Terrorismo: Nós estamos todos indignados (bom, nem todos)


Sobre o atentado de ontem ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, só acho que quando se mistura religião, armamento e humanidade, sobra o resultado do que aconteceu.

Por causa da fé, do fanatismo e da vaga ideia de que "minha religião é melhor que a sua" e do supostamente certo e do errado, doze talentosos cartunistas foram cruelmente assassinados, doze famílias foram mortas, milhões ficaram de joelhos mais uma vez. O ataque a liberdade de imprensa e a liberdade de rir são menores do que as consequências desse ato tão estupidamente vingativo causa aos próprios adeptos da mesma religião, que agora é vista com cada vez mais preconceito ao redor do mundo.

A xenofobia alcança patamares cada vez maiores, e após esse atentado na França, fica cada vez mais difícil desviar de olhares tortos que já habitavam muitos cidadãos da Europa e Estados Unidos, e até daqui. É fácil de perceber que estamos a passos largos para uma extrema divisão ideológica e cultural, e é difícil absolver cada um dos lados nesta situação.

Prefiro não dizer mais que sou ateu, agnóstico ou qualquer coisa do gênero; apenas acredito em mim, no meu bom senso e no poder que as decisões tem em minha vida. Nem vou me estender muito a citar a perseguição religiosa em diversas eras da humanidade, como nas Cruzadas e na Idade Média que dizimaram milhares de pessoas, mas no alto da minha "ignorância religiosa", entendo que Deus deva significar amor, compreensão e respeito (apesar que você folheie o Velho Testamento e encontre decisões totalmente contrárias a isso), Bom, qual a veracidade de um livro antigo e empoeirado? Só acho que a ignorância começa nos religiosos quando não aceitam que é saudável que seu próprio Deus deva ser questionado de vez em quando. Se nós somos tão falhos, porque então se esconder disso, se esconder da própria hipocrisia? 

Não venham me dizer sobre politicamente correto pra tentar justificar o que aconteceu. Atos assim merecem o rigor da lei. Porém hoje de manhã observando os comentários de diversos sites de notícias (que são a latrina da opinião popular), é de se assustar a quantidade de pessoas que repudiam os ataques, mas ao mesmo tempo justificam dizendo que eles "procuraram a morte", que o humor passou dos limites. Em outras palavras: "mexeram com vespeiro". Pra começar a falar dos limites do humor, ele talvez seja aquele que trata todos com maior igualdade do que o ofendido julga ter no mundo em que ele vive (o de bom senso, claro). Contudo não é de se surpreender, pois não duvido que essas mesmas pessoas são aquelas que puniram religiosamente os americanos no 11 de setembro pela sua soberba, e acreditam piamente até hoje que todo o terrorismo é um mecanismo mediático dos países de primeiro mundo. Inclusive este que aconteceu.

Eu só acho que respeito é muito diferente de medo, e liberdade é diferente do ser supostamente correto. Infelizmente no mundo atual esse pensamento é cada vez mais asfixiado em favor de confrontos ideológicos em detrimento de um entendimento amplo.

O fato é que o fanatismo religioso, de não só do islã, mas a da cristã e da evangélica, infelizmente acabam provocando na sociedade o livre preconceito ideológico e o consequente o medo das minorias. Pra testar, é só você experimentar dar uma arma e liberdade para algumas das pessoas, dementes e tementes a Deus que habitam os comentários de redes sociais e afins para ver o resultado nada bom que aconteceria se caso sua ideologia fosse desrespeitada de alguma forma. Creio que religião deve ser posta na mesa e deve ser pacificamente comprovada como bem espiritual pessoal, e não servir como uma arma ideológica através do medo; respeitar não é se acovardar. Mas a estupidez humana infelizmente é inerente e vitoriosa, e isso passa longe das saudáveis discussões.

Semanas atrás quase que conseguiram proibir a veiculação de um filme, ontem foi atacado o jornalismo e o humor. A dúvida que toma o mundo a partir de agora é: Como será que irão reagir diante a isso? A liberdade será calada?

Numa capa veiculada do Charlie Hebdo temos um islamita beijando um cartunista e a seguinte frase estampada, algo como: "o amor é mais forte que tudo". Bom, é triste a notícia de que o ódio armado aos poucos vem superando esse sentimento. É pra mim contraditório censurar a saudável liberdade de expressão quando há a maléfica liberdade de tirar a vida de alguém pela divergência de ideias e crenças. Na verdade o que vivemos é uma luta de classes - e acho que se Charles Darwin fosse vivo, deveria virar sociólogo para entender isso mais a fundo.

V for Vendetta dizia: "Ideias são à prova de balas". Creio que isso soa muito poético.

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

Voltando
Next Post »
Comentários
0 Comentários
0 Comentários