Resenha Série: Sherlock (1ª 2ª 3ª Temporadas)

Falar da qualidade atual das séries televisivas e redundância, todo mundo que acompanhou pelo menos uma série atualmente sabe muito bem que a qualidade dos roteiros e de produção vem crescendo, tendo como consequência imediata a maior sedução de atores consagrados em Hollywood esperando lá a qualidade e visibilidade que muitas das vezes no cinema não há - ou pelo menos não anda havendo. Vide o "House of Cards" com Kevin Spacey e "The Knick" com Clive Owen.

Ao lado das tradicionais redes americanas e de streaming, está a BBC, que com séries elogiadas vem chamando atenção da crítica especializada e com "Sherlock" em 2011 chegou a seu ápice. Infelizmente suas séries não são tão divulgadas aqui no Brasil em seu lançamento, mas nada que a maravilhosa internet não resolva. Foi assim que conheci "Sherlock" que, como o cara só um pouco letrado deduziu, é inspirada no personagem do escritor e Sir, Arthur Conan Doyle.

Primeiramente "Sherlock" é bem diferente da versão para o cinema de Guy Ritchie e protagonizada por Robert (fucking Iron Man) Downey Jr. e Jude Law. Ao contrário da abordagem criticada do diretor que fez Sherlock ser além de detetive, mestre em artes marciais (acho que para dar uma emoçãozinha de herói que salva o dia), Sherlock Holmes e Watson interpretados por Benedict Cumberbatch (nome bacana esse) e Martin Freeman respectivamente são transportados pro século XXI, mas sem nada de artes marciais, apenas dedução e um pouco de arrogância deliciosa característica do personagem. 

Sobre a retratação dos personagens, o Dr. John Watson é um médico do exército britânico da Guerra do Afeganistão que após ter sido atingido por uma bala foi forçado a regressar a Londres para tratar de sua saúde, no entanto, como consequência Watson desenvolveu um tipo de estresse pós traumático do ocorrido trazendo uma depressão e o fazendo se deslocar com uma bengala. Desempregado e sem ter muita ideia do que fazer, Watson enquanto passeava pelo parque encontra um amigo que lhe diz que conhece alguém que está procurando alguém para dividir apartamento. Esse homem é nada menos que Sherlock Holmes. Ácido, brilhante, peculiar, sociopata, e alguém não muito tolerado por causa de sua facilidade espantosa em deduzir aspectos da vida das pessoas (até por isso vive sozinho), Sherlock é o homem a quem a Scotland Yard recorre quando nos casos mais complicados e misteriosos. Os dois não demoram a se dividir um apartamento na famosa Baker Street no bom e velho estilo "república" e demoram menos ainda a partir pro seu primeiro mistério: "A Study In Pink". 

Na primeira temporada temos, como disse, "A Study In Pink" que é diretamente baseada em "Um Estudo em Vermelho", "The Blind Baker" e "The Great Game", quando o principal antagonista de Sherlock, Moriarty (Andrew Scott), dá as caras e quando dá as caras e nos prepara para o duelo genial entre as mentes mais brilhantes que virá. A temporada tem seus episódios mais "soltos" com um pequeno gancho entre si e logicamente tratam-se do início da relação entre Sherlock e Watson e na relação de puta confiança e desconfiança que há na Scotland Yard sobre o trabalho de Sherlock como detetive, talvez uma ponta de inveja que os funcionários tem por Lestrade (Rupert Grimes) confiar seus serviços ao estranho detetive.

Na segunda temporada temos a relação entre Sherlock e Watson mais profunda, e o genialmente assustador Moriarty aparece como o principal inimigo a ser combatido pela dupla, o que dá um teor de "jornada" a série e uma conexão maior entre os episódios, mesmo esses adaptando três das histórias mais famosas do detetive: "Um Escândalo na Boemia", "O Cão dos Baskerville" e "O Problema Final". Sherlock vai aqui da glória até sua morte, o que dá uma boa ideia do choque que Moriarty dá a série e dos rumos que a mesma toma. "The Final Problem" é premiado por mim como um dos melhores finais de temporada já vistos pela história da humanidade. O nível de tensão e de emoção é extremo.

E para finalizar na terceira temporada a relação entre Sherlock e Watson se distancia. O suposto suicídio de Sherlock obriga a Watson a reimaginar a sua rotina e sua vida levando-as de forma comum, no entanto fatos surpreendentes estão por vir e Watson é obrigado a suportar choques pessoais como nunca imaginou.

Aclamados pela crítica, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman dão um show. A química indispensável de Sherlock e Watson (do homem brihante - homem comum) está presente e rendem diversas risadas ao longo da série, principalmente nas relações interpessoais de Watson, que por trás da sede de sempre participar da ação, é um homem a busca de um grande amor. Benedict aliás parece que nasceu para interpretar personagens geniais e extremamente prepotentes por causa da sua inteligência, é o que pode se ver em "O Jogo da Imitação" onde Benedict interpreta o genial matemático Alan Turing.

Até o momento temos três temporadas da série e cada temporada tem três episódios, indo bem na contramão das dezenas de episódios nas temporadas das séries que assistimos. Problema? Claro que não. Cada episódio tem 90 minutos, o que por si só da um caráter de longa-metragem que não é comum nas produções televisivas, mas que compensa cada minuto por reconhecermos ali o cuidado que os roteiristas e produtores tiveram em dar o ritmo certo a série. Sem episódios semanais e tendo espaço de dois anos a cada temporada (10, 12, 14) a encheção de linguiça desnecessária que muita vezes há em séries com mais de 20 episódios na temporada inexiste. "Sherlock" deu espaço a seus atores e mesmo respiro para o público, o que dá calma suficiente a BBC para decidir o que irá fazer da série em relação a produção e elenco.

Sim, Sherlock Holmes no século XXI. Contudo, o que podia ser motivo de preocupação, é rapidamente pulverizada por um roteiro que transporta Sherlock e Watson tão naturalmente para os nossos tempos tecnológicos, que passa totalmente batido o fato de Watson ser blogueiro e tanto ele como Sherlock viverem trocando mensagens pelo celular para se comunicar, por exemplo. Aliás, muito da ótima impressão da série passa não só pela perfeita transposição de época e interpretação, mas pelo fato de a BBC ter simplesmente atualizado o mundo dos personagens e não os atualizado na personalidade, eu penso que isso colaborou muito pra muito para avivar nossa imaginação de como seria o mundo se Sherlock existisse.

Fico aqui na torcida para que série retorne futuramente. E dado ao espaço de tempo de cada temporada, quem sabe em 2016 isso não acontece. =)

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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