O círculo vicioso de telas

Do notebook pro smartphone, do smartphone pro computador.

Ia escrever mais alguma coisa aqui mas acabei esquecendo, ouvi o alerta de mensagem.



É aí que você descobre porque você simplesmente "capota" aos finais de semana. Santa sexta-feira!

As mortes mais toscas dos anos 80!

Ah a licença poética que o cinema proporciona...

Os anos 80 retratam o auge da criatividade em diversos meios, ao mesmo tempo em que ele se apresenta como o mais brega da história da humanidade. A década, além de ser a última relevante no que se refere a novidade, ajudou muito a definir nossa cultura como ela é hoje - felizmente não ao que se refere a moda (ufa) - e o cinema talvez foi o que talvez mais marcou a todos os tiozões presentes.

A verdade é que a falta de orçamento e efeitos especiais tornavam os filmes, ou muito fodásticos ou uma completa bosta fedorenta que muitas vezes era legal (A Mosca é um clássico do trash por exemplo), e algumas dessas mortes que o pessoal do Screen Rant reuniu mostram o quanto era engraçado viver naquela época.

Creio que a geração atual, e uma parcela da nossa, mal consegue jogar aquele jogo dos anos 80 (Contra) e talvez mal escute uma gravação do Megadeth dos anos 80 (assim como se envergonha do "metal farofa" da época), e com certos filmes a coisa se tornou assim, impossível de se assistir. O que era bom naquele tempo é uma piada hoje em dia; nada mais do que uma prova da ação do tempo pode provocar. Mas cá entre nós, o pessoal da época abusava da sorte, desde quando explodir um cara é passível de ser levado a sério?!


Os filmes que estão incluídos no video:

0:00 Shark Attack 3: Megalodon (2002)
0:42 Enter The Ninja (1981)
0:55 Undefeatable (1994)
1:35 1:48 Big Trouble in Little China (1986)
2:15 Silent Night, Deadly Night Part 2 (1987)
2:33 2:52 Troll 2 (1990)
Via Update or Die





Semelhanças entre Breaking Bad e Pulp Fiction

Dizem que nada se cria, tudo se copia, dizia o saudoso Chacrinha.

Bom, pra mim isso é uma meia verdade que se aplica mais a televisão e ao cinema (entretenimento) do que as séries da própria televisão - o atual oásis da criatividade cinematográfica.

Mas a outra metade da verdade sobre a criatividade, é que o saber e ela própria passam de geração pra geração em um ciclo natural da vida. Quantas vezes nos surpreendemos com as influências de um artista? Quantas vezes eles divulgaram uma lista por aí na internet e corremos atrás para saber o porquê ele ama o jeito desse tal diretor ou ator. Se basear é ser como nós que nos baseamos em nossos familiares para tomar certas atitudes morais em momentos de dificuldade. Hoje somos fãs de muita coisa que nos fazem ser o que a gente é, e esses artistas e diretores que amamos que a muito tempo atrás eram meros espectadores como nós, também eram, assim como nós. E isso construiu a forma de eles serem como são.

Quando assisti a série Breaking Bad já tinha percebido a enorme influência de Quentin Tarantino na série de Vince Gilligan, seja em roteiro como na direção - e creio que até na decisão de encerrar a série no auge -, e o vídeo que postei abaixo mostra as tantas vezes em que Vince se baseou sutilmente em Pulp Fiction, por exemplo. Tipo na vezes simples em que Walter "Heinsenberg" levanta a porta do porta-malas do carro ou a Jane está segurando o cigarro, e até nas que requerem mais atenção como na vez em que Jesse Pinkman toma banho pela mangueira de jardim e na vez em que Jane está preparando ácido na colher. Mas confesso que não me liguei em todas.

Caiu até um cisco no meu olho. Quem sabe um dia veremos os dois trocando ideias num projeto para a TV, Tarantino já deu sinais claros de que seu trabalho está se tornando mais complexo e que a TV daria o desenvolvimento de roteiro que ele precisa. Bom, não custa nada sonhar!


Michael Jackson sendo tocado com instrumentos tradicionais japoneses

Pop significa nada mais que popular, uma música que seja qual for o seu gênero, mescla influências e sonoridade até de outros gêneros, que por consequência criam algo tão original tornando-se quase universal, e isso envolve qualquer gênero conhecido por nós. Entendo que quando uma música alcança esse ponto, o pop se torna um tipo de condecoração, afinal "Sweet Child O'Mine", "Smoke In The Water" e inúmeras outras canções do rock fazem parte desse hall de canções assobiáveis. Isso é um mérito do caralho cá entre nós. Ser popular significa uma suprema "imortalidade" que faz as canções serem cantadas e tocadas por simplesmente qualquer um e de qualquer forma.

O rei do pop é reconhecidamente Michael Jackson, e porque ele é? Pois ele era simplesmente brilhante e versátil desde o início da carreira com o Jackson 5, capaz ao longo de sua carreira de mesclar tantas influências e gêneros musicais sendo sempre facilmente identificável por simplesmente qualquer um que pisasse em nosso planeta. Ate hoje.

Esse vídeo da flautista japonesa Yuko Watanabe tocando uma de suas mais famosas canções, ressalta essa universalidade das canções de Michael ao longo de sua polêmica e brilhante carreira. Ela tocou o clássico "Smooth Criminal" no shakuhashi, uma flauta feita de bambu muito usada na cultura tradicional japonesa, e juntamente a ela mais dois músicos no koto um também tradicional instrumento japonês. O resultado é simplesmente incrível!

O que passa pelos meus fones #111 - Anthrax

Salvo divergências e gosto, de acordo com consenso popular sobre a formação do Big 4 do thrash metal os membros oficiais o Metallica, o Megadeth, o Slayer e o Anthrax, e de todas as quatro considero o Anthrax a mais criativa de todas elas, devido a enorme gama de influências que eles tomaram ao longo do tempo ou que sempre fizeram parte da sua música mesmo, enfim, acabo os julgando como um thrash metal mais "divertido" e mais acessível. Das quatro ela é, talvez ao lado do Megadeth que soube continuar a ser relevante, a que mais vale a pena de escutar atualmente.

O último lançamento após oito longos anos de pausa e da troca de vocalistas - um retorno na verdade, já que o vocalista fundador Joey Belladonna retornou a banda no lugar do competente John Bush. E John? Esse acabou sendo chutado da banda pura e simplesmente para dar lugar ao vocalista que substituiu, vai entender. Bom, "Worship Music" foi lançado em 2011 e foi um estrondo, mostrando uma banda mais madura e surpreendentemente consistente, e para o ano que vem a banda retornará com o décimo primeiro álbum "Evil Twin" com o single auto-intitulado que você confere abaixo.


Bom, a real é que o Slayer acabou de lançar um novo álbum e em 2016 Megadeth e Anthrax também terão seus novos trabalhos vendo a luz do dia. E o Metallica?

Tirinhas da Semana #242

Quando se mora sozinho ou em uma república os contratempos e responsabilidades que essa empreitada envolve são muito engraçadas e enriquecedoras. 

Ontem uma tomada aqui de casa deu o popular "pipoco" e acho que todo mundo se assustaria com isso, mas só quem não manja nada sobre nada de eletricidade ficaria desesperado igual eu. Chamei eletricista e tudo pra no final das contas descobrir que o problema da falta de luz foi causada pelo desarmamento do disjuntor, foi só ligar ele pra luz do meu notebook voltar e minha geladeira voltar a gelar... É aí que nos sentimos verdadeiros idiotas, informatizados e ignorantes ao mesmo tempo por algo tão simples ser do meu desconhecimento. Vivendo e aprendendo. =)

Os tênis que se amarram sozinhos do filme De Volta Para o Futuro viraram realidade!

Lembra do que eu falei que uma das melhores parte de filmes utópicos é que eles nos dão a possibilidade de imaginar o futuro para deixar o nosso presente melhor. Claro que um tênis não fará lá muita diferença para a melhora do nosso presente, mas é inegável que uma das melhores partes de 21 de outubro de 2015 foi quando a Nike entregou a Michael J. Fox os tênis Air MAG que se amarram sozinhos, o que bem ou mal acaba provando pra nós mesmo que de uma brincadeira se desenvolve a tecnologia. É isso é muito legal!

Não é automático como no filme em que você colocava o pé e em 2 segundos o tênis se ajustava ao seu pé, mas esse dispositivo em suma faz a mesma coisa. É só colocar o pé e pressionar um botão na lateral do tênis que em poucos segundos o cadarço se amarra sozinho, essa inovação se chama power laces que nas próprias palavras da Nike:"É um sistema responsivo que percebe o movimento do usuário para oferecer um conforto adaptativo sob demanda. Mas essa é só a primeira interação". Micheal anteontem foi ao talk show de Jimmy Kimmel demonstrar como ele funciona.

Isso é ótimo para pessoas que tem essa dificuldade, como as portadoras de doenças degenerativas como o Parkinson - caso de próprio Michael - e até no uso esportivo mesmo (como era bom se os nossos All-Stares funcionassem dessa forma!).

Vale notar que eles disseram "primeira interação", então é claro que ele terá um maior aprimoramento e essa edição entregue a J. Fox foi mais para comemorar a icônica data citada no filme. O que é certo (seja lá como essa sistema funcione) levará ainda um tempo se quisermos ter esses tênis em casa. Claro que um tênis que se amarra sozinho é muito mais simples de se realizar do que um hoverboard que flutua no ar, mas o impossível pode ser quebrado, e quem sabe também um dia anunciarão a cura do Mal de Parkinson.

Em 2016 serão entregues mais unidades do Air MAG e eles serão vendidos comercialmente sendo que o valor arrecadado será revertido para Michael J. Fox Fundation. Sim, essa brincadeira faz diferença!


Aproveitando a deixa, vou postar o vídeo de um trecho do talk show do dia 21 que mostrou a chegada de McFly e Marty ao futuro - acho que Doc ficou impressionado com o tanto de celulares apontados pra ele. =D

Uma carta de boas vindas para Marty McFly


O que era futuro virou passado, e o que era passado virou futuro.

O post em sua homenagem está atrasado. Você chegou ontem, chegou cedinho. Mas posso me atrasar um pouco, já que você na enrascada sempre chegava em cima da hora...

Nós humanos temos fascínio pelo futuro, e desde que o cinema é cinema retratamos histórias utópicas e distópicas (muito mais a segunda opção). Nesse mundo que volta e meia é destruído por aliens e meteoros, e no mundo que ainda existe tomado por zumbis e governos totalitários, Robert Zemeckis foi autor de uma trilogia que não só marcou a infância e adolescência daqueles que viveram na época do lançamento mas ensinou a aquelas pessoas a olhar para o nosso futuro de uma forma mais divertida.

Tá certo que não temos tênis que se amarram sozinhos ou skateboards voadores (que na real nem chegam a suportar o meu peso), e por mais que Spielberg queira não teremos o Tubarão 19 ou o Cubs sendo campeão da World Series após 109 anos de jejum (e você Corinthiano achando que a sua situação era séria). Mas Zemeckis nos fez sonhar e é assim imaginando o futuro que podemos deixar nosso presente melhor.

Creio que Doc e McFly não imaginariam em mais belos seus sonhos que teríamos verdadeiros computadores na palmas das nossas mãos, que seríamos capazes de assistir e ouvir músicas como e quando quiser, a ciência teria avançado tanto através das células-tronco, que a internet seria uma ferramenta indispensável e que teríamos carros que nesse momento são capazes de interag

ir com a nossa voz. Posso ver a cara de fascinação do cientista maluco mais simpático do cinema. Bom, ainda estamos atrasados em muitos quesitos tecnológicos e humanitários. A verdade é que somos uma sociedade ainda problemática e ignorante, mas exceto por uma parcela da população, essa mera humanidade é cheia de vontade de entender e compreender o mundo e as pessoas ao nosso redor. E olha McFly, o que se conhecia como nerd deixou de ser esquisito e é uma das coisas mais bacanas do mundo, e bom, felizmente a moda tomou o caminho do bom senso...


Pena que esse mesmo futuro reservou uma doença tão cruel para Michael J. Fox, mas isso é outro assunto que nem precisa ser citado...

De certo é que a cultura pop nunca mais foi a mesma graças a única trilogia de Zemeckis para o cinema e que graças a Deus não teremos uma sequência ou nada do tipo. Ufa!

Enfim, pode ser que o nosso futuro nem seja tão divertido quanto para Martin McFly era, mas é fascinante e recheado de referências que você mesmo deixou pra gente. Aliás guardo com carinho o box com a trilogia que você participou.

Agora é esperar 2019 e o futuro imaginado por James Cameron em que até existe a Skynet, mas como duas meras empresas de televisão a cabo - por mais que pareça tarefa de Schwarzenegger tentar cancelar a Net. =D

Sonhe ter posse do (quase) real martelo de Thor

O viral da semana!

Lembram daquela cena do segundo filme dos Vingadores aonde o pessoal é desafiado por Thor a levantar seu martelo Mjölnir? Sim, ninguém consegue e estamos carecas de saber o porquê:

"Somente quem é puro pode ter os poderes de Thor"

Aos indignos e frustrados como Loki resta além de sentar e chorar, fazer cocô nas calças tentando levantar o martelo. E sim, o poder está no martelo, por isso Thor recentemente virou mulher nos quadrinhos.

Ter um martelo Mjönir pra si, além de realizar os sonhos nerds mais molhados e de cosplays mais fieis ainda ao herói, possibilita o mesmo que você está pensando, zoar a galerinha marota e sacana que você chama de amigos. Ou você não queria pintar a cara do seu amigo enquanto dorme e largar o martelo lá no peito dele?

Acho que pensando nesse sonho e na cena clássica do filme dos Vingadores, Allen Pen do canal do YouTube Sufficiently Advanced resolveu colocar em prática essa ideia e criar um martelo que só ele pode levantar - egoiiiista... Mas antes que você pense que é bruxaria, it's only the fucking science, bitch, e é mais simples do que pode parecer! O lance consiste na ativação por impressão digital  A impressão de Allen foi colocada no cabo do martelo e a base recheada com eletroimãs sendo somente desativadas pela pessoa que é "digna" do martelo, no caso Allen.

Em posse de tal, Allen se dirigiu até uma praia nos EUA e na pegadinha é de rachar o bico ver que o pessoal não entende porra nenhuma do que está acontecendo, somente o último cara do vídeo que usou a cabeça e viu que afastando o martelo da superfície metálica qualquer um pode levantá-lo. Mas o que vale é a brincadeira, claro.

O primeiro passo foi dado. Quem sabe no futuro ele não emita raios e seja vendido comercialmente?


O que passa pelos meus fones #110 - Faith No More

Retirado do excelente "Sol Invictus", álbum que marca o retorno do Faith No More ao estúdio após longos 15 anos, a banda liberou o primeiro clipe para promoção do álbum.

Dirigido por Joe Lynch, a faixa se chama "Sunny Side Up" e o clipe mostra velhinhos bem caídos em um asilo, alguns deles fazendo o papel da banda, e graças ao bom rock eles recuperam as cores da sua vida.

Não sei se foi só eu, mas batendo o olho no velhinho baterista, eu vi Mike Bordin sentado lá. =D

Resenha Série: Demolidor (1º Temporada)


O conceito do herói

Entendo que os heróis e os vilões são separados por uma tênue linha onde as atitudes tomadas são as responsáveis por separarmos o papel de cada um na história. Um exemplo bem claro está na relação entre o Batman e o Coringa. Como esse próprio explicita, os dois no fundo são apenas loucos, foras-da-lei mascarados, e um depende do outro para a sobrevivência de seus papéis, o de herói e o de vilão - se é que o Coringa pode ser enquadrado através da vilania no sentido mais puro, quando na verdade o que o cara que "é ver o circo pegar fogo". Pra mim o heroísmo, quando ele é apenas um sentimento humanamente puro de justiça, ele é apenas um... sentimento no final das contas. Há também um sentido de prazer e de preenchimento no que Bruce Wayne se dispõe a fazer, e sabemos muito bem que ele podia muito estar se ferrando pra tudo isso. A ética acaba escondendo o desejo da morte e ao mesmo tempo acaba suprindo o sentimento de Bruce de ser necessário, de novo e de novo.

Sobre a relação entre o herói Matt Murdock e o vilão Wilson Fisk, em suma, entendemos pela série da Netflix que no final das contas os dois são movidos por um mesmo sentimento, o de transformar e melhorar Hell's Kitchen, a Cozinha do Inferno. Mas ao contrário de Batman e Coringa, os dois vivem essencialmente nas sombras. As atitudes tomadas são as responsáveis por separá-los em seus devidos papéis, e o mais importante que a série explicita de forma genial, a criação dos dois é a principal responsável pela forma em que dois tentam trazer a tal melhora ao bairro, todavia a forma de conseguir isso passa diretamente pela quebra da moral - as tais atitudes que disse.

E aí a questão da forte ligação religiosa entra em jogo nas poucas participações, mas sempre regadas com fortes diálogos entre Matt e o padre Lantom. Afinal, a quebra da sua moral (matar Wilson Fisk) passa diretamente pela motivação maior de Matt que é de fazer justiça melhorando a vida de todos no bairro. É o velho dilema que faria o Demolidor acabar se enquadrando na categoria de Frank Castle, o Justiceiro, que não mede consequência alguma pra alcançar seus objetivos, só que agindo da forma contrária, inevitavelmente e infinitamente cairia-se na velha história de mocinho e bandido. Acaba sendo preciso se libertar das amarras que a moral impede se quiser fazer justiça, mas como fazer se o desejo tornar-se maior do que sua mente? Matt exala esse medo no início de sua jornada como o justiceiro mascarado, se enchendo de ódio quando vê pessoas queridas sendo mortas por Fisk.

A Cozinha do Inferno e seus personagens

Pra quem ainda não se situou, primeiramente a Cozinha do Inferno é um lugar fictício de Nova York, o que significa que Os Vingadores passaram lá pertinho. E apesar de a série não deixar claro (mas dar várias dicas ao longo dos episódios), a invasão alienígena de Nova York no primeiro filme dos Vingadores afetou diretamente o bairro e vida de todos, proporcionando o "reinado" de Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) que aproveitando a desvalorização e consequente criminalização do bairro, dominou os imóveis, a mídia e a polícia, se tornando um homem impossível de se tocar.

No primeiro episódio (felizmente bem rapidamente) conhecemos o menino Matthew Murdock (Charlie Cox) que ficou cego após um acidente com um caminhão que carregava produtos químicos. Esse acidente lhe proporcionou o aumento de seus sentidos, principalmente a audição, que o tornou capaz de por exemplo escutar os batimentos cardíacos dos inimigos além de conseguir identificar pessoas pelo olfato e de ser capaz de ler somente com os dedos, sem ser em braille. O nome Demolidor veio da forte relação que ele tinha com seu pai, Jack Murdock, que tinha esse apelido como boxeador que era, mas ao contrário que Matt pensava, Jack não era um vencedor. Pelo contrário.

Com a corrupção tomando conta de Hell's Kitchen, era comum Jack vender as suas lutas mascarando suas derrotas por troca de um bom dinheiro, e numa dessas ocasiões, Matt com seu sentido aguçado acaba escutando o trato de Jack com seus agentes de que venderia a sua próxima luta, mas ele reluta e acaba vencendo e se matando logo depois por dessa vez ter feito uma promessa para Matt. Bom, a série não deixa claro, mas deduzo que provavelmente Matt se sentindo culpado pela morte de seu pai - como ele acaba confessando em um dos episódios - põe a prova suas habilidades e seus sentidos em busca de fazer de Hell's Kitchen um lugar melhor. E ainda dentro desse assunto, é marcante a cena de Matt assistindo a vitória do pai mas sendo revelados somente os sons para nós espectadores, isso ajuda a passar a sensação que Matt sentiu ao ver aquela luta.

Falando das suas habilidades, a sua super-audição requer concentração, e o papel do sensei cego Stick (Scott Glenn) é fundamental para essa busca. Lembra-se dos medos de Matt em abandonar a sua moral para concluir seu objetivo? Stick vai ao orfanato em que Matt está e não tem dúvidas (talvez sabendo de antemão de seu dom) em treiná-lo. O objetivo de Stick é que Matt nunca se sinta inferiorizado pela sua condição usando a dádiva a seu favor, canalizar seus poderes para se transformar para a guerra que está por vir (entenda-se guerra como as organizações criminosas que dominam Nova York) com o intuito de transformá-lo em um expert em artes marciais puro e livre de qualquer infecção externa, o que significa deixar totalmente de lado sentimentos como amor, a raiva e a própria moral para concluir sua missão. Mas a principal decepção para Stick é justamente essa, Matt "ainda é um humano".

E daqui é preciso dar um grande "salve" para Scott que está magnifico como Stick e deu uma verdadeira aula de como interpretar alguém cego. Claro que Charlie Cox é também magnífico como Matt Murdock e está infinitamente melhor que Ben Affleck na mesma posição, mas o que Scott Glenn faz é fazer você esquecer de que ele enxerga e de Pai Mei e Sr. Miyagi como o sensei mais fodástico que você já viu. A luta entre ele e Matt após um desentendimento lembra muito a luta de Morpheus e Neo em Matrix "pare de tentar me acertar e me acerte". Claro que sem os voos. =D

Os sentimentos de Matt são guardados para seu grande amigo Foggy Nelson (Elden Henson) e sua recém adquirida braço direito e fundamental para história Karen Page (Deborah Ann Woll), que trabalhava numa das empresas de construção de Wilson Fisk e acabou descobrindo toda a merda, acabando com seu confidente morto no chão do seu quarto e agenciada pelos iniciantes na advocacia Foggy e Matt. Foggy, o grande amigo de Matt, foi colega de quarto na época da faculdade e é grande responsável pela parte cômica da série e do lado humano de Matt, do lado que ainda é capaz de se divertir e de se desligar um pouco das suas responsabilidades.

Se Scott Glenn está magnífico como Stick, então o que dizer de Vincent D'Onofrio como Wilson Fisk? Predominantemente assustador e devidamente educado e elegante como um bom vilão deve ser, Vincent personifica um Fisk envolto em dramas pessoais e atormentado pelo passado.

Wilson Fisk é exatamente como seu pai era, ganancioso, visionário e violento, que não mede esforços para adquirir o tal respeito que ele valoriza tanto - talvez porque Bill sabia que era uma piada entre seus vizinhos. Ele não queria que o filho fosse dessa forma, portanto ele sempre encorajou Wilson a sempre ter coragem, e que nunca deixasse que ninguém o desrespeitasse. E eis que alguém o desrespeitou na escola. Foi ai que Bill ensinou os modos que Wilson levou para a sua vida adulta e o que o motivou a fazer o que fez com seu pai. Bill Fisk definiu o monstro que Wilson é, tímido e resguardado no seu próprio ódio. Um passado negro como seu próprio armário de ternos.

Alguns momentos para não ser Matt Murdock e ver com atenção

Tanto para Stick como para Foggy e Fisk, um dos grandes méritos de Demolidor é a devida importância dada a cada um de seus personagens, e a construção lenta e precisa do próprio herói - que somente revela seu traje vermelho característico no último episódio da série - e de coadjuvantes que realmente se tornam peças-chave no prosseguimento da história. Exemplos básicos são o sétimo episódio "Stick", o oitavo "Shadows In The Glass" e o décimo "Nelson Vs Murdock", todos excelentes episódios e fundamentais para entendermos as motivações dos dois lados da história. Do "soldado" Stick e sua iminente guerra, de Matt e Nelson em fazer justiça, e de Fisk que justifica seus atos pelos problemas familiares que teve na infância.

As lutas encarnadas pelo Demolidor são viscerais, muito bem coreografadas e extremamente criveis, e sobre isso é bem capaz de você sentir dor ao ver a série do sofá de casa! Temos um Demolidor que é perito nas artes marciais, mas exceto sua audição, é sobretudo um humano. Ele se machuca, ele se quebra, ele manca, ele grita, ele sofre, e ele sangra como nunca. Até tem uma enfermeira achada por ocasião, Claire Temple (Rosario Dawson) que vira sua primeira grande confidente.

Se você não entende muito bem o que estou dizendo, preste atenção em dois episódios em especial: o segundo "Cut Men" em que Matt resgata um menino sequestrado pelos russos e tem a cena mais empolgante da série que é a luta no corredor, digna do diretor de Oldboy levantar e aplaudir. E o nono episódio, "Speak In The Devil", onde Matt luta com o ninja Nobu (Peter Shinkoda) e acaba sofrendo literalmente com suor e sangue para vencê-lo. Aliás, esse é um momento crítico da história em que Matt pela primeira vez fica frente a frente com Fisk e acaba enfrentando o seu maior dilema, que é sobrepor a sua vontade sobre a sua moral.

A parceria perfeita entre Marvel e Netflix

Ao ver Demolidor, de primeira, a primeira coisa que pensei é que não haveria melhor lar para a Marvel dar a seus heróis de segundo escalão. A escolha de justiceiros como Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage para a Netflix deu aquela sensação de claro "experimento", afinal, porque a Marvel se renderia a Netflix se ela tem "Agents Of Shield" na enorme ABC? Contudo foi justamente por causa desse frescor que a série soava como algo que ia dar certo, e fazendo a alegria dos viciados que não largam as suas séries por inúmeras horas no fim de semana.

A palavra chave é liberdade. É isso o que a Netflix tem de sobra. É isso o que fez Demolidor ter sido o estrondo que foi capaz de apagar qualquer rastro de incerteza que Ben Affleck deixou encarnando o herói.

Lembra de Pokémon? E do MewTwo?

Sou do tempo dos 151 Pokémons, do tempo em que esse 1, era (na época) o Pokémon mais poderoso do universo e que os humanos coletaram seu DNA com o intuito para superar seu poder, falo de Mew e MewTwo. E se você é dessa época feliz em que os Pokémons eram contáveis e que a gente transformava nossa cabeça em um verdadeiro Pokédex, lembra muito bem que Ash viu que o poder de todos os seus Pokémons reunidos eram inúteis para derrotar o MewTwo que estava em poder de Giovanni, o dono do nono e último ginásio e o pai do rival de Ash, Gary,

Nessa época de ouro eu tinha uns 8 ou 9 anos de idade, sim, o Pokémon que os barbudos conhecem foi criado a 20 anos atrás. Tô ficando velho... Bom, hoje a série animada mudou muito, ganhou inúmeras adaptações em todas as mídias possíveis, marcou época nos consoles portáteis da vida e de acordo com o site Pokémon,com/br existem cerca de 649 monstrinhos atualmente.

Nenhum deles conseguiu derrotar MewTwo, até agora.

No ano passado inventaram as mega evoluções que nada mais são do que as evoluções seguintes a evolução final de alguns Pokémons, como o Charizard que se transforma agora em Mega Charizard e que ganhou a cor preta, duas chamas azuis saindo da boca, e claro, ainda mais poder. Suficiente para encarar MewTwo de igual pra igual como você verá no vídeo abaixo.  

Deixei Pokémon pra trás junto com a minha infância, mas sempre me interessarei por assuntos ligados a ele, sendo assim, refuto um pouco a ideia de MewTwo ser capturável agora. Fiquei surpreso ao saber disso ontem, pois lembrava dele como invencível. Pra mim um Pokémon criado em laboratório para ser praticamente um deus onisciente poderosíssimo com seus poderes psíquicos e incapturável, não pode ser derrotado simplesmente por um soco. Parece até uma desculpa ruim. Mas por outro lado temos que continuar a história né, e o tal do moleque chamado Red conseguiu fazer o que Ash não conseguiu em 18 anos.

Quanta diferença na luta final entre o Demolidor e o Rei do Crime em 2003 e em 2015!

Era 2003 e muito antes de podermos sonhar com a série fenomenal que a Netflix juntamente com a Marvel produziu, nem sonhávamos com a própria Netflix... Os tempos eram outros, a internet se movia a manivela, você usava o MSN, e nem existia a Marvel no cinema - aliás, ela estava quase falida. Nessa época distante, e juntamente com os X-Men, Homem-Aranha e Blade, o filme do Demolidor foi um dos filmes desbravadores do gênero que quase virou sinônimo de cinema e eles, bem ou mal, ajudaram a entupir o nosso calendário dos celulares até 2020. No entanto, se os tempos eram outros, o jeito de fazer esses tipos de filmes também era. E se os três citados foram agradáveis surpresas e são reconhecidos até hoje, o Demolidor de Ben Affleck é responsável por uma das maiores vergonhas alheias dessa curta história.

Bom, tem gente que adora o filme, claro, afinal gosto é que nem cu; mas ele é o tipo do filme que apaguei totalmente da minha memória e olha que nem vi inteiro, mesmo admirando muito o Demolidor como personagem. Após ver o vídeo da luta do Rei do Crime/Wilson Fisk interpretado pelo gigantão Micheal Clarke Duncan RIP (o John Coffey de "Espera de um Milagre") e o Demolidor/Matt Murdock interpretado por Ben Affleck (o futuro Batimão), percebi que não estava nem um pouco errado em julgar esse filme como um retumbante fracasso.

Comparar 2003 com 2015 é covardia, mas pra quem assistiu a série da Netflix em que Vincent D'Onofrio encarna o Rei do Crime e que Charlie Cox encarna (de corpo e alma) o nosso amado herói ceguinho, até se emocionou ao ver que a cena final do 13º episódio apagou e com louvor toda a artificialidade da cena final do filme de 2003 que parecia mais um trabalho de TCC da faculdade de cinema.

Veja por você mesmo:


Resenha Livro: Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman)


Anansi é uma antiga lenda africana, um Deus tão antigo que data-se do início do início de quando no mundo não haviam-se histórias pra contar. Mundo triste esse não?! Tais histórias não existiam pois até ali elas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu e um dia Anansi quis contá-las ao povo da sua aldeia, mas o jeito era comprar as histórias. 

Nyame de primeira riu e estabeleceu um preço, de que Anansi trouxesse Osebo, o leopardo de dentes horríveis, Mmbobo, os marimbondos que picam com fogo, e Moatia, a fada que nenhum homem jamais viu. Ele pensava que com esse preço faria Anansi desistir da ideia, mas o pequeno velho respondeu: - Pagarei seu preço com prazer, ainda lhe trago Ianysiá, minha velha mãe, sexta filha de minha avó.

Então Anansi, um velho esperto, pregou peças e fez armadilhas capturando os três deuses e lhe entregando sua própria mãe como prometido, e tecendo uma teia para levar seus tesouros até o pé de Nyame, tomando pra si o baú com todas as histórias e espalhando-as para os quatro cantos do mundo.

Charles Nancy ou "Fat Charlie", como queiram chamar (mesmo que ele não queira ser chamado assim), é o filho de Anansi que dá título ao livro. Bom, como você pôde ver pela história dos parágrafos anteriores, meio que dá pra entender que Anansi não é um dos deuses mais confiáveis e solícitos que existem, na verdade pelo contrário, é bem fanfarrão e zueiro, daqueles que não perdem a piada e nem a oportunidade de tirar sarro. Portanto, boa parte da personalidade introvertida e chata de Fat Charlie (e ele mesmo acredita nisso) é provocada exatamente pelo número de vezes que seu pai lhe fez passar vergonha em todos os lugares possíveis. Então quando ele viu-se na oportunidade de partir para Londres para tocar sua vida, nem pensou duas vezes.

Lá Fat Charlie, mesmo sendo totalmente desprovido de charme, conheceu uma garota chamada Rosie e estão prestes a se casar (e sua sogra odeia isso), O jogo começa a virar quando na lista de convidados para o casamento, Rosie acaba convencendo Charlie, à contragosto, a convidar o seu velho pai para o casamento, mas na ligação ele recebe de uma velha amiga da família a notícia que seu pai faleceu e nutrindo um misto de respeito e sentimentalismo Charlie pega um voo e retorna ao lugar onde ele tanto odeia. 

Chegando lá sua antiga vizinha conta o que Fat Charlie nunca sequer suspeitou, que o Sr. Nancy era na verdade um Deus da mitologia africana detentor de todas as histórias. Claro que Fat Charlie reluta a acreditar e como se a situação não pudesse ficar mais desagradável, ouve da sua vizinha que seu irmão Spider ficou com todos os poderes, desagradável como se você soubesse que seu pai não tivesse deixado um centavo de herança pra você e detalhe, sem saber até ali que você tinha um irmão! Como "solução" proposta para a confusão, a velhinha diz a Charlie que ao ver uma aranha, qualquer aranha, era só preciso falar que ele queria encontrar Spider, e ele viria.

E Spider atendendo ao chamado de Charlie vêm e ele é tudo aquilo que Charlie não é e no fundo queria ser, descolado, bem -articulado, extrovertido, charmoso, enfim, um cara bom em tudo. De início Charlie e Spider se dão muito bem, mas Spider veio pra ficar, e como se fosse aquele familiar chato que diz que vai embora da sua casa e nunca vai, arruma um lugarzinho na até então vida pacata de Charlie e ajuda a transformar a sua vida numa bagunça ainda maior.

O resto da rica história fica por sua conta. ;)

Neil Gaiman é um escritor de mão cheia que tem como característica mais presente a mescla de casos do cotidiano, passagens históricas e arquétipos mitológicos. E em "Os Filhos de Anansi", como em "Deuses Americanos", ele se aproveita mais uma vez desse nicho de deuses esquecidos pela humanidade, que pela perda de fé, seguem vivendo entre nós. 

Neil também é mestre em entregar em suas histórias personagens carismáticos, intrinsecamente ligados ao nosso cotidiano, como Charlie que é o típico perdedor da cidade grande, aquele cara que aceita com desinteresse tudo o que dizem, nunca se arrisca, e constantemente reclama do passado justificando a falta de atitude sobre o futuro. Ou seu irmão Spider que é o típico canastrão charmoso, estiloso e esperto que topa-tudo e sempre está disposto a viver intensamente (é impossível não imaginar esse cara de jaqueta preta, cabelo pra trás e calça jeans rasgada). Rosie, a mulher que no fundo não sabe muito bem o que quer e que no fundo quer contrariar sua mãe. e Graham Coats, o típico chefão corrupto que quer se dar bem diante de todos.

"Os Filhos de Anansi" nada mais é do que uma obra que narra a história de um homem comum que se supera frente ao maravilhoso e obscuro mundo dos deuses, o livro é relativamente curto e muito gostoso de se ler, e apesar de sua simplicidade de roteiro, guarda várias referências, principalmente musicais, que nos contam um pouquinho do gosto que Neil quis compartilhar. A característica noveleira que Neil Gaiman entrega, expõe um escritor muito mais solto em comparação aos seus outros livros, disposto a explorar sua excelente veia cômica e aproximar os personagens ainda mais do leitor, sem desgrudar da fantasia que se mescla a realidade londrina capaz de nos prender a atenção como sempre. 

Atenção que foi presa instantaneamente pela bela arte da Intrínseca na capa do livro (você vai saber quando o pegar) e que tendo Neil Gaiman como escritor, me obrigou a adquiri-lo logo de cara. "Os Filhos de Anansi" é imperdível para fãs, mas para quem quer começar a ler Neil Gaiman não tanto. Pessoalmente recomendo outras obras que mostram mais o que o escritor realmente é. Porém como disse no parágrafo anterior, "Os Filhos de Anansi" é um livro tão gostoso de se ler que acredito que se você curtir uma boa história vai curtir tanto o livro como eu! =)

Resenha CD: Trivium - Silence In The Snow


O novo trabalho do Trivium me fez ter uma reflexão e acho que é bom dividir com vocês para melhor compreensão do ponto de vista que quero expor. 

Primeiramente ouça um álbum, qualquer álbum com mente aberta. E sendo justo, não dá e nem posso quantificar talento de uma determinada banda acerca da sua criatividade em se renovar álbum a álbum, a verdade é que tá cheio de bandas que pouco se alteram na sua sonoridade e amamos, vide Motorhead e AC/DC que são os exemplos mais óbvios. Em contrapartida, e é aí o ponto contraditório, exigimos que as nossas bandas prediletas constantemente se reinventem e adquiram novos conhecimentos musicais; contudo, se as mesmas mudam, a maioria dos mesmos fãs cabeçudos reclamam que a mesma acabou mudando e "traindo o movimento". A palavra mudar é um termo extremamente vago e cheio de possibilidades, o bom e ruim são julgamentos extremamente amplos, e o que a banda pode adorar justificando que são novos ares musicais, nós podemos odiar; e vice-versa. Partindo dessa ideia (e acho que muitos integrantes de bandas pensam dessa mesma forma) entendo porque certas bandas "estão pouco se lixando" pois é muito confuso esse paradigma. 

Dizia Zakk Wylde: "Há dois tipos de música, a boa e a ruim". Em suma, o que ele quis dizer que é que complicamos demais tudo ao nosso redor, como a música. Nos prendemos tanto a expectativas e regras que esquecemos de apreciar um álbum, na verdade, a vida.

Posso parecer filosófico demais, mas isso vale pra muitos álbuns que o povo faz questão de odiar como "Host" do Paradise Lost, "Stabbing The Drama" do Soilwork e "Load" do Metallica (o caso mais famoso). Em comum, os três álbuns são pontos fora da curva dentro das discografias das bandas, eles não têm nada (ou pouco a ver) com os trabalhos anteriores e representam uma expansão de influências musicais dos integrantes, afinal, todos nós aprendemos constantemente. Você pode questionar se esses álbuns que citei, como o caso de "Silence In The Snow" do Trivium, são tentativas de se aproximar de certos mercados estratégicos (leia-se americano) e na boa, não tem nada de errado nisso, qual o problema de ser mais pop. É uma porta de entrada, como os livros que viram filmes e acabam mudando suas capas juntamente com o lançamento da película. Mas ei, o Trivium é americano, o que ele está fazendo dentro desse exemplo? Bom, daí vale voltar à aquela questão de expansão de influências musicais.

Em "Silence In The Snow" chega a ser óbvio a mensagem que o Trivium quis passar: "soaremos mais pop, e daí?", tanto que a produção ficou a cargo de David Draiman, vocalista do Disturbed. Sua influencia no som da banda chega a ser enorme em certos momentos no uso constante dos pedais e na exploração do poder vocal de Matt Heafy, que a cada álbum se torna um vocalista cada vez mais versátil. Exemplos vão para a balada (?) "Until The World Goes Cold" e na viciante faixa-título "Silence In The Snow" que mostra exatamente o que você vai se dizer sobre o álbum: "vai ficando cada vez melhor essa porra!"

Essa versatilidade aliada ao conceito mais pop e moderno de David Draiman, propositalmente procurado pela banda para a produção, deu ao Trivium exatamente o que ele queria do seu som: alcançar novos públicos. Bom, para uma banda que na trinca "Shogun", "In Waves" e "Vengeance Falls" conseguiu alcançar o status de uma das maiores bandas da atualidade e do mundo, se arriscar tanto assim em "Silence In The Snow" mostrou-se uma jogada corajosa mostrando que o Trivium não quis se acomodar em seu trono fazendo o "Black Álbum" da nova geração.

Confesso que precisei de várias audições para deixar de "estranhar" "Silence In The Snow", mas depois de umas três audições foi aí que o barco deslanchou. Além da faixa título que começa com Matt deixando claro que aqui ele abandonou totalmente os vocais rasgados de outrora - lembrando muito o que James Hetfield quis fazer em "Load" cantando mais as músicas do que urrando. Mas "Blind Leading The Blind" vêm em seguida lembrando de que o Trivium tradicional está presente, se abrindo a novas perspectivas como "Dead and Gone" e "The Thing That's Killing Me", e despejando petardos como "Breathe In The Flame" e "Cease All Your Fire". Todas as faixas contendo a maior marca registrada do Trivium: os refrões. É impressionante como essa banda sabe compor uma música pra levantar arenas, aliás, com "Silence In The Snow" é exatamente o que o Trivium quis fazer. Sendo BEM mais simples e mais cantarolante - talvez algo que a própria arte da capa quis demonstrar.

Bom, muitos vão torcer o nariz e até com razão, os entendo. Mas se você sempre está afim de ouvir o novo álbum da sua banda predileta e estar disposto a ouvir boa música vinda dela, não coma bola. "Silence In The Snow" é um trabalho de um Trivium cada vez mais seguro de si e cada vez mais ciente do posto em que ocupa no mundo do heavy metal. Escute agora!

Tracklist:

1. "Snøfall" 1:28
2. "Silence in the Snow" 3:40
3. "Blind Leading the Blind" 4:25
4. "Dead and Gone" 3:46
5. "The Ghost That's Haunting You" 4:09
6. "Pull Me from the Void" 3:53
7. "Until the World Goes Cold" 5:21
8. "Rise Above the Tides" 3:54
9. "The Thing That's Killing Me" 3:30
10. "Beneath the Sun" 3:56
11. "Breathe in the Flames" 5:11

Tirinhas da Semana #240

Resenha CD: Iron Maiden - The Book of Souls


Gostos ou preferências mudam com o tempo, isso faz parte da inevitabilidade da vida. Talvez você possa me dizer que não existe alguém que muda de time, de religião, ou mesmo sobre o paladar. Sim isso é verdade. Mas há exceções como em tudo na vida.

Claro que sobre comida o nosso estômago e nossa língua nos diz mais o que é bom ou ruim do que a nossa mente e é preciso de uma força de vontade gigantesca dela pra controlar a nossa gula, por motivos estéticos ou de saúde, porém, no que diz respeito a religião e futebol, a preferência se define melhor como puro fanatismo e formação de caráter, afinal poucos são Católicos ou Corintianos por escolha. Eles simplesmente foram educados a ser assim porque é "melhor". A música, o rock em geral tem muito a ver com isso. Quando fui procurar o heavy metal já fui condicionado a escutar Metallica e Iron Maiden e a ver as duas bandas como as melhores do mundo porque o clamor popular me educou assim, e porque bom, como não conhecia tanto do meio as duas bandas foram um começo pra mim. 

Então na parte que falei da formação de caráter, a disposição em sair da linha comum exerce justamente a força do caráter dentro de nós. A mera concordância em ser curioso, em testar coisas diferentes, escutar, provar, conhecer. Isso nos faz mudar de religião, ou simplesmente deixar de ter uma, e até mudar de time se você ainda estiver disposto a gostar de futebol, e no caso, mudar as preferências de bandas. O tempo se passou e justamente pela curiosidade, Metallica e Iron Maiden já não eram as melhores bandas pra mim, hoje não passam nem perto. A digna obra do passado não encobre os deslizes do presente, e o instrumental das duas bandas, não me fascina tanto mais quanto antes. Resumindo, o fanatismo por A ou B me enoja e uma boa porcentagem dos fãs de rock não sabem apreciar o rico estilo que têm entre os dedos.

Bom, já estou me estendendo muito mais do que deveria, mas gosto de deixar bem claro as coisas e expor o porque das minhas preferências pessoais. Mas essa é uma resenha e tenho que me ater mais a esse assunto, o assunto é tratando do novo álbum do Iron Maiden "A Book of Souls".

Vou pular a parte da comoção porque todos sabem como é. 

Primeiramente "The Book of Souls" não é um álbum curto, são incríveis 1h30 de duração divididos em um álbum duplo em que é necessário várias audições para absorver tudo o que ele tem a oferecer. Partindo daí "bora" para a análise.

Com certeza o Iron Maiden a cada lançamento desperta a curiosidade geral, desde os fãs (obviamente) até os que apreciam o estilo em geral e nem tem o Iron Maiden entre suas preferências e ouvem falar da banda como se ouve falar o nome de um político. Então com certeza se você compartilha desses perfis, ouviu os últimos trabalhos sofríveis da banda: "Dance of Death", "A Matter of Life and Death" e "The Final Frontier" que buscavam um lado mais progressivo da banda, mas que só serviam pra o Eddie decorar mais camisetas por aí. Eram vários álbuns, mas sempre o mais do mesmo como se a banda funcionasse no automático. O ponto em que o Metallica funciona atualmente.

Para mim o Iron Maiden nunca se caracterizou em ser progressivo, em ser lento ou cadenciado, inventivo ou conceitual. Posso não ter muita propriedade em falar isso, mas conheci o Iron Maiden como uma banda crua e direta, com suas "cavalgadas" características na guitarra e dinâmica em seu jeito de tocar. A banda tinha perdido isso nos laçamentos passados, mas retomou aqui, o que devolve um pouco da empolgação que tenho em ouvir um "arroz com feijão" bem feito.

2015 chegou, e parece que a lua e até a doença de Bruce Dickinson (câncer na língua), fizeram a banda refletir sobre seu caminho e ter coragem pra novos passos. E "The Book of Souls" é um novo passo e corajoso. 

Sem a ingerência do sargento Steve Harris e seu baixo em todas as músicas, deram ao Iron Maiden o espaço que ele precisava pra respirar, dividir responsabilidades, composições e o equilíbrio necessário que a banda precisava para retomar um caminho que não fosse a repetição. Essa qualidade se comprova não só pelas composições inspiradas, mas também pelo fato de que um álbum longuíssimo que "The Book of Souls" o é, acabar não se tornando cansativo em nenhum momento. São onze músicas no total. Todas beirando os cinco minutos e três ultrapassando os dez minutos. Epicidade é a proposta.

O álbum começa com o "If Eternity Should Fall" e o single (de clipe legalzudo) "Speed of Light" duas músicas de refrões grudentos típicos do Iron, na verdade o que eles melhor sabem fazer. Mas não deixe se enganar por aí, na verdade é partir desse ponto é que a coisa começou a ficar animada e meus ouvidos levantaram. O baixo e a voz quase falada de Bruce Dickinson anunciam a grande música que está por vir, e logo ela prenuncia justamente o equilíbrio que disse. "The Great Unknown" é uma grande faixa, é o lado "moderno" que a banda implementou nos últimos anos juntamente com o lado clássico que tantos saúdam. E sobre esse lado mais clássico da banda "When the River Runs Deep", "Death or Glory" (essa tendo um grande potencial a virar hino nos shows) carregam esse espírito consigo. 

As grandes peças com mais de dez minutos de duração são também destaques do álbum, a característica "The Red and The Black" (que traz aquele oôoôooooo característico), a maravilhosa "The Book of Souls" e a épica "Empire of the Clouds" com seu piano acompanhando a voz de Bruce e as trombetas soando no épico de pouco mais de 18 minutos - aliás essa música vislumbro com uma orquestra acompanhando à la Metallica no S&M. Mas as grandes peças do álbum são a "The Man of Sorrow", justamente porque é o ponto mais fora da curva do álbum (excelente por sinal), e a "Tears of a Clown" que é uma bela homenagem, uma bela música e um belo solo para as lágrimas do palhaço de Robin Williams e seu suicídio por causa da depressão que se acometeu em sua vida. 

Todas essas faixas fazem "The Book of Souls" ser uma grata surpresa pra mim e me forçam a dar o braço a torcer elegendo o álbum como um dos melhores lançamentos de 2015. Quem diria que eu dissesse isso um dia...

Muito se lê por aí que a Donzela de Ferro iria encerrar as atividades; e partindo dessa ideia é muito prazeroso ver uma banda ainda com tanto tesão de tocar no ponto da carreira em que estão, o que nem acreditava. Sobretudo fazendo alguém que tinha se desiludido com a banda e relegado a ela uma importância somente histórica, recuperar um pouco do brilho e do meu prazer em escutar um bom heavy metal. 

Tomara que o Metallica siga o mesmo caminho...

Tracklist:

Disco 1

1. If Eternity Should Fail
2. Speed of Light
3. The Great Unknown
4. The Red and the Black
5. When the River Runs Deep
6. The Book of Souls

Disco 2
1. Death Or Glory
2. Shadows of the Valley
3. Tears of a Clown
4. The Man of Sorrows
5. Empire of the Clouds

O que passa pelos meus fones #109 - Megadeth

Cercado de muita expectativa por muita gente e por este que vos fala, principalmente pela performance de Kiko Loureiro nas guitarras, "Dystopia" será lançado apenas em 2016, mas no começo do mês a banda do senhor Mustaine liberou o áudio em alta qualidade da faixa "Fatal Illuson" no canal da banda no YouTube.

Demorei bastante pra postar a música em questão aqui e imagino que vocês já devem ter ouvido, então o post atém mais as minhas impressões.

Minhas impressões? Elas são ótimas. "Fatal Illusion" marca a volta do Megadeth às guitarras velozes se libertando do sono que foi "Super Collider". No aguardo e ansioso.

Resenha CD: Muse - Drones


Na vida costumamos aprender, muitas vezes da forma mais dura, que quanto maior a altura, maior a queda. Exemplificando de forma melhor pra quem não entendeu. Quanto maior a expectativa, a probabilidade de uma decepção é maior ainda; e isso vale pra tudo na vida, desde aquele iogurte de embalagem bonitinha, a aquela pessoa que você se atraiu no primeiro olhar.

Para o Muse se encaixa essa metáfora. Claro que "Drones" não é um álbum ruim e ele é uma volta ao lado mais básico do power-trio do início da carreira (até a página dois, você entenderá), mas é exatamente daí que vem a inquietação ao ouvir "Drones", mas aqui falta alguma coisa, muita coisa.

Conceitual, "Drones" lida com o recorrente assunto da tecnologia se sobrepondo a humanidade que ainda contém dentro de nós mesmos e do sistema em que todos nós vivemos que prioriza resultados em detrimento do lazer em diversas vezes, ou como o líder Matthew Bellamy declarou "Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna, obviamente através da guerra de drones, é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo". A faixa de abertura "Dead Inside" dá logo essa dica e a seguinte "Psycho" fala sobre a revolução dentro daquele homem que perdeu a esperança.

Mas voltando a falar da qualidade musical, vou deixar claro de que são somente nove faixas, não doze, pois as outras três são "vinhetas" e/ou dispensáveis. A primeira parte que compreende a a mixtape oitentista "Dead Inside", as cansativas "Psycho" e "Mercy", passando pela ótima "Reapers" que começa à la Van Halen e dá aquela sensação de ter escutado aquele riff por aí em algum lugar, até as repetitivas "The Handler" e "Defector" mostram um álbum de altos e baixos. A partir daí o lado mais progressivo da banda volta a ativa com a "Revolt" que arranca muito do Queen, a melancólica "Aftermath", e a com mais de dez minutos "The Globalist", que alterna momentos que destaca-se a bela voz de Bellamy com um momento de um poderoso riff, mas que no final das contas não salva a música e contrapõe o próprio senso de "anti-megalomania" que "Drones" tem. Pois é, deveria ter ficado nos altos e baixos...

O Muse tem como característica mór o rock de arena e para isso "Drones" funciona muito bem, contanto, o estilo musical muito bem definido que o Muse tem desde o início da carreira mostra aqui um cansaço, como se a banda precisasse se reinventar um pouco nos próximos passos, já que "Drones" acaba se assemelhando bastante a outras músicas de outros trabalhos e dá aquela sensação natural de "já ouvi isso antes". Não, não estou dizendo como fã que isso é ruim, afinal, por eles terem esse estilo peculiar virei fã da banda. Mas o deja vú é inquestionável, portanto vale a crítica.

A impressão é de que "Drones" foi realizado no piloto automático, sem muita consistência e sem muita graça. O álbum pode se amar ou odiar. E a impressão é que se o Muse tivesse concentrado mais no lado básico que eles declararam ter voltado, o álbum provavelmente seria melhor.

Tracklist:

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones