Resenha Série: The Walking Dead (5ª Temporada)

The Walking Dead foi a série responsável por transportar a moda dos zumbis dos cinemas para a televisão definitivamente, no entanto, em todos esses 5 anos de exibição da série de "Rick and Friends", ela sofria de uma inconstância latente alternando episódios que eram fundamentais a trama e outros em que apenas eram pra encher linguiça. E um bom exemplo é a primeira temporada que graças a greve dos roteiristas teve apenas 6 episódios e para muitos (inclusive para este que vos fala) foi a melhor de toda a série.

Daí pela frente os altos e baixos foram uma constante - o que para muitos foi causada pela saída de Frank Darabont da direção -, e em que passamos pela fazenda de Hershel (que trouxe os momentos mais tediosos da série), e pela da saga do Governador, que apesar de ter durado praticamente três temporadas culminando na morte do velhinho que citei, não desenvolveu o personagem como deveria o transformando apenas em mero vilão no embate contra o mocinho Rick e nos trouxe uma season finale bem fraquinha na quarta temporada.

A ideia da série é ser não só uma série de zumbis e sim ser focada no drama humano de sobreviver em meio a aquele apocalipse, portanto entendia que TWD nunca poderia ser reduzida a um mero tiroteio. No entanto, o embate decepcionante entre Rick e o Governador nos trouxe algo importante deixando claro pra ele e pra nós de que os zumbis não são a ameaça, e sim os próprios humanos (sempre eles), o que trouxe a série o contexto da reinserção gradual da ideia da civilização e seus velhos questionamentos sobre moral e governança ao invés da mera sobrevivência.

A morte sempre rondou o grupo de Rick, que desde Shane, seu até então melhor amigo, foi obrigado a entender da pior forma possível que somente os mais fortes sobrevivem, Sendo assim a luta de Rick é sempre alimentar a esperança de alguma forma em favor de sua família que ainda restava representada pelo filhos Carl e a ainda bebê Judith, levando seu grupo a inverter o espaço de uma prisão para chamar de casa e a tentar viver em uma comunidade novamente em Woodbury. O mistério de Terminus ao final da quarta temporada e a vaga esperança no Hospital já na quinta temporada e que culminou na morte de Beth Greene, poderiam ser esses lugares, mas como sempre o grupo de Rick foi obrigado a lutar seguidamente por sua sobrevivência. Essas seguidas decepções não só aumentaram a desconfiança de Rick na humanidade que ainda restava nele próprio e no mundo, mas cansava a ele e a todos do grupo que em todo esse tempo se viram a um triz da morte.

Basicamente metade da quinta temporada nos fala sobre essa exaustão psicológica e a outra metade sobre a nova esperança que somos levados a crer em Alexandria. Aliado a tentativa de se reinserir novamente no que chamamos de sociedade, Alexandria como sociedade acaba incluindo todas as mentiras, sorrisos falsos e assuntos que somos obrigados a ouvir na vida e isso é algo que não faz mais parte desse novo mundo - a olhada no espelho de Rick após fazer a barba (tava parecendo um mendigo) é emblemática nessa questão. O grupo passa por um processo de um presidiário ou ex-combatente de guerra que anos depois é obrigado a agir como se tudo daquilo pudesse ser reduzido a pequenos fragmentos de histórias, sempre deixando a pulga atrás da orelha, tanto ao grupo e ainda mais a quem assiste. Somos pessimistas por natureza, e como disse, a série nos ensinou que é quase impossível confiar nos humanos. O mundo apocalíptico ao mesmo tempo em que anula as diferenças, as acentua, e ao final da temporada em Alexandria entendemos bem o porque da a frase "the world gonna need Rick Grimes" que parecia somente ser um traço de liderança reforçado na mid season.

As mortes e os embates contra os zumbis deixaram de ser um pouco o foco da série pra ser o algo a mais, aquilo que estava no DNA de TWD desde o começo que era se focar no drama humano ao invés dos zumbis lembra? A quinta temporada nos trouxe aquele sentimento de apego por cada personagem, principalmente pelos que foram mortos (até pela Beth olha só), e cada um dos personagens do grupo acentuaram seus traços de personalidade levando os conflitos de ideias serem mais debatidas em Alexandria. O cansaço da vida moribunda que o grupo vivia reflete na liderança de Rick, no sentimentalismo da Michonne que passa a ser o alicerce moral de Rick, no traço badass que passamos a conhecer em Carol, em Abraham que vê aquele lugar como a substituição de Washington, no amadurecimento cada vez maior de Glenn que também se transforma no alicerce moral de Rick, e até no "selvagem" Daryl que acaba reencontrando um pouco da sua humanidade ao mesmo tempo em que desconfia de todo aquele lugar.

Com diálogos marcantes (como aquele entre Glenn e Rick "não me sinto como eles" "mas somos eles!"), reflexo do psicológico do grupo e da vontade de vencer a desconfiança e permanecer em um lugar, somos introduzidos a novos personagens como o durão Abraham, ao projeto de Sheldon Eugene (provando que até os nerds sobrevivem), ao misterioso padre Gabriel, e a Noah (eterno Chris) que tem a morte mais gore de toda a série levando os fãs de George Romero a loucura.

Ao contrário de outras temporadas o desenvolvimento dos personagens e o roteiro bem amarrado foram trazidos pra série e muito bem vindos. Em outras palavras, TWD perdeu aquela "gordura" dos episódios que davam a sensação de apenas contar o "dia seguinte" do grupo, e para quem viu Breaking Bad sabe muito bem como é perfeitamente possível cada episódio ser muito bem amarrado no seguinte sendo fundamental para elucidar a trama. A série conseguiu isso na quinta temporada, finalmente conquistando em mim aquele sentimento de algo a mais que faltava em toda temporada da série e que ano a ano a assistia esperando isso acontecer.

E não, não sei o que significa os Wolves e muito menos o que o retorno de Morgan trará na trama, só sei que esses acontecimentos levarão a destruição de Alexandria, ao confronto, e ao possível retorno de Rick e sua turma a batalha diária de sobrevivência - algo que não é muito difícil de já compreender. Bom, TWD precisava "virar a chave", o cansaço do grupo de Rick era também de espectador que já não aguentava mais o embate deles com os zumbis, no entanto, isso mudou na quinta temporada dando a série a profundidade da trama que muitas vezes faltava a ela. Resta saber se a série agora na quinta temporada saberá manter isso.

Abertura dos Simpsons em versão de Heavy Metal

Os Simpsons talvez sejam a série mais emblemática da TV, são 26 temporadas que representam o universo mais rico e de mais referências da história; e tanto quanto é impossível não ter dado longas risadas com a burrice de Homer, é de se louvar que mesmo que a série animada não tenha mais o mesmo brilho de outrora, ainda seja capaz de mexer tão habilmente entre assuntos tão infantis até os mais críticos e ácidos sem nunca perder o bom humor contido em tudo isso. Oras, o bom humor pra dar graça as idiotices da vida estão conosco durante toda a nossa reles existência, e acho que Homer, Marge, Lisa, Bart e Meggie estão ainda por aí justamente pra nos lembrar disso.

É muito foda quando se juntam a nostalgia e seu estilo musical preferido e ainda mais tão bem feito dessa forma que o 331Erock foi capaz de fazer:

Tirinhas da Semana #217

Entre polêmicas dos beijos de duas velhas em plena novela das oito, entre a discussão se quem vai sair da casa e voltar pro trabalho é Adrilles ou César (eliminaria o primeiro só pelo nome feio), entre o feminismo ativista de peitos murchos de fora e pelos na axila, entre a magreza e o impeachment da Dilma, e entre o final de The Walking Dead e a pirataria; vamos nos concentrar nas tirinhas da semana, depois pensamos no resto...















O que passa pelos meus fones #95 - Matanza

A banda nacional mais casca grossa atualmente é o Matanza. Falem bem ou falem mal da banda, atualmente é a única que consegue reproduzir um som competentíssimo que mistura country, rock n' roll, punk e hardcore como nenhuma outra aqui no Brasil.

A banda carioca que tem o barbudo gigante Jimmy London como vocalista, retorna aos novos trabalhos depois do lançamento do "Odiosa Natureza Humana" de 2011 que eu pessoalmente não curti tanto assim.

O primeiro single do novo álbum "Pior Cenário Possível" com lançamento programado para 14 de abril, é chamada "A Sua Assinatura", e a primeira impressão que tenho é que ela tem um refrão bem fraquinho comparada a tantas outras canções, foi uma escolha errada pra um single. Torço para que o álbum aplaque essa primeira não tão boa impressão.

Torço pra que eles voltem a época da fábrica de hits do passado como "Meio Psicopata", "Interceptor V6", "Eu Não Gosto de Ninguém", "Pé Na Porta e Soco na Cara", "Maldito Hippie Sujo", "Bom é Quando Faz Mal", "Clube dos Canalhas" e tantas outras...

Os deuses não são imortais e com eles vai embora um pedacinho do rock também...


Às vésperas de tocar no festival Monsters of Rock que acontecerá aqui em São Paulo no mês que vem, hoje o vocalista e baixista da lendária banda britânica Motorhead, Lemmy Kilmister, publicou um vídeo em sua página oficial no Facebook dando um alô para os fãs brasileiros que aguardam ansiosamente mais um desembarque da banda nas terras tupiniquins, país em que eles adoram e tocaram inúmeras vezes inclusive:


Lemmy como sempre foi simpático, mas de primeira nota-se que ele está com uma feição bem mais abatida e com as mãos trêmulas em quase todo o vídeo e em que parecia segurar uma mão na outra pra deixar isso menos perceptível. Mas depois de se assustar com sua situação comparando com a foto lá em cima, vale uma lembrança sobre as últimas notícias em relação a sua saúde:

Não é de hoje que Lemmy vem enfrentando problemas com sua saúde. Desde 2013 quando a diabetes foi diagnosticada, o Motorhead vem cancelando turnês por causa das repentinas internações de seu vocalista em virtude de seu tratamento, Já até mataram o setentão na internet (algo que até Dave Grohl já sofreu), mas apesar de seus recentes contratempos, Lemmy vem cumprindo quando possível as turnês com o Motorhead e inclusive confirmando a sua vinda ao Brasil.

Mais importante do que sua saúde, é pertinente a lembrança de que os nossos heróis estão envelhecendo. Dio já se foi, Jon Lord e Lou Reed também, Tony Iommi está com câncer como os dois primeiros, Ozzy paga a conta pelos seus abusos ao longo dos anos, logo mais o Deep Purple e Iron Maiden estão indo embora, os Rolling Stones sabe lá como ainda permanecem por aqui, Bob Dylan e David Bowie envelhecem bem escondidos, e o Metallica apesar de ter muito pela frente, como tantos outros já convive com a perda e esbranquiçamento de seus cabelos... Dá um aperto no coração só de pensar na história que anda na iminência de nos deixar. Pois é, vamos aproveitar enquanto ainda é tempo.

Mas antes de nos lamentarmos por tudo isso, é bom lembrarmos que ninguém é imortal e cedo ou tarde todos morrem, eu e você, claro; portanto os quase septuagenários que nós tanto amamos um dia irão nos deixar, e no caso de Lemmy, a vida de excessos paga a sua conta. Nem os deuses são imortais e ainda temos muita sorte de termos Lemmy e tantos outros velhinhos entre nós. Acho que o rock n' roll, como a cerveja provoca a longevidade. =D

Porém, é pertinente a velha pergunta: "o rock está morrendo?". Não. Na minha opinião o rock pode até definhar, mas ele nunca morrerá por causa das lembranças de seus fãs e através da própria música que é imortal por si só, contudo, a pergunta é recorrente porque não é de hoje que o gênero sofre pra encontrar possíveis ídolos. Hoje o símbolo de rebeldia é pichar muros e dar murros em paparazzi e isso é um misto de moda, das rádios, e do próprio talento ou falta dele. É muito estrelismo pra pouca música em muitos casos e falo isso pelo rock e até pelo pop em geral. 

Obviamente cada um tem seu gosto e discutir isso é tão inútil quanto enxugar gelo, mas pra mim a quantidade nunca implícita em qualidade, e a internet deu tanta quantidade que diminuiu a capacidade das gravadoras selecionar e lapidar melhor a qualidade das músicas e do rock que você escuta. Oras, a nova geração nem suporta escutar uma música inteira muitas vezes. A mentalidade é completamente diferente e hoje a tentativa é de ser tão diferente e único que muitas vezes escuto um rock que é incompreensível aos meus ouvidos. Será que ando velho? 

Por isso penso que Lemmy não só é insubstituível porque personalidades como ele são insubstituíveis, mas porque o mundo não é capaz de nem proporcionar uma tentativa sequer. Tanto quanto a internet nos abriu um leque de possibilidades gigantesco em relação a música e a termos um controle sobre ela da qual nunca tivemos, é fato de que de também a internet aumentou o volume da frase "no meu tempo o rock era melhor", e por isso lamentamos tanto a perda de nosso ídolos pois não vemos nem sembra da substituição deles. Entende o que quero dizer? 

Apesar de todos os contratempos e questionamentos, o rock n' roll anda escondido, a moda o escondeu e é difícil de encontrar, mas tal qual uma rochosa montanha no meio da tempestade de neve, o rock está ali firme e forte. Assim como Lemmy. E o fato é que o velhinho sobe no palco, grita "We Are Motohead, We Play Rock n' Roll", e mesmo doente ainda é capaz de botar o seu público ainda no bolso; algo que artistas que nem tem a metade da idade dele não conseguem. =)

Pouquíssimas bandas conseguiram unir o metal, o punk e o rock num só. Acho que isso só vai acontecer uma vez e coube ao Motorhead a proeza. Eles já estão na história independentemente do que faça, de quantos shows faça, e de como o Lemmy está. Já li por aí comentários dizendo pra ele sair por cima. Que absurdo. Sair por cima? Só em cima do palco! A hora agora é de fazermos uma corrente de boas vibrações para ele e dizer que tudo isso irá passar, como todos dizem, mas também desde hoje vamos agradecer por tudo que ele fez ao rock n' roll pois isso suga uns belos anos de vitalidade. Ah sim. 

E o console mais resistente de todos os tempos é...

ATENÇÃO! ESTE POST CONTÉM CENAS FORTES!

Aqui não estamos falando daqueles meros acidentes domésticos de casa, como da sua mãe que deixa cair o controle, do seu gato que deixa cair um vaso de água por cima do console, ou de qualquer habitante que passa pelo meio da sala e tropeça no fio puxando controle e tudo mais lhe causando um ataque um ataque de fúria. Coube ao pessoal da Wired a mórbida curiosidade da resposta da pergunta que ninguém fez: qual o console mais resistente já fabricado?

Obviamente que eles com o pouco de sanidade que ainda resta (e pena também) pularam a geração do Atari e Nintendinho e fizeram a partir daí a batalha de gerações. Basicamente eles largaram os consoles de uma altura de uns 4 metros meio, do Super NES ao Playstation 3, com o final reunindo os vencedores de cada teste.

Não foi nada surpreendente os primeiros resultados, mas em contrapartida o final da destruição sim. Ao mesmo tempo em que chorava e torcia pelo Nintendo 64 (eita console indestrutível), o finado (ironia) console da Sega foi o único sobrevivente!


No entanto se você é uma pessoa mais atualizadinha, tivemos a batalha do Playstation 4 contra o Xbox One fazendo ataques cardíacos se multiplicarem nas redondezas, e bolsos brazucas doerem por aí.


Obviamente são testes tão extremos quanto malucos pois creio que seu console nunca estará a 4 metro e meio de altura, no entanto, é bom saber que se sua namorada ameaçar tacar o console na sua cabeça, saiba que a dor do impacto será maior no console...

Resenha Cinema: Kingsman - Serviço Secreto

Me lembro como ontem de tantas e tantas tardes sentado em frente ao sofá vendo a Sessão da Tarde, mas ironicamente não era como uma religião, eu não assistia na maioria das vezes porque realmente queria, mas porque sabia que naquele horário iria passar algo que me fizesse sentar e parar pra ver. Posso não ter visto todos os filmes que marcaram um e outro naquela época, mas temos um fato em comum: aquele tempo marcou nossa vida.

Os filmes da nossa infância, sejam eles ruins ou bons na vista do olho crítico, tem em comum uma sensação que poucas vezes nos é trazida novamente: a nostalgia, a repetição, a marca registrada. Entende o que quero dizer? Nos divertíamos assistindo aqueles filmes e os atores pareciam que estavam se divertindo atuando lá no outro lado. E agora já adulto e com o olhar crítico que adquiri e que muitas vezes não deixa desligar o meu cérebro, fui ao cinema ver "Kingsman - Serviço Secreto" e tive essa sensação de volta depois de tantos e tantos anos, e o melhor, eu não precisei desligar o cérebro em nenhum momento. Melhor, meu cérebro explodiu! Conte nos dedos as vezes em que você teve essa oportunidade. Garanto que não você não enche a mão.

Quando Harry Hart (Colin Firth) foi salvo de uma explosão pelo pai de Eggsy a muitos anos atrás em uma missão secreta, deu a Eggsy ainda criança uma lembrança de agradecimento: um colar, para que Eggsy quando se encontrasse em problemas o usasse para chama-lo, Porém, a fatalidade da morte de seu pai devastou a família de Eggsy e nada seria suficiente para mudar esse futuro, tanto que hoje na adolescência ele vive numa pensão com a mãe beberrona e depressiva casada com um homem violento e marginal. 

Garoto rebelde e esperto, Eggsy vive nas ruas da Inglaterra entre gangues e roubos, e numa dessas desventuras, Egssy é pego pela polícia e quando se vê numa enrascada que envolvia a proteção de sua mãe e anos de prisão, ele resolve finalmente usar seu colar a fim de que alguém o resgatasse, como Harry ensinou a tantos anos atrás. Para a sua surpresa, instantaneamente ele é libertado da cadeia pelo elegante e discreto agente Galahad ou Harry Hart, que vendo potencial no garoto, o resolve convidar Eggsy a ingressar na "Kingsman", a agência supersecreta a serviço do Reino Unido que ele presta seus serviços e a que seu pai trabalhava. 

Nesse meio tempo, o vilão e gênio da tecnologia Richmond Valentine (Samuel L. Jackson vai colocando em prática seu plano que dizimará (de forma bem bizarra) metade da população do planeta com a desculpa de salvar o planeta em que vivemos, e cabe a agência Kingsman a salvação do mundo. 

Assumindo um tom mais sério e didático no começo a partir do momento em que Eggsy ingressa no treinamento, com um bom humor vamos assistindo e nos apegando ao esforço de Eggsy para se tornar um agente secreto. E é a partir daí que "Kinsgman" se torna o melhor da mais pura fanfarronice, comédia e ação. 

Samuel L. Jackson está realmente impagável como o vilão megalomaníaco e da língua presa Richmond Valentine, talvez ele é o principal causador de risadas do filme com seu jeitão ameaçador e largadão de ser, aliás ele tem a capanga mais estilosa e mortal dos últimos tempos capaz de dar um frio na espinha a cada vez que ela revela suas armas. E Colin Firth como o agente Galahad chuta mais bundas do que eu poderia imaginar. O almofadinha Firth prova aqui que foi a escolha perfeita para o papel, apenas ele seria capaz de dar toda a leveza de um agente secreto que sabe bater com a elegância necessária de um bom inglês.

Pode não parecer com o vilão e o herói roubando a cena, mas Eggsy na pele do desconhecido e jovem Taron Egerton é o personagem principal. Seu personagem não é capaz de sobressair no filme de cara, contudo, seu papel é fundamental no desenvolvimento da trama, mas com competência e carisma, Taron encarnou o rebelde e molecão Eggsy na sua jornada para se tornar agente da "Kinsgman". No final das contas, não existiria a "Kingsman" sem ele, e claro, também aproveitou pra ficar com a garota no final como o velho James Bond faria. ;)

Para quem não sabe (inclusive eu), "Kingsman" é uma série de HQs de Dave Gibbons e Mark Millar lançadas em 2012 e 2013 apenas nos EUA e que é inédita aqui no Brasil (até agora), e sua adaptação tem de tudo para quem quer um cinema pipoca. Ela é lotada de cenas estilosas, personagens bem construídos, lutas muito bem coreografadas, e de cenas absurdas e sangrentas que fariam Quentin Tarantino se orgulhar.

O filme também é muito bem dirigido por Vaughn, especialmente nas sequências de pancadaria, com belos closes e quebras de câmera, capazes de nos dar a real sensação de dor da cena ao mesmo tempo em que nem nos incomodávamos com isso, ao contrário de tantas outras produções do gênero (quem lembrou da vertigem de "Quantum Of Solace" levanta a mão). A cena totalmente sem noção da igreja exemplifica bem, aliás, ela já valia o ingresso com o melhor uso da "Free Bird" de todos os tempos!

Vaughn acertou na mosca em deixar "Kingsman" o mais exagerado possível como um bom filme de ação e espionagem deve ser, porém sem nunca cair ridículo, suficiente para nos trazer todas aquelas lembranças que faltam no cinema atual da despreocupação aliada a um bom roteiro. Cheiro de anos 80 e 90 saca? Indo bem ao contrário dos filmes de James Bond, Jason Bourne, Jack Bauer, Ethan Hunt e cia que são legal pacas, mas não trazem o que "Kingsman" trouxe ao gênero: a capacidade de rir de si mesmo. E uma prova de que o mundo da espionagem que girava apenas entre esses nomes, ainda tem muito a dar ao cinema.

Enfim, poderia enumerar várias cenas em que dei gargalhadas com esse filme ou que simplesmente levantei da cadeira e gritei "hell yeah" mentalmente como a muito tempo não fiz. Literalmente minha cabeça explodiu com esse filme e se você adora esse tipo de filme descompromissado, vai explodir a sua também! 

Como Batman e o Super-Homem se divertem

Porque esse lance de salvar o mundo toda hora enche o saco...


Se meu gato visse dois laseres no chão acho que ele tinha um infarto.


O que passa pelos meus fones #94 - Muse

Uma das bandas mais inventivas da última década (e a melhor banda vinda da Inglaterra nos últimos tempos na minha humilde opinião), o Muse finalmente divulgou o seu primeiro lyric video de uma faixa de seu novo álbum que será chamado "Drones" e que já tem data de lançamento marcada para dia 8 de junho de 2015. Marque na sua agenda!

O primeiro single se chama "Psycho", e para apresentar o novo álbum ao mundo o Muse escolheu a faixa de mais fácil assimilação possível, a música é um rock n' roll simples e direto tendo mais uma vez Matthew Bellamy arrasando na guitarra e nos vocais. Porém como se trata de Muse, nunca pode se julgar um álbum pela primeira música...

"your ass belongs to me now"



O que passa pelos meus fones #93 - AC/DC

Primeiramente, "Rock or Bust" é o melhor álbum do AC/DC lançado em muitos anos. Se aqui no Brasil com a economia em frangalhos, empregos em queda e preços subindo, o governo daqui não mostra a mínima força pra reagir, o AC/DC foi pelo caminho totalmente contrário. A demência diagnosticada de Malcolm Young e as aventuras com a polícia do baterista Phil Rudd que abalariam qualquer banda, não foram capazes de abalar Angus Young e cia, pelo contrário, como disse na resenha que fiz do álbum, isso só deu mais força pra banda mais uma vez se reinventar sem sair do lugar comum que cabe ao AC/DC. Mais uma vez para a nossa alegria.

O clipe de "Rock The Blues Away" é o segundo lançado e o primeiro já com a inclusão oficial do velho conhecido baterista Cliff Williams na banda. Bom, o clipe nada mais é do que a banda curtindo sua música com seu público fiel, precisa de mais algo?

Você já deve ter ouvido a música, mas sempre vale a pena escutar de novo!

Resenha Filme: Operação Big Hero

Em 2009 a Disney comprou a combalida Marvel por US$ 4 bilhões, nessa época a editora vivia os primeiros anseios no mundo cinematográfico que conhecemos tão bem e a Disney além de querer dominar o mundo sabia muito bem o potencial do que estava se envolvendo. Ao contrário do que muitos pensavam de que veríamos com a compra Mickey ao lado do Homem-Aranha, a empresa, a exemplo da Pixar, soube dar total liberdade criativa a editora e ao estúdio, como relacionando personagens e vendas de franquias como o game "Disney Infinity".

Bom, até o final do ano passado a Disney mexeu muito pouco no que a Marvel tinha de bom e que ainda não sabia como mostrar ao público. Foi aí que pela primeira vez as duas compras bilionárias deram o resultado nas telas de cinema que se esperava: a animação "Operação Big Hero", que até então ninguém conhecia mas que conquistou o público e a mim.

Hiro Yamada é um típico adolescente de 13 anos, órfão, que desperdiça sua genialidade apenas fabricando robôs com o intuito de ganhar batalhas e zoar por aí nas ruas. No entanto, seu irmão e tutor Tadashi nunca gostou do perigo que seu irmão se metia com o submundo da cidade. e num desse inúmeros episódios de rebeldia o salva de uma briga. Decidido a mudar o rumo de Hiro, Tadashi o incentiva a visitar o laboratório aonde trabalha com o intuito de fazê-lo se interessar realmente pela robótica como uma profissão.

Como um prodígio que é, ele faz um projeto chamado microbô, um artefato da nano robótica tão revolucionário que o faz ser premiado com o primeiro lugar e conquistar um lugar no laboratório onde seu irmão estuda, algo que Tadashi tanto queria. Mas como sempre algo dá errado, e um incêndio acontece e quando tentava salvar seu professor de dentro do prédio, Tadashi acaba sendo engolido pelas chamas e Hiro tem que aguentar a morte de seu irmão.

Sem caminho e totalmente deprimido em relação ao futuro, Hiro acaba encontrando ajuda no robô inflável de seu irmão chamado Baymax. A função principal do projeto de Tadashi é ajudar os mais necessitados, mas ao ver seus nanobôs sendo roubados e causando um perigo iminente nas mãos erradas, o robô Baymax que está ali só para ajudar, é recrutado por Hiro para salvar a cidade ao lado de seus amigos Go Go Tomago, Fred, Honey Lemon e Wasabi do misterioso homem que está por trás de tudo isso. Em suma, a história se trata de jovens geniais que acabam usando seu talento para salvar o mundo, e isso parece como se Tony Stark fosse pai de todos eles. =D

A história relativamente simples é justamente a maior qualidade da animação. Além da cidade de San Fransókyo ser totalmente condizente com o tema e grandiosa em seus pequenos detalhes, como a tecnologia misturada aos bondes de uma cidade meia steampunk e meia colorida, o design dos personagens tem o toque inconfundível da Disney mas não se relaciona em nenhum momento com Frozen ou qualquer coisa do tipo, tendo tanto um toque ocidental como oriental no traço. O que dá um design final bem bacana e condizente ao filme.

O sentimentalismo é algo bem presente no que se refere a montanha-russa emocional que Hiro passa por toda a história, no entanto, esse mesmo sentimentalismo que poderia ser tratado de uma forma bem piegas por se tratar de uma animação que se direciona ao público infantil, em "Operação Big Hero" é tratado de forma suave, sem insultar o espectador e é dramaticamente perfeita no que se cabe. E sobre isso, a emoção é o principal sentimento que se tem ao final do filme.

Com seu jeito grandão e fofo, ingênuo e insistente por seu um robô, o balãozão branco chamado Baymax rouba totalmente a cena. Como assistente pessoal de saúde que é, ele faz de tudo para ajudar Hiro a superar sua dor ao mesmo temo em que ele não sabe como ajudá-lo. Contudo, Hiro tem em Baymax a única relação que ele tinha com seu irmão ainda vivo, e mesmo afetado pela tristeza e isolado do mundo exterior e de seus amigos, a medida em que a fofura e ingenuidade robótica de Baymax vai aparecendo, Hiro pouco a pouco vai dando o braço a torcer e vê em Baymax aquele que o vai ajudar a superar a perda e a recuperar sua abalada confiança, E é muito bacana ver a evolução da forte amizade entre os dois, não tem como não assistir "Operação Big Hero" e não "adotar" Baymax como seu melhor amigo tanto quanto ele se tornou assim para Hiro.

Desde o começo quando soube que a parceria entre Disney e Marvel iria render o primeiro fruto nas telonas, sabia que sairia coisa boa. De um lado a Marvel tem personagens fortes aliados a um bom roteiro de ação e aventura, e de outro a Disney tem a capacidade de dar carisma a tudo que toca, tem a fantasia e sabe trabalhar bem com as emoções de quem está assistindo. Logo, o resultado não poderia ser outro: sucesso. Terminei o filme plenamente satisfeito com que vi e é difícil que quem tenha visto o filme também não tenha sentido-se assim.

A animação trata a morte, o heroísmo e a vilania sem lições de moral de saída mais simples, sem acelerar e nem diminuir o passo da história com ação, aventura, drama e heroísmo, tudo na medida certa, o que o torna não somente uma animação para crianças, mas em uma animação direcionada também para adultos que curtem um filme divertido para se assistir, e esse é um caminho que felizmente outras animações vêm seguindo.

E sim, Stan Lee como em um bom filme da Marvel, aparece aqui para fazer sua pontinha. =D

Se eu fosse a Dilma pedia pra sair, no próximo dia 15


Entendo que um povo sem acesso a educação e a cultura é um povo controlável e isso é tudo que a maioria da "classe média" protestante não é e não quer ser; algo muito conveniente para um partido que namora o poder a tantos anos tentar diminuir.

Os protestos de domingo surpreenderam muita gente (inclusive a mim) pela paz e o governo pelo tamanho, e a consequência direta que se vê é que o governo petista tem o irritante talento de justificar o bloco separatista que vemos por aí, principalmente quando Miguel Rosetto diz naquela noite que a massa protestante é somente o pessoal que não votou na Dilma - ou forma mais educada para dizer que foi a "burguesia".

Nunca fui simpatizante do petismo, mas sei reconhecer que Lula foi um bom presidente. Já Dilma não, e seu partido se provou ao logo dos tempos que também não.

O Brasil tem uma democracia jovem e ao longo de sua história teve poucos movimentos que exerceram essa democracia. Diretas Já nos anos 80, Caras Pintadas nos anos 90, Jornadas de Junho em 2013. Todos tiveram intervalos de 10 anos mais ou menos, mas isso mudou, fazem apenas dois anos que o povo invadiu às ruas.

Entendo que quando um presidente sofre com protestos e pedidos de impeachment é motivo para ele ter vergonha na cara e se retirar, já que ele não sabe exercer o poder de "unir seu país" e creio que o papel de um estadista seja esse. E Lula por mais que desagradasse a sua fiel oposição, bem ou mal, há de se reconhecer que conseguiu atingir esse objetivo.

Mas Dilma nunca. Dilma não é carismática e passa até certa arrogância nas suas dezenas de declarações quando sempre diz que está tudo bem como uma mãe conciliadora - é só ver que ela colocou dois "capangas" naquela noite de domingo para fazer um pífio balanço em vez de ela mesma ter coragem de ficar por trás do palanque... O fato é que pouco a pouco as "conquistas" sociais do petismo se ruíram, e numa combinação de fatos externos e falta de habilidade política da "presidenta" ela conseguiu ser eleita numa base de promessas que são totalmente contrárias ao que se ouviu em sua campanha. Foi o que aconteceu quando a Dilma fez seu pronunciamento para o dia das mulheres no dia 8, parece que foi proposital para desonrar a data. Os xingamentos de vaca, piranha e etc eram justificáveis, afinal, além de mais uma vez creditar a "turbulência" a crise internacional como já se ouviu em outras vezes, ela pediu paciência a um povo que não tinha e irritação que se sobrava na boca de cada um. Essa foi a deixa para se queimar de vez no fogo que brincava, e seu pedido foi atendido.

Como disse no outro texto que fiz sobre este tema, o impeachment é um fato praticamente impossível de acontecer e isso não resolveria os problemas que temos - como também não resolveria um golpe de estado que os lunáticos tanto adoram defender. Porém, há também de se reconhecer que por mais que essa não seja a saída correta, é a que acaba sendo a mais simples de se pensar pois além se tratar de uma ação que realmente mexe com as estruturas da democracia com M maiúsculo, se trata de uma corrente contra uma presidente que na sua fraqueza, não admite erro algum e reza de pé juntos para que a economia melhore em 2016 para deixar de ser vidraça.

Ao contrário do que vimos em 2013, os protestos desse último domingo foram bem mais polarizados e não um amontoado de insatisfações que virou bagunça na ocasião, e é um erro tremendo que, covardemente, a presidenta e seus ministros diminuam tanto os atos como se sua base de eleitores ainda fosse a larga maioria. Não é mais a muito tempo. Soa até como arrogância toda vez o partido levantar o assunto da reforma política como suposta solução para silenciar os irritados. Como recado: para tranquilizar-los, tenho quase que certeza de que o povo não quer o impeachment da sua presidenta; só estão com o saco tão cheio de toda a classe que está prestes a explodir e daí só essa deposição para mexer com o sistema político como deve ser feito,

Nas últimas eleições eu votei nulo, e não por campanha ou por alguma espécie ideologia anarquista, mas porque tal qual tantos milhões de brasileiros me sinto apartidário. Nem Aécio e nem Dilma me representavam, mas no fundo sabia que era um desastre que a Dilma fosse reeleita, e tem sido, afinal o seu primeiro mandato já escorregava nas ações e palavras, e essa crise hídrica aguda foi somente o estouro para escancarar a falta de habilidade para segurar o rojão. Já Aécio não sabia como poderia ser, me dava o benefício da dúvida e bem ou mal isso era alguma coisa.

A democracia não funciona lá no Congresso, mas funciona nas ruas. E aqui não é como a Argentina ou a França que a qualquer desagrado que o governo faça o povo sai nas ruas fazendo panelaço, mas o Brasil tem tudo para se tornar esse tipo de país. E que bom que isso esteja acontecendo.

Por mais que seja impossível de não existir, acho muito pobre o país ser polarizado em "coxinhas" e "comunas", e fico feliz que no protesto (salvo algumas pessoas) esse tema não tenha sido elevado á pauta. Contudo, tenho quase certeza de que isso vai se acentuar pois o ódio enorme vindo do Facebook de um monte de acerebrados é incontrolável, e se os protestos forem por essa linha se aliando a algum partido político ou força sindical, a sua essência mais uma vez se torna vazia e dá motivos para o governo tratá-la de forma revanchista em vez de uma "voz das ruas".

Eu não vou aos protestos porque em mim bate um sentimento de que eu não precise, não votei em ninguém. Para mim quem deve ir aos protestos é quem votou na Dilma e está descontente com o que anda acontecendo; e por mais que seja a "classe média branca" ou pessoas que só foram lá pra fazer número que tenham ido aos protestos, com toda a certeza eles representam muitas das pessoas que estão em casa esbravejando contra o governo que votou.

Ao contrário do que o governo pensa, todos pagam a conta no caixa do supermercado. Repito: agora realmente não é só por 20 centavos.

Domingo eu não vou porque...


Sempre quando vejo que um protesto na Paulista ou pelo Brasil me pergunto: será que essas pessoas sabem realmente porque estão protestando, ou o mais importante, se essas pessoas estão realmente com um sentimento de mudança ao invés de comparecer por aquela opinião que nem sabem bem o que é?

Eis que chegou 2015, e os ônibus aumentaram para 3,50. Pois é, não era pelos 20 centavos? Cadê o tal Movimento do Passe Livre nessa história? Duvido que muitos se perguntaram pra que prestaram os protestos de 2013. Bom, os protestos de junho de 2013, os famosos "não são pelos 20 centavos", juntaram milhões de pessoas em torno de um pensamento só que reacendeu e fez o pessoal acreditar que sim, é legitimo protestar, e que sim, é assim que se exerce a democracia - mesmo que se tome borrachada. Logo realmente não eram pelos 20 centavos.

Enfim, o que no início proporcionou imagens lindas a esse país que jamais foram vistas como a "invasão" da rampa do Congresso e da tomada da Praça da Sé, após isso passamos a conhecer o que significam "black blocks", um movimento desconhecido de grande parte do povo até então. Obviamente, não se faz revolução sem violência, não existe, tanto pela necessidade de querer incomodar e tanto por causa do status de poder num todo em que os políticos adoram serem igualados a um deus. Mas é fato que essa mesma violência que misturou selvageria a ativismo anárquico, tal qual ela nos afasta de muita coisa por aí, apagou a chama dos protestos e fez o Brasil dormir de novo em berço esplêndido.

Em janeiro Dilma tomou posse para mais quatro anos da eleição mais disputada da história e que polarizou o Brasil. Agora dia 15 o povo acordou novamente e tomará de novo as ruas em favor de um tal de impeachment de Dilma. Uma palavra engraçada e que pouquíssimos sabem escrever. E alguns pontos de uma pura hipocrisia e falta de conhecimento do brasileiro me chamam a atenção e me fazem ter absolutamente nenhuma vontade de participar de nenhum dia 15.

Creio que absolutamente nada resolveria o impeachment da Dilma, não só porque nada (por enquanto) foi provado contra ela, o santo dela é forte e a democracia que a elegeu é mais forte do que ela mesmo, portanto não causaria nenhuma ruptura política e nem deposição. A economia de 2015 é bem diferente do caos que se instituiu na época de Collor e pouco se assemelha no país que vivemos hoje, o país era outro e era a primeira eleição direta que faríamos, é apenas fazermos um exercício de memória para chegarmos a essa conclusão. Para mim os protestos passam pelo susto do descontrole da economia e pela incompetência assustadora da presidenta, é só mexer no bolso que o brasileiro acorda. E dessa vez não foi só por 20 centavos!

Porém, tanto quanto há realmente pessoas que queiram e sabem as consequências do porque elas estão protestando, há também aquele mero sentimento de estar acolhido em um grupo, estar numa "onda", ir atrás do que está acontecendo; coisa que ocorreu de monte nos protestos de 2013 e que transformou a ideia numa grande reunião de amigos, até cerveja apareceu por ali. Só mais ridículo que isso é quem apoia a volta da ditadura como remédio de todos os problemas, como se a própria liberdade de expressão que dá o direito de eles expressarem essa opinião não estivesse ligada ao benefícios do fim da ditadura... Essa falta de noção passa diretamente pelo interesse do povo em se informar sobre as decisões que podem influir no próprio futuro.

Não morro de amores pela Dilma, muito pelo contrário, e se ela sofresse o impeachment acharia até justo pois o nível de cagadas no trono supera de longe o de acertos e o último pronunciamento dela só aumentou a constatação de fraqueza extrema. Chega a ser insuportável. Entretanto, por mais que os protestos sejam justos e legítimos, a Dilma bem ou mal foi eleita da forma democrática e é preciso aceitar que essa democracia é intrinsecamente ligada a aguentarmos coisas que não nos agradam.

Dizem que o Congresso é a casa do povo, pois bem, muito deles tem ou tiveram algum envolvimento na falcatrua toda e são eleitos novamente como se nada tivesse acontecido, como Collor que como um fantasma ressurgiu nos noticiários. A culpa é do povo que inocentemente os elege acreditando em contos da carochinha e se aproveita mal do próprio sistema democrático que foi conquistado. Não adianta ficar deslumbrado com as páginas de jornais como se a corrupção tivesse aumentado, não, ela sempre existiu. Não é de hoje que deveriam vir os protestos. Não é ser partidário, mas se era pra eleger alguém, tivemos a chance e jogamos fora.

O impeachment causaria um abalo no sistema presidencialista brasileiro e o povo daria um recado direto sobre a sua insatisfação, mas esses protestos mostram que o Brasil está cada vez mais rachado, e a intolerância presente de norte a sul sobre aqueles que votaram na Dilma ou no Aécio como um time de futebol, nos ensina que o país não sabe viver muito bem com a democracia e muitos menos com ideologias. É "coxinha" ou "comuna", é direita ou esquerda, é Dilma ou Aécio, é Sul e Norte, é Palmeiras ou Corinthians. Os protestos se polarizam mais do que deveriam. Portanto penso que além deles perderem muito do sentido de melhoria em troca de um sentimento de "guerra", é fundamental que mudemos por dentro diversas coisas e passemos a praticar atos que mudem as atitudes de nós mesmos diante a política e a sociedade. Oras, não foi só no Nordeste que a Dilma ganhou seus votos, concorda? É ignorância pura agir como se somente paulistas e cariocas prestassem e nordestinos não.

E outra, domingo é dia de dormir até mais tarde.

Lembra do que eu falei no começo do texto sobre a falta de conhecimento pelo que se está protestando? A consequência direta da deposição de Dilma do cargo seria que o vice assumisse seu cargo Michel Temer. Se ele for deposto também, seria chamado ao cargo Eduardo Cunha, e em último caso Renan Calheiros seria o presidente. Nananina não, nada de Aécio Neves ou novas eleições ao contrário que muitos pensam.

Só pra informar o tipo de pessoas que estão na fila.

Como falar nada e ainda assim parecer genial

Como falar nada e ainda assim parecer genial
Se você não conhece o TED, deveria conhecer (e não, não falo do urso). Recorrendo ao deus Wikipédia, o TED nada mais é que uma fundação privada sem fins lucrativos que no início dos anos 90 através de palestras buscava principalmente fomentar e difundir ideias sobre design e tecnologia. No entanto, a conferência ao longo dos anos dado ao sucesso não só expandiu os temas também, mas como as suas palestras pelo mundo dando voz a quem queria dizer alguma coisa, chegando a recentemente desembarcar no Brasil e premiar ano a ano personalidades do calibre de Bono e Bil Clinton como as melhores palestras do evento como um todo.

Em seu site ted.com é possível assistir diversas palestras nada chatas e sobre diversos assuntos que são pertinentes na sua simplicidade e na sua relevância. Não se preocupe que lá tem legendas para a maioria dos vídeos e traduzidas em diversos idiomas.

Já postei algumas palestras do TED por aqui pelo Descafeinado, e no post de hoje apresento o homem que não fala absolutamente nada, mas mesmo assim dá uma incrível aula de oratória. O objetivo de Will Stephen é provar que brincando com os principais clichês usados comumente nas palestras e apresentações da sua empresa que você costuma assistir, é possível parecer relevante quando você nem é.



Via Sedentário

 


O que vai causar a Guerra Civil da Marvel?

Desde o anúncio da Marvel de que o terceiro filme do Capitão América iria adaptar o consagrado arco da editora "Guerra Civil" para as telonas e ainda mais após a confirmação do acordo entre a Sony e a Marvel sobre os direitos do Homem-Aranha, muito se fala das viradas que o universo cinematográfico da editora poderiam tomar e do rumo que o futuro filme "Vingadores 3" (que irá adaptar outra guerra, as "Guerras Infinitas") iria ter.

Mas se atentando a essa guerra primeiro, a "Guerra Civil" é uma treta e tanto por si só que engloba todos os super-heróis da editora e que até hoje ainda influi nos caminhos dos mesmos nos quadrinhos. Pessoalmente aposto que mudará muita coisa no que conhecemos como "Vingadores" nos cinemas. Oras, o Capitão América e o Homem de Ferro tretando feio, um o líder financeiro do grupo e o outro o líder ideológico, só pode causa tamanho impacto, e sabemos bem que as faíscas entre os dois já vem do primeiro filme da equipe... Bom, mas o que exatamente causaria essa treta entre os dois? Esse vídeo abaixo desvenda os segredos:


O que passa pelos meus fones #92 - Moonspell

Pra mim, o maior mérito que uma banda pode ter, é alcançar o nível da criatividade constante, tanto que é impossível não escuta-la e não saber de qual banda se trata. Tal qual um Mastodon da vida, o Moonspell é do tipo que não tem medo de se modificar a cada álbum e mesmo assim permanecer relevante sendo Moonspell.

O peso absurdo que ouvimos em "Night Eternal" e os riffs vibrantes de "Alpha Noir" são um bom exemplo do que estou falando. Mais cadenciada e com Fernando Ribeiro usando mais seus vocais limpos e graves, a se tratar dessa pequena amostra de "Extinct" chamada "Breathe", continuaremos nessa mesma linha.

Confira o lyric video pra você cantar junto:

Breaking Bad aparecendo na Globo!

As atuações muitas vezes engessadas e pouco inspiradas, o humor que não passa do "sorriso amarelo", e enredo previsível que engloba de forma bem rasa questões sociais da atualidade das novelas globais, nunca me chamaram a atenção. Mas se você é casado, namora (como eu) ou tem alguma amiga colorida muito próxima a você, possivelmente, sem querer querendo, acompanhou os capítulos das famigeradas novelas e quase morreu de tédio em algumas. E no caso da atual novela das oito "Império", os comentários das pessoas da sua vida social correm soltos por causa da trama envolta em mistério (o povo adora saber quem é afinal o cara "matador"), te fazendo também sem querer querendo ficar atualizado com o que acontece. Só que alguns fatos chamaram a atenção.

Claro que não acompanhei a novela desde o começo (como qualquer outra), e aos poucos fui inteirado do que acontecia nos capítulos que volta e meia via aos fins de semana acompanhado da minha namorada. E tenho que reconhecer que nos arranca rabos finais a trama, salvo os momentos de pura enrolação e romance, casamentos e bebês, a novela tem tomado o curso de um bom suspense, ainda assim feito na medida para o público mais comum e menos exigente.

A irreverência de Alexandre Nero como o Comendadador José Alfredo ajuda muito a simpatizarmos com aquele cara que saiu do nada pra virar um verdadeiro imperador das jóias, portanto o autor Aguinaldo Silva foi inteligente ao nos capítulos finais ao acentuar sua semelhança com quem conhecemos bem, Walter White de Breaking Bad, atingindo assim até aquele público que não tem o minimo de curiosidade na televisão aberta e é fã da série.

Os casos a seguir criaram um burburinho de que Aguinaldo fez um plágio da série, algo que é bem diferente de inspiração, o que é totalmente válido e algo que Quentin Tarantino vive fazendo em seus filmes, por exemplo. Plágio é quando nos apropriamos de um enredo indevidamente falando que é de autoria própria, inspiração é quando apenas se toma certas cenas ou trechos para fazermos algo totalmente novo. Walter White não era chamado de imperador na sua série, mas o título lhe cai bem, convenhamos.

Para os mais atentos, Aguinaldo nos deixou um Easter Egg na cena em que o Comendador tira a lona da piscina cheia de dinheiro que ele descobre na sua antiga casa. A empresa se chama "Lonas Heisenberg", referência direta ao personagem que popularizou esse nome.



E na outra quando o Comendador deita alegre na sua piscina de dinheiro e ali feliz e despreocupado pega no sono, cena essa que foi inspirada na cena de Breaking Bad onde o capanga de Saul Goodman, Huell, deita no monte de dinheiro de Walter que Saul guarda na sua casa quando ele mergulha na piscina de dinheiro e simplesmente pega no sono lá. O que notei de imediato.

Algo que lembrou de que esse é o sonho de muita gente!



Pessoalmente achei bacana que o auto tenha se inspirado nas cenas, o que prova que ele é de certa forma fã de séries e de Breaking Bad propriamente, e tomou a liberdade de inserir seu gosto no contexto que o folhetim exigia, mostrando-se minimamente antenado no rumo que a televisão dramática vem seguindo atualmente. Claro que não passei a ver a novela só por isso, mas o post é justamente pra elogiar essa inspiração bacana que o autor teve, além de me atentar ao fato de que pelo que me lembre, foi a primeira vez que houve algo assim.

Resenha Filme: Garota Exemplar

Ao final de "Garota Exemplar" temos a absoluta certeza de que a figura de Rosamund Pike encarnando a escritora sociopata Amy "Exemplar" Dunne é precisa. A escolha de David Fincher pela atriz, ao invés de Reese Witherspoon (mais conhecida como a caricata Bridget Jones) - que tinha os diretos a adaptação mas ficou somente como produtora - não iria se encaixar como a figura poderosa, sinistra, doce e misteriosa que a personagem Amy Dunne tem em si e que é fundamental para a história.

Sem enrolação, a adaptação do best-seller auto-intitulado conta a história de Nick Dunne (Ben Affleck) que em seu quinto aniversário de casamento ao voltar pra casa constata que sua esposa Amy simplesmente desapareceu.

Entre os flashbacks muito bem encaixados e a fotografia com a cara e a voz de David Fincher (algo que quem viu Clube da Luta entende muito bem), o longa conta como eles se conheceram, se apaixonaram, casaram e resolveram sair de Nova York para viver juntos no Missouri. Contudo, aquela época não trazia boas notícias. A mãe de Nick foi diagnosticada com câncer e pouco antes os dois perderam seus empregos entre a Grande Depressão que assolava os EUA na época, o que pouco a pouco foi ruindo o casamento de duas pessoas que se julgavam almas gêmeas. Dunne ficava casa vez mais relaxado e distante, e as brigas entre o casal eram cada vez mais constantes e violentas desabrochando um lado que Amy sempre teve com seus parceiros: a sociopatia.

Voltando ao ínicio do filme, no frenesi do acontecimento, Dunne logo contata a delegacia de polícia e a detetive Rhonda Boney (Kim Dickens) sobre o desaparecimento da esposa. Porém, nas investigações (tendo sempre aquele parceiro policial pentelho que adora soltar mandados de prisão a torto e a direito), a cada passo Rhonda descobre fortes indícios para incriminar Nick Dunne do acontecido. Entre mentiras e acobertações de até casos extra-conjugais, a detetive desvenda um casamento só de aparências e que esconde diversos absurdos, e Dunne está cada vez mais enrascado para sair dessa situação.

Entre os focos principais do livro de Gillian Flynn, temos os principais pontos críticos do casamento na sociedade: a desonestidade, o dinheiro, e as aparências; mas um especial no caso de "Garota Exemplar": a mídia manipuladora (huahua).

Amy Elliot é uma escritora de renome e seu suposto desaparecimento comoveu a cidade, portanto não demorou muito para noticiarios sensacionalistas logo caírem em cima do acontecido, vulgo, o entretenimento barato ao inves do jornalismo que faz a irmã de Dunne, Margo (Carrie Coon), em ser uma potencial parceira sexual dele por eles serem "próximos demais", e aparências que as televisões focam e transformam a frieza de Dunne em suportar a tragédia que ocorreu, em suposta indiferença que o transforma em assassino. Tudo no filme se foca em aparências se você perceber. Principalmente quando Dunne aparece em rede nacional e se desculpa de tudo perante todos e tem seu ódio transformado em aceitação.

O best-seller de Gillian Flynn justifica perfeitamente a escolha de David Fincher em adaptá-lo, pois a imagem da mulher com um ser forte em seus filmes, se encaixa perfeitamente com o livro "Garota Exemplar". Entendo que o compromisso é inerente a honestidade e isso vai além do "amor" para sustentar qualquer relação, mas Amy tem em sua mente que os fins justificam os meios e sente um prazer na vingança. E essa é a chave para a virada espetacular na trama que bagunça qualquer ideia que tinhamos pré-concebida até ali.

Dizem que para aproveitarmos a ideia de um filme que adapta um livro, temos que assistir ao filme primeiro para somente depois ler o livro, pois quando fazemos ao contrário só aumenta a possibilidade de decepção e apreciação da "liberdade criativa" que o cineasta tomou. Contudo ao terminar de ver "Garota Exemplar" não me senti vazio em nenhum momento ou com dúvidas acerca de tais "buracos de roteiro" e perguntas mal respondidas que poderiam existir, ou se o livro valeria mais a pena que o filme, entende o que quero dizer?

Sinceramente, não li o livro de Gillian Flynn, e isso é algo que desabilita qualquer opinião que eu possa dar sobre o sucesso da adaptação de David Fincher, no entanto, o fato de "Garota Exemplar" não ter um final que toma a linha tradicional e que resolve apelar mais para a afirmação de uma (exagerada) crítica social ao inves de uma simples resolução, dá a adaptação de Fincher a certeza dos elogios. Creio que a adaptação é tão acima da média comparada a tantas outras, que torna o best-seller um complemento e não uma obrigação de leitura. E é para isso que se devem todas as palmas ao diretor.