Assista a versão xing-ling de A Hora da Aventura

"Legend of Lucky Pie" é uma animação realizada por alguns animadores chineses que trabalham numa produtora de baixo orçamento. O vídeo surgiu na internet a algumas semanas e nem se tem confirmação se este é um projeto real ou apenas uma brincadeira. No entanto, os supostos "criadores" querem com este episódio chamar atenção dos canais chineses e fazer da aventura que narra a história de um menino com sua espada e seu fiel amigo que pode se transformar em qualquer coisa, no próximo desenho da mídia chinesa.

Bom, sinceramente a história em si não é ruim, nem a música de abertura. A versãi é mais viajada do que a original e distrai. A qualidade do traço é comparada a uma criança de 8 anos, mas não poderia se esperar muita coisa de uma versão nada original.

Os chineses não tem vergonha, e não é de hoje...



Os Guardiões da Galáxia transformados em um jogo 8 bits!

Desde muito tempo todas as mídias são interligadas e é comum um filme de aventura e ação ganhar uma versão para os vídeo-games, no entanto, a qualidade dos mesmos é muito duvidosa em virtude da pressa em colocar o game no mercado junto ao lançamento do longa.

Volta e meia o pessoal legal do CineFix coloca no YouTube versões 8 bits para os sucessos do cinema. São tão legais esses vídeos que dá vontade de querer uma cópia desse jogo pra si. Prestem atenção na trilha!

Saca só essa adaptação do Guardiões da Galáxia que legal. Imagina jogar isso em multiplayer? É só eu ou você também pensou que as produtoras podiam adotar a ideia de lançar um título desses pra download?

O custo de distribuição e produção seriam bem menores, a diversão seria a mesma, além da nostalgia que tomaria conta dos nerds em geral. Sem contar que esse estilo 8 bits casa perfeitamente com o climão flashback que é o longa. =D


Empolgado com o que vi, resolvi xeretar um pouco no canal e descobri mais esses dois belos exemplos de beat em'ups que dariam super certo:



Resenha Filme: Tá Chovendo Hamburguer 2

- Veja como Flint criou toda essa bagunça na resenha do "Tá Chovendo Hambuguer 1"

"Tá Chovendo Hamburguer 2" é uma sequência direta do primeiro, dá pra colar um no outro e fazer um filme só. 

O filme começa com a limpeza da ilha de Boca Grande, inclusive com um flashback bem útil para quem não viu o primeiro filme. Bom, se chove aqui em São Paulo e cai uma árvore, a Prefeitura tem que fazer limpeza da via e a Eletropaulo tem que consertar possíveis problemas na rede elétrica da região. Aqui é mesma coisa, Flint inventou uma máquina que chovia comida, ela se descontrolou e começou a criar comida gigante acabando com a cidade, então depois da confusão, alguém teria que limpar a bagunça. 

O cientista Chester V, ídolo de infância de Flint (como se fosse um Beakman dele), ficou fascinado com o que houve e com a invenção de Flint. Naturalmente interessado pela sua invenção, ele o convida a fazer parte do seu time de cientistas em troca da limpeza da ilha. No entanto, Flint não sabe, mas o lance aqui é que as comidas criaram vida ameaçando comer pessoas. É a chamada Abiogênese (linkei a palavra ao Wikipedia pra você saber um pouco mais sobre essa palavrinha diferente). 

Chester ao ver o que estava acontecendo, teme que essas criaturas ameaçadoras que ganharam vida atravessem o oceano e ameacem o mundo. mas ele não sabe aonde está a máquina e apenas Flint saberia localiza-la, No seu sonho de poder ajudar seu mestre, ele e seus fieis amigos desbravam a selva que Boca Grande se tornou para encontrar a máquina e acabar de uma vez por todas com isso.

A partir daí aparece aquele personagem chamado "roteiro", que entra no automático e faz tudo ficar previsível sem deixar espaços pra surpresas que poderiam acontecer, defeito que é exatamente o mesmo do primeiro. Entretanto, a exemplo do primeiro o humor continua afiado e a fofura também. 

Embarcando na onda do ativismo, como uma boa nerd e mulher, Sam percebe que as supostas "criaturas ameaçadoras" apenas se sentem ameaçadas e precisam serem preservadas em seu habitat, em vez de serem destruídas em favor de uma mega-corporação que é a Live Co. A parte Jurassic Park não para por ai. A "fauna alimentícia" do filme é a grande estrela da animação e é muito legal ficar tentando identificar os animais que surgem na tela, como a "hamburgaranha" (que dá uma fome), as "mostorradas" (essas sim que fazem as moscas serem úteis), e aquele monstro feito de taco (ah, que fome!). E fala sério, qual é a daquele moranguinho chamado Berry? É de dar vontade de ter um em casa pra alimentar e dar banho! 

A maioria de continuações de animações são vistas por mim como uma certa desconfiança, pois penso - e é algo comprovado em muitos casos - que, ao contrário de um desenho animado que passa na televisão, uma animação tende a ser uma história fechada, Uma hora e meia ou duas horas são mais que suficientes para entreter o público alvo, criar um mundo divertido e dar uma boa lição moral; além do próprio roteiro que é feito nessa medida. A exceção de Toy Story, uma continuação tende a ser apenas.. uma mera continuação. É apenas uma evolução do mundo já visto com uma lição de moral já vista, uma "desculpa" para vender brinquedos e ganhar mais bilheteria; bom, a grana é o interesse de 90% das sequências. Essa foi a impressão que tive de "Tá Chovendo Hamburguer 2".

No entanto, deixando de lado essa crítica, dá pra falar: "Tá Chovendo Hamburguer 2" é um filme nerd de primeira e fofo pra caralho, como o casal Flint e Sam que diz tudo a respeito de muitos casais nerds por aí. Falando em nerd pride, a sequência revisita o sonho nosso de chover comida (em vez de chover pra cachorro #sessãodatardefeelings) e isso é muito bom e dá valor a sequência. Então a ideia descompromissada aliada ao humor extremamente inocente, inevitavelmente deu super certo. É diversão garantida para as crianças pequenas e aquelas que são maiores como eu. =)

Resenha Filme: Festa No Céu

Lidar com a finitude inevitável da vida é um assunto delicado, mas é exercício de caráter passar a ter a visão de que a morte é nada mais que um combustível da vida. O fim de uma história é o que nos move a tentar escrevê-la da melhor forma. Religiões tem em seu principal alicerce a morte, afinal, se a vida deixar de ser finita, não temos porque acreditar em "um lugar melhor" (ou pior) para nós mesmos e nossos entes queridos. Para muitos a morte é um descanso, para outros uma porta de entrada para outra vida.

Ter animações lidando com esse assunto delicado é algo raríssimo. "Up" da Pixar é o único que me vem a mente, e como ele, "Festa No Céu" produzido por Guillermo Del Toro tem a mesma sabedoria e delicadeza em tratar o assunto como ele realmente merece. Acredito que a morte seja uma celebração da vida e o título original que é "Book of Life" traduz melhor essa ideia.

"Festa no Céu" começa quando um grupo de crianças bagunceiras é encaminhado a uma visita ao museu como “punição” pelo mau comportamento. Lá, uma guia um tanto quanto diferente, resolve percorrer um caminho alternativo e os apresenta ao “Livro da Vida“. A mais simbólica das histórias contidas no livro é baseada nas tradições mexicanas e envolve três mundos: o Mundo dos Vivos, o Mundo dos Lembrados e o Mundo dos Esquecidos.

Catrina/La Muerte é governante da Terra dos Lembrados, uma adorada deusa ancestral ex-mulher de Xibalba, este que é governante da Terra dos Esquecidos - bastante semelhante ao gênio de Ades nas animações de Hércules vale pontuar. Em uma visita a Terra dos Vivos eles fazem uma aposta, se a jovem e bela Maria casará com com o emotivo violinista Manolo ou com o corajoso e arrogante Joaquim. Se Catrina ganhar, Xibalba não poderá mais interferir no mundo dos vivos. Se Xibalba ganhasse, ele seria o novo governante da Terra dos Lembrados e Catrina governaria a fria Terra dos Esquecidos.

Não é de hoje que cultura mexicana desperta a curiosidade de todos. Tanto a gastronomia deliciosamente apimentada, a música tradicional tocada pelos mariachis vestidos com famosos sombreros, a "Lucha Libre" que inspirou até desenho na Cartoon Network. Mas talvez o que exprima melhor o tratamento do povo a morte sejam as famosas caveiras altamente estilizadas, não tem que olhe e não veja beleza naquilo. Se você ama elas, aqui você terá motivos pra cuspir arco-íris.

Além de tudo ser muito colorido aqui, o estilo dos bonecos é lindo, parecendo que todos foram talhados em madeira e à mão com todo carinho, só reforçando a ideia de uma história contada a nós; como a guia do museu deixa claro entre os flashbacks, segurando os bonequinhos representando os personagens. Creio que "Festa no Céu" teve tanto cuidado em representar a rica cultura mexicana que inaugurou um estilo bem próprio de caracterização de personagens, incapaz de se desgrudar de si.

Um ponto que vale a pena citar e que é bem pessoal, é a dublagem. O que temos visto ultimamente são dublagens cada vez melhores, mas em "Festa No Céu" tivemos Thiago Lacerda encarregado de Joaquim e ele destoa de todos os outros na questão da qualidade da dublagem. Pode ser uma chatice minha, mas em muitos momentos eu percebia que ele não tinha "manha" nenhuma pra isso. Pena. Porque de resto é tudo perfeito.
O drama Shakesperiano levemente baseado em Romeu & Julieta que é "Festa No Céu", comove e cativa qualquer criança e adulto, pai e filho. A sensação que tive ao término do filme foi que além de uma excelente animação, foi de uma lição de vida e de alegria, principalmente para quem ainda não lidou com a perda de um ente querido ou de um grande amor. Aprendemos que o Dia dos Mortos é isso: uma celebração. Bem longe do que o Dia dos Finados representa aqui,

Del Toro sabia que faltava um grande trabalho da sua autoria para Hollywood ser capaz de mostrar mais a beleza cultural de seu país ao mundo. Tudo em "Festa No Céu" é extremamente colorido e vivo (o cenário 3D da Terra dos Mortos é de cair o queixo), mesmo quando a morte dá as caras. A dor e desamparo que o fim da vida pode trazer é coberto por um teor quase que inocente, dando conforto a um assunto tão delicado, e sem viradas, exageros ou lições de moral exagerados na trama. Resumindo, tudo aqui é muito leve e sensível como Manolo faria.

Resenha Livro: Neuromancer (William Gibson)

Lembro que, empolgado com o título "da lista de cinquenta melhores romances do século XX" e também por causa da capa legal aí ao lado, fui atrás que nem louco da edição especial de "Neuromancer" nos sebos virtuais por aí na internet. O romance cyberpunk de William Gibson que é a primeira parte da chamada trilogia do "Sprawl" (formado também por "Count Zero" e "Monalisa Overdrive") conta a história de Case, um hacker endividado e viciado em todos os tipos imagináveis de droga que recebe da sedutora Molly a seguinte proposta: "nós iremos retirar toda a toxina que o impede de conectar a Matrix de seu corpo. Porém, como nada é de graça, ele terá que fazer um último trabalhinho para um e chefe das Forças Armadas chamado Armitage: hackear o mais poderoso dos mainframes (computadores de grande porte) existentes: Wintermute.

Como o termo Cyberpunk denuncia, o mundo de Case é povoado por supostamente humanos de tantos implantes indo de braços a corações, prédios altíssimos, degradação urbana, e riqueza e miséria extremamente opostos orquestrados por um governo decrépito e dominado por megacorporações que ditam os rumos do mundo.

Semelhante a uma visão de futuro não tão difícil de se imaginar? Bom, obviamente não se trata da mesma história, mas o roteiro é similar ao que vemos na trilogia Matrix com uma boa pitada de Hollywood. Quer dizer, ao ler "Neuromancer", é fácil de perceber que os irmãos Wachowski basearam-se no mundo Cyberpunk que Gibson criou. É só prestar atenção nos dois personagens principais: Case como um hacker, e Molly treinada nas mais diversas artes mortíferas em sua roupa de vinil. Fortes semelhanças a Neo e Trinity.

Lendo a sinopse do romance de Gibson e a vendo a semelhança com Matrix, o livro parece bem atraente, e é para os aficcionados por ficção científica, mas infelizmente os problemas começam por aí. Não sei se o livro foi mal traduzido ou eu que simplesmente não tive a capacidade mental para entendê-lo, mas "Neuromancer" é MUITO confuso.

Fazendo um exercício rápido de memória é como se a Molly estivesse na moto, pensando no Armitage, e esse mesmo falando de algum ponto da cidade ou da Matrix (não sabemos bem), de repente Case acorda, e no mesmo instante em que ele está se drogando, ele veste as calças e Molly juntamente com um jamaicano o resgata e vão a caça de Wintermute; porém, não sabemos se isto é real ou se isto é a Matrix. Fora claro os termos tecnológicos que me perdi do significado a certo ponto da história. Não tem muito nexo né? Talvez lendo umas três ou quatro vezes o faça, mas imagine a velocidade desse acontecimento o tempo todo.

Concordo plenamente que "Neuromancer" a exemplo de "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess é uma história de linguagem própria, e esse universo criado por William Gibson é tão rico que não cabe nesta resenha. Mas multiplique os "Molokos" e "Droogies" a milésima potência. Várias vezes me peguei pensando aonde estava naquela metáfora tão maluca que lia. Concordo que também que "Neuromancer" não é um romance para se ler às pressas (nenhum é na minha opinião), mas não justifica o fato de não dar ao leitor o claro vislumbre do que está acontecendo naquele momento universo de Gibson talvez não caiba nessa resenha, e talvez não caiba nas próprias palavras do mesmo.

Gibson criou um mundo cyberpunk e foi o responsável por influenciar gerações seguintes, mas o problema é que "Neuromancer" é tão cheio de metáforas e tão "viajado" na imaginação do próprio autor que ficou difícil de acompanhar atentamente os desfechos da história. E digo isso com pesar, pois esse é o primeiro livro que não consegui terminar de ler. Sinceramente eu já me via tão imersamente perdido na história que acabei desistindo da leitura faltando uns quatro capítulos para o final. Se "Neuromancer" serviu como inspiração para os Irmãos Wachowski, fiquei aqui imaginando comigo que se o livro, com a mesmíssima história, mas trazendo uma linguagem mais simples, eu não teria os problemas que tive.

"Neuromancer" é tão cheio de informações que necessita de imagens para expressá-lo de uma forma simplificada. Ao final do livro somos levados a um glossário com alguns dos termos mais utilizados do romance, aí lembrei da frase "entendeu, ou quer que eu desenhe?". Me senti um burro, mas aí vi o absurdo de um livro ter como necessário um glossário ao final do mesmo.

"Neuromancer" se propõe a ser tão revolucionário que tropeça em sua própria ambição. Queria mesmo que William Gibson tivesse desenhado pra mim. 

Confesso que comecei empolgadíssimo o livro, o começo dele é muito bom e conciso, apresentando uma história de temática complexa que prende o leitor. Tudo que esperava. Eu li 10 capítulos em uma só noite. No entanto, a medida em que ia avançando, em certas partes batia aquele sentimento incômodo de se perguntar o que estava lendo, porém eu ansiava em saber a conclusão da história o quanto antes. Mas aí os dias se passaram e de dez foi pra três, dois, um capítulo por noite,,, dormi em muitos dias tentando avançar na história. É como se minhas forças e minha paciência tivessem se esgotado. Dentro de mim ainda bate aquele sentimento de dúvida de se eu deveria ter me esforçado mais pra entender tudo aquilo, porém no final das contas o sentimento foi de decepção. 

Eu tenho em mente que o romance foi fundamental para muito do que sabemos hoje em dia do cyberpunk e que muitos tem o livro como de cabeceira, porém, ao final dele só rocomendo a leitura para quem dispõe de uma mente muito descansada, talvez de férias, ou mesmo alguém que tenha uma capacidade de leitura maior que a minha... vai saber. 

Talvez eu não seja tão fã de ficção científica, mas nada em "Neuromancer" me surpreendeu. 

Talvez me dê melhor com Philip K. Dick, Arthur C. Clark ou Isaac Asimov?

Tirinhas da Semana #209

Antes vou explicar o porque de tanto tempo ausente,

Depois de 8 dias, 7 ligações, muitos minutos desperdiçados, CPFs digitados, histórias repetidas a diversos atendentes e promessas de visita técnica no prazo de 24hrs (desde terça passada)... Voltou minha internet. A velocidade da Live Tim sempre foi elogiável, mas bastou dar um problema pra ver que o atendimento é o mesmo das outras operadoras: uma merda. Não duvido nada que amanhã o técnico virá e terei que, com cara de trouxa, dizer que o problema foi resolvido.

Obrigado Live Tim!

Então meio que pra comemorar a volta e tirar o atraso de quase duas semanas sem internet, vamos recomeçar com as tirinhas da semana. E semana que vem voltarei a postar algumas resenhas aqui.















Tirinhas da Semana #208

O fim de ano bagunça a mente, mas o calor bagunça ainda mais. Moramos em um país tropical, mas talvez se eu morasse mais lá pros lados de Recife, Rio ou Cuiabá (pra fritar logo o furico) me sentiria melhor, porém em São Paulo não dá. Já cansa sair de casa e mesmo trabalhar debaixo do ar condicionado já cansa preguiçosos por natureza como eu.

É uma desculpa, mas não é. Não tenho postado muito aqui, dá aquela preguiça de procurar conteúdo; e de um texto e outro pra enganar, nós vamos seguindo a vida...

Vamos as tirinhas da semana.









Terrorismo: Nós estamos todos indignados (bom, nem todos)


Sobre o atentado de ontem ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, só acho que quando se mistura religião, armamento e humanidade, sobra o resultado do que aconteceu.

Por causa da fé, do fanatismo e da vaga ideia de que "minha religião é melhor que a sua" e do supostamente certo e do errado, doze talentosos cartunistas foram cruelmente assassinados, doze famílias foram mortas, milhões ficaram de joelhos mais uma vez. O ataque a liberdade de imprensa e a liberdade de rir são menores do que as consequências desse ato tão estupidamente vingativo causa aos próprios adeptos da mesma religião, que agora é vista com cada vez mais preconceito ao redor do mundo.

A xenofobia alcança patamares cada vez maiores, e após esse atentado na França, fica cada vez mais difícil desviar de olhares tortos que já habitavam muitos cidadãos da Europa e Estados Unidos, e até daqui. É fácil de perceber que estamos a passos largos para uma extrema divisão ideológica e cultural, e é difícil absolver cada um dos lados nesta situação.

Prefiro não dizer mais que sou ateu, agnóstico ou qualquer coisa do gênero; apenas acredito em mim, no meu bom senso e no poder que as decisões tem em minha vida. Nem vou me estender muito a citar a perseguição religiosa em diversas eras da humanidade, como nas Cruzadas e na Idade Média que dizimaram milhares de pessoas, mas no alto da minha "ignorância religiosa", entendo que Deus deva significar amor, compreensão e respeito (apesar que você folheie o Velho Testamento e encontre decisões totalmente contrárias a isso), Bom, qual a veracidade de um livro antigo e empoeirado? Só acho que a ignorância começa nos religiosos quando não aceitam que é saudável que seu próprio Deus deva ser questionado de vez em quando. Se nós somos tão falhos, porque então se esconder disso, se esconder da própria hipocrisia? 

Não venham me dizer sobre politicamente correto pra tentar justificar o que aconteceu. Atos assim merecem o rigor da lei. Porém hoje de manhã observando os comentários de diversos sites de notícias (que são a latrina da opinião popular), é de se assustar a quantidade de pessoas que repudiam os ataques, mas ao mesmo tempo justificam dizendo que eles "procuraram a morte", que o humor passou dos limites. Em outras palavras: "mexeram com vespeiro". Pra começar a falar dos limites do humor, ele talvez seja aquele que trata todos com maior igualdade do que o ofendido julga ter no mundo em que ele vive (o de bom senso, claro). Contudo não é de se surpreender, pois não duvido que essas mesmas pessoas são aquelas que puniram religiosamente os americanos no 11 de setembro pela sua soberba, e acreditam piamente até hoje que todo o terrorismo é um mecanismo mediático dos países de primeiro mundo. Inclusive este que aconteceu.

Eu só acho que respeito é muito diferente de medo, e liberdade é diferente do ser supostamente correto. Infelizmente no mundo atual esse pensamento é cada vez mais asfixiado em favor de confrontos ideológicos em detrimento de um entendimento amplo.

O fato é que o fanatismo religioso, de não só do islã, mas a da cristã e da evangélica, infelizmente acabam provocando na sociedade o livre preconceito ideológico e o consequente o medo das minorias. Pra testar, é só você experimentar dar uma arma e liberdade para algumas das pessoas, dementes e tementes a Deus que habitam os comentários de redes sociais e afins para ver o resultado nada bom que aconteceria se caso sua ideologia fosse desrespeitada de alguma forma. Creio que religião deve ser posta na mesa e deve ser pacificamente comprovada como bem espiritual pessoal, e não servir como uma arma ideológica através do medo; respeitar não é se acovardar. Mas a estupidez humana infelizmente é inerente e vitoriosa, e isso passa longe das saudáveis discussões.

Semanas atrás quase que conseguiram proibir a veiculação de um filme, ontem foi atacado o jornalismo e o humor. A dúvida que toma o mundo a partir de agora é: Como será que irão reagir diante a isso? A liberdade será calada?

Numa capa veiculada do Charlie Hebdo temos um islamita beijando um cartunista e a seguinte frase estampada, algo como: "o amor é mais forte que tudo". Bom, é triste a notícia de que o ódio armado aos poucos vem superando esse sentimento. É pra mim contraditório censurar a saudável liberdade de expressão quando há a maléfica liberdade de tirar a vida de alguém pela divergência de ideias e crenças. Na verdade o que vivemos é uma luta de classes - e acho que se Charles Darwin fosse vivo, deveria virar sociólogo para entender isso mais a fundo.

V for Vendetta dizia: "Ideias são à prova de balas". Creio que isso soa muito poético.

O trailer como conhecemos já morreu


A ideia desse pequeno videoclipe criado para anunciar lançamentos de filmes ao público, começou lá em Hollywood no início do século. Mas ao contrário do que acontece hoje, naquela época os trailers eram veiculados ao final da sessão, entretanto não causavam impacto algum já que os espectadores não ficavam até o final dos créditos para assistir a tal cena (quem diria Marvel), então a partir de 1919 a National Screen Services pegou o formato pra ela e resolveu colocá-lo antes dos filmes, aprimorando o formato como "prévia" que exibia os primeiros minutos do filme para causar certo impacto ao público.

Com o passar das décadas, o formato se aprimorou, ganhou narrativa e roteiro, assim instigando a curiosidade do público e provando um sucesso midiático para a época. Nos anos 40, Orson Welles, diretor de "Cidadão Kane" reivindicou o direito da produção do trailer para si, quer dizer, reivindicou para si um controle do que seria mostrado e como seria mostrado e não somente ter cenas aleatórias do seu filme divulgadas.


Contudo foi nos anos 60, diretores como Alfred Hitchcock e Stanley Kubrick redefiniram o uso do trailer. Em vez de apenas mostrar cenas do seu filme como promoção, eles tomaram a responsabilidade para si de roteirizar os trailers que exibiam dos seus filmes. Como "Dr Fantástico" de Kubrick (que puxava para um lado mais promocional) e "Psicose" de Hitchcock que só serviria para imortalizar a marca "Alfred Hitchcock Presents" nos inícios de seus filmes.



Nos anos 70 "Tubarão" de Steven Spielberg foi o primeiro filme com ação miática suficientemente forte para considerarmos como o formato mais próximo do que vemos hoje. Se você estava assistindo televisão nos anos 70 muito provavelmente você deve ter visto. Ao contrário de outros lançamentos que "invadiam" as pequenas cidades antes de ir para as grandes cidades, esse, partiu para a "invasão" do mundo. Obviamente o filme foi um grande sucesso, mas o formato do trailer contribuiu diretamente para isso. Lembra da musiquinha?


Em seguida trailers notáveis invadiram as telas, e nos anos 80/00, o formato de cortes rápidos e diretos tipo MTV funcionavam maravilhosamente bem em instigar o público, diria perfeitamente, e ai BUM, ele se transformou não só numa divulgação, mas em um tipo de entidade que respira até alheio ao filme. O trailer em si tem muito poder sobre as mentes inquietas que esperam ansiosamente seu filme favorito - ainda mais no mundo nerd. A internet é um meio cada vez mais ágil de informação, e a galera envolta nela, é cada vez mais ávido por coisa nova, sendo assim, os engravatados de Hollywood percebendo isso rapidamente colocam no ar "teasers-trailers"> o trailer do trailer. E pior ainda, só o "teaser", o trailer do trailer do trailer.

Apesar de parecer absurda essa ideia (e de certa forma é), se bem usada, pode gerar geniais peças de publicidade. Afinal, a ideia é instigar o público não é? Então se liga o teaser do Homem Formiga divulgado dia 2 pela Marvel:


Sinceramente evito assistir teasers-trailers dos meus filmes prediletos, entretanto este me chamou a atenção, e como chamou. A ideia de um teaser que é somente possível de ser visto por uma formiga é genial. Clap Clap! Mas foi aí que um engravatado da Marvel correu e disse: "Não, alguém tem que ver isso (e soltou um palavrão no final)!" e foi aí que divulgaram o mesmo no tamanho normal, com cortes de heróis e vilões sendo mostrados. Custava espera alguns dias pra causar uma surpresa com o teaser-trailer? Foi então que hoje como prometido, ele saiu:



Nem isso eles conseguiram, e olha que estou falando de um teaser-trailer, o trailer do trailer, Jogaram uma boa ideia pra algo inutil, no lixo. E olha que o teaser-trailer do "Homem Formiga" foi bem chocho e simples (como um teaser-trailer poderia ser, convenhamos).

Aí chegamos ao ponto que queria: noto que hoje dia falta "arte" as coisas - e olha que não estou sendo um tio chato em dizer isso. Trailers deixaram de ser uma "surpresa", deixaram de ter uma produção em lugar de meros cortes, de causar a "coceira" de dizer a si próprio: tenho que gastar dinheiro com isso. 

Claro que os trailers foram inventados justamente pra isso, pra você grande homem (ou mulher) jogar seu dinheiro fora e sua ansiedade em algo que talvez nem seja tão bom assim, afinal, tem filmes que podem serem resumidos em meros trailers e é aí que vem o lance dos cortes e blá. Porém, a cada vez que penso com meus botões, é cada vez mais porca a ideia de diminuir uma já pequena peça publicitária a meras migalhas só pra atrair alguns cliques e atenção, pois sabem que com a internet por aí, vão é divulgar e produzir qualquer merda e faturar com isso. Uma coisa é você saber através de um anúncio que vai ter um trailer, outra é os grandes estúdios de cinema controlarem o que você pode ver e não ver num trailer. Fato esse que mata a peça de publicidade em si, concorda?

"No meu tempo...". A medida em que vemos os anos se acumularem, essa frase torna-se comum para se referir a certos acontecimentos e evoluções - ainda mais por essa sociedade cada vez mais globalizada e mais bem informada. Sou de um tempo em que games eram vendidos em sua versão integral e onde trailers de filmes ainda causavam suspense... Mas o assunto dos games é pra outro dia. O fato é que "the time is money".

Artes em vitrais sobre a saga de Tolkien

Artes em vitrais sobre a saga de Tolkien
O chinês Jin Guo foi o artista mais fantástico que pude encontrar na internet ano passado. Na sua página do Deviantart, tanto quanto ele se baseia fortemente nas obras da saga O Senhor dos Anéis, ele nos apresenta um estilo incrível de arte - um tanto esquecida - e altamente detalhista: os vitrais.

Quem nunca ficou fascinado com as artes do vitrais ao entrar em uma igreja (católica, claro)? As inúmeras artes de Jin impressionam pelo nível de detalhes retratando cenas da história, combinando perfeitamente com o clima do livro, e te fazendo ficar olhando pra cada arte durante um longo, longo tempo...

É fascinante!

Tirinhas da Semana #207

Ano novo, vida nova - ok, nem tanto assim. Passagens de ano são apenas continuações da vida, e, sendo assim, resolvi tomar duas atitudes inicias sobre o Descafeinado:

1 - começar o ano no dia que todos estão começando os seus (oficialmente): hoje dia 05
2 - começar relembrando, recordando e continuando aquilo que pode ser chamado de antigo e datado: as tirinhas da semana.

Bom ano a todos, e vamos lá!