Resenha Filme: Whiplash - Em Busca da Perfeição


Dizem que as outras pessoas nos enxergam muito mais do que nós mesmos e é sabido de que em inúmeras ocasiões na vida precisamos de um "choque de realidade" para percebermos o que está de frente ao nosso nariz, quer dizer, o que realmente queremos alcançar e o que realmente queremos deixar. 

Enxergando de uma forma ampla, o que "choque de realidade" em si é para nos alertar sobre o que nos cega, algo intrinsecamente ligado a importância exagerada que muitas vezes damos às outras pessoas ou fatores externos, esquecendo de nós mesmos e da nossa capacidade em discernir com clareza o que é certo e o que é errado. Dizem que o amor é cego, e em "Whiplash", esse amor é traduzido pelo jazz e para o maestro carniceiro Terence Fletcher interpretado pelo talentoso (J.K. Simmons): a pior coisa que aconteceu no mundo foi o elogio de "bom trabalho". 

Tomado pelo desejo de ser "grande" Andrew Neiman (Miles Teller), o baterista apaixonado pelo jazz e frequentador de uma das melhores escolas do mundo vê na figura de Fletcher aquele que pode lhe fazer alcançar a grandeza realizando seu sonho e mostrando à sua família que ter talento e ser músico é muito valoroso do que jogar futebol americano. No entanto, os métodos de ensino de Fletcher são absolutamente questionáveis no mundo politicamente correto em que vivemos, o que talvez Andrew procurava, pois não via capacidade em outros professores de lhe ensinar o que ele almeja aprender.  

O drama escrito e filmado por Damien Chazelle fala abertamente sobre a fúria e a obsessão de dois personagens, um em ser realmente relevante no mar de músicos e outro pelo desejo de criar alguém que realmente tenha "sangue nos olhos" por aquilo que ama fazer. O que Fletcher vê no mundo é cada vez mais um "desperdício de tempo", são pessoas cada vez mais satisfeitas em ser apenas o médio e não em ser o melhor, por isso ele vê o "bom trabalho" como um elogio tão nocivo. 

A atuação de J.K. Simmons e Miles Teller são simplesmente monstruosas em deixar claro o perfeccionismo de Fletcher que vai ao encontro do ambição psicótica de Andrew. Filmado por Chazelle de forma econômica e precisa em focar apenas na psicose de dois personagens, cada cena e cada grito foca na dor, no sangue, e no suor, nos deixando simplesmente claustrofóbicos e emocionados pela insistência dos closes de Chazelle que passam precisamente cada sentimento envolto na cena.

Em cerca de 1h40 de filme "Whiplash" termina com a ambiguidade, será que Andrew conseguiu alcançar a perfeição que sempre quis? A troca de olhares entre ele e Fletcher ao tocar "Caravan" é simplesmente brilhante em nos passar a sintonia. Creio que não seja necessário outro final.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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