Resenha CD: Lamb of God: VII - Sturm Und Drang

segunda-feira, agosto 03, 2015


Tudo começou em 2010 com o vocalista Randy Blythe sendo preso na República Tcheca sob a acusação de homicídio, onde no show que a banda realizava, Randy supostamente teria empurrado um fã do palco causando a sua morte 14 dias depois por hemorragia cerebral. Foram quase dois anos (e você acha que a justiça brasileira é lenta) de processo judicial em que Randy, entre descaso da justiça americana, provas e julgamentos, esperou na cadeia causando uma grande comoção tanto nos fãs do Lamb Of God quanto no meio do heavy metal.

Em 2013, Randy foi inocentado de todas as acusações, pois nas investigações não foi possível provar a sua participação na queda do jovem. Em suma, o incidente se provou um acidente fatal de um jovem que adorava um "mosh pit" e deu de cara no chão...

Bom, apesar de sua prisão causar muitas dúvidas do futuro do Lamb of God, Randy encarou todo esse episódio com muita honra, e se isso tudo teve influência em "Sturm Und Drang" (algo como "tempestade e ímpeto" - um movimento literário alemão no século 18), além ter-lhe causado certa inspiração em algumas das suas letras, não sabemos ao certo. Mas o que dá pra entender bem é que o Lamb of God como banda evoluiu pra caralho!

"Sturm Und Drang" em sua grande parte tem como inspiração em suas letras o período que Randy passou na prisão tcheca e o que passou nesse período, como no forte single "512", em que Randy ao melhor estilo Dostoiévski (guardadas as devidas proporções de acontecimentos) conta como foi sua experiência em estar em uma cela sequer vendo em que parte do dia o Sol apontava para o céu.

O grande ponto para eleger esse álbum como um dos melhores do ano e da carreira da banda é a inserção de novos elementos musicais que impossibilitam a banda de ser apenas uma cópia de si mesma - algo que ela mesma já foi bastante acusada. É evidente a evolução musical da banda em diversos momentos que contam com arranjos diferenciados de seus outros trabalhos, sem contar o próprio Randy Blythe que só melhora sua potência vocal.

Um ótimo exemplo de evolução está na espetacular "Overlord" que grooveada ao melhor estilo Alice in Chains e contando com os vocais limpos de Randy Blythe, sobe as alturas em um riff violentíssimo sob os berros de Randy. E como o Lamb of God se dá bem em faixas mais lentas e cadenciadas, "Torches" até lembra Iron Maiden em seu dedilhado no começo da canção, quem diria. Mas não se preocupem, essa impressão só se dá nos segundos iniciais, depois é mais uma "pedrada na orelha".

Pedradas são várias, "Still Echoes", "Delusion Pandemic" e "Anthropoid" por exemplo, servem tanto para quebrar paredes como para infernizar vizinhos. Em suma, são músicas que sempre o Lamb of God fez. De arranjos simples e diretos, sem firulas e solos mirabolantes e/ou duradouros, cada faixa se prova suficiente e bem estruturada. Executadas por uma banda que cada vez mais se mostra entrosada e redondinha em sua pesada proposta.

Viciante no último, o groove metal da banda norte americana que desde "Wrath" e "Resolution" vinha evoluindo, em "Sturm Und Drang" chega a seu ápice, mais que o suficiente para eleger esse novo trabalho como o melhor em sua carreira. Título muito graças a exímia dupla de guitarristas Willie Adler e Mark Morton. Sem eles, nada disso seria possível.

Tracklist:
  1. "Still Echoes" - 4:22
  2. "Erase This" - 5:08
  3. "512" - 4:44
  4. "Embers" - 4:56
  5. "Footprints" - 4:24
  6. "Overlord" - 6:28
  7. "Anthropoid" - 3:38
  8. "Engage the Fear Machine" - 4:48
  9. "Delusion Pandemic" - 4:22
  10. "Torches" - 5:17
  11. "Wine & Piss" - 3:33 (Faixa Bônus da edição deluxe)
  12. "Nightmare Seeker" (The Little Red House) - 4:56 (Faixa Bônus da edição deluxe)


Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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