense que comer algo frio possa ser gostoso, mas para quem gosta, entende perfeitamente essa metáfora. Clichês nada mais são do que ideias requentadas ou simplesmente ideias postas na geladeira, na verdade, para qualquer ideia, original ou não, tudo depende da utilização que você tenha. Requentar clichês significa também se inspirar, ninguém é capaz de partir do zero. Não tem nada de errado em "não ter medo de errar", simplesmente se proponha a fazer o que você gosta e também acredito que entreter seja justamente isso. Creio que o ex-dublê de Brandon Lee em "O Corvo" Chad Stahelski e Keanu Reeves (John Wick) tenham se divertido muito ao rodar o filme.

Os clichês dos filmes de ação mais canastrões dos anos 80 que um Steven Seagal protagonizava são jogados na cara a toda hora e a própria canastrice de Keanu Reeves que dá todo a sombriedade que John Wick carrega consigo, colabora pra esse clima em que a ação é sempre priorizada em detrimento de diálogos que possam carregar algum sentido o filme.

Com cenas de luta muito bem coreografadas, frenéticas e colocadas nas situações mais absurdas possíveis (como aquela no quarto) que não deixa o espectador ter muito tempo pra respirar. John Wick corre, se estrepa, e a cada toque de telefone, a cada alarme, John é posto em movimento dando prosseguimento a história e dando a impressão de que a sua missão é somente essa.

"De Volta ao Jogo" é um filme non-sense, quase de vídeo-game e é justamente isso que o torna tão legal.

Resenha Filme: Donnie Darko


"Donald Darko" (Jake Gyllenhall) é um adolescente esquizofrênico que é entupido de remédios pela sua psiquiatra de araque que logo o diagnostica como um paciente psicótico e "vítima de ilusões diurnas", e no início realmente acreditamos que Donnie tem uns parafusos a menos. Contudo, Donnie ao longo do filme se mostra como um personagem muito mais complexo do que aparenta.

Vou tentar, mas vai ser difícil não soltar algum spoiler.

A viagem no tempo é o ponto principal de "Donnie Darko", entendemos isso a partir do momento do acidente que uma turbina de avião caiu no quarto de Donnie o matando e dando o ponto de partida da aparição do coelho esquisito de 1m80 chamado Frank. A partir daí o coelho além de lhe dar ordens como causar o caos na sua cidade, diz ao rapaz para sair de casa pois o mundo vai acabar dentro de 28 dias, seis horas, 42 minutos e 12 segundos, ou seja, na noite de Halloween, a 30 de outubro de 1988.

Entre as milhares de coisas que "Donnie Darko" deixa abertas a interpretação, seja justamente a aparição desse coelho. A sua personificação pode ser calcada em metáforas de vida sublimada dos anos 80 sejam uma delas até os remédios que Donnie toma para sua esquizofrenia, entretanto, como disse, a viagem no tempo é o foco. E sobre isso um filme que "Donnie Darko" claramente nos remete é "Efeito Borboleta", lá o personagem Evan Trebor (Ashton Kutcher) é também um rapaz esquizofrênico que viaja no tempo voltando-se a sua consciência. Então uma pergunta que o filme levanta é: seria a "segunda chance dada por Frank seria viagem no tempo de Donnie voltando-se à sua consciência para consertar certos erros da sua vida?".

Uma explicação que pude encontrar é da linha temporal. Em nenhum momento o filme deixa claro o que Donnie fez ou deixou de fazer, mas a sua segunda chance que o coelho Frank lhe dá incitando-o a realizar atos de vandalismo, é para dar uma chance não só de sacudir a cidade e a sua vida, mas até a encontrar o amor (Gretchen). E porque ele o mata? Não fica muito claro isso.

A verdade é que "Donnie Darko" é um filme sutil e até espiritual, algo mostrado no pôster pela cor azul. Essa cor é relacionada ao irreal e ao onírico, em outras palavras, somos transportados para o mundo de Donnie, o mundo que ele criou para escapar de sua própria dor e solidão. O filme fala da luta de cada um de nós para vencermos nossos próprios demônios, em viver o desejo dentro de cada um de nós de alterar o passado e de corrigir os erros que você teve com cada um que amou.

E porque um coelho estúpido? Bom, a figura do coelho Frank lembra diretamente ao coelhinho psicótico da história de Lewis Carroll, "Alice No País das Maravilhas", em que nada mais é deixado ali o claro o desejo da fuga da realidade. "Donnie Darko" em seu final nada óbvio que critica a suposta predestinação, talvez mostre aonde a toca do simpático coelho viciado em café vai.

Eu sei, eu sei, tentar explicar "Donnie Darko" é uma tarefa quase impossível, afinal, ele é um filme aberto a interpretações, e para diferentes pessoas é necessário que elas vejam ou 3 vezes ou cerca de 39 vezes para entender a bagunça com mais clareza.

Resenha Filme: Whiplash - Em Busca da Perfeição


Dizem que as outras pessoas nos enxergam muito mais do que nós mesmos e é sabido de que em inúmeras ocasiões na vida precisamos de um "choque de realidade" para percebermos o que está de frente ao nosso nariz, quer dizer, o que realmente queremos alcançar e o que realmente queremos deixar. 

Enxergando de uma forma ampla, o que "choque de realidade" em si é para nos alertar sobre o que nos cega, algo intrinsecamente ligado a importância exagerada que muitas vezes damos às outras pessoas ou fatores externos, esquecendo de nós mesmos e da nossa capacidade em discernir com clareza o que é certo e o que é errado. Dizem que o amor é cego, e em "Whiplash", esse amor é traduzido pelo jazz e para o maestro carniceiro Terence Fletcher interpretado pelo talentoso (J.K. Simmons): a pior coisa que aconteceu no mundo foi o elogio de "bom trabalho". 

Tomado pelo desejo de ser "grande" Andrew Neiman (Miles Teller), o baterista apaixonado pelo jazz e frequentador de uma das melhores escolas do mundo vê na figura de Fletcher aquele que pode lhe fazer alcançar a grandeza realizando seu sonho e mostrando à sua família que ter talento e ser músico é muito valoroso do que jogar futebol americano. No entanto, os métodos de ensino de Fletcher são absolutamente questionáveis no mundo politicamente correto em que vivemos, o que talvez Andrew procurava, pois não via capacidade em outros professores de lhe ensinar o que ele almeja aprender.  

O drama escrito e filmado por Damien Chazelle fala abertamente sobre a fúria e a obsessão de dois personagens, um em ser realmente relevante no mar de músicos e outro pelo desejo de criar alguém que realmente tenha "sangue nos olhos" por aquilo que ama fazer. O que Fletcher vê no mundo é cada vez mais um "desperdício de tempo", são pessoas cada vez mais satisfeitas em ser apenas o médio e não em ser o melhor, por isso ele vê o "bom trabalho" como um elogio tão nocivo. 

A atuação de J.K. Simmons e Miles Teller são simplesmente monstruosas em deixar claro o perfeccionismo de Fletcher que vai ao encontro do ambição psicótica de Andrew. Filmado por Chazelle de forma econômica e precisa em focar apenas na psicose de dois personagens, cada cena e cada grito foca na dor, no sangue, e no suor, nos deixando simplesmente claustrofóbicos e emocionados pela insistência dos closes de Chazelle que passam precisamente cada sentimento envolto na cena.

Em cerca de 1h40 de filme "Whiplash" termina com a ambiguidade, será que Andrew conseguiu alcançar a perfeição que sempre quis? A troca de olhares entre ele e Fletcher ao tocar "Caravan" é simplesmente brilhante em nos passar a sintonia. Creio que não seja necessário outro final.

Silvio Santos e suas pegadinhas épicas usando Star Wars

George Lucas ao imaginar o relacionamento doentio e complicado da família Skywalker deve ter imaginado: "eu escrevi e filmei a história da minha vida". Cá estamos no sétimo filme, Lucas fez seis, e mesmo os três últimos como história de origem não terem sido lá tão bons assim, ele com certeza pode sentar no sofá e descansar para sempre curtindo os royalties de uma saga sem precedentes na história. Star Wars e ele são um só, Star Wars e os fãs são um só. Decerto, nunca haverá uma saga que seja capaz de arrancar largos sorrisos tanto quanto de jovens como adultos ultrapassando a linha cronológica do tempo, tanto que olha só, estamos no sétimo filme.

E se formos falar de caras espertos, vamos falar de Silvio Santos. Quem mais teria a ideia de pegar algo tão velho e gasto como as câmeras escondidas e antenado nas redes sociais, renovar o quadro trazendo produções cada vez mais aprimoradas? O cara é foda!

Bom, "O Escolhido" não é uma pegadinha, mas sem uma câmera escondida que captou puramente a essência de Star Wars que é acreditar no poder dentro de você, a "força" que conhecemos. Essas crianças ganharam na loteria, queria eu quando era criança ter tido uma experiência dessas. Foi impossível não abrir o sorriso e querer dar um abraço no C3PO quando ele apareceu na tela. ^^


Já "Banheiro Supresa" é uma pegadinha de fato. Bom, se atentarmos bem ninguém se assusta realmente e talvez metade das pessoas ali faça a ideia de quem seja o cara de capa preta que aparece na frente deles. Mas a pegadinha se torna tão epica (não, o Ivo Holanda não aparece) por causa da garota de cabelo rosa. Quem mais além de mim teria a reação que ela teve?! 

"Vamos Darth Vader seu lindo, tira uma selfie comigo?"


SS por favor, não morre morrido nunca tá?

Resenha Série: Mr Robot (1ª Temporada)


Há precisamente sete pessoas capazes de resetar a internet. Essa afirmação parece sair de um livro de ficção do Dan Brown, mas calma, nada mais é do que um protocolo de segurança. É o seguinte, sete pessoas de diferentes nacionalidades carregam um "pedaço" de uma chave e é preciso que pelo menos cinco das sete pessoas (sim, temos que considerar a morte como possibilidade) se reúnam em um data center para que a World Wide Web seja reiniciada em caso de um ataque terrorista ou algo parecido, impossibilitando assim de que um colapso maior aconteça.

Na verdade, esses "guardiões" estão longe do romantismo que isso possa parecer. As possibilidades de eles serem acionados é remota, mas como um homem prevenido vale por dois e a Internet é algo fundamental pro mundo rodar, a ONG sem fins lucrativos Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) resolveu colocar esse plano em prática. Bom, tal plano dos carinhosamente apelidados de guardiões pode parecer meio apocalíptico a primeira vista, afinal, como afirmar de que essas pessoas que pertencem a uma ONG realmente tem boa intenção ou se elas realmente podem permanecerem anônimas de um Estado Islâmico por exemplo?

Pronto. 

Ahhh teorias da conspiração e sensação de ser observado o tempo todo, sensações presentes na sociedade moderna cada vez mais selvagem. Sobre isso, dezenas de vezes o personagem Elliot se pergunta se está louco, e é nessa pergunta e nos questionamentos que Sam Esmall faz através de "Mr Robot" se escorar. Na verdade, será que estamos loucos? Vivemos num sistema financeiro que só nos endivida cada vez mais para podermos conquistar algo para nos endividarmos ainda, trabalhamos infelizes para nos iludirmos com a nossa felicidade, nos escondemos das nossas vidas solitárias em redes sociais que mascaram o que as pessoas realmente são... 

O que é na verdade o mundo real?

Derivada da USA Network que é famosa por ser mais um canal de entretenimento e não de séries que incomodam, Mr. Robot é uma série atual que trata da crise da China, dos vazamentos do site Ashley Madison, e que nos lembra até da quebradeira financeira da Grécia e no sofrimento de seu povo. Na propositalmente apelidada de Evil Corp, mora todos os nossos temores e toda a cegueira social. Temos tudo, eles nos fornecem tudo, saca aquelas empresas monópolio?

Elliot Aldersen (Rami Malek) é um típico engenheiro da área de TI que trabalha numa empresa que ele detesta que faz parte de uma sociedade que ele detesta, mora sozinho num muquifo e nas horas vagas usa morfina para aplacar sua solidão. Até aí tudo normal. Porém, nas horas vagas ele se dedica a ser um tipo de "hacker do bem" que através de chantagem ameaça expor todos os segredos mais sórdidos e íntimos delas. O tipico limiar entre o certo e errado que a lei entra num limbo não consegue cobrir, invasão de privacidade x pedofilia (caso, do primeiro episódio por exemplo). Típico anti-herói que sabe de seu poder de salvar o mundo.

A medida em que vamos conhecendo o personagem, vamos achando ele mais um típico hacker reacionário, mais um "foda-se a sociedade", um efeito colateral comum da sociedade cada vez mais tecnológica em que vivemos. Contudo, Elliot nos transforma em "amigos imaginários" paranoicos como ele sobre "os homens de preto" que estão em todos os lugares nos observando, horas funcionando como narrador da história, horas sendo testemunha ocular dos eventos, através de deu olhar sempre fixo e arregalado e das poucas palavras de um homem extremamente antissocial. Através da sua feição entendemos perfeitamente o desespero de um homem solitário e nos perguntamos quantos desses há por aí sendo capazes de revelar toda a verdade do mundo ao mesmo tempo em que se sentem tão vazios de significado.

Elliot juntamente com o misterioso Mr Robot (Christian Slater fantástico) armam um plano para hackear o sistema financeiro mundial definitivamente, zerando os créditos e todas as dívidas. Criando uma nova ordem mundial aliada a uma anarquia libertária. Impossivel não aliar a organização hacker fsociety a o grande V de "V de Vingança" e os discursos inflamados de revolução e sistema de Mr. Robot a Morpheus de "Matrix". Mas é em "Clube da Luta" que a série se fundamenta principalmente após a metade da temporada com o presente distópico que é apresentado e que explodiu minha cabeça ao descobrir. Pode parecer confuso, mas se eu der mais detalhes sobre a trama além de associá-la a distopia psicológica de "Clube da Luta", irei estragar sua experiência com a série. =)

E de novo faço a pergunta, o que é o mundo real? Nem Elliot sabe.

No mais, posso dizer que "devorei" os dez episódios da temporada em apenas três dias. Misteriosa no último a cada personagem em que ela nos apresenta, como a fofa Angela Moss (Portia Doubleday) que é uma típica jovem que está no meio do jogo da vida, o sórdido e pútrefo executivo Tyrell Wellick (Martin Walström) que não mede esforços (não mesmo) para alcançar o sucesso profissional, e o enigmático Whiterose (B.D. Wong) que aparece em um pequeno trecho do sétimo episódio e abala nosso mundo com sua teoria do tempo. Tais personagens que passam a tensão só pelo olhar, aliados a fotografia belíssima de Nova York que joga com os tons frios e caracteriza um mundo que não tem sentimento algum, só aumentam a ânsia de imprevisibilidade característica da série.

Mr. Robot é uma série que deveria ser mais reconhecida pelo esmero e cuidado em cada detalhe - não sei você, mas nunca vi uma série ou filme se tratando de tecnologia apresentar detalhes tão minuciosos sobre o tema - e pelo roteiro extremamente bem escrito e intrincado capaz de deixar o espectador curioso desde o primeiro episódio, louco pra saber "onde a toca do coelho" vai. E amigo, ela termina aonde você nem imagina.

Resenha Cinema: Star Wars - O Despertar da Força


A responsabilidade de J.J. Abrams ao assumir a cadeira de diretor do sétimo filme da saga Star Warser era simplesmente mastodôntica, não só porque é Star Wars e sua idolatria são comparáveis facilmente a uma religião - e muito da ideia de "força" é justamente fundamentada nisso -, mas porque ele tinha a responsabilidade de continuar uma franquia que tinha chega a seu fim após quase 30 anos ao mesmo tempo em que se responsabilizava com a missão de recuperar a credibilidade de uma franquia que a nova trilogia (e Jar Jar Binks) foi capaz de abalar às novas gerações. Sabe o "Star Wars nhé"? E sim, eles tinham razão, a trilogia nova em nada foi capaz de capturar a essência e a mágica que uma mera briga de família foi capaz de conseguir com a trilogia clássica nos anos 80.

Carrego "A Ameaça Fantasma" em meu coração por ser o primeiro contato que tive com Star Wars, mas se George Lucas tentou, não conseguiu, ou sequer ele quis tentar. O fato é que ele quis dar uma nova visão a Star Wars, se deslumbrou demais com a tecnologia, descaracterizou o Yoda e desagradou aos fãs. Oras porque mexer em um time que está ganhando? Bom, talvez ele pensou que o jogo já estava ganho. Se baseando nisso, talvez a decisão mais acertada da sua carreira tenha sido passar o bastão a frente e vender a propriedade intelectual a Disney em 2012. E apesar do medo que isso causou e da dominação do mundo que o Mickey já está botando em prática (além de Star Wars, os grandes motivos de você ir ao cinema chamam Pixar e Marvel), o fato é que puta que pariu, a Disney sabe como não rasgar dinheiro.

Os eventos do filme se passam após 30 anos do "Retorno de Jedi" quando Luke Skywalker (Mark Hamill) finalmente derrotou Darth Vader e por consequência o restabeleceu a força. "O Despertar da Força" é sobre a busca pelo desaparecido Luke que se encontra recluso em alguma lugar do universo. Como a escuridão é somente a ausência da luz, logo, primordial, o lado negro da força sempre existirá. Sendo assim, os remanescentes do Império se organizaram na chamada Primeira Ordem e Luke, por ser o último Jedi, é a única esperança para deter o poderoso e intempestivo Kyle Ren (Adam Driver).

A responsabilidade mastodôntica de J.J foi tirada de letra, muito pela escolha acertada na inserção dos personagens clássicos da franquia como Han Solo (Harrison Ford), (a agora General) Léia (Carrie Fischer), C3PO (Anthony Daniels), R2D2 (Kenny Baker) e Luke Skywalker (Mark Hamill) que apesar da sua breve participação, carregaram a responsabilidade de amarrar a trama, aliás, o jogo começou ganho pela nostalgia ao atentarmos somente para esse núcleo do elenco. Isso é fácil. Mas, é justamente na inserção de fortes novos personagens, Kyle Ren, Finn, Rey e BB-8 em que se fundamentava o principal alicerce que o "O Despertar da Força" dependia para ser um sucesso e que fez o longa não ser somente o caça-níqueis que poderia ser. 

Os antes desconhecidos, Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega) são a dupla que Star Wars precisava para ganhar o fôlego que a saga precisava. Os dois fortes personagens, um negro e uma mulher, chegaram na hora certa em um mundo que precisa ser despido de preconceitos, e só de saber que Finn foi quase que deletado do pôster chinês do Star Wars chega a me causar nojo. Mas enfim...

Em Rey a trama se desenrola e é a imagem que Léia nunca conseguiu se fundamentar. Rey é corajosa, destemida e lutadora, ela é a força feminina que a saga e que o mundo geek/nerd num todo precisava para enterrar aquela visão por muitas vezes machista e sexista em ver a Princesa Léia de biquini e não como uma heroína. Já em Finn se encarrega do o lado mais humano da saga, através dele pela primeira vez entramos na mente de um Stormtrooper que se rebela contra a Primeira Ordem simplesmente porque é o certo a se fazer, Boyega se encarrega em dar o alívio cômico e em cada expressão mostrar o desespero que a sua situação pedia. 

Aliás, falando de humanidade, J.J. Abrams foi muito preciso ao focar esse lado em "O Despertar da Força". Kyle Ren (Adam Driver) e a figura misteriosa de seu mestre Snoke (Andy Serkis) apesar de pouco explorados deixam abertas grandes possibilidades para os próximos filmes. Aqui conhecemos um vilão de um passado trágico, intempestivo e com dúvidas se é digno o bastante do se aproximar ao que almeja ser. A figura de Darth Vader ainda vive e o lado negro da força assume diversas formas.

Em muito "O Despertar da Força" se assemelha com o episódio IV no andamento da história e é perfeitamente questionável se o diretor pouco arriscou no longa buscando soluções simples e apressadas para problemas que poderiam ser melhor desenvolvidos e mais desafiadores, e realmente isso acontece, não só na atual, mas na antiga trilogia. Um exemplo claro é Estrela da Morte, pela terceira vez ela foi destruída e da mesma forma que os engenheiros aparentemente distraídos da Primeira Ordem teimam em repetir. Tá ligado o buraquinho?

Mas como disse, os problemas de roteiro são recorrentes em todas as fases da trama e eles até se tornam distração. O que sempre conquistou em Star Wars é sua fantasia e o carisma, e J.J. soube andar pelo caminho seguro numa franquia que precisava justamente de nostalgia para reviver no coração dos fãs mais antigos e conquistar novos amantes. A missão de Star Wars é entreter e ele fez um filme de fã para fã.

A sensação de nostalgia é recorrente pelas pouco mais de 2h de filme. Aplaudi inconscientemente a aparição de Luke, me emocionei ao rever meus grandes amigos R2D2 e C3PO novamente, abri um grande sorriso ao rever Han-Solo e Chewbacca, me senti na casa da minha avó ao rever o arenoso planeta Jakku. Aliás, a sensação que tive ao sair do cinema foi de se sentir que reencontrei uma grande família, não só na telona, mas olhando ao redor e vendo o cara sentado ao lado tendo a mesma emoção que eu, me fazendo sentir vontade de comentar com ele como aquela cena foi foda ou de abraçar quando o C3PO aparece. 

Como Han-Solo disse a Chewie ao adentrar a Millenium Falcon mais uma vez: "estamos em casa". 

Demorei, mas ontem eu finalmente voltei para casa.

Resenha Filme: O Ilusionista


Baseado no conto "Eisenheim, The Illusionist" escrito por Steven Milhauser, o "O Ilusionista" se passa na Viena do século XIX e conta a história de um camponês chamado Eduard Abramovich, que graças a um encontro com um mágico na estrada se tornou um apaixonado pelo ilusionismo. Ainda jovem, ele acaba cruzando o caminho de uma linda menina chamada Sophie que encantada por Eduard e seus truques acaba o seguindo até a sua casa. No entanto, mais tarde, nós, Eduard e até a inocente garota acabamos descobrindo de que ela pertence a aristocracia local e que eles são impedidos de ter uma amizade por isso. Mas mesmo com todas essas diferenças, a amizade e amor entre os dois é mais forte.

Quinze anos depois, quando Eduard, após viajar pelo mundo aprimorando a sua magia, resolve retornar à cidade com a alcunha bacanuda de "Eisenheim" fazendo se apresentações em um grande teatro em Viena com truques impressionantes como fazer crescer uma laranjeira em questão de segundos (prestem atenção na laranjeira). Naturalmente tais apresentações provocaram a curiosidade do cético príncipe Leopold. e a seu pedido, o mágico é convidado a fazer uma apresentação fechada diante da nobreza. Certo de que seus truques não passavam de fraude, Leopold armou a apresentação disposto a desmascará-lo. porém, ele acaba sendo humilhado na frente de todos provocando a sua ira.

Para piorar a situação dele, a forte relação entre Eisenheim e a agora Duquesa von Teschem (Jéssica Biel), ou simplesmente Sophie foi revivida após o encontro repentino que o príncipe-herdeiro Leopold (Rufus Sewell) armou e eles acabam inciando um romance as escondidas. Desconfiado sobre os repentinos encontros, o príncipe delega a seu braço-direito, o inspetor Uhl (Paul Giamatti) para investigar tais encontros e expor a "verdade" sobre o trabalho de Eisenheim a todo custo, mesmo que isso signifique dar um fim ao mágico e até a Sophie, que pertencendo à realeza Húngara, faz parte de seus planos para chegar a coroa.

"Nada é o que parece ser", talvez essa frase que está no pôster é a que ficou mais presa em minha mente após assistir ao longa. O que é realmente a ilusão? Claro que o jogo de gato e rato entre Heisenheim e o príncipe Leonard são bem claras, mas a principal motivação de "O Ilusionista" é a verdade e revelar a supressão dela em favor da realeza, mas acima de tudo superá-la. E para isso é necessária uma boa dose de ilusionismo.

Com um trabalho de fotografia simplesmente fantástico captando a arquitetura gótica da cidade de Praga (que serviu de cenário para representar Viena) e com uma trilha sonora simplista e extremamente eficiente em passar suspense e dramaticidade, nada poderia ser feito em "O Ilusionista" se não fosse a atuação mais uma vez impecável de Edward Norton (um dos maiores atores de nossa geração) que nos hipnotiza em cada cena com seu seus gestos, o seu olhar, e sua fala mansa e de poucas palavras que passam toda a credibilidade de seu papel, sem exageros, como o resto do elenco principal formado por Rufus, Jéssica e Giamatti.

O grande mérito de "O Ilusionista" é ser muito bem construído em seus personagens e misterioso na sua história a todo o momento, poupando falas e didatismo. O diretor Dick Pope com seus planos sempre escuros nos colocou diante da magia, mas transportou a magia a própria história, mesclou realidade com sonho e a crença com a descrença, não deixando a gente tirar os olhos do filme e nos fazendo imergir esperando um final completamente diferente do que imaginávamos, mas que faz jus perfeitamente ao título do filme: "O Ilusionista".

Artista faz seu auto-retrato em efeito do LSD

O LSD (não confundir com LCD) é uma das mais potentes drogas lisérgicas alucinógenas conhecidas, se você nunca tomou (ou nem tem conhecimento disso) provavelmente deve ter ouvido falar muito dela quando você assistiu a algum documentário qualquer sobre o rock dos anos 60/70 ou do Woodstock. Pois é, aquela época o rock não se chamava de psicodélico à toa e não é à toa também que o rock progressivo foi inventado justamente nessa época. Pink Floyd, King Crimson, Emerson Lake and Palmer, The Doors... a lista é longa, e inclui o autor Aldous Huxley por exemplo, e se você já leu algum livro dele, já sacou logo de cara que aquela imaginação, vinha de um ácido daqueles, e Steve Jobs que considera suas experiências com o LSD como as mais inspiradora da sua vida.

Mas o que o LSD causa? Bom, a droga é tão poderosa que pode durar até 12 horas e um dos efeitos dela é a alteração na capacidade de percepção de sons, cores, tempo e espaço – sem contar os efeitos psicóticos e alucinógenos. É ácido amigo, isso é "brisa".

Por causa de seus efeitos, a droga foi muito usada em pesquisas, estudos e até psiquiatria e em psicoterapia testada em pacientes esquizofrênicos. Mas no caso desse post em especial, uma artista (que não sei o nome) resolveu colocar à prova os efeitos da droga desenhando seu auto-retrato durante vários períodos de tempo. O resultado é beeem curioso!

15 minutos depois de tomar LSD


45 minutos




1h45min


- Deixou crescer o cabelo? 
- Não, eu só me vejo de uma forma diferente. 
- Isso vai piorar

2h45min


Ainda bem que trouxe lápis de cor...

3h30min


Pra que desenhar os olhos? 

4h45min


Foda-se, eu sou violeta

6h


Essa é quando eu assumo a forma de demônio nas noites, saca?

6h45


Virei uma obra de arte do carnaval!

8h


8h45min


Cara, eu nem me vejo mais. Agora transcendi.

9h30min após ter tomado LSD


Eu não sou mais eu mesma...

Quando The Walking Dead vira metal

Você pode gostar ou não da série The Walking Dead, mas é inquestionável que a série tem umas das aberturas mais impactantes da história da televisão, e com o hype da série, naturalmente diversos artistas de YouTube já fizeram suas versões para a trilha transportando para os mais diversos gêneros. Mas claro que, como elas são pessoas de bom gosto e sabem muito bem que o metal e a música clássica tem aquela sinergia, eis que a trilha de abertura de The Walking Dead já teve diversas versões com as guitarras estridentes ao fundo. 

Contudo essa versão do brasileiro Thiago Teixeira publicado no canal Metalviolin (e muito bem editada por sinal) é bem interessante por colocar o heavy metal no meio mas priorizando muito mais o triste violino da trilha. 

Bom, escuta aí que você vai entender!









Resenha CD: David Bowie - Blackstar


Eu entendo muito bem a piada que cerca o fato de que os artistas mortos rendem muito mais do que os vivos, quer dizer, é só o artista morrer pra todo mundo saber quem ele é (ou nem assim). Mas essa é uma conclusão que leva a dúvida junto, afinal, sabemos que há preguiça musical, mas por outro lado sabemos que um "gatilho" midiático como a morte eleva o artista a um patamar de universalização do público, patamar em que vivo, esse talvez jamais alcançaria. 

É o lado póstumo do ser humano, adoramos a tragédia e nos importamos mais com que está morto do que vivo. Simples assim, é isso na vida e na morte. Só lembramos de alguém quando esse se vai. Veja o exemplo recente de Lemmy Kilmister que muita gente correu atrás para baixar a discografia, e o que dizer agora então de David Bowie? No primeiro caso sou fã, então é natural bater aquele descontentamento e fúria de alguém em sã consciência só procurar escutar o que o homem fez depois de morto, entretanto, é o que justamente estou fazendo agora com o Bowie. Mas e aí? Vou bater o pé?!

Precisava saber o que Bowie deixou para mim além de "The Man Who Sold The World", "Starman", "Rebel, Rebel", "Heroes" e "Let's Dance", músicas que marcaram minha vida e que já peguei tantas vezes cantarolando sem ser fã. Não podia fechar os olhos.

Parece triste, mas ao darmos uma segunda olhada e parar para refletir sem a tragicomédia que cerca o fato, não tem nada de desrespeitoso passar a conhecer mais a fundo o trabalho de alguém depois de ele ter batido as botas. pelo contrário, talvez seja o nosso lado póstumo nosso aflorando, o de reconhecimento. É como se o natural fosse, no fundo, por mera curiosidade saber do porquê desse artista ser tão reverenciado e respeitado através das gerações, e falando especificamente de mim, saber o que exatamente esse artista que marcou as nossas vidas, seja em maior ou menor grau, deixou para nós e a posteridade. Dizem que deus escreve certo por linhas tortas. E talvez a morte sirva pra isso também, para que cada vez mais pessoas prestem uma homenagem cada vez mais calorosa para quem se foi, no caso de agora, David Bowie. 

Sempre tive a ideia de David Bowie tocando rock, talvez por isso o coloquem juntamente com artistas do gênero punk inglês expoente na época, mas o "camaleão do rock" sempre teve diversas faces e somente por "Blackstar" já fui capaz de entender isso perfeitamente. Sempre admirei a inquietude de um artista e a coragem para expor sua criatividade, sempre gostei de bandas e artistas de diversas faces e no caso de Bowie isso sempre foi latente em toda sua vida. 

"Blackstar" abre uma curiosidade sobre o que estamos acostumados a escutar e como é delicioso ouvir música assim. 

Inquietante, esquisito, genial e um atestado de negação do rockstar, o último álbum de Bowie (que ganhou ainda mais um sabor de saudade após sua morte ter sido noticiada dois dias depois do lançamento) tem ares de despedida mas também de um artista que quis se esforçar para colocar a sua capacidade à prova até o final dos seus dias. A "estrela negra" nada mais é que Bowie negando o que o público sempre lhe disse ser, a estrela ficou negra pois aqui na Terra ela se apagou, mas voltou ao espaço.

O single "Lazarus" é simplesmente belíssimo em toda sua morbidez e na despedida: "Look up here, I'm in heaven / I've got scars that can't be seen / I've got drama, can't be stolen / Everybody knows me now."

Sim, agora todos sabem quem você é.

O homem que caiu na Terra ascendeu ao céu.

Que obra de arte Bowie, muito obrigado por tudo. Agora dá licença que vou te homenagear através da sua discografia.

A trilogia clássica de Star Wars em 8-bits

Já postei vários filmes da galera do CineFix aqui no Descafeinado e acredito que você ficou com vontade de jogar eles tanto quanto eu. Mas dessa vez é especial.

O resumo da trilogia clássica do Star Wars é simplesmente sensacional, não só pela sacada muito bem bolada da evolução dos gráficos como se a série começasse no Nintendinho e nos RPGs clássicos e terminasse no Super Nintendo na pancadaria de um Streets Of Rage futurista, mas porque eles me fizeram esquecer completamente da tragédia da segunda trilogia da série!

Fico no aguardo pelo resumo do Star Wars 7 e assim que eles jogaram lá no canal eu posto aqui, ok?


"Você quer jogar a prequência? Não"

Uma visão inteiramente nova de Divertida Mente

Uma visão inteiramente nova de Divertida Mente
Divertida Mente é o filme mais emocionante de toda a trajetória da Pixar no cinema. Claro que essa é uma opinião bem particular, mas se formos levar em conta essencialmente o que a animação aborda sobre a história de Riley e o conflito de suas emoções, isso basicamente se torna a narração da história de cada um de nós, e essa identificação transcende qualquer Toy Story 3 que surja em nosso caminho. É admirável um estúdio de animação, e portanto um gênero mais direcionado as crianças, transformar um assunto tão complexo da psique humana em simples "bolinhas de gude" coloridas, tão cativantes e tão singelas. A Pixar sempre consegue e não tenho vergonha nenhuma de admitir que escorreram suor másculo de meus olhos na sala do cinema!

Pois então, quem assistiu ao longa sabe que a história de Riley Anderson é somente um pano de fundo para as cinco emoções tomarem conta da projeção, no entanto, a proposta do jovem Jason Hanzon com essa edição do filme é justamente manter totalmente o foco em Riley e nas suas expressões, mostrando como as pessoas ao redor reagem a cada momento de alegria e tristeza protagonizada pela garota que saiu de Minessota.

É uma nova forma de sentir o que Divertida Mente quis nos passar, e é ainda mais interessante que mesmo condensando a história de Riley em 15 minutos, foi surpreendente sentir que não houveram spoilers consideráveis. O filme é tão bom que isso se torna irrelevante, afinal, eles se tratam dos sentimentos. =)

Tirinhas da Semana #261

Primeiro post do ano, primeiro post na segunda. Perfeito. Vamos começar com as tirinhas da semana, vamos começar 2016!