Resenha Filme: Whiplash - Em Busca da Perfeição

sábado, janeiro 30, 2016


Dizem que as outras pessoas nos enxergam muito mais do que nós mesmos e é sabido de que em inúmeras ocasiões na vida precisamos de um "choque de realidade" para percebermos o que está de frente ao nosso nariz, quer dizer, o que realmente queremos alcançar e o que realmente queremos deixar. 

Enxergando de uma forma ampla, o que "choque de realidade" em si é para nos alertar sobre o que nos cega, algo intrinsecamente ligado a importância exagerada que muitas vezes damos às outras pessoas ou fatores externos, esquecendo de nós mesmos e da nossa capacidade em discernir com clareza o que é certo e o que é errado. Dizem que o amor é cego, e em "Whiplash", esse amor é traduzido pelo jazz e para o maestro carniceiro Terence Fletcher interpretado pelo talentoso (J.K. Simmons): a pior coisa que aconteceu no mundo foi o elogio de "bom trabalho". 

Tomado pelo desejo de ser "grande" Andrew Neiman (Miles Teller), o baterista apaixonado pelo jazz e frequentador de uma das melhores escolas do mundo vê na figura de Fletcher aquele que pode lhe fazer alcançar a grandeza realizando seu sonho e mostrando à sua família que ter talento e ser músico é muito valoroso do que jogar futebol americano. No entanto, os métodos de ensino de Fletcher são absolutamente questionáveis no mundo politicamente correto em que vivemos, o que talvez Andrew procurava, pois não via capacidade em outros professores de lhe ensinar o que ele almeja aprender.  

O drama escrito e filmado por Damien Chazelle fala abertamente sobre a fúria e a obsessão de dois personagens, um em ser realmente relevante no mar de músicos e outro pelo desejo de criar alguém que realmente tenha "sangue nos olhos" por aquilo que ama fazer. O que Fletcher vê no mundo é cada vez mais um "desperdício de tempo", são pessoas cada vez mais satisfeitas em ser apenas o médio e não em ser o melhor, por isso ele vê o "bom trabalho" como um elogio tão nocivo. 

A atuação de J.K. Simmons e Miles Teller são simplesmente monstruosas em deixar claro o perfeccionismo de Fletcher que vai ao encontro do ambição psicótica de Andrew. Filmado por Chazelle de forma econômica e precisa em focar apenas na psicose de dois personagens, cada cena e cada grito foca na dor, no sangue, e no suor, nos deixando simplesmente claustrofóbicos e emocionados pela insistência dos closes de Chazelle que passam precisamente cada sentimento envolto na cena.

Em cerca de 1h40 de filme "Whiplash" termina com a ambiguidade, será que Andrew conseguiu alcançar a perfeição que sempre quis? A troca de olhares entre ele e Fletcher ao tocar "Caravan" é simplesmente brilhante em nos passar a sintonia. Creio que não seja necessário outro final.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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