Os velhos pensamentos de um velho ano


Sim, como em todo final de ano nos encontramos cansados de quase tudo da vida. Os meus dedinhos coçam pra escrever alguma coisa. Chega o final de ano e novamente digo a mim mesmo que preciso de férias, férias das pessoas. Férias da falta de educação e hipocrisia alheia, daquela falsidade, de gente sem noção do ridículo, e daquela gente que tromba ou pisa no seu pé sem pedir desculpas. Férias do país cômico em que vivo e das velhas políticas que me cercam. Férias do estresse, do politicamente correto, e da disfarçada tristeza que toma conta da gente a cada final de ano. e às vezes de mim mesmo, de não praticar nem metade das boas coisas que dizem que aconselho me queixando dos meus próprios erros e chatices. Mas é somente um cansaço, tipo de querer acordar meio-dia e virar a noite no vídeo-game pra esquecer um pouco as responsabilidades e daquilo que a gente deixou de fazer e de ser. Quem nunca? Reclamar a gente reclama sempre mas a constatação final é de crescimento, de amadurecimento, de agradecer por continuar amando as mesmas pessoas e quem sabe conhecer tantas outras que, estando por uma hora ou por um ano, marquem de alguma forma feliz o momento em que lá estive. Sempre haverão aquelas que procuram isso tanto quanto eu, na verdade, que como eu, apenas cuidam de seu jardim esperando que om 2015, 2016... seja sempre melhor.

Anteontem voltei pra casa após cinco dias curtindo o Natal, pensando em tudo que se passou, pensando em acordar meio-dia, pensando nessas segundas-feiras em que a gente percebe o quanto é difícil voltar a rotina; não só porque estamos a porta do novo ano - que dá uma preguiça do caralho - mas em ter que retornar ao som dos votos de boas festas alheios, muitas vezes não tão sinceros quanto se aparenta. Passei um Natal bom, de lembranças e cheio de carinho, mas repetindo a mim a reflexão necessária de ano novo de que não somos os mesmos do anos anteriores portanto as promessas ou metas nunca deveriam ser as mesmas. É errado, pois sou uma eterna mutação, uma metamorfose ambulante. As coisas mudam pra melhor ou pra pior, simplesmente mudam, mas devemos nos adaptar. A vida é isso.

Lá se vão quase duas semanas de festas com a mente mais pra lá do que pra cá, das velhas metas de pessoas - e da gente mesmo - que estão vazias por dentro, desperdiçando energia nos estouros dos fogos e bebedeiras pensando na academia pro verão e pensando em como o ano passou rápido sem se dar conta de que ele tem 365 dias sempre. Estamos a reclamar e se lamentar do futuro pouco se importando com o que pode acontecer. Não em apenas fazer, em ser.

Eu não acredito que exista ano novo e ano velho, pois inevitavelmente carregamos o passado e esquecê-lo é o pior erro de todo ano. Como diria o saudoso Cazuza: "o tempo não para". Então meus desejos e suas realizações devem ser o saudável conformismo de que a vida simplesmente continua. Pense em você e cuide de você, a vida é sua. Não é um tipo de niilismo, é somente uma constatação de que nossa parte cabe a adaptar e a absorver. O filme que passa em nossa mente ao final de cada ano, deve ser sempre relembrado com esse objetivo.

Como diz um caro amigo meu: "a vida é uma estrada sem retrocesso".

Resenha CD: Machine Head - Bloodstones & Diamonds

O mais recente álbum do Machine Head "Bloodstones & Diamonds" é um álbum barulhento, pesado, um verdadeiro chute no saco típico do Machine Head em seus lançamentos; mas sobretudo não é apenas isso. O que é ótimo!

Inicialmente aviso que B&D é um álbum longo, com mais de 1h e com a maioria das músicas ultrapassando os sete minutos. Esta é uma característica do Machine Head e a banda emprega isso muito bem, entretanto em algumas músicas isso soa cansativo principalmente para quem não está tão acostumado com esse ritmo da banda. A duração de algumas músicas soa até como um excesso, mas é bem vindo em favor do resultado final de muita bateção de cabeça.

Se "Unto The Locust" foi tão espetacularmente bom que tirou até as palavras desse humilde headbanger que vos escreve e "The Blackening" foi tão pesadamente violento que estourou os meus headfones. tenho prazer em dizer que "B&D" não perde em nada disso, mas é bem mais diversificado, contendo mais melodias que seus álbuns anteriores como nas "In The Comes Flood" e "Take Me Through The Fire" .

Mais uma vez unindo peso e melodia do jeito que só o MH saberia fazer, a banda abre o álbum com os singles "Now We Die" e "Killers & Kings" que são a síntese do que o Machine Head mostrou nesses últimos anos. Duas músicas prontas pra estarem na boca dos fãs nos shows, a primeira com arranjos mais épicos - mostrando que a banda está disposta a sempre arriscar em seus trabalhos - e a segunda com fáceis refrões e com riffs simples e matadores.

O MH apresentou em B&D um lado sombrio que não conhecia tão bem, mas sem deixar o lado extremo de lado, o que só mostra grande capacidade dos caras em se renovar e dar uma cara distinta em cada ponto de sua discografia. Cheiro de novidade permeia o ar enquanto a banda flerta com o stoner metal do Black Label Society principalmente na "Beneath The Silt", e na psicodelia de faixas como a "Damage Inside" e "Sail Into The Black". Rob Flynn nessas faixas desfila o seu poderoso vocal e o MH só cresce como banda a colocar essas influências em jogo.

Destaque também para as excelentes pedradas "Night Of The Long Knives" que dá um verdadeiro soco no estômago e "Game Over" no melhor estilo punk de ser.

Viciante e um álbum que melhora a cada vez que clicamos no play, Bloodstones & Diamonds é como se fosse uma boa mistura do tudo que o Machine Head fez em seus últimos trabalhos, mas ainda conseguindo adicionar um tempero que é sempre difícil de se achar. Já virou fichinha dizer que o MH fez um álbum digno de estar entre os melhores da década no metal.

O Machine Head criou uma fórmula matadora que é difícil achar alguma pisada na bola, bandas consagradas não conseguem atingir o patamar que o MH alcançou e não é besteira dizer isso. Passa longe de ser coincidência que a trinca de clássicos ("The Blackening", "Unto The Locust" e o dito cujo) aclamados pela crítica e pelos fãs que a banda lançou em sequência seja algum tipo de sorte, pelo contrário, devemos bater palmas para os caras pela competência!

Agora resta a pergunta que sempre nos acomete depois de um álbum tão bom que ecerra meu ano com chave de ouro: O que vira em seguida?

Tracklist:
  1. Now We Die
  2. Killers and Kings
  3. Ghosts Will Haunt My Bones
  4. Night of Long Knives
  5. Sail into the Black
  6. Eyes of the Dead
  7. Beneath the Silt
  8. In Comes the Flood
  9. Damage Inside
  10. Game Over
  11. Imaginal Cells (Instrumental)
  12. Take Me Through the Fire

Os zumbis da era moderna

Penso que é grave a doença que zumbifica socialmente as pessoas: 

O ativismo e a luta pela justiça social. 


Esse é apenas um quadrinho que faz uma reflexão sobre o finado 2014. 

Tirinhas da Semana #206

Esse fim de ano dá uma preguiça...

Depois de 5 dias de "férias" daqui do blog e de São Paulo, estou aqui de volta a rotina para relembrar de que o ano ainda não acabou. Confesso que estou com preguiça de postar no Descafeinado. Hoje é dia 29, mas com uma cara de sexta-feira eterna... Ah é, então vou postar as tirinhas da semana, a da última semana de 2014.

Adeus ano velho!











A arte minimalista de Tom Whalen

A arte minimalista de Tom Whalen
O artista e ilustrador Tom Whalen é um dos belos exemplos de que não é preciso muito para impressionar. Fã de rock e da cultura pop, ele com seu estilo minimalista, retrô e de desenhos "chapados", ele reimaginou alguns posteres de filmes clássicos da vida dele e criou outros para os desenhos e animações da Pixar que ele e todos nós assistimos.

Nem preciso falar que dá de 10 a 0 em muitos cartazes por aí em Hollywood...


O que passa pelos meus fones #88 - Apocalyptica

O que passa pelos meus fones #88 - Apocalyptica
O Apocalyptica surgiu em 1993 apenas por diversão. O trio de violoncelistas finlandês Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen e Perttu Kivilaakso (amo vocês ctrl+c e ctrl+ v) tomou cara de banda mesmo quando o baterista Mikko Sirén foi adicionado ao grupo em 2005. Desde então o Apocalyptica tem se concentrado em uma sonoridade voltada ao heavy metal, mas com uma veia pop crescente, muito devido a seus convidados especiais nos vocais.

Depois de um hiato de 4 anos sem composições inéditas, antes de acabar o ano o Apocalyptica resolveu soltar em seu canal no YouTube um lyric video da sua nova música "Shadowmaker", que conta com a participação de Franky Perez, vocalista da banda Scars On Broadway (projeto do guitarrista do System Of a Down, Daron Malakian)

As primeiras impressões são muito boas. Parece que a banda acertou a mão (ou os meus ouvidos). Sempre gostei da banda, mas essa faixa me chamou muito a atenção pelo refrão forte e instrumental mais equilibrado entre os cellos e a bateria, algo que eu sentia que faltava um pouco em várias de suas composições. Resta aguardar o restante do novo trabalho, algo que sempre temos que fazer se tratando de Apocalyptica. O oitavo álbum do trio de violoncelistas está ainda sem título, no entanto ele está confirmado para abril de 2015.

Resenha CD: Royal Blood - Royal Blood

Esse 2014 foi meio parado na questão de lançamentos no mundo do rock. E antes que discordem de mim, não sou garimpador de bandas e muito menos sou daquele que adora buscar uma banda que nunca ninguém ouviu só para parecer mais descolado no meio da galera, simplesmente curto o estilo e pronto. Então sendo direto ao ponto, de grandes lançamentos dos dinossauros do rock só tivemos o AC/DC; já das bandas contemporâneas do metal, tivemos o Mastodon e Machine Head, e o Foo Fighters do lado mais pop da coisa. De cabeça lembro isso, mas infelizmente de nenhuma banda nova pra contar história; pelo menos que sentisse empolgação após a audição.

Está acabando 2014 e pelo maravilhoso Spotify (novamente provando por A+B como a livre divulgação da música é benéfica) descobri o Royal Blood. Nem precisei de dois cliques pra chegar lá, nem de pensar duas vezes pra dizer a mim mesmo: "ah sim, esse é aquele frescor que queria".

O duo inglês formado por Mike Kerr e Ben Thatcher que une toda a fúria do grunge dos anos 90 e a grandiosidade do rock dos anos 70, tem a modernidade do Muse, o blues de Jeff Buckley e a fúria Kurt Cobain como principais mentores e influências admitidas pela própria dupla, mas tudo isso aliado a uma característica bem particular: não tem guitarra. Ao contrário de outros duos como White Stripes, aqui é só baixo e bateria que provam que é sim possível fazer um bom bolo sem batedeira, assim como é possível fazer um bom rock sem uma guitarra. Tudo muito mais cru que comparações que poderiam surgir a finada banda de Jack White.

O Royal Blood recentemente foi eleita a banda de rock mais promissora em 2014 pela BBC e ganhou a admiração de artistas como Matthew Bellamy do Muse a Jimmy Page do Led Zeppelin. Nas palavras de Mike Kerr: "menos é mais", e somente esse pensamento consegue descrever o que é o som do Royal Blood.

Mike Kerr com seu timbre característico do rock inglês, não se limita aos graves do baixo, explorando todas as sonoridades que nem mesmo imaginávamos existir nesse instrumento. E certamente por termos apenas dois integrantes - nem fazendo número pra dizer que se trata de uma banda -, Ben Thatcher tem toda liberdade do mundo pra fazer da sua bateria protagonista, explorando todo o groove que há e com mão de ferro dando todo peso que o som da dupla é capaz de causar. Resumindo, ao darmos play no álbum temos a sensação mais clara de uma "banda inteira" estar tocando. Simples assim.

Ouçam a entrada com a "Out of Blood" seguida por "Come On Over" pra entender o que significa "pé na porta"..

É... 2014 ainda reservava coisa boa.

Tracklist:

1. "Out of the Black" 4:00
2. "Come On Over" 2:51
3. "Figure It Out" 3:04
4. "You Can Be So Cruel" 2:44
5. "Blood Hands" 3:07
6. "Little Monster" 3:32
7. "Loose Change" 2:35
8. "Careless" 3:21
9. "Ten Tonne Skeleton" 3:07
10. "Better Strangers" 4:12

Os melhores filmes dos últimos 20 anos em 3 minutos

Os melhores filmes dos últimos 20 anos em 3 minutos
A expressão da música é enorme por si só, mas só quando o vídeo se juntou a ela se pode ter momentos lendários nas últimas décadas. As rádios ficaram em segundo plano, o que era legal e eficiente a partir dos anos 80 era lançar vídeo clipes, e a fundação da MTV nos EUA e aqui no Brasil só reforçou essa tendência.  Madonna e Micheal Jackson como a realeza do pop, souberam como ninguém aliar as duas mídias e com elas decolar suas carreiras a limites não antes vistos. 

A MTV se foi aqui no Brasil ano passado, abalada muito mais pela sua própria incompetência do que a possibilidade de vermos o vídeo que quisermos pelo YouTube. Mas prova de como tem gente que sabe muito bem o poder desse formato, são as bandas novatas como o Cruisr, que ganhou meu joinha ela criatividade na animação e por depois de muito tempo ter visto um clipe que me cativasse tanto e me fizesse ouvir a música. 

Que acompanhava a MTV sabe que era comum gostarmos da música e vermos o vídeo, mais comum era não curtirmos a música, mas gostarmos tanto do vídeo que passávamos a gostar da música igualmente! Foi o caso desse vídeo que vi solto por aí no Facebook como uma simples animação, e só pesquisando a fundo descobri de que se tratava de um clipe.



Bolsonaro não me assusta no que diz e sim quem o apoia secretamente



Dia se passou e agora dá pra fazer uma análise mais fria da (mais uma) polêmica que o Senhor deputado Jair Bolsonaro se meteu.

Ele declarou que "jamais estupraria a Maria do Rosário, porque ela não merecia"

Bom, a declaração tem duas interpretações básicas e uma que uma pessoa normal faria:

Ele simplesmente deu a entender que realmente tem quem mereça ser estuprada, pura e simplesmente. Ou ele se quis entender que nenhuma mulher merece ser estuprada, pois se a deputada Maria do Rosário "não merecia", logo não tem quem mereça (e que se foda os "esquerdinhas" se ele foi mal interpretado por isso).

Bom, a minha interpretação do que esse senhor disse de forma agressiva, é que ele disse o que nenhum ser humano poderia dizer, não dessa forma. Certa ou errada, a declaração correta seria ele calar a boca, já que com muito esforço consegue-se interpretá-lo de forma mais serena. Mas para aparecer irritado e mandão, vale qualquer esforço pra inflar o ego e ele consegue. Há cerca de quatro anos nem sabíamos quem esse cara era, então graças ao espaço na mídia que ele soube ganhar com suas declarações exageradamente agressivas e desnecessárias, está aí protagonizando casos como esses e discussões acaloradas entre direitas e esquerdas de Facebook.

Hoje ele declarou que "a palavra é a principal arma dele no congresso" - realmente o é, já que o congresso é feito das discussões -, mas Tio Ben já dizia que com grandes poderes há grandes responsabilidades, portanto como ser bem esperto que é, ele sabe muito bem que fazendo tais declarações com duplas interpretações atinge tanto o lado de quem o apoia e tanto o lado de quem não. Entre amor e ódio, a palavra tem poder.

É a estratégia do falem mal de mim, mas falem; daí entendo bem porque ele também declarou hoje que não se arrepende das ofensas. Entre esses discursos, ele futuramente tentará uma candidatura a presidência apoiado nos votos da incidência assustadora de pessoas que concordam ou tendem a concordar com ele. Ainda tem 16% que queriam a volta da ditadura (grande parte nem sabendo o que ela foi), portanto não me assustaria se ele chegasse num segundo turno calcado em que o apoia cegamente e na esperança de outra parte da população de "fazer a limpa no país".

Dizem que o Congresso é um reflexo do povo. Ouvi isso por aí, em lendas e cantigas. Mas não deixa de ser verdade e isso é o que me assusta. Quatro partidos entraram com representação pedindo a cassação dele e os vinte outros nada fizeram. No final das contas, quem cala consente. O povo reclama, mas merece o que tem, de Bolsonaros, Felicianos, Malufes, Collores, Calheiros e Dilmas, até a enorme corrupção apoiada em desvios e desmandos de tantos outros peixes menores.

Parabéns!

Resenha Livro: "Histórias de Horror - O Mito de Cthulhu" (H.P. Lovecraft)

O autor famoso pelo oculto e sobrenatural, tem nas entranhas de seus contos o medo como a principal força motriz do ser humano. Medo do sobrenatural, do desconhecido, medo da morte, de nós mesmos; o medo que caminha lado a lado com a curiosidade. Precisamos saber, pois não sabemos de tudo.

Nunca saberemos.

A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade humana em correlacionar tudo o que sabe.

Na versão pocket que li da Martin Claret, temos quatro contos: "O Chamado de Cthulhu", "O Horror em Dunwich", "Sussurros na Escuridão" e "O Assombrador das Trevas". 

Numa interpretação psicanalítica, Cthulhu, como criatura que surge das profundezas do oceano, se encaixa perfeitamente ao inconsciente coletivo proposto por Carl Gustav Jung. A entidade se alimenta da criatividade humana, enquanto atrai as pessoas misteriosamente através de locais e artefatos como um "semi-transe". A interpretação é totalmente válida e logo aí fascina qualquer fã de terror.

Entendo que "O Chamado de Cthulhu" não foi o conto que mais me impactou (o que entendo que cabe a uma interpretação muito pessoal), mas é com toda certeza o carro chefe do livro; um chamariz que me deixou enfeitiçado pela mística criatura. Funcionando como um cartão de visitas, o conto notadamente curto de 35 páginas dado a sua complexidade contidas em tão poucas palavras, se expande.

Os contos de Lovecraft não só são meticulosos e são geniosamente bem detalhados, Lovecraft foi capaz de construir um personagem complexo e o mais importante: expansível, fazendo com que o autor o explorasse assiduamente ao longo dos anos construindo assim uma das mitologias mais ricas do mundo da literatura. O que é fascinante. Os contos do livro interligados pela mistica misteriosa e aterrorizante, tem em comum sempre o tom documental envolvido numa aura conspiratória, de relatos, diários pessoais e investigativos, que até hoje são impressionantes e são uma inspiração pra qualquer escritor ou mero leitor que admira as histórias de terror. Cthulhu se torna uma entidade pra quem o lê, mas Lovecraft mostra que o susto não se faz valer como medo, e sim que o próprio medo é o maior horror que será capaz de existir.

A edição e a tradução feita pela Martin Claret são muito agradáveis, assim como a capa belíssima que traduz bem a aura do livro. Os contos são curtos e a leitura facilmente flui apesar do alto detalhismo, apesar de certo cansaço no final do livro pela certa similaridade empregada nos quatro contos, principalmente para quem não está familiarizado. Li o livro por dias numa tacada só, mas muito bem se pode deixá-lo de lado para revistar em outra hora (é até recomendado), Talvez como áudio-livro ele deva funcionar melhor. 

Morbidez e insanidade. "O Mito de Cthulhu" é indispensável em qualquer cabeceira de fã de literatura e de terror. Do verdadeiro terror. 

  • Bom, e como se pronuncia essa palavrinha Cthulhu? De acordo com o autor, a linguagem dos antigos não é compatível com qualquer linguagem humana. Quando sugeria uma maneira de pronunciar o nome do mais famosos dentre os seres por ele criado, Lovecraft não era muito consistente, sendo o "Khûl-lhoo", com uma vocalização gutural na primeira sílaba, a forma mais citada. Entretanto, essa não é a pronúncia mais comum entre os fãs, sendo esses que preferem "kuh-THOO-loo". Eu meio que acabei adotando o "Ktulu" - pronúncia que é tirada do título da música do Metallica dedicada ao mito e uma forma de facilitar a escrita -, ao mesmo tempo que tento utilizar também a forma anterior. Como se pronuncia mais correta ao tentar pronunciar o impronunciável? Então não fique com vergonha se não conseguir pronunciar o nome corretamente. Aliás essa é a intenção e nos contos do autor você entenderá melhor isso.

Bonus track

Quem é um headbanger que se preze, já deve ter ouvido falar de Howard Philips Lovecraft, ou somente H.P. Lovecraft. O autor que inspira tantas e tantas músicas de Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath (falando das mais conhecidas) e até uma de classic rock dos anos 60 que se chama H.P. Lovecraft mesmo.

Então vou linkar duas músicas das bandas citadas aqui (mas leiam essa matéria no Nerd Geek Feelings que tá bem completinha) pra servir de trilha sonora pra quem quer se inspirar nos contos do autor.