O que passa pelos meus fones #113 - Megadeth

O que passa pelos meus fones #113 - Megadeth
Faz tempo que o Mustaine e amigos, vulgo Megadeth, lançou "Endgame" que na minh humilde opinião foi o ápice da banda em pelo menos vinte anos, mas como nada é para sempre (ainda mais tendo Mustaine no meio) infelizmente a dupla com Chris Broderick, que deu cria a quatro álbuns, se separou. Não sei se Mustaine busca algo nobre, pensando que na sua banda todos fazem parte de um ciclo e que é natural a substituição, contudo, sabemos bem como o líder é um cabeçudo no bom português.

A real é que desde a chegada do nosso querido Kiko Loureiro nas seis cordas espera-se muito do Megadeth e eu me mordo de curiosidade para ver como eles vão soar. Aos poucos esse quebra-cabeça vai sendo revelado, e já dá pra ter uma ideia do que vem por aí em "Dystopia" a ser lançado oficialmente em 22 de janeiro do ano que vem.

"The Threat Is Real" tem fortes influências do clássico "Countdown For Extinction", e esse é um bom caminho, convenhamos. Confira:



Tirinhas da Semana #257

O luto pelo fim do Mega Filmes HD


A pirataria sempre terá dois lados: de um lado a visão romântica aponta que toda manifestação de arte deve ser livre, de outro, o lado dramático de que as pessoas que produzem esse conteúdo deixam de lucrar o que poderiam, justamente pra produzir mais conteúdo pra gente e... pra encher os próprios bolsos.

Por avareza ou por uma simples constatação nossa de justiça, nos perguntamos: "por que devo pagar pelo que eu consigo de graça?". Mas o ponto crucial é que quem fornece conteúdo, não faz esse conteúdo chegar a todo mundo; aí o que parece ser ilegalidade, ganha outra visão motivada pelo romantismo e pela 'justiça' social de quem quer chegar até o conteúdo deve conseguir ver o que quer ver ou escutar o que quer escutar sem pagar nada por isso. Só que a batida da Polícia Federal na operação Barba Negra que fechou o site, descobriu que os donos lucravam até 70 mil reais por mês nisso. Lembra do lance romântico de compartilhar pois toda forma de arte deve ser livre? O compartilhar por compartilhar? Pois é, esqueça isso. Há sempre alguém sabendo como lucrar com algo.

A real é que o site que era a "Netflix gratuita" fechou, mas a internet é invencível e os seus usuários arrumarão outra forma de assistirem o que querem. Steve Jobs deu a luz e a dica a indústria com o iPod e o iTunes ao distribuir música por um valor módico porque sabia da força da internet tinha, não era preciso lutar e sim saber jogar, e sabemos ele era um gênio por justamente pegar o que tinha e revolucionar a ideia que tínhamos pra aquele uso. Com o tempo isso se provou. Disseram que os downloads iriam matar indústria, mas o que vemos agora é que não matou, e serviços como o Spotify e o próprio iTunes são um sucesso estrondoso capaz sim de alavancar artistas, e a Adele está aí para não me deixar mentir. O que os engravatados precisam é saberem mexer com o que tem nas mãos. A TV e o cinema são os próximos já que cada vez mais a Netflix se aventura produzindo seu conteúdo próprio.

Nos tempos atuais tudo o que não queremos é dor de cabeça, só queremos sentar no sofá e nosso filme ou série predileta estar ali, o conteúdo vai agora ao encontro da gente sem esforço com um ou dois toques no controle remoto. Tudo evolui e a indústria tem que acompanhar quem a consome, e não ao contrário. É só pagar uma mensalidade e pronto. Essa ideia libertária de serviços como o Spotify e o Netflix só vem ao encontro da sociedade moderna e em como temos que também pensar diferente, principalmente nós aqui do Brasil.

Revoluções podem acontecer, mas as experiências não irão mudar. Você pode baixar de tudo hoje em dia, mas nada troca a experiência de pegar um livro, de ouvir música numa vitrola ou assistir um filme ao cinema. E falando no cinema, fica claro que dessa revolução streaming do conforto de casa, só reforça como estamos fartos de algumas coisas. Além do brasileiro ser alguém mal educado por natureza, junte ao fato da sacanagem que é a extorsão de pagar 40 reais num ingresso 3D com o número crescente de filmes dublados e blockbusters que estreiam a cada semana, roubando salas de filmes que poderiam ser uma opção pra quem não quer navegar nesse barco. Isso vai emputecendo e estragando a experiência de quem realmente se preocupa em ter opções.

Eu não estou sendo pago (quem dera) e nem fazendo propaganda da Netflix de graça, mas pessoalmente acho que pirataria dá trabalho e qualquer um que constantemente faz isso sabe que dá trabalho. Como disse, queremos chegar em casa e não termos dor de cabeça pra procurar assistir alguma coisa, na Netflix tudo está ali, não temos que procurar torrent se preocupando com vírus, e nem se frustrando sincronizando legendas. Temos que dar muito mais valor a um serviço desses que revoluciona a indústria do que ficar lutando horas pra fechar anúncios pra ver um filme com qualidade porca.

Além de poder pagar meros R$ 19,90 por um serviço que te disponibiliza com qualidade realmente HD e sem anúncios uma gama de filmes e séries que você nem sonharia em ter nas mãos, colaborar assinando um serviço on demand ajuda a fortificarmos ainda mais o que pode e está revolucionando a indústria. Foi uma conclusão que tive ao assinar o serviço a dois meses atrás e que você terá ao fazer o mesmo.

A verdade é que a pirataria na palavra fria é errado, mas ela se torna alternativa em países que não fornecem ao seu povo a demanda do que ele precisa, e leia-se dinheiro. É caro pra cacete se manter com tudo original. Queremos agir certo, mas é um absurdo ver um game sendo vendido por mais de 200 reais na prateleira e um CD na plena era do download por 30 reais e ficar sem procurar algo que não judie seu bolso. Tudo depende de ponto de vista e tudo depende do dinheiro, ele acaba sendo no final das contas a razão de tudo. E como disse, a indústria tem que acompanhar seu público e não ao contrário. Bom, se o CEO da HBO disse que Game of Thrones sem a pirataria a série não teria o tamanho que tem, quem sou eu pra julgar?

Veja por que o Slash não precisa de Axl Rose

O Guns N' Roses, juntamente com o Nirvana, foram talvez as últimas duas bandas de rock que abalaram sua geração e a definiram, mudando totalmente a cultura musical daqueles tempos. Em outras palavras tornaram-se atemporais. Daí pra frente o que ouvimos por aí pode ser bom, mas facilmente descartável perto desses monstros, e esse é o fato! Porém, ao longo dos tempos se provou muitas vezes também que o que é atemporal, chega como um raio e some com a mesma velocidade que chegou, superando a moda, como se tivesse cumprido sua missão.

Tudo foi muito intenso para o Guns N' Roses, drogas, bebida, sexo e rock n' roll, e sendo assim seu fim foi antecipado devido a diversas brigas e confrontos internos da banda. Até hoje se tem mimimi dessa época e como se fosse uma novela de diversos finais, há diversas interpretações do porque aquela formação mágica acabou. O que sabemos é que por mais que Axl Rose seja um chato intempestivo, o fato é que com a saída da outra peça chave do sucesso da banda chamado Saul Hudson em 1995, o Guns N' Roses sem sua presença será uma estrelada banda cover no máximo.

Enquanto Axl Rose faz um álbum insípido com o nome Guns N' Roses a cada vez que o cometa Halley passar, Slash rodou bastante por aí pelo Slash Snakepit e Velvet Revolver antes de colocar o pé na porta e montar sua própria banda. E a parceria com o vocalista do Alter Bridge, Myles Kennedy e a banda The Conspirators, anda rendendo só elogios e mostra o quão bem Slash fez em seguir seu caminho, e talvez, finalmente tenha encontrado seu parceiro ideal de estrada, alguém tão trabalhador quanto ele.

Devido a um perdão entre Slash e Axl entre após quase 20 anos, ultimamente anda um burburinho forte de que a dupla voltará com o Guns N' Roses. A minha opinião? É fato que o retorno será um revival forte e garantia de sucesso, o Guns N' Roses tem como base eles dois, assim como os Stones são Mick e Keith e o Black Sabbath é o Ozzy e Iommi. Por mais que hajam substitutos de qualidade, nada se igualará a química que a dupla tem. Mas fico com um pé atrás me perguntando se essa "reunião" proposta é realmente necessária.

Tenho comigo a impressão de que a época do Guns já passou. As músicas estão eternizadas e não é preciso ter um revival para reafirmar um tempo de mais de 20 anos nas costas. Os tempos são outros e as pessoas também, e sequer Slash é o mesmo, que dirá Axl - que vimos no Rock In Rio de 2011 como é uma sombra do que já foi. É uma faca de dois gumes, de um lado a nostalgia eterna de ouvir Sweet Child O' Mine tocada pelos compositores originais, e de outro o nosso carinho de não querer ouvir a banda que construiu minha infância ser arranhada por um cover de si mesma.

Bom, sobre isso tenho a opinião de que Slash não precisa de Axl Rose para ser feliz, como disse, as canções são eternas assim como os acordes registrados por ele. Uma prova desse delírio é esse show em Mumbai do Slash and The Conspirators levando a galera a cantar em uníssono quando os primeiros acordes de Sweet Child O' Mine foram tocados. A tarefa de ouvir Myles Kennedy cantando chega a ser impossível com tantas vozes.

De arrepiar!

Resenha Série: Marvel's Jéssica Jones (1ª Temporada)


Pedindo uma ajudinha pra Wikipédia, o título de herói designa originalmente o protagonista de uma obra narrativa ou dramática, a figura de "um verdadeiro herói" nada mais é do que um ser que reúne em si os atributos necessários para superar de forma excepcional um determinado problema de dimensão épica. 

Intrinsecamente ligado aos mais dignos e honrosos atributos humanos, é entendendo o herói que podemos compreender melhor o que é um super-herói, um personagem fictício que designamos como um ser sem precedentes das proezas físicas dedicadas aos atos em prol do interesse público. E sobre esse lado que se iguala ao conceito do que do divino e do inacreditável, para os Gregos, o herói situa-se na posição intermédia entre os deuses e os homens, sendo em geral filho de um deus e uma mortal como Hércules ou Perseu, ou vice-versa como Aquiles. O herói, portanto, tem dimensão semidivina.

Ligamos nos jornais televisivos e sempre nos comovemos com histórias cercadas pelo o que julgaríamos impossível ou o que simplesmente julgamos como bondosamente admirável. Por exemplo, dia após dia muitas mães e pais são heróis da vida real por abrirem mão de si mesmos ao lutarem por conquistas em prol de seus filhos e parentes, dia após dia pessoas trocam seu tempo e sua dedicação por algo que lhe traz pura satisfação pessoal em simplesmente ajudar alguém, dia após dia pessoas se dedicam integralmente a ajudar os animais indefesos, dia após dia incêndios e tentativas de assassinatos acontecem e são salvos por pessoas que tem uma péssima remuneração, mas prestam seu serviço porque se sentem bem em salvar o próximo. Pessoas assim nem dão da importância que esse título tem, simplesmente elas fazem isso porque são boas e porque julgam que isso é o certo a se fazer.

Saber o que é certo é uma tarefa que só aprendemos ao longo da vida, ela pode e deve nos ser ensinada por quem quer nosso bem, mas somente nós mesmos adquirindo o discernimento ao longo da vida e percebendo o que poder ser bom e ruim pra gente, tomaremos a decisão de seguir o caminho correto.

O universo da Marvel nos cinemas tratou e trata-se de apresentar esse lado heroico e fantasioso do super-herói, mas claro que como humanos em primeiro lugar, eles tem em suas crenças e na moralidade em seus corações a definição do que é certo e errado de se fazer, e é a partir daí que se gera imensos conflitos e os deuses acabam por se igualar aos mortais. É como qualquer um deles num momento crucial perceberem o conflito que há entre o merecimento de alguém morrer ou ser salvo, essa dúvida os torna humanos sob sua capa e cada vez mais vemos a retratação desse lado dramático das suas vidas serem exploradas. Por exemplo, a série "The Walking Dead" mostra bem esse lado humano cercado de dúvidas pelos personagens Morgan e Carol. Um sobreviveu graças a sua crença de que toda vida é válida e a outra só sobreviveu porque aprendeu que ali naquele mundo para não se transformar em um monstro é necessário se mostrar mais forte. Aqui nenhum lado está errado e nenhum está completamente certo, tudo na verdade depende de uma decisão e das crenças e da moralidade que citei.

Pra quem assistiu o seriado do advogado Matt Murdock como Demolidor entende essas difíceis decisões e como elas o cercaram durante toda a série. Combater o crime e proporcionar um lar um pouco melhor pra ele e para as pessoas que moram ali exige um sacrifício hercúleo, mas a segunda empreitada da Marvel juntamente com a Netflix em explorar o seu cartaz sombrio de seus personagens leva tais conflitos para outro patamar ao explorar também a psicopatia de heróis e vilões.

Criada por Brian Michael Bendis em 2001, Jéssica Jones (Krysten Ritter, a Jane de Breaking Bad) carrega em si uma boa dose de dramaticidade e realidade que somente o século 21 traria como inspiração. Carregada de ressentimentos e de dramas pessoais, Jéssica perdeu seus pais em um acidente de carro que matou sua família e consigo carrega um fardo que é recorrente quando falamos de mundo real: a subversão da mulher em troca de favores masculinos, ou simplesmente estupro. Essa cruz é carregada por Jéssica desde seu envolvimento passado com Kilgrave (David Tennant), um sujeito que tem o dom de controlar a mente das pessoas e que abusou dela fisicamente e psicologicamente.

No seriado vemos uma desconstrução do que é ser um herói, se em Demolidor vimos como Matt Murdock foi pouco a pouco se tornando o Demolidor que todos nós conhecemos, a Jéssica Jones é uma mulher que abandonou seu posto de heroína para se tornar uma investigadora particular, o que já é deixado bem claro na apresentação carregada de tom detetivesco. Mas o mais interessante na série da Casa das Ideias é que a aquisição de poderes e origem de Jéssica Jones pouco importam (sendo mencionados alguns fatos que pouco as explicam através de flashbacks ao longo da série), na verdade, não importa muito como ela se tornou o que é e porque deixou de ser o que era. 

Jéssica Jones tem superforça, resistência e dá saltos que não chegam a serem voos, mas é a primeira personagem que não se "esconde" atrás de um nome artístico - tanto que o nome de super-heroína, Safira, que ela tinha mal é citado. O objetivo de Jéssica Jones é dizer a cada um que ela é como eu e como você, uma mera humana que nem sabe direito os poderes que tem e já desistiu da ideia de descobrir o porque os tem. Uma mulher que mora num "muquifo" com uma vizinhança problemática, que carrega o celular antes de dormir como todo mundo, e que por causa do medo que tem de virar a cada esquina por causa do receio que tem de Kilgrave cruzar seu caminho novamente, se afunda na bebida a cada merda que faz. Uma mulher amargurada e desbocada que vê em Luke Cage (Michael Colter) um alívio pro seus desejos, e que errando em tentando fazer o que lhe parece certo sofre com cada uma das suas decisões e se arrepende de cada uma delas. Luta pra salvar a sua pele, mas em vários momentos não hesita em virar as costas para quem precisa, mostrando que ainda carrega o caráter de heroína em si - algo que sua irmã adotiva Trish Walker (Rachel Taylor) tem vontade de sobra. 

Nos primeiros episódios sentimos na pele a tensão quase paranoica que Jéssica Jones sente ao acreditar que Kilgrave está por perto. Pela trama revelar somente revelar a sua face alguns episódios a frente ficamos paranoicos junto com Jéssica, afinal, só de saber de um cara que tem a capacidade de controlar as mentes humanas por si só já é algo apavorante, tanto que a série faz questão de enfatizar o quanto cada um dos personagens vitimados por ele são eternamente feridos psicologicamente como Jéssica foi. No entanto, apesar dos poderes que Kilgrave tem e que o fariam facilmente chegar a Jéssica e destruir cada pedacinho social de Nova York sem muito esforço, o verdadeiro nó na garganta se dá quando nos damos conta de que ele fez aquilo sem nenhum poder, simplesmente por gostar de ser mau e de gostar do sadismo em controlar pessoas e em provocar pânico em Jéssica Jones. 

Se Jéssica Jones é um pedaço de cada um de nós, Kilgrave é o outro pedaço do mundo em que vivemos, representando o lado sádico, manipulador e sedutor. Representando o cara que abusa sexualmente uma mulher com a desculpa pronta de que aquilo só aconteceu porque houve o consentimento dela, mesmo essa estando inconsciente e incapaz de se defender com clareza, como Jéssica esteve. Tá certo que não é muito difícil tomar esse título, mas não é absurdo afirmar que Kilgrave é o maior vilão da Marvel até agora. Não é como Loki, um vilão que amamos odiar, mas Kilgrave é de uma escrotidão e perversidade tão grande que não dá vazão a interpretações e o odiamos mais e mais a cada episódio. 

Ambientada na mesma Hell's Kitchen de Matt Murdock - o que já causa uma imensa familiaridade a quem assiste - que ainda procura se reconstruir física e mentalmente da invasão de seres alienígenas e da destruição causada por eles e pelos heróis super poderosos que salvaram a cidade de Nova York, agora totalmente despidos de qualquer descrição pelos acontecimentos vistos nos dois longas dos Vingadores, em Jéssica Jones a Marvel acerta mais uma vez em cheio ao dar personalidade a uma personagem desconhecida do grande público e o mais importante, mostrar que ela é como cada um de nós. Por causa desse imaginário popular ainda vivo, a ligação com a série do Demolidor seria óbvia, mas outro acerto da Marvel aqui é que isso é feito de uma forma tão sutil e elegante que acabei abrindo um sorriso ao saber que a enfermeira Claire Temple (Rosario Dawson) se envolve diretamente com Luke e Jéssica (claro que essa é só uma referência clara, se você assistiu a série recomendo fortemente ao clicar aqui pra ver as outras referências). Bem ao contrário da forçação de barra e da necessidade clara de ligação entre filmes que o universo da Marvel nos cinemas sofre.

Tanto no Demolidor de Charlie Cox quanto em Jéssica Jones, parece que a Marvel quer contar sobre as origens de seus personagens mas sem entregar muito o jogo, o que a narrativa não-linear da série mostrou e se provou uma cartada esperta, pois sabendo que o público da Netflix é composto na sua maioria de aficcionados por heróis parte cansada de ver e rever origens de seus super-heróis serem contadas no cinema, a Marvel aproveitou o descompromisso e a liberdade que a Netflix traria e resolveu por seguir uma caminho diferente apostando principalmente na construção de caráter de cada um de seus personagens. Se isso já se provou um acerto em Demolidor, com a série de Jéssica Jones só reafirmou o sucesso da fórmula fazendo-a superar seu predecessor. 

Assistam sem medo e com a certeza de que a Netflix é uma benção!

Resenha Filme: Transcendence - A Revolução


"Transcendence" foca em cima do neurocientista e pesquisador Dr. Will Caster (Johnny Depp) que dedicou sua vida a desenvolver uma máquina que possui sensibilidade e inteligência coletiva, na sua mulher Evelyn (Rebecca Hall), uma defensora de causas ambientais e também neurocientista como o marido, e no amigo do casal Max (Paul Bettany) que divide interesse pela tecnologia como o casal, mas representa o cara comum como eu e você por ter ressalvas a ideia da humanidade deixar tudo nas mãos de uma inteligência artificial.

Confesso que no início do filme o roteiro escrito por Jack Paglen traz questionamentos realmente interessantes sobre a relação da humanidade com a tecnologia e como perigosamente estamos cada vez mais dependentes dela. Você já deve ter lido ou assistido a respeito parecendo que perguntar isso mais parece um murro em ponta de faca, mas qual o limite do ser humano com a máquina? De mais claro no começo do filme é que vemos a empolgação natural do casal de neurocientistas Will e Evelyn com a tecnologia que estão desenvolvendo, de um lado Will busca dar a possibilidade da humanidade de ser imortal, do outro Evelyn vê a possibilidade das máquinas em reaver problemas ambientais que a humanidade falha miseravelmente em solucionar. Tudo soa uma utopia e até saímos comprando a ideia, mas com um pé bem atrás, como Max.

Bom, se Max está "em cima do muro", sempre haverão os radicais que não estão. Qualquer tecnologia terá seus benefícios e malefícios, tudo depende do uso que o ser humano faça delas. Só que se tratando de inteligência artificial como poderemos controlar? Se falhamos em controlar nós mesmos, como controlar uma inteligência artificial que tem a capacidade de perceber que nós somos tão falhos?

Temendo isso, o grupo de Bree (Kate Mara) tem como missão frear o avanço tecnológico que eles entendem como a ruína da humanidade, armam um atentado contra a mente que que brincar de Deus e conseguem. Envenenado por um tipo de substância rara e incurável, Will tem pouco mais de um mês de vida, e sua esposa Evelyn desesperada por ver seu grande amor e um ideal se perderem nas sombras da morte resolve transportar a mente de Will para a máquina que ele estava desenvolvendo.

Antes de sofrer o atentado na saída da convenção em que ele estava dando palestra, Will respondeu de uma forma interessante uma pergunta de um espectador se com essa tecnologia ele está tentando ciar o seu próprio Deus. Então ele responde: não é isso que o ser humano tem feito? Ao Evelyn convencer o sempre ressentido Max para reunir forças pra realizar o desejo de Will de viver eternamente, obviamente as coisas acabam não dando certo. Como alguém virtual, uma inteligência não mais artificial e sim real, Will se vê sem limites.

Sabemos que a inteligência artificial ameaçará o ser humano assim que evoluir o suficiente para perceber que os próprios criadores são inferiores, é o curso natural; e no caso da transcendência que o filme aborda, Will em sua prepotência humana, agora sem fronteiras, resolve botar em prática o que ele crê que seja melhor para todos. Obviamente o sonho utópico do casal em desenvolver uma inteligência artificial que seja capaz de caminhar com a humanidade resolvendo os males do mundo acabou, mas no caminho até lá que o filme sai tropeçando feio.

"Transcendence" traz questionamentos interessantes, ele brinca com tudo, mas não foge muito do óbvio e o que acaba colaborando na decepção é o próprio roteiro de Jack Paglen que entrega logo de cara o final do filme. Oras, sabemos que a tecnologia pode ser a ruína da humanidade, além de ser bem mais cômodo e simples sermos pessimistas ao contar uma história apocalíptica, só que não precisava deixar isso claro no começo do filme e de uma forma tão poética que traz dúvidas se o filme quer que realmente a gente preste atenção. E sobre isso, a partir da metade final não espere que seu tempo será bem gasto.

Bom, mas é a partir do momento em que a consciência de Will (ou seja lá como dá pra chamar isso) assume o integral entendimento da força que ele tem e começa a usar nanopartículas que brotam da terra para controlar simplesmente tudo, que o filme acaba desandando ao simplificar tudo em uma história de amor que ultrapassa os limites da morte. Além da vontade de darmos um soco na cara da mulher dele por insistir de que aquilo daria certo, o roteiro de "Transcendence" mastiga tudo tão bem mastigado que não deixa os espaços necessários para nenhum questionamento nosso. O filme só deixa claro a sua conclusão: o sucesso de Will em se tornar o próprio Deus.

Acredito que os 120min seriam suficientes para desenvolver melhor as discussões que o filme se propôs a trazer, o problema é que tudo foi mal encaixado mesmo. Me decepcionei muito pois tudo parecia interessante no começo. E também acredito que o "lado máquina" de Will possa ter tomado conta sob um senso de megalomania que fazia parte dele, mas o questionamento máximo que Will traz consigo é de como agradar sua mulher e só, e mais decepcionante que isso é o final que seu personagem deu a história. O personagem de Johnny Depp é totalmente morto a partir do momento em que vira uma máquina consciente, porém não difere muito do seu lado humano... Aliás o elenco estrelado que conta ainda com Morgan Freeman (o cara que interpretou até Deus) e Cillian Murphy (Extermínio e A Paixão de Cristo) parece estar no piloto automático assim como Depp esta (e ele confessou isso em entrevistas) e suas participações consistem em trocar filosóficos diálogos rasos com Will e Evelyn. Acho que eles não pareciam comprar a ideia.

William Pfister é fotógrafo premiado pelo seu trabalho elogiável no filme "A Origem" com seu parça Christopher Nolan. Agora se aventurando por trás das câmeras apoiado pelo Nolan, senti em "Transcendence" uma pontinha de um filme que poderia ser do Nolan, mas aqui executado pelo seu pupilo sem brilho algum ou carisma, parecendo um grande trabalho fotográfico do agora diretor dado as tomadas em câmera lenta que vemos ao longo do filme. Após ver o filme entendo porque ele foi um fracasso de bilheteria. Não são só pelas atuações que não te fazem comprar a tensa situação, mas porque o filme em si não é interessante para atrair a atenção de ninguém. A frieza da tecnologia tomou conta dos humanos, até dos extremistas que mal tem algum espaço para dizer porque estão fazendo aquilo.

Eu acredito que a missão do cinema não é só entreter, mas criar discussões. Discutir se o filme é bom ou ruim, se ele traz alguma mensagem ou é digno de se juntar ao esterco do seu gato, não importa, temos que discutir. Disseram no Chaves que da discussão nasce a luz... E bom, é isso. O problema é quando Hollywood nos premia com um filme que traz mais respostas do que perguntas, ou simplesmente ele troca as mãos pelas pernas e se confunde mais do que explica; tenta se tornar poético, mas é descartável assim como os textos do Pedro Bial nos paredões do BBB. Entende o que quero dizer? "Transcendence - A Revolução" tem uma proposta boa e traz muitas perguntas que são até pertinentes, mas sem a criatividade em criar uma visão diferente de todas as respostas que já vimos e ouvimos. Triste, pois esperava muito do filme quando soube que ele saiu nos cinemas dado ao assunto que ele resolveu tratar.

Acho que é melhor ver o Johnny Depp sendo um eterno Jack Sparrow.

Resenha Série: True Detective (2ª Temporada)


Tá certo que as temporadas tem que ser analisadas de formas diferentes, mas antes leia sobre magnífica estreia de Nic Pizzolatto nas telas dos televisores: True Detective (1ª Temporada)

A primeira temporada de True Detective foi uma grande surpresa, não só porque o até então desconhecido do grande público Nic Pizzolato nos entregar uma série digna de marcar a história, mas sobretudo porque a primeira temporada de True Detective pela sua qualidade, foi uma das grandes responsáveis por alavancarmos de vez as expectativas que tínhamos com a televisão; telespectadores e artistas. Matthew McConaughey e Woody Harrelson mostraram um novo e belo caminho a ser trilhado pelos atores que se viam subestimados pelo cinema.

Mas que tal passar a borracha em tudo isso? Pizzolatto ao ter a tarefa de roteirizar a segunda temporada da sua grandiosa estreia resolveu escrever certo por linhas tortas saindo TOTALMENTE da zona de conforto, e isso é uma puta mostra de coragem. Ele modificou todos os atores, localidade, enfoque e fez questão de minguar qualquer tipo de ligação que poderíamos fazer com a temporada passada. É uma série nova que limita-se ao tema policial adotado desde o início. Foi uma grande mudança de status-quo com o público e com a série. 

Vejo aqui que Pizzolatto resolveu expandir sua linha de raciocínio e desafiar o público, fazê-lo também sair da zona de conforto em que naturalmente estariam. A série tem um elenco muito maior que a dupla Marty e Cohle apresentados na trama passada, como disse é uma série nova.

Mas tá, muito legal. A ideia é muito boa realmente. Mas o que me atraiu nessa série? Muito pouco infelizmente. A segunda temporada de True Detective é pesada, sua densa história lotada de detalhes e pessoas é para ser digerida a conta-gotas e somente os avaliando os oito episódios somos capazes de ter a dimensão da história de Pizzolatto. E é grande. Os primeiros episódios são realmente pesados e dificeis de se assistir, dizem que True Detective é uma série pra quem tem QI mas não é bem assim. Acho que cada série tem seu público e cada público tem seu gosto e a compreensão necessária pra assistir o que bem entender. Diminuir o público que não gostou e logo não entendeu é muita estupidez e petulância. Eu não gostei oras, pra mim cai muito melhor um Breaking Bad.

Sobre isso, sinceramente acho muito difícil você não ter dormido em algum episódio da série. Em True Detective somos jogados em uma cidade mergulhada no limiar da decência e somos guiados por personagens carregados de dramas pessoais que são obrigados a lidar diariamente, resumindo, ninguém "presta" na história. Não temos mocinhos e bandidos e nem a divisão entre as visões de mundo que tínhamos em Marty e Cohle, aqui cada um deles de alguma forma esperam nosso julgamento e nossa paciência. Só que é justamente esse o problema: paciência. São muitos personagens e apesar de o didatismo ser bom e necessário, achei que a história faltou demais com dinâmica suficiente para ficarmos ansiosos pelo episódio seguinte. Comparações são totalmente injustas e inválidas. Penso que Pizzolatto quis nos desafiar como telespectadores, mas passou um pouco dos limites.

A real é que desde o tema de abertura até sermos apresentados a cidade fictícia de Vinci na Califórnia, somos tomados por uma aura de descrença e desânimo. A cidade tem o que é de pior e mais ilegal na região, jogos de azar, prostituição, imigração ilegal, dejetos tóxicos, corrupção endêmica e homens de pouca fé. Vinci guarda em si membros que são tomados pela descrença. Aliás, Pizzolatto foi muito feliz em trazer a tona essa questão política e social que são inerentes a grandes cidades do mundo.

Se você viu alguma semelhança com Hell's Kitchen não é mera ilusão. Frank Semyon e Wilson Fisk são muto semelhantes em suas esperanças, meios e fins, dores passadas e visões de futuro. Conhecido pelos seus papéis de comédias sem graça, Vince Vaughn está simplesmente irreconhecível na pele de Frank e sua atuação é um dos pontos mais elogiáveis da série. Vince dá a Frank a verdadeira cara de mau de um criminoso amargurado e que se vê humilhado após a morte de Caspere, por ser obrigado a voltar a ser o homem que fora e por ter visto todas as suas economias de uma vida inteira de bandidagem simplesmente virarem pó por causa da morte de seu gestor. Assim como Fisk na série Demolidor, Semyon também muda e ganha contornos mais dramáticos a cada acontecimento, e seu desfecho apesar de não ser surpreendente, é um dos mais poéticos da série num todo.

Falando em papéis dramáticos, diria que isso juntamente com o teor policial são os pontos que ligam a primeira e a segunda temporada. Todos são humanos, cruelmente, cercados de responsabilidades e demônios que são complexos demais para se fazer entender. Raymond Velcoro (Colin Farrell) está muito bem em seu papel e convence como o pai ausente, policial desgraçado e marido traído. Sua vida é uma desgraça e se entrelaça diretamente com a de Semyon, outro retrato da decadência. 

Os detetives Ani Bezzerides (Rachel McAdams) e Paul Woodrugh (Taylor Kitsch) têm menos tempo de tela, naturalmente, mas os dois são eficientes em seus papeis cheios de dilemas morais. Eles, Raymond e o mafioso Frank tem em uma das melhores coisas da vida a cruz que carregam. O sexo em suas várias faces. Bezzerides é uma mulher forte que se esconde atrás do sexo e de uma memória reprimida da infância, Velcoro viu sua mulher ser estuprada, assassinou o potencial pai e assumiu o filho gerado por esse acontecimento de bom coração, mas no entanto logo após isso se perdeu completamente na vida. Woodrugh luta com todas as suas forças contra seus desejos, tem uma relação sórdida com a mãe, mantém uma relação que não o faz feliz e esconde sua real face, mas sofre tanto com isso que o faz ser um suicida em potencial. E Semyon é o clássico gângster que quer ter um descendente, mas não consegue pela ausência de um amor que sua mulher Jordan (Kelly Reilly) tem como função reviver. 

"We got the world we deserve", essa frase não saiu da minha mente e faz completo sentido ao final de True Detective. Você colhe o que planta, e tudo que está atrelado a Vinci só teria implicado o destino que cada um dos personagens tiverem. Dores e ressentimentos.

Pizzolatto imprime um tom fatalista em cada curva que a série toma e o tom quase novelesco é o que nos faz obrigar a ter aquela mórbida curiosidade de saber o que vai acontecer afinal, apesar de todos os pesares que a série traz a quem assiste. Aliás, a partir do quarto episódio pro final a série toma um rumo diferente, na verdade um novo enfoque a partir do tiroteio (muito bem coreografado por sinal e incrivelmente violento). É a partir daí que a série ganha uma cara melhor. No entanto, essa "reviravolta" embaralha todas as situações explicadas até ali. São situações e nomes novos, o que nos obriga a ter um verdadeiro teste de memória. 

Não é diminuindo a série, mas penso que uma série quase que praticamente te obrigar a "desenhar um gráfico" ou fazer um guia que te faça compreender melhor o que está assistindo é porque a série de maneira nenhuma conseguiu fisgar o espectador da forma que deveria. Ao contrário da primeira temporada, essa segunda não vai marcar história. Só é uma boa história. No final eu entendei tudo e fiquei boiando em outros assuntos que a minha cabeça não deu a devida atenção - e talvez só por isso consegui assisti a série até o final. 

Bom, apesar dos pesares da história arrastada em diversos momentos e de personagens que não são muito carismáticos. ninguém pode acusar Nic Pizzolatto de ter errado, não, ele acertou de novo. A segunda temporada de True Detective é cercada de pontos de vista. Ela pra mim foi um arriscado acerto, é grandiosa e é uma puta história; essa foi a minha conclusão ao final da temporada. E como disse, é preciso ver todo o material antes de tirar as próprias conclusões, mas o caminho até lá é tortuoso e desafiador, decepcionante em algumas vezes se você arriscar a comparar com a temporada passada.

Assista, mas assista por sua conta e risco. Antes de adentrar a cidade de Vinci se sinta preparado.

E se Quentin Tarantino resolvesse dirigir um comercial de margarina?

Bom, de primeira o que NÃO teríamos era um casal feliz, pais e filhos sorridentes recheados nas manhãs ensolaradas e recheadas de clichês que fogem a vida real. Tarantino seria a pessoa que acabaria com tudo isso!

Além de dar mais emoção e ocasionalmente proporcionar alguma sádica risada também, Tarantino seria a pessoa certa que daria a dose de realidade a margarina diária de pessoas de dentes amarelados e sede de vingança nas segundas-feiras.




Veja as capas que a Marvel publicará em 2016

Veja as capas que a Marvel publicará em 2016
Quem visita o Descafeinado regularmente já deve ter visto diversas postagens em que presto um tributo a artistas e ilustradores que pela internet mesclam sua paixão pela cultura pop/nerd, e criam verdadeiras obras de arte que nos fazem nos perguntar: porquê os caras que organizam as peças publicitárias que chamamos de pôsteres não são criativos como esse pessoal?

Pessoal como Michael Cho que a Marvel abraçou na nova série de capas que a editora publicará nas revistas em quadrinhos de seus heróis prediletos na terra do Tio Sam em fevereiro de 2016. Confira aí:

O terrorismo infiltrado em cada um de nós


A cada novo atentado terrorista voltamos ao mesmo ponto da conversa. É até repetitivo, mas o problema é justamente ignorar o assunto. 

Essa busca incessante por "estar certo", isso que está dentro de mim e de você e que nos faz ser hipócritas em diversas horas da vida, é o que acaba dando sentido a vida. Odiamos estar errados, odiamos refletir sobre as ideologias que carregamos. 

Dizem por aí que futebol, religião e política não se discutem pois a opinião é que nem cu, cada um tem o seu. Porém o problema nasce justamente daí, e posso estar exagerando, mas essa discussão sem fim é aonde reside a semente que dá o sentido ao extremismo, afinal, já que a opinião é que nem cu e nem se pode discutir direito de política e muito menos de deus então (ai meu deus!), a única interpretação que tenho é que o escape para as pessoas não se matarem ou se odiarem é justamente calando a boca. 

Na verdade, é só um atentado terrorista acontecer que voltamos aos mesmos pontos da conversa. A real é que o brasileiro se faz de coitado e que os próprios problemas são muito maiores do que os dos outros - quando a dor e sofrimento são iguais pra quem vivencia.

Hoje ouvi algumas coisas engraçadas e que ouço desde que comecei a ter a capacidade de prestar atenção. As duas frases mais interessantemente deprimentes foram essas:

"Eles (os franceses) brincaram com eles, o Maomé né? (sic) Tava na cara que ia ter esse ataque"

"Pra mim que se dane, eu não dou a minima importância. É só um bando de branquelos morrerem pra mídia dar importância". 

Pois é, como a vida vale pouco, como os valores se perderam; tanto que o ser humano comum já se tornou um pouco terrorista. Creio que já nos chocamos tanto através da violência que vemos e sentimos diariamente, que qualquer ataque agora é perfeitamente normal. O tratamento Ludovico de Alex DeLarge parece conto de fadas perto do que presenciamos. 

Para mim o problema não é a religião em si, o problema maior é o próprio ser humano que a criou. Talvez a minha descrença me faça ter esse pensamento e essa é uma longa discussão, mas a aqueles que ainda pregam que retidão de caráter é ter alguma religião, não tem pior hora pra quebrar a cara como nos dias atuais. E isso não é uma vitória. na verdade todos nós saímos perdendo.

A teoria vale pra todos, desde as célebres figuras como as de Malafaia e Feliciano até aos muçulmanos que saíram matando sem dó na França. O tal deus aplicado nas mentes fracas, bondosas e hipócritas injeta uma dose preocupante de preconceito e intolerância, resultando em nada mais do que presenciamos de mais ridículo na sociedade humana. É impossível se manter alheio a esse debate diário. O mal da humanidade acaba sendo a religião que a educa, fazendo as bondosas rezas para os franceses parecerem quase que uma ofensa.

Não vamos discutir aqui a existência ou não de deus, mas a incapacidade de acreditar no que quiser sem invadir o espaço alheio, e isso vale tanto pro pregador que bate na sua porta, pra aquele pastor que grita na igreja ao lado da sua casa, e pro seu representante (pelo menos deveria ser assim) que coloca sua crença em primeiro lugar quaisquer for a decisão em seu país laico. Todos eles são um pouco terroristas, cada um da sua forma. Por trás das boas intenções, o desrespeito e a intolerância através da xenofobia diária e da homofobia tão presente e disfarçada pelo pequeno pacote de preceitos que a religião vende a cada esquina, acaba resultando no mesmo motivo que iguala essas pessoas comuns e os homens-bomba na França: deus. Se mata e se vive por ele como se o mundo em que vivemos não dependesse da cooperação de cada um de nós. E talvez não há falta de caráter maior (vergonha na cara) que justificar o manto da hipocrisia através de um banho de sangue.

Os terroristas gritaram que Deus é grande. Dizem por aí também que o diabo existe. Bom, por favor, os deixem fora disso. As pessoas decentes islamitas que moram na Europa e os refugiados sírios que buscam uma nova vida na Europa sitiada agradecem.