Resenha Livro: Neuromancer (William Gibson)

Lembro que, empolgado com o título "da lista de cinquenta melhores romances do século XX" e também por causa da capa legal aí ao lado, fui atrás que nem louco da edição especial de "Neuromancer" nos sebos virtuais por aí na internet. O romance cyberpunk de William Gibson que é a primeira parte da chamada trilogia do "Sprawl" (formado também por "Count Zero" e "Monalisa Overdrive") conta a história de Case, um hacker endividado e viciado em todos os tipos imagináveis de droga que recebe da sedutora Molly a seguinte proposta: "nós iremos retirar toda a toxina que o impede de conectar a Matrix de seu corpo. Porém, como nada é de graça, ele terá que fazer um último trabalhinho para um e chefe das Forças Armadas chamado Armitage: hackear o mais poderoso dos mainframes (computadores de grande porte) existentes: Wintermute.

Como o termo Cyberpunk denuncia, o mundo de Case é povoado por supostamente humanos de tantos implantes indo de braços a corações, prédios altíssimos, degradação urbana, e riqueza e miséria extremamente opostos orquestrados por um governo decrépito e dominado por megacorporações que ditam os rumos do mundo.

Semelhante a uma visão de futuro não tão difícil de se imaginar? Bom, obviamente não se trata da mesma história, mas o roteiro é similar ao que vemos na trilogia Matrix com uma boa pitada de Hollywood. Quer dizer, ao ler "Neuromancer", é fácil de perceber que os irmãos Wachowski basearam-se no mundo Cyberpunk que Gibson criou. É só prestar atenção nos dois personagens principais: Case como um hacker, e Molly treinada nas mais diversas artes mortíferas em sua roupa de vinil. Fortes semelhanças a Neo e Trinity.

Lendo a sinopse do romance de Gibson e a vendo a semelhança com Matrix, o livro parece bem atraente, e é para os aficcionados por ficção científica, mas infelizmente os problemas começam por aí. Não sei se o livro foi mal traduzido ou eu que simplesmente não tive a capacidade mental para entendê-lo, mas "Neuromancer" é MUITO confuso.

Fazendo um exercício rápido de memória é como se a Molly estivesse na moto, pensando no Armitage, e esse mesmo falando de algum ponto da cidade ou da Matrix (não sabemos bem), de repente Case acorda, e no mesmo instante em que ele está se drogando, ele veste as calças e Molly juntamente com um jamaicano o resgata e vão a caça de Wintermute; porém, não sabemos se isto é real ou se isto é a Matrix. Fora claro os termos tecnológicos que me perdi do significado a certo ponto da história. Não tem muito nexo né? Talvez lendo umas três ou quatro vezes o faça, mas imagine a velocidade desse acontecimento o tempo todo.

Concordo plenamente que "Neuromancer" a exemplo de "Laranja Mecânica" de Anthony Burgess é uma história de linguagem própria, e esse universo criado por William Gibson é tão rico que não cabe nesta resenha. Mas multiplique os "Molokos" e "Droogies" a milésima potência. Várias vezes me peguei pensando aonde estava naquela metáfora tão maluca que lia. Concordo que também que "Neuromancer" não é um romance para se ler às pressas (nenhum é na minha opinião), mas não justifica o fato de não dar ao leitor o claro vislumbre do que está acontecendo naquele momento universo de Gibson talvez não caiba nessa resenha, e talvez não caiba nas próprias palavras do mesmo.

Gibson criou um mundo cyberpunk e foi o responsável por influenciar gerações seguintes, mas o problema é que "Neuromancer" é tão cheio de metáforas e tão "viajado" na imaginação do próprio autor que ficou difícil de acompanhar atentamente os desfechos da história. E digo isso com pesar, pois esse é o primeiro livro que não consegui terminar de ler. Sinceramente eu já me via tão imersamente perdido na história que acabei desistindo da leitura faltando uns quatro capítulos para o final. Se "Neuromancer" serviu como inspiração para os Irmãos Wachowski, fiquei aqui imaginando comigo que se o livro, com a mesmíssima história, mas trazendo uma linguagem mais simples, eu não teria os problemas que tive.

"Neuromancer" é tão cheio de informações que necessita de imagens para expressá-lo de uma forma simplificada. Ao final do livro somos levados a um glossário com alguns dos termos mais utilizados do romance, aí lembrei da frase "entendeu, ou quer que eu desenhe?". Me senti um burro, mas aí vi o absurdo de um livro ter como necessário um glossário ao final do mesmo.

"Neuromancer" se propõe a ser tão revolucionário que tropeça em sua própria ambição. Queria mesmo que William Gibson tivesse desenhado pra mim. 

Confesso que comecei empolgadíssimo o livro, o começo dele é muito bom e conciso, apresentando uma história de temática complexa que prende o leitor. Tudo que esperava. Eu li 10 capítulos em uma só noite. No entanto, a medida em que ia avançando, em certas partes batia aquele sentimento incômodo de se perguntar o que estava lendo, porém eu ansiava em saber a conclusão da história o quanto antes. Mas aí os dias se passaram e de dez foi pra três, dois, um capítulo por noite,,, dormi em muitos dias tentando avançar na história. É como se minhas forças e minha paciência tivessem se esgotado. Dentro de mim ainda bate aquele sentimento de dúvida de se eu deveria ter me esforçado mais pra entender tudo aquilo, porém no final das contas o sentimento foi de decepção. 

Eu tenho em mente que o romance foi fundamental para muito do que sabemos hoje em dia do cyberpunk e que muitos tem o livro como de cabeceira, porém, ao final dele só rocomendo a leitura para quem dispõe de uma mente muito descansada, talvez de férias, ou mesmo alguém que tenha uma capacidade de leitura maior que a minha... vai saber. 

Talvez eu não seja tão fã de ficção científica, mas nada em "Neuromancer" me surpreendeu. 

Talvez me dê melhor com Philip K. Dick, Arthur C. Clark ou Isaac Asimov?

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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