Mil pessoas tocam e cantam Foo Fighters para chamar a atenção da banda

Esse vídeo é tão legal que não tinha como não postar aqui.

Você que é fã do Foo Fighters quer muito, mas muito que a banda toque na sua cidade certo? Pois então, o pessoal da cidade de Casena na Itália numa ação do canal Rockin' 1000 e do mais puro fanatismo e amor pelo rock dignos de um Dave Grohl da vida sair correndo para lá só para aplaudir, se juntaram para aprender a tocar e cantar "Learn To Fly" do Foo Fighters ao mesmo tempo. Todas juntas. De uma vez!

Caralho viu. Lágrimas quase caíram aqui, droga! =)

A canção que já é poderosa e cantarolável por si só, tem seus poderes multiplicados por mil depois desse coro comovente e espetacular que o Foo Fighters já publicou em sua página.

Alguém duvida que eles estão arrumando um espacinho na lotada agenda para viajar para a Casena? Estou torcendo aqui.


Resenha Animação: Cada Um Na Sua Casa


A raça dos confiantes e baixinhos alienígenas Boov são especialistas em fugir e são condicionados a isso. Por um motivo que nenhum deles sabem bem porque, a raça alienígena dos Gorgs os persegue e nem pode saber da existência deles no Sistema Solar. Para os Boov, os Gorgs os expulsam de todos os planetas que eles tentam habitar porquê simplesmente são uma raça superior.

(Mas no que eu entendi, não passa do caso clássico do medroso que foge sem nem saber o porquê da sua fuga. Simplesmente os Gorgs tomam o planeta porque os Boov rapidamente os desabita...)

Bom, além de extremamente confiantes e simpáticos, os Boov são também ótimos súditos e obedecem cegamente à liderança do atrapalhado e prepotente Capitão Smek, que em mais uma fuga dos Gorgs, resolve apontar suas naves para o terceiro planeta do Sistema Solar, um planeta quentinho e aconchegante chamado Terra.

Na chegada ao nosso planetinha, os Boov raptaram os humanos e os realocaram em vilas (olha que amor!) com o objetivo de abrir espaço para a sua espécie sobreviver. Mas já que a história tem que continuar, entre as casas uma menina bem esperta chamada Tip escapa de ser raptada em sua casa. A là "The Walking Dead" a garota monta um carro cheio de engenhocas e juntamente com o seu gatinho chamado de "Porquinho", saem em busca de reencontrar sua mãe que não teve a mesma sorte que ela. E é aí que ela encontra o outro lado da história.

O bondoso e atrapalhado alienígena chamado Oh a muito tempo excedeu a lei do "terceiro erro" (sendo que Oh já cometeu 16), mas na recém-estadia na Terra ele cometeu um erro imperdoável dessa vez. Graças a esse erro dele, os Gorgs em breve saberão da localização dos Boov e supostamente destruirão a Terra após isso, apavorando os Boov como sempre. A missão de Oh tentar impedir que sua mensagem chegue, e o carro de Tip é o esconderijo perfeito para ele.

Quando falamos de animações logo vêm a cabeça a DreamWorks e a Pixar, e nessa batalha de gigantes, o estúdio fundado por Steven Spielberg é tipo de uma série B das animações comparando com a Pixar. Não que a DW não tenha suas qualidades, afinal, dentre seus 30 filmes lançados até o ano passado, temos "Shrek", "Madagascar", "Kung Fu Panda", "Megamente", "Como Treinar Seu Dragão" e os bacanas que só "Wallace & Gromit" e "A Fuga das Galinhas" da técnica claymotion (ou stop-motion para os íntimos), entre inúmeros outros que marcaram história desde 1994. É absurdo ignorar isso. Mas a Pixar, apesar de um ritmo menor de lançamentos, foi capaz de manter um nível de qualidade altíssimo lotado de histórias tocantes, apesar de alguns deslizes como "Valente". Já a DW apelou mais para a quantidade e animações com histórias bem mais genéricas, previsíveis e fofas, como o "Espanta Tubarões" e "Monstros Vs Alienigenas" por exemplo. E a 31º animação do estúdio, "Cada Um Na Sua Casa", também não sai muito disso apesar de exalar fofura.

O que atrai num filme de animação? A fofura certo? E falando dela, apesar da fofura dos Boov (que dão vontade de morder e apertar como disse minha namorada) e especialmente de Oh na característica de sua raça que muda de cor quando mente ou sente medo, os Boov não são muito carismáticos e nenhum deles desenvolve uma personalidade além das possíveis risadas que damos ao ver alienígenas atrapalhados que não sabem o que fazer quando se deparam com um humano, ou tipo o idiota do Capitão Smok que acha que um cone de trânsito decorado com papeis higiênicos é uma ótima coroa pra ele. Já falando da Tip, acho que é a primeira vez que vejo uma protagonista negra nos filmes de animação, ponto para a DW. =)

"Cada Um Na Sua Casa" é uma animação que entre inúmeras outras é bem passável, pois em seus momentos de humor não arranca muitas risadas e não ultrapassa muito a linha dos filmes pipoca pra se ver num fim de noite com a namorada ou na Sessão da Tarde. É tipicamente uma animação para vender brinquedos e entreter baixinhos, ou amantes das animações que apenas querem ficar quietinhos "vendo desenho". Em outras palavras, é somente legal.

O que passa pelos meus fones #102 - Symphony X

O novo álbum da subestimada banda de metal progressivo Symphony X, "Underworld", foi recentemente lançado, e amigos, garanto é uma verdadeira paulada no ouvido!

"Nevermore" é o primeiro single desse álbum.

O talento de Mike Deodato Jr.

O talento de Mike Deodato Jr.
Se você não conhece Mike Deodato Jr. deveria conhecer.

Esse ilustre brasileiro que muita gente jura que é americano pelo nome que é um pseudônimo para Deodato Taumaturgo Borges Filho (tá pensando que nascer no nordeste é fácil pro cartório?), é paraibano nascido em Campina Grande e é responsável por diversas artes dos heróis tanto da DC, Marvel, Image e Dark Horse. E pra você ter uma ideia do currículo do cara, Batman, Homem-Aranha, Thor, Wolverine, Hulk, Justiceiro e muitos outros heróis e vilões passaram pelos seus dedos que desde cedo, graças a seu pai aprenderam o estilo de seu desenho.

Aprecie abaixo um pouco do trabalho do cara, e aí quem sabe você presta mais atenção quando ver seu nome na HQ do seu herói favorito no próximo mês. ;)

É do Brasil!

Se você ama dormir, esse post é para você!

Se você ama dormir, esse post é para você!
Quem nunca após um cansativo dia de trabalho, ou para muitas pessoas de trabalho e estudo, não vê a cama como um objetivo do dia a ser alcançado? E então quem vive estressado e cheio de problemas? O sono traz o único momento do dia de paz, verdadeiro descanso.

Dizem que não se pode tomar grandes decisões após uma boa noite de sono. Pois é. Se o banho é o melhor período do dia para se ter boas ideias e quem sabe testar seu poder vocal, o sono é a melhor oportunidade do dia de clarear sua mente para aquela decisão confusa que pode alterar toda sua vida (que dramático).

Creio que todo mundo adora dormir. E se você considera a sua cama o melhor móvel da casa, vê seu sofá somente para deitar, considera seu sono um hobby e reserva seus fins de semana para dormir. Essa série de ilustrações do site Lingvistov sobre as coisas que só quem ama dormir entenderia, é para você!


Via Update or Die!

Resenha Filme: Entre Abelhas


Logo de cara a primeira reação que tenho se tratando de um filme nacional é sua qualidade muitas vezes duvidosa, tanto de interpretação, como de humor.

Claro que posso estar aqui parado perdendo muito filme bom porque "não conheço devidamente a cena, é o que os metidos a "cults" falariam. Mas sinceramente é aquele pensamento muquirana e preguiçoso: "o cinema tá caro e não posso gastar minha energia e ânimo pra ver qualquer filme. Vou gastar a grana entupindo minhas artérias no Burger (bacon) King e saciando minha fome monstra, ou vou gastar meu precioso tempo vendo a Netflix". Talvez nem dando o ingresso de graça, faça as pessoas terem um verdadeiro afinco de sair de casa (ainda mais no frio).

E o que dirá de um filme estrelado por Fabio Porchat? Graças ao Porta dos Fundos o relacionamos diretamente com o humor, fora a sua exposição excessiva. Parece que de uma hora pra outra descobriram o cara e o procuraram colocar em todo tipo de comercial, propaganda, televisão, cinema.

Essa exposição naturalmente causa a antipatia a sua figura, e naturalmente também causa a rejeição para com o filme. Talvez pseudo-humoristas como Ingrid Guimarães, e humoristas Marcelo Adnet (apesar de o achar muito mais sem graça) e Leandro Hassum sofram do mesmo problema. O que é Global, não presta

Roteirizado por Ian SBF, com participações do pessoal do Porta dos Fundos e estrelado pela estrela principal do grupo, Fabio Porchat, "Entre Abelhas" a se julgar por isso, não seria um filme pra se levar a sério. Mas lembrando muito do caso do humorista Jim Carrey que estrelou ao lado de Kate Winslet o excelente drama "Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças", enganou-se quem duvidou do talento de Porchat em personificar alguém que não está sendo capaz de dar um sorriso durante quase uma hora e meia. E que como Carrey, acaba desconstruindo aquela nossa ideia que temos dele, de um cara que com caras e bocas tenta em cima de um palco nos fazer rir.

Aqui Porchat interpreta Bruno, um mero editor de vídeo que após de divorciar de sua mulher Regina (Giovanna Lancelotti) volta a morar com sua mãe protetora (Irene Ravache) e anda depressivo com o mundo que o rodeia, afinal, a perda de um amor sempre causa isso. Então cabe a seu melhor amigo Davi (Marcos Veras) a missão de tentar levantar o ânimo de Bruno ao estilo bem machista de leva-lo a noitadas cheias de bebida e mulheres. No entanto, saca aquela situação que na perda de um amor meio que se vão também as cores ao seu redor? Bruno se sente desanimado pra tudo e não vê outra relação amorosa e nem pessoal com mais ninguém naquele momento, muito menos no seu trabalho.

Então, solitário no meio da multidão, Bruno de repente passa a esbarrar em pessoas que não vê, se deparar com o ônibus que para no ponto e ele não vê ninguém descer, ou no taxista que simplesmente desaparece no meio da corrida que Bruno está como passageiro. Ao se dar conta da loucura que está acontecendo, Bruno também percebe que não só desconhecidos estão sumindo, mas pessoas que ele ama. E é aí que começa seu drama à la "Ensaio Sobre a Cegueira" de Saramago.

O que você faria se as pessoas de seu cotidiano desaparecessem? Bom, por mais que digamos a nós mesmos que seria muito bom se as pessoas de fato virassem fumaça diante a nossos olhos, a realidade é que elas, mesmo os nossos inimigos, desapercebidamente são fundamentais pra nós percebemos que temos que seguir em frente independentemente da felicidade que não nos acomete. O que mais ouvimos nessa situações é "siga em frente", "tudo vai passar", mas as coisas não são simples assim. è como nossa avó diz: "temos que dar tempo ao tempo". Alheios a tapa nas costas e palavras de motivação das pessoas que nos amam, cabe a nós, que vendo a vida alheia de quem nós odiamos sempre parecer melhor que a nossas, de ter a coragem de dar um passo adiante e não fazer das outras pessoas seres invisíveis.

Uma boa analogia para a esse estado que Bruno se encontra é o atendente da lanchonete Nildo (Luis Lobianco) que pega três ônibus para voltar pra casa e por diversas vezes é um ser invisivel aos olhos de quem o trata apenas como um prestador de serviços, aceita a proposta um tanto esquisita da mãe de Bruno, e que se tornou fundamental para o fazer entender da sua real condição.

"Entre Abelhas" trata da depressão sem tratar diretamente da depressão e ao final nos traz um interessante questionamento: será mesmo que realmente enxergamos as pessoas ao nosso redor? Uma boa pergunta para uma época em que as pessoas vivem tão isoladas, ironicamente conectadas e com os rostos grudados ao seus smartphones sem ver direito quem está no seu caminho. Hoje mesmo uma mulher quase esbarrou em mim no hall do meu trabalho e nem me pediu desculpa pelo ocorrido. Acho que não é só falta de educação.

Bruno se fechou em seu casulo e as pessoas somem justamente porque nenhuma delas importa para ele, nem a sua mãe. Somente a Regina e a sua busca em reviver um presente que já se foi. É uma visão triste e diferente para o egoísmo que se revela somente na ocasião da perda. Como no caso da mãe de Bruno que também desaparece para ele.

Propositalmente feito para surpreender, afinal, o choque entre humor e drama é instantâneo. "Entre Abelhas" é um filme curto e tem um final abrupto que vai causar estranheza em quem está acostumado com desfechos que simplificam o roteiro, fazendo assim a compreensão imediata do filme ser meio confusa. Porém, está aí o brilho do filme, ele traz a reflexão à tona. Brincando com a linha tênue que separa o riso do choro, a dramédia de Porchat em toda sua brevidade, inteligentemente aborda a depressão e a solidão em uma forma bem simples e acessível a todos, se saindo bem em contar uma história cotidiana e identificável a todas sem parecer descartável ou esquecível, ou em outras palavras, com cara de filme nacional.

Resenha Filme: O Jogo da Imitação


Talvez seja só eu que tenha essa impressão, mas quando se fala a palavra Oscar o seu nariz se torce um pouquinho, afinal, o tal conglomerado julgador formado por críticos blases que não vivem na mesma realidade que a nossa, quase nunca indicam aquele filme que você achou sensacional, quer dizer, por mais que um filme blockbuster seja bem feito, o dito cujo não é digno de ter alguma premiação porque não faz parte do rótulo "cult" de ser. Simples assim.

Bom, essa discussão vai longe, mas é fato que o Oscar, como tantas outras premiações de tapete vermelho e nariz empinado, nos apresentam filmes que NUNCA chamariam a nossa atenção em circunstâncias normais, seja por (muita) falta de divulgação ou por preferências mesmo. Ou você por acaso iria ao cinema ver "O Jogo da Imitação" simplesmente porque aquela é uma boa história? Duvido muito.

Levemente baseado na biografia "Alan Turing: The Enigma", o filme nos apresenta o lado B da Segunda Guerra Mundial num desafio bem além das lutas armadas e que parecia ser impossível de ser vencido. 

Enigma é o nome da máquina de criptografia usada pelos alemães responsável por transmitir mensagens de guerra codificados entre o exército alemão, quer dizer, mensagens que só quem enviasse e quem recebesse poderia entender. Supostamente indecifrável, o fato é que essa máquina por longos anos foi a responsável direta por deixar os alemães sempre um passo a frente dos Aliados na Segunda Guerra. Sua criptografia deveras complexa consistia num funcionamento contínuo em um curto espaço de tempo em dois horários, às 6h da manhã (quando a mensagem chegava) e a 24h (quando sua codificação mudava completamente) impossibilitando que a cabeça de gênios americanos, soviéticos e ingleses fossem capazes de compreender, já que a mensagem mudava em um curto espaço de tempo jogando fora horas de trabalho a fio de matemáticos e criptoanalistas de egos inflados da época. 

Sabendo que a vitória dependia de uma descodificação da Enigma, a Inglaterra resolveu criar o projeto Ultra, um projeto que consistia em justar as melhores mentes estudiosas da época para tentar vencer a máquina em uma tarefa hercúlea. É aí que Alan Turing (Benedict Cumberbatch) entra.

Matemático e criptoanalista, Turing é considerado o pai da computação e responsável direto pela criação do que chamamos de inteligência artificial. Em suma, é graças a ele que eu e você podemos estar por trás de um teclado hoje em dia, desde uma simples calculadora até aos notebooks modernos. 

Tímido e introvertido, Turing é como todo gênio (que se assemelha muito ao Sheldon), uma pessoa extremamente egoísta e antipática, e ironicamente tais defeitos são justamente os alicerces necessários para as suas maiores qualidades sendo o gênio que era. Extremamente prático e direto, Turing é chamado pelo governo inglês para participar de seu projeto Ultra e sabe que todo aquele esforço era inútil para o trabalho que ele era atraído pela superação. Era preciso algo novo. Alan Turing por muitos anos idealizou o projeto de sua vida, a máquina chamada por ele de Christopher, ou simplesmente chamada de Máquina de Turing

Como todo gênio, Turing era também desacreditado pela sua tentativa necessária de inventar algo novo e provar-se eficiente diante outras mentes brilhantes que eram tão egoístas e antipáticos quanto ele. Mas a medida que o filme se desenrola, descobrimos em Turing uma figura doce e capaz até de ser inocente em situações que ele nunca vivenciou. A responsável direta por esses momentos que arrancam alguns sorrisos de satisfação é a única mulher do elenco Joan Clarke (Keira Knightley). Contratada por Turing, depois de ele ser eleito chefe por ninguém menos que o general Winston Churchill, Joan é encontrada por ele em um teste simples veiculado em um jornal que só mentes como a dele poderiam resolver. 

Turing era uma pessoa misógina, talvez não por ele escolher adquirir essa personalidade, mas porque como gênio naturalmente desprezava as mentes alheias porque ele se jugava superior a elas (e era). Mas com Joan, ele viu pela primeira vez alguém que podia lhe entender e lhe proporcionar uma amizade que compartilhava de uma sabedoria que ele e nem ela encontravam por aí. Mas essa não é uma história de amor. Sua paixão pela sua criação escondia muito mais do que aparentava, e isso o filme vai nos explicando através de pequenos e necessários flashbacks que nos fazem compreender melhor quem é Alan Turing.

Para qualquer biografia é extremamente necessário que o que está ali sendo contado nos faça torcer pelo personagem principal e ainda mais em cinebiografias que precisamos de uma empatia criada quase que instantaneamente, e o mérito de "O Jogo da Imitação" é que bem aos poucos essa empatia vai nos conquistando. E não só o roteiro adaptado Graham Moore que desmembra os lados da vida de Turing sem priorizar demais o lado matemático ou homossexual do personagem, mas se hoje sabemos quem é e simpatizamos com o gênio Alan Turing isso se deve muito a interpretação de Cumberbatch o encarnando. O ator já é conhecido por encarnar personagens geniais e analíticos como Sherlock Holmes da série da BBC, mas aqui ele se desgruda dessa imagem que era fadada a repetição e que talvez somente ele seria capaz de interpretar com tanta competência, não só pela experiência com Sherlock, mas porque é um puta ator e ele nos entregou a atuação de sua carreira aqui. 

Se formos comparar cinebiografias, "A Teoria de Tudo" se desmembra dos outros filmes do gênero por empregar um lado legitimamente sentimentalista sem buscar descaradamente as lágrimas do espectador - lágrimas essas que na avaliação final acabam pesando muito -, mas claro, é uma pegada totalmente diferente. "O Jogo da Imitação" ao meu ver só poderia ser construído de uma forma mais simples e direta, mostrando a guerra silenciosa e política que arriscava e salvava a vida de muitas pessoas em escolhas que eram duras de se fazer, e sobre seu homossexualismo, que é abordado numa forma bem simples e bem delicada. No entanto, explorar mais profundamente a vida de Turing seria um acerto e talvez isso traria esse diferencial que faltou no filme. Afinal, esse homem que ajudou a definir o rumo que tomamos na história a partir da metade do século 20 teria muito a nos contar no pós-guerra, e nas suas aflições causadas pela castração química que lhe foi infligida pela sua homossexualidade descoberta logo após de ele, graças a sua invenção, ter salvado milhares de vidas com o fim da guerra. 

Assim, "O Jogo da Imitação" seria muito importante para ser mais uma marca em uma sociedade que em pleno século 21 ainda é tão homofóbica e extremista quanto na época de Turing, lotada de valentões de plantão que por trás da sua invenção aprimorada por Gates, Jobs e Wozniak, confundem liberdade de expressão com falta de respeito.

"O Jogo da Imitação" é uma cinebiografia que não se arrisca em nenhum momento, sendo esse um ponto que divide a avaliação final, já que o mesmo não tem um diferencial que faça o espectador julgar o filme muito acima de tantos outros. Mas sendo uma cinebiografia acima da média e com uma interpretação digna de Oscar, o filme é digno de figurar entre os melhores do ano de 2014. E quem resolveu sair um pouco do ritmo frenético do universo da Marvel e das animações da Pixar e Dreamworks (como eu) teve uma ótima surpresa aqui.

Os pôsteres sensacionais de Ken Taylor

Os pôsteres sensacionais de Ken Taylor
Desde que achei o pôster alternativo de Watchmen no Pinterest e o coloquei de plano de fundo do meu celular, eu fiquei me perguntando quem foi o cara que assinou o grande trabalho artístico que foi aquele pôster. No entanto essa semana, pelo mesmo Pinterest e por outras obras igualmente geniais e semelhantes, eu descobri por acaso quem é o ilustrador que deixa no chinelo pôsteres a rodo que vemos todo fim de semana nos cinemas.

O cara em questão é o ilustrador e designer australiano Ken Taylor, que com uma pegada retrô com desenhos que parecem terem sido feitos a mão, nos faz perguntar por que os estúdios não reconhecem tais artistas ao invés das cabeças flutuantes que eles teimam a colocar pra ilustrar seu mais novo filme.

A propaganda visual é tudo, ela além das críticas e de quem protagoniza ou dirige, é o que nos faz querer ver um filme. Não seis e você veria um filme somente pelo pôster, mas com toda certeza te chamaria muito a atenção!



Resenha Filme: O Estranho Mundo de Jack


A imagem fofa e carismática de Jack está para onde dirigimos o olhar. Camisetas, bolsas, chaveiros, bonecos... a cabeça de Jack está em todo lugar. Mas por trás desse personagem infantil da saudosa animação que Tim Burton dirigiu em 1993, há um conceito bem interessante sobre o tédio e como todos sem exceção estamos fadados a ele.

Sempre há quem diga que a vida da geração passada era melhor aproveitada, quer dizer, hoje temos tanto acesso a informação o tempo todo e tantas tarefas o tempo todo que esquecemos da arte de apreciar os momentos. Como o ato de fotografar tudo pra postar no Instagram nessa necessidade de sempre mostrar o que está fazendo, em suma, olhar para a câmera e menos pro céu ou pra cara do seu amigo. Por mais que olhando por esse lado a razão fale alto, obviamente a principal missão da geração passada é minar a atual. Sempre "os nossos tempos" foram mais vívidos e mais divertidos em comparação com a geração atual, mas olhando para o outro lado sobriamente, tudo isso passa pela nossa acomodação e sensação nostálgica natural que temos pelos nossa infância. O que é bem natural.

Bom, não vou ser didático sobre um filme que quase todo mundo já sabe a história (e se você não sabe, o que tá esperando pra correr atrás de ver o filme?), então achei mais correto dar uma visão que se distancia da ideia comum, em detrimento de uma análise mais profunda sobre o que entendi do filme anos depois de vê-lo a primeira vez. Afinal, crescemos e amadurecemos, nossas compreensões e ideias também, por isso é tão gostoso reler um livro anos depois ou rever um filme como esse.

Primeiramente Tim Burton foi genial (como há muito tempo ele não é) em transformar um desenho infantil em uma peça tão profunda psicologicamente. Como lidar com a dor e o vazio que não sabemos como preencher?

Seja qual for a época, seja o que somos, e seja o que tínhamos e tenhamos a fazer, estamos entediados. Jack estava, mesmo com o título de "Rei do Halloween". Claro que todo o dia das bruxas na cidade do Halloween era a mesma coisa e a tarefa estafante de organizar todo o evento cabia a Jack, que já não sentia o mesmo apreço pelo que fazia a muito tempo. Mas a tarefa que o "Rei das Abóboras" tinha era ingrata, afinal, como lidar com toda a sua fama sem ter a satisfação de dar um sorriso orgulhoso de uma tarefa que lhe cabe todo o ano?

Em conflito com as ideias e com a própria vida, Jack sabia que no fundo tinha um senso de inquietação alheio ao seu tempo e seu reino, e certamente isso o afetava. Em crise existencial, à la Shakespeare nos melhores momentos do clássico "ser ou não ser", Jack olha pra sua própria cabeça e se pergunta qual o sentido de estar ali e o que ele é. “Since I'm dead, I can take off my head to recite Shakespearean quotations”. Em outras palavras, Jack não estava sentindo mais nada.

Jack não via mais sentido na sua vida, fazendo exatamente tudo de novo ano após ano. Era um deja vú eterno, uma rotina imperdoável que dentro dele e de nós mesmos acomete diversas vezes em poucos anos. Até parece uma boa piada ele ser um esqueleto e estar sentindo um vazio!

Jack em seu passeio pela floresta, acaba se encantando com uma árvore com um desenho em formato natalino e sendo sugado para ela passa a conhecer a "Cidade do Natal". Claro que voltando de lá e sentindo a empolgação latente percorrer seu pensamento, a execução da festa sai totalmente errada.

Naturalmente o seu povo não sabia reagir a ela dado a seu condicionamento anual de participar de uma festa modorrenta, algo que eles são por serem monstros. Só que Jack, nessa experiência atabalhoada, graças ao espírito do Natal (relegado a segundo plano pelo seu povo que não entendia o que significava esse sentimento) recupera seu vigor, entendendo que o seu lugar é ali e não deve tentar ser o que não é. Ele viu o porque ele é "O Rei do Halloween" e que ironicamente o motivo inicial de seu tédio, preencheria o vazio que ele sentia.

É comum nos sentirmos pouco importantes, pequenas peças que ninguém se importa; peças que estão paradas, e sentindo que a rotina é o defeito que nos faz sentirmos totalmente solitários num mundo lotado de gente e vazios numa vida em que temos tanto a se fazer.

Quem nunca quis pegar uma mala e sair pelo mundo ao melhor estilo "On The Road"? Mas antes de perguntar a Jack Kerouac o que ele sentiu, o outro Jack, o Skellington, em sua história nos ensina que o tédio que sentimos é passageiro, quase tudo na vida é (menos o motorista e cobrador), e que o fundamental é que nós passemos a dar maior valor a posição que temos, ao eterno aprendizado, e claro, a nós mesmos.

A pergunta não é o que preciso mudar, mas sim o que preciso aprimorar na vida pra entendê-la melhor. Precisamos disso para dizer se o lugar em que estamos é realmente o lugar em que precisamos estar.

Tirinhas da Semana #228

Com toda certeza não conheço quem está do outro lado da tela, mas consigo entender porque vocês estão aqui. Se o Descafeinado é uma extensão de mim, com certeza conheço um pouquinho de vocês, o suficiente para começar uma conversa. 

Feliz dia do amigo! =)














A triste vida do Harry Potter

É batata, na grande maioria das vezes quado uma criança prodígio se destaca na televisão e no cinema principalmente ou mesmo um ator faz diversos filmes interpretando o mesmo personagem, por mais que tente, nunca mais consegue se desvincular do personagem que fez por tantos anos. Macauley Culkin é o maior exemplo, afinal, ele deixou de ser fofo. Mas claro que temos grandes exceções, pois isso depende muito do talento do artista e das escolhas que ele resolve tomar pra sua carreira, mas é inegável que esse rótulo os perseguem se eles não fizerem nada relevante depois da bonança. 

É como um artista ser obrigado a tocar a música que o alçou ao estrelato por toda a carreira sequer deixando-a de tocar por um show. Uns levam numa boa essa obrigação, outros não como Kurt Cobain.

Robert Downey Jr. será pra todo sempre o Homem de Ferro, Hugh Jackman será pra sempre o Wolverine, Robert Pattinson será pra sempre o Edward e Daniel Radcliffe será pra todo o sempre o Haroldo Porteira ou Harry Potter para os íntimos. Ninguém sabe o nome dele, ele é o Harry Potter.


Tadinho...


Como reagir ao ver o Batman na rua

Diante essa surpresa você tem três opções:

1. Como um bom nerd que ajuda a sociedade, não o incomoda sabendo de sua responsabilidade diante a tarefa em fazer a justiça.

2. Agir como alguém normal que encontra um astro na rua e sair logo o chamando de "batimão", batendo nas costas, tirando uma selfie pra depois postar no Instagram, e sair fora aos gritinhos estéricos.

3. Ser BR BR HUE HUE e fazer isso:


Quem leu esse quadrinho com a voz do Homer sabe o quanto isso foi engraçado! xD

Vamos falar do Coringa do Esquadrão Suicida?

Foi um caos só, que só o Coringa seria capaz de fazer. O trailer do vindouro "Esquadrão Suicida" na Comic-Con serviu pra tiramos qualquer dúvida que podíamos ter sobre a qualidade da produção da Warner/DC e se ela seria capaz de, pelo menos numa primeira impressão, igualar a qualidade do até uns anos atrás desconhecido time chamado "Guardiões da Galáxia". Não quero aqui começar a briguinha babaca da DC x Marvel que teimam em lançar por aí, mas a briga a partir de 2016 parece que vai ser boa viu com a DC chutando a porta!

Mostrado pela primeira vez durante o evento, logicamente que o trailer não demorou quase nada pra cair na internet, sendo o suficiente para provocar reações negativas dentro do estúdio por causa do vazamento estragando toda surpresa que eles queriam fazer ao grande público que não teve oportunidade de estar naquele painel. Mas aceita que dói menos. Como todo mundo tendo uma câmera de vídeo em potencial no bolso, me surpreende a surpresa e revolta dos estúdios em terem seus trailers vazados. Oras, se aumente a segurança né?

Bom, no dia seguinte para ninguém ficar triste com a versão divulgada em baixa qualidade do trailer, a Warner já tacou logo na nossa cara o mesmo em HD, e ai pudemos ter bem a ideia do estrago.

O trailer teve o tom mais acertado possível, começando pela trilha certeira com a música "I Started a Joke". Ele é cruel, ele é misterioso, ele é sádico, ele é um trailer. Como é bom ver um trailer digno. Tomara que a Warner resista bravamente a internet e seus fãs sedentos por novidades a todo momento e não fique divulgando um trailer atrás do outro como o "Vingadores: A Era de Ultron".


E como pode se ver, as tatuagens e os dentes platinados do Coringa estão todas ali, exatamente como na primeira imagem divulgada do seu visual e confirmado posteriormente pelo diretor David Ayer, e esse primeiro trailer serviu muito bem para justificar esse visual meio playboy que resolveram fazer do personagem.

Como eu disse em outro texto no começo de junho, entendo que não se pode ficar órfão de Heather Ledger pra sempre por mais imortal que ele seja. A bola segue, Todos os atores que interpretaram o palhaço do crime o fizeram da sua maneira e cada diretor teve sua visão particular dele, e só parece aumentar a besteira cada vez que pensarmos de que o Coringa, que nem tem sua origem e visual oficializados, é como o Superman, incapaz de colocar a cueca por cima da calça. Conseguiu entender a metáfora?

Ele é cruel, sádico e doentio, mas o personagem tem múltiplas caras dentro dos quadrinhos e mesmo nas séries animadas, então entendo que ele é um dos vilões que dá mais liberdade de interpretação e criatividade aos diretores na hora de abordá-lo. Porra, ele é louco! Tem como definir um louco? O diretor David Ayer desde a primeira foto que ele divulgou a polêmica foto de Leto em seu Twitter, foi muito bem em se distanciar cada vez mais de qualquer comparação que o Coringa dele e de Leto inevitavelmente poderia ter com os seus antecessores.

"Eu não irei te matar, só vou te deixar muito, muito machucado"

Claro, o Coringa apareceu por dez segundos no máximo e falamos somente de um trailer que na real não é garantia nenhuma de que o filme será bom desse jeito, mas a desconfiança e o alvoroço que as fotos e o anúncio de Leto parecem ter diminuído bastante e de forma justa. São dez segundos, mas o sorriso, a voz e a feição adotadas são doentias o suficiente pra agradar quem ainda está com um pé atrás com sua interpretação. Doentio aliás é quem fica de mimimi antes de o filme ser lançado, mas é opinião minha sabe...

Se livre dos preconceitos (coisa impossível de se pedir...) e preste a atenção. E bom, temos o exemplo do Heather Ledger, o cowboyzinho gay que mostrou como se pode ser obrigado a ficar quieto.

O filósofo e o político


O filósofo grego Heráclito tem um pensamento muito sábio que diz: "Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras.".

Esse pensamento é talvez o mais simbólico que sirva pra representar a popular batida da Polícia Federal na porta do ex-presidente e atual Senador alagoano Fernando Collor que apreendeu uma Lamborghini, uma Ferrari e um Porsche capazes de fazer inveja ao Eike Batista.

A operação Lava-Jato que começou nas empreiteiras, foi para a Petrobrás e agora atinge a mais alta classe política (e ainda há muito mais a se descobrir) envergonha o Brasil de tanta corrupção que é revelada, mas ao mesmo tempo o dignifica. Finalmente tiramos o pé da lama das investigações seletivas de homens que pareciam acima da lei, como o Collor, que como o detentor do título de único presidente deposto do cargo (pelo menos por enquanto) parece ter esse tipo de pensamento, já que declarou que esta foi uma atitude arbitrária que somente serviu para envergonhá-lo, esquecendo de que essa ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e que como Senador da República era o mínimo de reconhecer o bom trabalho que a PF vem fazendo pra servir o país que supostamente ele defende. Bom, mas isso é ótimo, pois daí sabemos que ele tem rabo preso ou mesmo borra nas calças de fazer a tal da delação premiada.

O Brasil é como um atleta de esteira, corre parado no mesmo lugar. Tipo o cara que não tem coragem de correr na sua rua por medo de ser roubado, mas que faz questão de ir na academia mais chique do bairro vizinho. E eis que se passam mais de vinte anos e o mesmo personagem volta às telas das nossas televisões tal qual como uma piada ruim que os tios teimam a contar no final do ano. Os políticos não saem do lugar, o povo não sai do lugar, as reclamações são sempre do mesmo lugar.

Dizem que um ladrão é sempre ladrão. E na batida da redução da maioridade penal que somente serviu pra atestar o fracasso definitivo do governo em dar a segurança que o povo precisa servindo somente pra envelhecer os bandidos que tem 16/17 anos hoje, hoje o Collor se igualou definitivamente (não que eu não suspeitasse) mais ou menos ao nível deles. A roubalheira só ficou mais "sofisticada" do que os confiscos das poupanças da época que ele tinha cabelo lambido. Ele sofreu impeachment e não aprendeu a "lição". Bom, por quê aprenderia?

No começo do texto disse que ninguém entra na mesma água duas vezes e talvez você se pergunte onde está a relação entre o filósofo e o corrupto. Mas eis que hoje o político resolveu contradizer quem é tão sábio. 

Heráclito se sentirá motivado a repensar por causa do Brasil.

Nunca julgue o Queen pelo Adam Lambert




Somos inundados por todos os tipos de reality shows hoje em dia; e salvo a discussão sobre qual deles é mais "útil" ao público, a verdade é que todo mundo (sim, inclusive você) se interessa na vida alheia mesmo que um pouquinho, ainda mais quando essas pessoas estão competindo por algum prêmio por seu próprio talento.

Falando especificamente dos famigerados reality shows musicais que tomaram conta da televisão, eu pessoalmente acho bem questionável o nível de qualidade dessa atrações e se realmente elas são capazes de revelar alguém pro estrelato, afinal, o mundo da televisão é de plástico e nos emburrece, e daí é natural a gente ficar com pé atrás se aquele cantor ou grupo tem um real talento por trás de um playback ocasional. Mas o formato adotado num "Superstar" ou mesmo no "The Voice" agradam se pensarmos pelo lado de que artistas (por mais chatos que sejam como Carlinhos Brown ou Sandy) estão trocando experiências com quem almeja o estrelato que o seu ídolo têm. Então é meio que com um "meh" a gente acaba aceitando, mas no fundo a gente também nem dá muita bola pra um vencedor dos realitys que citei, e ainda menos para o bem sucedido reality gringo "American Idol" (que é tipo um show de calouros para quem não conhece "ma oe"). E como nesse país em que vivemos o segundo lugar não vale nada, que tal então saber que o "novo" vocalista de mais uma reunião do Queen foi o segundo lugar daquela edição? 

Quando Brian May e Roger Taylor anunciaram uma turnê e um álbum inédito juntamente com Paul Rodgers com a alcunha Queen + Paul Rodgers, ficou evidente desde ali o que significava o + adotado. Como é natural haver comparações entre o antigo e o novo vocalista, no caso Paul com Freddie (o que é totalmente estúpido), May e Taylor com o + procuraram evitar isso e as ideias de que eles fariam uma reunião somente por dinheiro. O + era um respeito pelo passado. Em outras palavras, o Queen faz parte daquele rol de bandas especiais, totalmente inalteráveis, como um mecanismo de um relógio suíço. São aquelas membros e só aqueles membros, o que na verdade significa que Freddie tem um sapato muito apertado pra caber no pé de qualquer um e Adam Lambert chega a ser uma heresia aos ouvidos de tais fãs como eu. 


Bom, Paul Rodgers é um ótimo vocalista de rock e gostei bastante da pegada e do espírito que May e Taylor tiveram com ele, mas sempre faltou aquele brilho que Freddie tinha e que dava pro Queen; algo que Rodgers nunca iria ter nenhum pedacinho e naturalmente Adam pra mim nunca iria ter até fazer esse mea culpa

O "pop" significa ser "popular" e esse é o principal ensinamento que posso dar hoje. O gênero deu ao Queen todo o reconhecimento e a segurança de seguir qualquer caminho que ele quisessem seguir. É como se a banda tivesse ficado tão grande a ponto de não caber no rock que foi preciso fazer seu próprio estilo. E o Queen sempre foi uma banda do rock. Mas com seu nome solidificado nesse gênero, o pop só serviu para aumentar a zilhões de níveis a mais aquilo que Freddie mais sabia ser: performático. Ele era o show, ele sabia ser O show, justamente tudo e mais um pouco que falta hoje em dia.

Freddie Mercury é e sempre será a voz absoluta do que entendemos por rock n' roll. Em outras palavras, simplesmente foi o homem que com sua voz, seu talento, e seu carisma impressionante (se formos pensar que ele foi uma das pessoas mais tímidas que se teve notícia), foi capaz de transitar com total segurança entre o rock n' roll e o pop; sim, o pop que pra mim e pra você é útil somente para validar uma banda ou cantor de vendida, de descartável, como uma Britney Spears ou o Restart das vidas. Mas o Queen é justamente tão interessante por isso, Freddie era. 

A pressão é naturalmente enorme, afinal estar na mesma posição do palco que Freddie estaria é uma cobrança e tanto, são compreensíveis os temores da reunião que virá aqui pro Rock In Rio este ano. Mas por outro lado se pensarmos bem, a rejeição com o cara não é um tipo de preconceito bobo por ele ter vindo de um famigerado reality show?

Bom, Dave Grohl tem a opinião (de que concordo) de que não se ensina música e que a ideia de um empresário "zilionário" ficar sentado julgando as pessoas de boas ou ruins no que fazem não é nem um pouco útil. Mas recuperando o assunto do começo do texto, é interessante que esses mesmos reality shows bem ou mal acabam por revelar e mostrar ao mundo de que tem muito talento espalhado por aí. É só ver as apresentações do jovem Adam pra perceber que realmente ele tinha algo especial consigo, e foi ver um show dele com o Queen tive que reconhecer como foi justa a sua escolha pro tão pesado "cargo" que ele teve que assumir. 

Sou um fã do Queen, e fico feliz a cada vez que um clássico do grupo é tocado como todo mundo nos karaokês da vida. Com certeza May e Taylor sabem bem o que significa esse sentimento e acho que por esse motivo eles fazem tais reuniões e nunca deixam de tocar essas músicas. É dar vida a música que Freddie deixou.

Dizem também que o Queen desde a morte do Freddie se tornou um cover de si mesmo, o que não deixa de ter sua ponta de verdade, mas no meu ponto de vista somente Adam Lambert ao lado de George Micheal souberam representar Freddie no seu melhor que trazia consigo: o poder de com sua voz ser o show, E por mais lúdico e exagerado que pareça, eu senti um pouco do Freddie ali no palco com Adam, no seu lado performático que ele tinha e na sua voz rasgada e grave. Me emocionei e me arrepiei com o "Somebody To Love" - felizmente não de frio.


Tive que fazer o mea culpa.

A melhor versão de Sweet Child O' Mine que você verá hoje!

Já postei aqui no Descafeinado muitas versões de clássicos de rock feitos com diversos instrumentos, na rua e em estúdios, mas confesso que nunca antes tinha ficado tão impressionado com algum vídeo musical.

Esse fantástico momento é proporcionado pelo italiano Lucas Stricagnoli que toca o clássico absoluto do Guns n' Roses não com um, mas com dois violões. Bom, ele é tão habilidoso com seus dedos que parece até mentira e até Slash aplaudiria de pé, sem dúvida. Confira:

Porque Dave Grohl é o novo rei do rock?

Creio que é consenso comum que nunca haverá um novo Micheal Jackson, um novo Hitchcock, um novo Gabriel Garcia Marquez, ou um novo Elvis. Citei alguns exemplos e também creio que mentalmente você já fez uma lista de vários outros artistas, cineastas e escritores que poderiam figurar nesse mesmo hall imortal da cultura pop. Os citei porque todos têm uma coisa bem forte em comum: são únicos. E para exemplificar esse status, o Led Zeppelin tem uma biografia chamada "Quando os Gigantes Caminharam Sobre a Terra", acho que nenhum título define melhor o que estes artistas significaram para a sua geração, concorda?

Hoje em dia com a internet e todo aquele blá blá blá interminável das redes sociais e das câmeras que estão a cada esquina, hoje é tão fácil se tornar um "talentoso mais um" do que antigamente, assim penso que é para o cinema quanto para a música. É um em um milhão que se destaca, e acho que nesse mundo que podemos ver tudo e todos isso fica bem mais claro.

É preciso se esforçar para encontrar um deus consensual entre todos os amantes da música. Podemos citar quem? Madonna, Lemmy, quem mais? É consenso que todos aqueles grandes artistas em que pensamos de primeira são de décadas passadas, portanto, a rigor não são da nova geração. Mas e Dave Grohl? Nem ele é, cara. Calma, não mesmo. Mas pra mim ao menos há alguns bons motivos para entender porque ele desponta como aquele único cara de atitude verdadeiramente rock n' roll, provavelmente, o último cara legal que se divirta essencialmente com o que faz.


Mês passado, mais precisamente no dia dos namorados (12), Dave levou um baita tombo durante um show na Suécia e acabou quebrando a perna. O que seria motivo de muitos artistas (e na verdade qualquer ser comum) cancelarem sua apresentação num motivo óbvio e compreensível, Dave assim que levou o tombo declarou: “Eu acho que realmente quebrei a perna! Então prestem atenção: vocês têm a minha palavra de que o Foo Fighters vai voltar e terminar o show, mas agora, vou ao hospital consertar minha perna. Porém, depois voltaremos e tocaremos para vocês de novo!”. 

Dito e feito, Dave voltou a tocar com a banda mesmo com a perna engessada (e uma bela dose de analgésico) pra alegria dos fãs, esses que mais tarde souberam que Dave nem foi ao hospital! Badass total com uma dose de adrenalina!

Bom, quase um mês se passou, e Dave profundamente irritado por ter que cancelar parte da turnê da banda, contrariou qualquer tipo de ordem médica para aparecer ontem junto Foo Fighters em um show sentado em um digníssimo trono à lá Game of Thrones que faria inveja a qualquer artista do mundo. 


Durante o show Dave revelou que ele mesmo desenhou o trono enquanto esteva "chapado" de anestésicos e que a equipe da banda foi a responsável oor montá-lo. Com direito a lasers, braços de guitarras, banqueta de amplificador e o logo do Foo Fighters atrás dele, você imagina uma forma mais épica de tocar sentado?

Dave sabe quem escolher pro seu time

Quando um artista ou banda chegam ao estrelato de um sucesso comercial consolidado é comum vermos um tributo deste artista ou banda a quem ajudou a moldar a sua própria música, estes que são chamados "tributos". Mas Dave Grohl resolveu fazer de forma BEM diferente.

A paixão do vocalista e ex-baterista do Nirvana pelo heavy metal pode não ser evidente, já que este trilhou sua fama pelos caminhos alternativos do rock. Mas Dave, que já de tempos em tempos aproveita para relembrar como é a sensação de segurar as baquetas tocando junto com um Queens of the Stone Age e mesmo em seus shows onde acaba trocando de posto com o batera Taylor Hawkins, resolveu usar toda sua influência não para apenas coverizar as músicas que ele curtia, mas montando um projeto chamado Probot em que ele não só tocou todos os instrumentos, mas participou de toda a criação musical juntamente com os vocalista que ele tanto admira! Tem algo mais foda que tocar com seus heróis?

Em treze faixas do mais puro heavy meta, temos as ilustres participações vocais de Lemmy Kilmister (Motörhead), Max Cavalera (Soulfly), King Diamond, Cronos (Venom), do guitarrista Kim Thayil (Soundgarden) e tantos outros. Enfim, é um álbum que não pode faltar em sua prateleira se você curte heavy metal.



Imagina só, você está sentado em uma pizzaria e nada menos que o Foo Fighters começa a tocar na sua frente do nada? Qual seria sua reação? Se sua reação é gritar e chorar, então dê um abraço!

Essa situação bizarra e surpreendente aconteceu no ano retrasado em uma pizzaria na Califórnia dias antes de a banda voltar em turnê. Aí eu te pergunto (voz de Marcelo Rezende) que artista seria capaz de tal proeza?

Dave é o cara mais bondoso que você irá conhecer


No ínicio desse ano, mais precisamente em março, Dave deu um grande passo rumo ao céu. 

Do outro lado do mundo, Dave atendeu a um pedido de um fã com um estado de câncer terminal que simplesmente queria conhecer o grupo antes de bater as botas. Resultado? Dave ficou sabendo do pedido através de uma comissária de bordo amiga do paciente e comovido, o enviou ingressos VIP para um show que a banda fará em Los Angeles. Legal né?

E o mais importante, Dave não ficou na sombra de ninguém

E essa é uma opinião minha. Quando Kurt Cobain se suicidou, era muito óbvio alguém imaginar que a longo prazo os ex-integrantes da banda, Kurt e Novoselic, ficariam a sombra das glórias que celebraram junto ao Kurt e do Nirvana. O que é até midiático, pois se hoje existem ex-BBBs (e que somente passaram a ser supostamente conhecidos assim como se fosse um título de "Dr."), é natural a gente e todo mundo se referir a alguém que participou de algo que acabou omo "ex". Uns se soltam dessas amarras como a atriz Grazi Massafera e o próprio Dave que formou a própria banda, e outros se negam, tornando imitações de si mesmos como Paul D'ianno (ex-vocalista do Iron Maiden) e 99% dos BBB's que surgiram e vão surgir.

A comparação soa esdruxula, mas ela faz sentido se você botar a caixola pra funcionar. Em suma, é preciso talento, criatividade e força de vontade para superar um passado bem sucedido e acho que essa é uma lição que vale pra todos nós. Dave superou a trágica morte de seu (nem tanto) amigo Kurt e seguiu em frente. E mais importante, cresceu com a música e com a vida. Se tornou um ótimo e completo músico que sabe muito bem obrigado o quanto ele é carismático e o quanto sua imagem representa hoje pra música e pra essa geração tão sem atitude que ele mesmo admite ver.

Como um bom brasileiro (mentira isso), sabendo que não era impossível ele foi lá e fez.
(..)

Bom, após tudo o que eu disse, se você conhece outra pessoa digna de ser "badass" faça o favor de me apresentar, ok?