Resenha Show: Faith No More (Espaço das Américas 24/09/15)


O Rock In Rio trouxe muitos benefícios pra quem mora em São Paulo. O fato é que a Live Music Rocks em parceria com a Budweiser trouxe pra cá boa parte do line-up rock do evento e o que aconteceu é que tivemos uma extensão do Rock In Rio aqui em São Paulo: Queen + Adam Lambert, Faith No More, Mastodon + Slipknot, Deftones + System of a Down e da parte pop Katy Perry - sem contar o Rod Stewart que deu uma passadinha na arena palmeirense, em um curtíssimo espaço de tempo fizeram a alegria dos paulistas, que em contrapartida deram uma banana para o evento carioca e diminuíram um pouco da importância e da inveja que os paulistas poderiam ter do mesmo.

O fato é que tanto show em um tão curto espaço de tempo, a não ser que você viaje de helicóptero, facilmente poderia levar a falência um jovem trabalhador paulistano. Vontade não me faltou em ir em praticamente todos esses shows. E por mais que exista gente que tem o dedo atolado no orifício anal e que no alto da hipocrisia vai pro barzinho da esquina beber o tanto que a gente gasta no ingresso de um show internacional, a experiência de voltar pra casa podre de cansado estando a metros de seu artista favorito sempre é única e insubstituível.

Era tanto calor que parecia que a fila era em direção a uma caldeira!

Faz parte da experiência de um show chegar horas antes pra guardar o melhor lugar na fila, afinal é a boa e velha pista. E sobre isso foi sofrido, o calor desértico paulistano que facilmente batia a marca de 35ºC, foi um teste hercúleo pra qualquer fã capaz de queimar as bundas alheias que sentavam na calçada (caso da minha namorada). Bem depois que o sol abaixou e a noite subiu, por volta das 20h finalmente os portões se abriram pra gentalha que não teve grana pra pagar a pista VIP e com ingressos nas mãos, caiu a ficha de que o grande momento estava acontecendo.

Localizado em frente ao Memorial da América Latina, da estação Barra Funda, e próximo ao estádio palmeirense, o Espaço das Américas foi a casa de shows escolhida para sediar a passagem do Faith No More aqui no Brasil, e me agradou tanto quanto me surpreendeu. Pro pessoal que mora na ex-terra da garoa ter uma ideia, o local bate de frente com a pompa do HSBC Hall. Lindo e bem espaçoso, a casa contrariou muito do que eu pensava, até porque a própria fachada do local em nada condiz com o que tem dentro, dando razão pra dito popular de que é "só fachada" mesmo.


A tortura chilena que Mike encomendou 

Lá pelas 21h, após muita espera minha e uma ida ao banheiro, o grupo chileno "Como Asesinar a Felipes" subiu ao palco juntamente com as lonas por cima dos instrumentos do Faith No More para apresentar seu repertório.

Como a casa se chama "Espaço das Américas" não sei afirmar ao certo se foi uma exigência da casa em comum acordo com o Faith No More de apresentar a banda chilena na abertura de seu show, mas o que fica claro pra todos que ouviram o grupo chileno, é que foi uma escolha direta de Mike Patton. O homem das mil vozes já deu voz ao "Mr. Bungle", "Fantômas", "Pepping Tom", "Mondo Cane"... e todos esses projetos tão singulares tem uma coisa em comum: são as coisas que você menos espera. Então pra quem já escutou esses projetos de Mike sabe que ele tá pouco se lixando em ser conveniente.

Dentre seus milhares de projetos, um que se destaca e da qual Mike dedicou muito de seu tempo em que esteve livre do FNM foi o "Fantômas", e foi esse projeto que me lembrei ao escutar o "Como Asesinar a Felipes" naquela noite, e se for pra definir os dois num só termo é que os dois são "anti musicais". Entretanto, fazendo uma analogia em seus nomes, eles guardam sua principal diferença. O Fantômas no meio de toda a confusão ainda guarda uma musicalidade incomum, a banda chilena não, e talvez o nome que a batize demonstre isso claramente. Oras, batizar uma banda assim é triste.

Difícil é precisar o estilo do grupo, passa pela minha cabeças vários nomes, mas o que facilita é dizer que eles parecem uma banda em que cada um toca seus instrumento independentemente do seu colega e até de forma errada. É muita informaçãa, tanto informação que em diversas vezes o vocal precisou dizer "gracias" a toda vez que terminava uma musica! Bom, o que "salvou" a apresentação, foi que o grupo foi bem carismático e pareceu entender bem o quão eram complexos pro público, que correspondeu da mesma forma, aplaudindo o grupo ao final de cada musica sem vaias ou xingamentos. Algo louvável e raro dentre o público brasileiro, que facilmente confunde falta de respeito com preferência pessoal.


Mike Patton e a gentil arte de fazer inimigos

A banda não foi pontual, mas não foi nenhum Guns n' Roses. Com um palco todo branco e lotado de flores deixando aquele clima "macumbeiro" que a banda fez questão de reiterar, o show estava marcado para às 22h, porém lá pelas 22h20 o Faith No More subiu ao palco com a ovação do público presente. E de cara "Motherfucker" foi a escolhida para abrir os trabalhos de um show inesquecível.

Naturalmente o recente e excelente "Sol Invictus" tomou cerca de 30% do setlist escolhido para São Paulo e apertou ainda mais a já a concorrida setlist recheada de clássicos. Desse álbum a já citada e candidata a hino "Motherfucker", o potencial clássico "Superhero", a excelente "Matador" e as não menos legais "Sunny Side Up" e "Separation Anxiety" marcaram presença e mostraram que são capazes de estarem frequentemente nos shows da banda.

O público não parou um minuto de cantar e Mike entre seus "brigado" canastrões não parou de desfilar clássicos um atrás do outro, sem respiro. Do inquestionável "Angel Dust" a banda desfilou "Caffeine" (com direito a veia saltada da testa de Mike), "Everything's Ruined", "Land of Sunshine" e "Midlife Crisis" com igual ovação e carinho do público - e como já é tradição, sendo que nesta última com direito a "porra caralho" orquestrado por Mike e microfone apontado para a plateia segurar o refrão a plenos pulmões "You're perfect, yes, it's true. But without me you're only you. Your menstruating heart. It ain't bleedin' enough for two. It's a midlife crisis". Rendeu aplausos do Mike é claro.

E falando em tradições, assim como ocorreu no SWU de 2011, Mike Patton soltou o verbo para cantar a deliciosa "Evidence" do álbum "King For a Day, Fool For a Lifetime" em nossa língua natal: "Se queres abrir o buraco, baixa a cabeça e aí está. Afasta bem tua cor de circunstância, afasta hasta [sic] teu sabor de evidência...". A parte emocionante ficou a cargo com "Easy", o lindo cover do "Commodores" (o grupo do Lionel Ritchie lá dos anos 80), e do ótimo "Album of the Year", coube a incrível "Ashes To Ashes" levantar o público já exausto de tanto cantar.

O encore ficou a cargo das inesperadas "Crab Song", do cover do Bee Gees "I Started a Joke", e da clássica "From Out of Nowhere", que juntamente com "Epic" marcou a presença do álbum "The Real Thing" no show. 

Me passa a impressão de que essa década longe dos palcos fizeram muito bem ao Faith No More, então não podemos esquecer de parabenizar quem faz a banda junto com o já senhor Mike Patton: o tecladista e um dos principais compositores da banda, Roddy Bottum, preciso em seu jeito "que toca para música"; da cozinha formada pelo baterista Mike Bordin e o baixista Billy Gould carregando cada vez mais groove e intensidade, e o subestimado guitarrista Jon Hudson que desde 1996 vem segurando as pontas nas seis cordas deixadas pelo carismático Jim Martin. 

Tendo mais de 20 de atividade louca e extrema, o Faith No More tem adotado um ritmo bem mais direto que em décadas anteriores em que eram frequente as pausas para as maluquices de Patton. Mas isso não é ruim e nem denota que a banda tem sofrido precocemente com a idade. O fato é que a experiência expõe uma banda cada vez mais segura no palco, segura de suas músicas e segura de seu poder em cativar o público o que quer que faça. Poucas bandas chegam a esse ponto da carreira com o poder que o FNM tem. 

Como disse, o setlist é apertado para mais de 1h, e de primeira, a que senti falta e que me enlouqueceria ao vê-la sendo tocada ao vivo é "The Real Thing", mas ao chegar em casa me lembrei de mais algumas que poderiam estar facilmente no show: "Cone of Shame", "A Small Victory", "Collision", "King For a Day", "Last Cup of Sorrow"... Sempre há aquele espacinho vazio e o desejo no coração ao final de todo show de a banda não ter tocado "aquela música". Bom, sinceramente era preciso de três horas de show pra tanta música boa... E esse foi exatamente o sentimento de cada um ao término da apresentação, como um cara ao nosso lado disse: 

"Puta que pariu, eles poderiam tocar por mais três horas". 

Até logo Faith No More. Foi épico. Com o perdão do trocadilho.


Setlist:

Motherfucker
Land of Sunshine
Caffeine
Everything's Ruined
Evidence (Portuguese version)
Epic
Sunny Side Up
Midlife Crisis (com interlúdio Boz Scaggs "Lowdown")
Chinese Arithmetic (trecho de Meghan Trainor "All About The Bass" )
The Gentle Art of Making Enemies
Easy (Commodores cover)
Separation Anxiety
Matador
Ashes to Ashes
Superhero

Encore:

The Crab Song
From Out of Nowhere
I Started a Joke (Bee Gees cover)
Raindrops Keep Fallin' on My Head (Burt Bacharach song)

Resenha CD: The Sword - High Country


Tá certo que a banda de stoner The Sword nunca foi muito de se acomodar em um determinado "jeito de tocar". Seu stoner variava de graves guitarras e riffs marcantes como no já clássico "Age of Winters" (que muitos devem conhecer por causa da faixa "Freya" que está no jogo "Guitar Hero 2"), a rapidez e riffs mais ligados ao heavy de "Warp Riders", a sujeira pura de "Gods of the Earth" e a pegada mais clássica adotada em "Apocryphon". E em "High Country" lançado nesse ano essa veia setentista clássica foi levada ainda mais ao pé da letra do que em "Apocryphon", porém, com essa viagem psicodélica através do hard rock, o The Sword perdeu aqui o que sempre lhe marcou como maior característica: o peso das guitarras. E esperando mais um petardo em meus ouvidos, achei isso uma pena.

Não sou profundo conhecedor do rock setentista tanto quanto gostaria de ser (minha pegada é mais heavy), mas lembrando de duas bandas que vem em minha mente quando ouvi "High Country", o The Sword mesclou seu stoner e fez questão de pisar forte com os dois pés no hard rock blueseiro de bandas como ZZ Top, Thin Lizzy e Deep Purple juntamente com a psicodelia de Emerson, Lake & Palmer - claro que guardadas as devidas proporções. 

Esse lado podemos ver claramente em "Empty Temples", "Suffer No Fools" e "Mist &; Shadow", na pegada de "The Dreamthieves" (a melhor do álbum!), e nas prog "Turned To Dust" e "The Bees Of Spring". Enquanto que o lado stoner que pende pro lado do The Sword aparece em "Tears Like Diamonds", "Ghost Eye" e em "Buzzards" (também outro destaque). Há até espaço para experimentações acústicas na bela "Silver Petals" que me fez sentir sentado em uma varanda de uma casinha de veraneio do Texas, e eletrônicas, como na curta "Serious Mysterious" que se assemelha bastante com algo que o Muse faria. E bom, achei desnecessária a tentativa já que não combina nada em um álbum que já não me agradou tanto.

Bom, acredito que o maior mérito de qualquer banda não seja permanecer no meio comum. Não importam as reclamações, o que qualquer banda tem que fazer é buscar sua evolução musical sem perder suas maiores características, e como acabei deixando claro ao final do primeiro parágrafo, o problema aqui acaba sendo justamente esse. Talvez esteja sendo fanático e chato demais em reclamar (e é difícil criticar uma das suas bandas prediletas), mas também não sou obrigado a gostar de tudo que essas bandas fazem, pois entendo que agir dessa forma transpassa o fanatismo e invade o limiar da estupidez. Enfim, acho que não estou aliviando nas palavras, mas sempre devemos ter senso crítico e separar o que gostamos do que não gostamos, concorda? 

Voltando ao caso de "High Country", o principal mérito que pode se arrancar do álbum é justamente o que a curta discografia da banda texana deixa claro: a diversidade. Nenhum dos cinco álbuns é parecido um com o outro. E é a partir dessa ideia é que entendo o que o The Sword buscou aqui e o que outras bandas buscam quando fazem álbuns que fogem um pouco de seu lugar comum. Tanto que quem tocou a faixa "Freya" no Guitar Hero com toda certeza vai estranhar "High Country" e se perguntar se ele estará escutando a banda errada. 

Após várias audições, também posso dizer que o dito cujo é o claro exemplo de álbum que poderia chamar mais atenção se a banda tivesse outro nome ou mesmo se você não faz ideia do que é o The Sword, já para todos os outros (como eu) que acompanham seu trabalho desde o início, por mais que "High Country" seja bom, ao final da audição sempre dá aquela sensação de estranheza como se faltasse algo a mais. Por ter altos e baixos é certo pensar em "High Country" como um álbum meia boca para os padrões da banda, mas isso também depende muito da sua compreensão. 

Agora é esperar a próxima surpresa que eles aguardam para o próximo álbum.

Tracklist:

1. "Unicorn Farm" 0:50
2. "Empty Temples" 3:55
3. "High Country" 2:37
4. "Tears Like Diamonds" 3:46
5. "Mist and Shadow" 5:26
6. "Agartha" 2:23
7. "Seriously Mysterious" 2:45
8. "Suffer No Fools" 2:43
9. "Early Snow" 4:15
10. "The Dreamthieves" 3:57
11. "Buzzards" 4:13
12. "Silver Petals" 2:37
13. "Ghost Eye" 3:15
14. "Turned to Dust" 3:31
15. "The Bees of Spring" 3:57

  

Star Stuff: Todos nós somos poeiras de estrelas

Star Stuff: Todos nós somos poeiras de estrelas
Este lindo curta-metragem realizado por fãs e entusiastas do trabalho de Carl Sagan, retrata a paixão e a sede de conhecimento que sempre o acompanharam.

"O que são as estrelas?"

Graças a influência de seus pais, Sagan sempre se perguntou sobre as coisas que o rodeava. Foi quando acompanhado de sua mãe resolveu pedir a bibliotecária um livro que falasse sobre as estrelas, e desatada, ela lhe ofereceu um livro sobre as outras estrelas - as de Hollywood. Mas bastou um sorriso para a pobre moça perceber que a curiosidade do menino não eram sobre elas e sim sobre os "brilhos" misteriosos do céu.

Através daquelas páginas inspiradoras, Sagan descobriu o quão infinito podia se contar; que as estrelas que ele via eram vários sóis bem distantes e que por trás delas, haviam centenas de outros mundos; muitos podendo ter a possibilidade de ser como o nosso e podendo haver pessoas como nós. Assim a paixão do jovem Sagan pela ciência e pela astronomia só cresceu, e também o entendimento da nossa insignificância e pela nossa prepotência perante a imensidão do Cosmos. Este curta, mostra a importância de todos os pequenos e grandes curiosos para construir o que se chama de conhecimento.

A Warner Bros está produzindo um filme biográfico sobre a sua vida. Inspirado por este curta, tomara que a Warner siga este caminho para homenagear esta brilhante mente do século XX que em sua brilhante carreira sempre buscou popularizar um pouco da sua paixão pela ciência e sua busca em popularizar a mesma.

Resenha CD: Ghost - Meliora


Ser relevante dentro do mundo musical do rock pra mim, é saber equilibrar as suas influências e as suas escolhas, a sua e a do ouvinte. Não basta atirar na nostalgia e na agressividade para se destacar, o diferencial é ter elementos que justifiquem sua imparidade nesse mar de bandas que nem sabemos por onde começar a escutar, em outras palavras: talento e criatividade. Acredito que hoje em dia e desde que o mundo é mundo tão poucas bandas de rock e de heavy metal sabem desse equilíbrio, e essa salada de tanta técnica e agressividade acaba no final das contas deixando todas essas bandas parecidas uma com as outras. Nessa, o Ghost tem se destacado como ponta fora da curva em saber que não é preciso nem ser rápido e nem ter vocais agressivos, na verdade, beber da fonte da época clássica do que chamamos de rock n' roll sem parecer um mero cover.

Quando o Ghost surgiu (e tardiamente eu ouvi) com "Opus Enonymous" em 2010 me perguntei o que era isso, se simplesmente era mera nostalgia, algum tipo de nova "salvação do rock" (por causa da alavancagem social que a banda alcançou por ter figurinhas como James Hetfield e Dave Grohl como fãs confessos, até pra esse último o Ghost abriu turnê) ou simplesmente mais uma banda que parecia com um Mercyful Fate da nova era por chamar atenção pela sua maquiagem cadavérica e também por suas batas católicas e mortes simbólicas de seus Papas Emeritus inaugurando uma nova fase da banda a cada trabalho.

Felizmente não era isso, e o segundo álbum (prova de fogo para vermos se uma banda realmente é boa) "Infestissumam" me agradou muito principalmente pela banda se desgarrar um pouco do rock setentista e se aventurar no agradável pop. Sim, eles tinham conteúdo.

O lance é que a banda de maquiados tem em "Meliora" o álbum que sintetiza melhor o lado rock abraçado por "Opus Enonymus" e o a aventura pelo lado mais pop da coisa em "Infestissumam", e acho que até a banda pensa assim pois "Meliora" vem do latim e significa "melhor".

Essa qualidade em mesclar diversas influências se prova pelas duas faixas iniciais "Spirit" e "From The Pinnacle To The Pit", enquanto o single "Cirice" e a belíssima "He Is" contrapõem o peso apresentado apresentado logo no começo para quem sentiu falta das guitarras em "Infestissumam". E vale também a lembrança por "Deus In Absentia" que encerra o álbum de forma magnífica.

Lotado de refrões, solos e melodias bem trabalhadas que em nada justificam as vaias do público presente na edição passada do Rock In Rio (não me conformo com isso) somente porque a banda era uma ilustre desconhecida por aqui. "Meliora" por si só, como qualquer outro trabalho do Ghost, não é do tipo de álbum que você vai gostar logo de cara e nem vai te chamar a atenção de primeira. Eles não "reinventam a roda" mostrando um som que você nunca ouviu antes. É preciso paciência e um pouco de força de vontade para mergulhar na melodia criada com as guitarras e nos vocais agradáveis de Papa Emeritus III para resolver esse "problema" apertando repeat várias vezes, percebendo assim que o álbum se trata de um dos melhores lançamentos de 2015 se tornando essencialmente delicioso de se ouvir. Eu passei exatamente por essa experiência e recomendo vocês a fazer o mesmo.

Acho que é justamente isso que mostra o conteúdo além do óbvio e explica o ponto fora da curva que o Ghost é (longe de uma crítica as outras bandas pois cada uma tem sua peculiaridade), mas o lance de todo esse "trabalho extra" se dá pela admiração de um álbum e em ouvi-lo diversas vezes para perceber a sua real qualidade. Tipo coisa de LP. Não são músicas soltas.

Tracklist:

1. "Spirit" 5:15
2. "From the Pinnacle to the Pit" 4:02
3. "Cirice" 6:02
4. "Spöksonat" 0:56
5. "He Is" 4:13
6. "Mummy Dust" 4:07
7. "Majesty" 5:24
8. "Devil's Church" 1:06
9. "Absolution" 4:50
10. "Deus in Absentia" 5:37

O que passa pelos meus fones #108 - Ghost

O novo álbum do Ghost, Meliora, já está na praça e eles divulgaram mais um clipe promovendo mais uma faixa dele chamada "From To Pinnacle To The The Pit".

Tenho certeza que a banda ainda sofre muito preconceito aqui no Brasil, muito pelas vaias que eles provocaram em sua apresentação no Rock In Rio de 2013 (porque o brasileiro comum adora só ouvir Iron Maiden e Metallica) como (talvez) pelo seu estilo peculiar de se agir e vestir. Mas a real é que o Ghost é uma das melhores coisas que surgiram no rock nos últimos anos.

Essencialmente uma banda que cava fundo no rock setentista e que não liga para rótulos, o Ghost deve e merece ser ouvido. "Meliora" é seu melhor trabalho até agora!

Afinal, o Rock In Rio tem que ser só de Rock?


Entra ano e sai ano e os mesmos assuntos chatos de sempre "navegam" na internet brasileira: seja o BBB que reflete a nação de fofoqueiros, o funk da juventude perdida, a morte iminente da família brasileira... e e em todo ano que tem Rock In Rio, é de praxe empunhadores de bandeira do rock proclamarem a morte e o boicote do evento dizendo que ele traiu o movimento porque o "Rock" do título não faz sentido algum; só falta dizer que a culpa disso é do PT.

A realidade é que desde a sua criação o Rock In Rio nunca foi somente rock por si só. Vamos dar uma pequena olhada nos line-ups que envolvem as edições realizadas aqui no Brasil:

Em 1985 o evento foi realizado por uma semana, sem parar, do dia 11 ao dia 20 de outubro daquele ano e que priorizou basicamente o rock e a música nacional, contando com vários artistas que fizeram shows em duas datas diferentes, como o AC/DC. Para muitos, essa é a edição mais "rock" que o festival teve. E olhando atentamente para o line-up, há muitos artistas que tem pouco ou nada a ver com o rock, como a Elba Ramalho e o Ivan Lins.

  • Queen
  • Iron Maiden
  • Whitesnake
  • Baby Consuelo e Pepeu Gomes
  • Erasmo Carlos
  • Ney Matogrosso

  • George Benson
  • James Taylor
  • Al Jarreau
  • Gilberto Gil
  • Elba Ramalho
  • Ivan Lins

  • Rod Stewart
  • Nina Hagen
  • The Go-Go's
  • Blitz
  • Lulu Santos
  • Os Paralamas do Sucesso

  • James Taylor
  • George Benson
  • Alceu Valença
  • Moraes Moreira

  • AC/DC
  • Scorpions
  • Barão Vermelho
  • Eduardo Dusek
  • Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens

  • Rod Stewart
  • Ozzy Osbourne
  • Rita Lee
  • Moraes Moreira
  • Os Paralamas do Sucesso

  • Yes
  • Al Jarreau
  • Elba Ramalho
  • Alceu Valença

  • Queen
  • The Go-Go's
  • The B-52's
  • Lulu Santos
  • Eduardo Dusek
  • Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens

  • AC/DC
  • Scorpions
  • Ozzy Osbourne
  • Whitesnake
  • Erasmo Carlos
  • Baby Consuelo e Pepeu Gomes

  • Yes
  • The B-52's
  • Nina Hagen
  • Blitz
  • Gilberto Gil
  • Barão Vermelho

A segunda edição em 1991, realizada dessa vez excepcionalmente no Estádio do Maracanã, foi realizada do dia 18 ao dia 27 (com uma pausa no dia 21) daquele ano e contou mais uma vez com um line-up forte, baseado no rock e na música nacional, mas que aproveitou também para convidar artistas de outros estilos musicais, projetando um pouco do que veríamos hoje em dia: dias distintos para cada estilo musical.

  • Prince
  • Joe Cocker
  • Colin Hay
  • Jimmy Cliff

  • INXS
  • Carlos Santana
  • Billy Idol
  • Engenheiros do Hawaii
  • Supla
  • Vid and Sangue Azul

  • Guns N' Roses
  • Billy Idol
  • Faith No More
  • Titãs
  • Hanoi Hanoi

  • New Kids On The Block
  • Run DMC
  • Roupa Nova
  • Inimigos do Rei

  • Guns N' Roses
  • Judas Priest
  • Queensrÿche
  • Megadeth
  • Lobão
  • Sepultura

  • Prince
  • Carlos Santana
  • Laura Finocchiaro
  • Alceu Valença
  • Serguei

  • George Michael
  • Deee-Lite
  • Elba Ramalho
  • Ed Motta

  • Happy Mondays
  • Paulo Ricardo
  • A-Ha
  • Debbie Gibson
  • Information Society
  • Capital Inicial
  • Nenhum de Nós

  • George Michael
  • Lisa Stansfield
  • Deee-Lite
  • Moraes Moreira e Pepeu Gomes
  • Léo Jaime

Na terceira edição realizada 10 anos depois que voltava a Cidade do Rock, o Rock In Rio foi realizado do dia 12 ao dia 14 e do dia 18 ao dia 21 de janeiro de 2001, e cresceu e ampliou seus horizontes. Aqui podemos ver claramente o aumento de importância do evento e como ele se transformou de vez em uma marca dando início as críticas do pessoal especializado.

  • Sting
  • Daniela Mercury
  • James Taylor
  • Milton Nascimento
  • Gilberto Gil
  • Orquestra Sinfônica Brasileira

  • R.E.M.
  • Foo Fighters
  • Beck
  • Barão Vermelho
  • Fernanda Abreu
  • Cassia Eller

  • Guns N' Roses
  • Oasis
  • Papa Roach
  • Ira! & Ultraje a Rigor
  • Carlinhos Brown
  • Pato Fu

  • 'N Sync
  • Britney Spears
  • Five
  • Sandy e Junior
  • Aaron Carter
  • Moraes Moreira

  • Iron Maiden
  • Rob Halford
  • Sepultura
  • Queens of the Stone Age
  • Pavilhão 9
  • Sheik Tosado

  • Neil Young
  • Sheryl Crow
  • Dave Matthews Band
  • Kid Abelha
  • Elba Ramalho & Zé Ramalho
  • Engenheiros do Hawaii

  • Red Hot Chili Peppers
  • Silverchair
  • Capital Inicial
  • Deftones
  • O Surto
  • Diesel

Foram seis edições fora do Brasil e mais dez anos até o Rock In Rio voltar para o Rio de Janeiro. A quarta edição entrou pra história por ter esgotado todos os seus ingressos em apenas 4 dias, sendo realizado do dia 22 ao dia 25 de setembro e do dia 29 a 2 de outubro de 2011 e contando com 100 mil pessoas em cada dia por causa da venda controlada, o que impossibilitou público gigantescos como os 470 mil para o Queen em 1985 e os 250 mil para o Iron Maiden em 2001.

  • Rihanna
  • Elton John
  • Katy Perry
  • Claudia Leitte
  • Os Paralamas do Sucesso + Titãs

  • Red Hot Chili Peppers
  • Snow Patrol
  • Capital Inicial
  • Stone Sour
  • Nx Zero

  • Metallica
  • Slipknot
  • Motorhead
  • Coheed and Cambria
  • Gloria

  • Stevie Wonder
  • Ke$ha
  • Jamiroquai
  • Janelle Monáe
  • Legião Urbana (participação especial da Orquestra Sinfônica Brasileira)

  • Shakira
  • Lenny Kravitz
  • Ivete Sangalo
  • Jota Quest
  • Marcelo D2

  • Coldplay
  • Maroon 5
  • Maná
  • Skank
  • Frejat

  • Guns N' Roses
  • System Of a Down
  • Evanescence
  • Pitty
  • Detonautas Roque Clube

Dessa vez quinta edição do evento não demorou muito para acontecer (apenas dois anos) e dessa vez o público foi reduzido a 85 mil pessoas em cada dia.

  • Beyoncé
  • David Guetta
  • Ivete Sangalo
  • Cazuza - O Poeta está Vivo

  • Muse
  • Florence and the Machine
  • 30 Seconds to Mars
  • Capital Inicial

  • Justin Timberlake
  • Alicia Keys
  • Jessie J
  • Jota Quest

  • Metallica
  • Alice in Chains
  • Ghost
  • Sepultura e Les Tambours du Bronx

  • Bon Jovi
  • Nickelback
  • Matchbox Twenty
  • Frejat

  • Bruce Springsteen e The E Street Band
  • John Mayer
  • Phillip Phillips
  • Skank

  • Iron Maiden
  • Avenged Sevenfold
  • Slayer
  • Kiara Rocks

Sendo realizado do próximo dia 18 ao dia 20 e do dia 24 ao dia 27 desse mês, para a sexta edição, como na edições passadas, o Rock In Rio traz quatro palcos (Mundo, Sunset, Eletrônica e Rock Street) dando oportunidade para centenas de artistas nacionais e internacionais, e que ao contrário de muitos penso que há muito rock suficiente para negos balançarem a cabeça. Como no palco Sunset no dia 24 que contará com Lamb of God, Deftones e Halestorm e no dia 25 que terá Moonspell, Steve Vai e Nightwish.

18/09, sexta-feira

  • Queen + Adam Lambert 
  • OneRepublic
  • The Script

19/09, sábado

  • Metallica
  • Mötley Crüe
  • Royal Blood
  • Gojira

20/09, domingo

  • Rod Stewart
  • Elton John
  • Paralamas do Sucesso

24/09, quinta-feira

  • System of a Down
  • Queens of the Stone Age
  • Hollywood Vampires
  • CPM 22

25/09, sexta-feira

  • Slipknot
  • Faith No More 
  • Mastodon
  • De La Tierra

26/09, sábado

  • Rihanna
  • Sam Smith
  • Sheppard
  • Lulu Santos

27/09, domingo

  • Katy Perry
  • A-ha
  • Robyn
  • Cidade Negra

Muitos desde que o tempo é tempo questionam a programação dos dias e a própria escalação das bandas, como ocorreu na edição de 2011 em que o notoriamente menos famoso Glória foi escalado para o palco principal e o Sepultura relegado ao palco Sunset no mesmo horário ou em 2001 em que o Carlinhos Brown foi escalado para o mesmo dia em que tocaria o Guns N' Roses. Pura maluquice que resultou em vaias e copos e garrafas de água arremessados no palco nas duas ocasiões. A partir daí você pode debater se essa foi uma atitude desrespeitosa e que lugar de Glória é na igreja, mas sabendo que o público brasileiro é tao passional, foi um erro crasso do senhor Medina esperar que o povão esperasse quieto um artista que não tem nada a ver com o gosto próprio.

Confusões a parte, o assunto chato que envolve o nome Rock In Rio recentemente foi explicado pelo próprio Medina (como se o povo fosse entender). Em entrevista para o portal R7 ele declarou: “Rock In Rio foi a melhor marca que eu pude pensar quando imaginei o evento. Mas nem eu mesmo era fã do gênero na época. Meu negócio era Frank Sinatra. Aprendi a gostar de rock com o festival. O alvo do Rock in Rio é a família, não o roqueiro”. 

Partindo daí vamos entender melhor o que significa o conceito "Rock and Roll": 

"Rock and roll é o nome de um estilo musical que veio da expressão “rocking and rolling”, que quer dizer “balançar e rolar”. Essa expressão podia significar "dançar" ou "fazer sexo". As suas principais influências são: Blues, Boogie-woogie, Country, Folk, Gospel e ritmos africanos.

Esta expressão designa um conjunto heterogêneo de estilos musicais surgidos a partir dos anos 40 nos meios juvenis dos Estados Unidos e da Inglaterra e que se situam entre o setor mais comercial da música pop e a chamada música culta."


Não precisa de muita pesquisa e conhecimento para saber que "rock and roll" significa balançar e que a palavra não tem uma definição exata, sendo assim, é notoriamente estúpido que continuemos a pensar que o Rock In Rio deva ser sempre só de rock. É como "balançar no Rio" saca? Acho que Medina também pensou a mesma coisa. Na junção de estilos. E "Rock In Rio" soa bem para um festival musical que não busca nenhuma marca para se apoiar.

Em recente entrevista ao portal UOL, ele também revelou que foi motivado a fazer o evento, curiosamente, por causa de uma briga conjugal, onde a sua esposa não querendo ir embora do Brasil o provocou dizendo que ele não tinha feito nada de importante por aqui pra querer sair do país: "Eu fiquei transtornado. Não dormi aquela noite. Fiquei rabiscando na sala, esquematizando tudo. Já estava tudo ali: o nome Rock in Rio, a ideia do local, a abrangência de gêneros", conta. Mas, ao levar a ideia para sua agência de publicidade, as equipes de criação rejeitaram unanimemente suas pretensões. "Aí, foi um trabalho de convencimento que perdura até hoje".

Nos idos de 1980, o empresariado brasileiro era pouco confiável na época e por isso as bandas torciam o nariz para vir aqui, Medina para seu projeto tinha em mente cerca de 70 bandas. Ouviu 70 nãos. Foi aí que Frank Sinatra surgiu. Fã de carteirinha do cantor, Medina ligou para o seu amigo e contou detalhes sobre seu projeto. Ele precisava de um começo. Sem pensar duas vezes, Sinatra resolveu topar dar esse start e promover o evento tocando para cerca de 170 mil pessoas no Maracanã. O sucesso estrondoso que entrou até para o Guinness não deu outro resultado, Ozzy e Queen foram os primeiros a confirmarem a sua presença na lista de chamada de Medina. Resumindo a história, Sinatra sem duvida pode ser considerado o patrono do festival. E aí o que me diz?

A realidade é que o esforço e credibilidade do empresário Roberto Medina em reunir tantos músicos em tão pouco tempo propiciou o que temos hoje, esse boom de bandas internacionais que visitam cada vez mais cidades brasileiras ano após ano, e que nos leva a falência praticamente todo ano, como eu, que vou ao show do Faith No More dia 25 muito porque eles resolveram estender a sua passagem lá pelo Rio aqui por São Paulo também. Algo que aconteceu também com Rod Stewart, Slipknot e System of a Down por exemplo. E que propiciou também que o Brasil fosse capaz de sediar outros festivais, como o Monsters of Rock, o indie Loolapalooza, o de eletrônica Tomorrowland e tantos outros menores ou do mesmo tamanho.

A visibilidade que o evento deu tanto as bandas, como em potencial de investimento que as empresas viram com os públicos gigantescos da época, só alavancou a até então terra de macacos e da selva a ganhar ares de rota obrigatória a banda como Motorhead, Iron Maiden e tantas outras. Pra você ter uma ideia, em pesquisa do governo do Rio o Rock In Rio tem mais visibilidade que a Olimpíada, o Carnaval e o Revéillon para o carioca. Obviamente que podemos e devemos questionar a pesquisa, mas o fato é que o festival que leva o nome da cidade levou o Rio para o mundo. O público de 470 mil para o show do Queen naquele ano entrou para o livro dos recordes e para a história da própria banda. Que músico não queria ter essa emoção de tocar para tanta gente?

Outro ponto que tem que entrar nas cabeças pequenas e ainda não elucidadas é que Roberto Medina é um empresário, e como empresário visa os lucros acima de tudo, algo que qualquer festival ou a quermesse que seu bairro tem, visa também. Então pode parar com seu romantismo. É vital para a sobrevivência para qualquer festival o lucro, ou você acha que pagar o cachê a todo esse monte de músicos e montar toda essa estrutura para receber tanta gente é barato? Além da questão da interpretação do próprio Medina com o nome, a real é que o mesmo público que vai a Katy Perry é o mesmo que ajuda a custear a sua diversão de rockeiro para ver o Iron Maiden novamente...

Entre os anos de 2001 e 2011 Medina transformou o Rock In Rio de vez em marca levando o evento para Lisboa e Madrid levando muitas das bandas que tocaram por aqui e tantas outras nativas daqueles países ao evento. Em março desse ano foi em Las Vegas e o plano continua o mesmo. Aí você me pergunta: "por quê simplesmente não mudaram o nome? Ter o Rock In Rio em Madrid não faz sentido Medina filha da puta!". Bom, não faz muito sentido mesmo, tanto que já fiz muito pipi na foto do Medina por causa disso, mas se você pensar comercialmente tem sim muito sentido. É como relacionar a capa de um livro com um filme. Para o povo mais leigo que não têm contato com a leitura, isso sim faz muito sentido. Se você gostou da história do filme e quiser se aprofundar sabe melhor que livro procurar. Não sou partidário dessa ideia, mas desde a revolução industrial o mundo é feito de business e não adianta xingar muito no twitter.

Costumamos dizer que nada vindo do Brasil dá certo e que somos um país de sofredores e fracassados desde o nascimento. Por trás dessa síndrome de vira-lata e do 7x1 ter um festival que reúna tantas bandas e que sobreviveu por tanto tempo, é sim uma vitória.

Não tenho procuração para defender o Roberto Medina e quem dera se ele tivesse pagado pra mim fazer isso, mas hoje vivemos uma era de escolhas e penso que quanto mais escolhas tivermos na vida melhor. Marvel x DC, Apple x Android, Sony x Microsoft, Exatas x Humanas, PT x PSDB x Nulo... não importa, se você não quiser ver ou consumir, não compre o iPhone e desligue sua televisão e vá dormir nesses próximos dois fins de semana. Aliás, o Wacken e o YouTube estão aí pra isso.

Penso que o desejo do rockeiro brasileiro em tomar algo pra si a partir do momento em que passa a gostar de uma banda, é como um relacionamento doentio e possessivo entre ele e sua mulher. Nessa relação de tapas e beijos, tenho certeza que o babaca que disse que o Rock In Rio é "feito de lixo tóxico" numa caixa de comentários em algum site por aí, é o mesmo cara que aos xingos vai acabar ligando a televisão para ver o o Faith No More e o Metallica pela enésima vez, e se surpreender com o Royal Blood e o Gojira. Não acha?!

Eu faço um mea culpa sobre o assunto, pois como muitos, cai na mesmice da manada e fui partidário da ideia que justamente critico nesse enorme texto. Mas me esclareci, entendi e me conformei. E acho que ter um Rock In Rio por aqui é bem melhor do que não ter.

Resenha Filme: Mad Max - Estrada da Fúria


Até esse ano a maior ligação que eu tinha com "Mad Max" era a música da Tina Turner "We Don't Need Another Hero", saca?


E claro com o Mel Gibson na flor da juventude e da fama... 

Mais nada.

O diretor australiano George Miller sofreu e muito para que o quarto filme da franquia fosse realizado. Lá se foram quase 25 anos desde o terceiro filme e quando todos nem esperavam mais, e já julgavam o projeto de Miller uma espécie de "Chinese Democracy das telonas devido aos contratempos absurdos indo de tempestade de areia, vegetação e falta de grana, a desistência do astro-mór Mel Gibson há 15 anos atrás, George Miller resolveu seguir, com muito esforço, com a sua ideia de renascer a franquia esquecida; e em 2015 "Mad Max; Estrada da Fúria" finalmente viu a luz do dia.

Reviver franquias virou moda ultimamente em Hollywood. E partindo daí há dois sentimentos extremamente conflitantes: o primeiro é a sensação de nostalgia e o desejo de que a geração mais nova veja o porquê admiramos tanto a tal franquia, e o segundo ponto é o medo de que tudo isso seja estragada em duas horas em favor de nosso suado dinheiro... Bom, com a maioria das execuções dessas "ideias nostálgicas" fracassadas no tempo recente, imagino que para fãs da franquia, foi bom que "Mad Max" tivesse ficado escondido atrás dos holofotes. E ao ver o filme entendemos o porquê que podemos julgar o filme de Miller como uma ideia. Uma ótima ideia de um homem persistente. Ideia que precisava ser vista pelas novas gerações sedentas por ação e por gente como eu.

"O futuro pertence aos loucos."

Num futuro distópico não tão distante assim onde os recursos foram praticamente esgotados ou contaminados, a sociedade foi totalmente diluída e o ser humano foi relegado a ter apenas um instinto: o da sobrevivência. Nessa terra arrasada, o que temos de mais abundante é areia e o único símbolo de poder e autoridade são as máquinas envenenadas. Água? Quem detém isso é rei. E esse título cabe ao imperador Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), que com sua pose de Darth Vader messiânico, controla Cidadela com mãos de ferro tendo posse de absolutamente todos os recursos naturais ainda existentes.

E Max? Bom, o homem ex-policial e que enlouqueceu por sua filha e sua mulher terem sido assassinados por uma gangue de motoqueiros criados por esse mundo louco, foi obrigado a andar sozinho para tentar esquecer o que houve no seu passado e em relação ao próprio mundo. Em "Estrada da Fúria", Max Rockatansky foi capturado pelos Kamicrazys de Immortan Joe por causa de um bem muito valioso: seu sangue O negativo. Usado como mera "bolsa de sangue" (tanto que é assim que o chamam), Max acaba escapando na perseguição da traidora de Immortan Joe chamada de Furiosa (Charlize Theron), que cansada de ver as mulheres usadas como meros objetos, decide fugir com justamente os maiores tesouros de seu Imperador - as suas esposas. 

Ao contrário do que sugere o título, Max é somente o coadjuvante que liga todos os personagens. A verdadeira protagonista aqui é Furiosa. Uma personagem com o símbolo maior da trüeza (com direito a trema e Motörhead na trilha de fundo), mas que nesse filme tão machista ainda encontra a sensibilidade exata para transparecer como o real símbolo da esperança desse mundo pós-apocalíptico e do pouco que ainda resta de sanidade nela mesma.

Simples, direto e sobretudo na medida certa, "Mad Max: Estrada da Fúria" é um show visual impressionante com sequências de ação de tirar o fôlego e talvez o único filme de ação que consigo lembrar que usa perfeitamente os clichês em favor de seu próprio bem. Sem romances, sem enrolação. Insano como sociedade futurística que Miller criou nos desertos australianos, e que usa e abusa das metáforas que caberiam muito bem na possível sociedade futurista que podemos criar com as prováveis guerras futuras pelo o que ainda restaria no planeta, reduzindo a pó os valores e as conquistas, como os Kamicrazys, e tendo nos carros o único símbolo de poder. 

Como você pode perceber pelo roteiro, somos simplesmente jogados a ação sem tempo algum para retomarmos o fôlego, e não sei se sou só eu, mas adoro filmes de ação que nos "jogam" na... ação sem firulas e nem perdendo tempo em explicações além do básico. Se você também gosta disso, em "Estrada da Fúria" você encontrará seu lugar. Filmaço de cabeceira!

...

E você pequeno gafanhoto que adora perguntar: mas e o cara da guitarra que solta fogo? Por que ele está ali? Bom, ele está ali porque... está. É a trilha sonora perfeita para o caos, e George Miller acertou na mosca em encaixar uma alegoria tão non-sense como essa!!!

A triste realidade de quem trabalha com games

Por mais puritano que você seja e por mais lúdica que seja sua imaginação e suas crenças, a dura realidade é que a indústria dos games é uma indústria como qualquer outra, que faz investimentos e busca retorno como qualquer outra área midiática, como o cinema por exemplo. Eles precisam produzir para nós consumirmos, e prova disso é que somos inundados todo ano pelos Call of Dutys, Assassin's Creeds, e FIFAs da vida... Ou você acha mesmo que o fato da EA ou a Ubisoft lançarem versões dos mesmos jogos anualmente passa por uma real questão de incremento e novidade? 

Assim como nós trabalhadores mortais, os testadores e programadores de jogos tem sim uma rotina dura de horas e horas em frente ao computador em busca de metas de produção. Tudo é marketing no final das contas, Não é tão legal como parece testar uma fase ou um trecho do jogo repetidas vezes, ou mesmo o pessoal poderoso lá de cima mudar o final que você batalhou tanto para ver no resultado final da sua criação mór.



Via Dorkly