Resenha Filme: A Outra História Americana

O episódio de racismo (mais um) contra o goleiro Aranha no jogo de ontem Grêmio x Santos válido pela Copa do Brasil, é apenas uma triste constatação da nossa sociedade, uma sociedade preconceituosa, mal-educada e carregada de crenças extremamente arraigadas, ironicamente numa população tão pluralista como a brasileira.

Como infelizmente testemunhamos num mundo globalizado, o racismo é cada vez mais evidente por uma suposta paixão clubística em que tantos jogadores são ofendidos pela sua cor da pele em pleno século 21. O preconceito é enraizado principalmente naqueles que praticam aquela cultura do "nada contra, mas...". Desde a mulher que não pode entender de futebol, passando pelo racismo, até aquele cara que sempre dá um jeitinho para se dar melhor diante aos outros; e o mais grave e talvez mais risível: ontem foi filmado um negro ofendendo o goleiro também negro. Pois é. Porque nós humanos temos essa necessidade de nos sentirmos superiores à qualquer maneira?

Na II Guerra Mundial foram mortos cerca de 70 milhões de judeus, a ideia deturpada e fanática de Hitler da raça ariana marcou a história, mudou um país e mesmo com a justa demonização do ocorrido, ainda há defensores e adeptos a ideia de supremacia (já até ouvi gente que acredita que não houve o holocausto...). Contudo, a guerra maior se constrói dia-a-dia, como nesse caso que aconteceu ontem num mero jogo de futebol de torcedores doentios. Esse episódio só é mais um em uma dura e cruel realidade ainda viva em nosso meio, mesmo com tantos defensores da igualdade ao longo da história moderna. A verdade é que "brancos" odeiam "negros" ao que fizeram em sua sociedade "limpinha", homens odeiam mulheres que se "infiltram" em seu "clube", e os dois sexos odeiam as pessoas que fazem a opção pelo terceiro (homossexualismo), afinal, a cena de dois homens se beijando destroi familias e a falta de caráter não. E assim seguimos nessa guerra cada vez mais preconceituosa sem ao menos saber o porque ela começou.

No longa de 1998 de Tony Kaye, "A Outra História Americana", somos convidados a uma reflexão profunda sobre esse assunto que continua atual.

Derek Vinyard (Edward Norton) é o filho mais velho de uma família americana de classe alta, que teve quando jovem seu pai assassinado por negros enquanto ele lutava contra um incêndio no bairro deles, e isso foi o estopim para Derek se rebelar e colocar para fora toda sua ira contra as pessoas que - no que ele acredita - só causaram desajustes sociais roubando direitos de um país "justo e limpo" como o americano. Derek assim se torna um líder de uma gangue racista seguidora dos princípios neonazistas e que tem como objetivo livrar seu bairro de tais "parasitas", os negros e latinos que buscam um lugar para ter uma vida melhor mas acabam tirando a oportunidade de pessoas merecedoras como ele. Assim não demorou para Derek se tornar uma referência para jovens perdidos e excluídos de seu bairro que veem na sua pregação uma saída para a sua angústia e frustração.

O filme começa na cena que desencadeia toda a história sendo o divisor de águas na vida de Derek. Seu irmão Danny Vinyard (Edward Furlong, o eterno John Connor de Terminator 2), ouvindo seu irmão transar no quarto ao lado e com os gritos acaba acordando no meio da noite. Não sei com o que ele se sente mais incomodado, mas o fato é que ele deitado na cama e tentando dormir, acaba avistando e avisando a Derek que dois negros estão a roubar o carro dele. Derek sai correndo para fora com uma arma e absolutamente transtornado, mas sabendo exatamente o que ia fazer: matá-los.

Mas o filme não se trata a apologia ao nazismo, claro que não, o filme se foca na longa reabilitação de Derek. Pego pela polícia, preso e condenado, Derek se vê num "mundo" em que todos são iguais e todos estão sujeitos a violência, até mesmo os seus semelhantes. Após três anos na prisão, Derek percebe que em todos esses anos que defendeu essa ideologia só serviram para piorar sua vida, e que o ódio não tem razão de existir. Assim, Derek sai totalmente mudado, e disposto a recomeçar sua vida e a salvar seu irmão que trilha exatamente o mesmo caminho que ele, prestes a assumir o posto de líder na gangue neonazista da qual ele pertencia.

A narração é feita por Danny e o roteiro segue uma fórmula não-linear com "flashbacks", mas muito distante de confundir o espectador, tanto que os planos em preto e branco e em cores servem precisamente para separar o que é lembrança e tempo presente, e não só para isso, servindo como uma espécie de simbologia representando o passado sombrio que Derek tanto luta para esquecer.

Com uma bela fotografia e planos em câmera lenta que serviram pra aumentar a carga de dramaticidade da cena, como a fatídica cena da calçada e logo depois com a prisão, em que Derek sorri com a sensação de vitória mesmo sendo preso após matar dois negros. Talvez não há cena tão enfática como essa para traduzir essa guerra silenciosa: a vitória. Tudo se resume a isso.

O sorriso da vitória
Inegavelmente num filme tão profundo com um tema tão delicado, a exigência por uma grande e convincente atuação é natural. O narrador e irmão de Derek, Edward Furlong, apesar de passar uma aparência "chapada" por todo o longa, dosa muito bem sua atuação, e nos entrega uma atuação talentosa e que por ela é capaz de nos fazer facilmente entender sua verdade em cada sentimento. Mas é no grande Edward Norton que recaem os principais elogios. Desde o jovem e inocente Derek até o líder da gangue neonazista da qual ele se tornou, Edward traduz perfeitamente a intensidade e sensibilidade por trás de cada momento, e não são poucas as vezes que nos impressionamos por isso.

"A Outra História Americana" é grandioso em sua proposta de nos mostrar como o racismo nasce e como ele invade a vida das pessoas, tornando-as cegas, insensíveis e propensas a violência. Filmes contra o preconceito tem vários, mas Tony Kaye assumiu essa missão com maestria retratando fortemente a ascenção da violência por causa da xenofobia, conseguindo comover e sensibilizar o público em um assunto que deve ser refletido diariamente, inclusive mostrando o poder da influência que as pessoas que amamos tem sobre nós. E como um país que se julga "a terra da oportunidade", tem ainda tão arraigada em sua cultura um preconceito extremamente hipócrita e violento em que resta só a reflexão de cada um para mudar isso.

Resenha Cinema: Guardiões Da Galáxia


Creio que como muitos, fui ao cinema para assistir os "Guardiões da Galáxia" muito mais pela diversão do que pela expectativa de saber como meu personagem predileto seria retratado nas telonas. Na última década isso se tornou uma tendência e uma galinha dos ovos de ouro para as produtoras, portanto, fui ao cinema com aquela expectativa que a muito tempo não tinha em conhecer de verdade o que são os Guardiões da Galáxia.

Sabia que a equipe faz parte da fase 2 da Marvel que cimenta o caminho para os próximos Vingadores, e também sabia que o filme inaugurava voos mais altos para a Marvel, agora através do cosmos, dando voz ao temido Thanos e a uma possível ligação com Os Vingadores já que o Homem de Ferro acaba fazendo parte dos Guardiões da Galáxia, mas aí falamos de um futuro muito distante...

Enredo

A ação toda começa com Peter Quill (Chris Pratt) criança, que após perder sua mãe, é raptado pelo líder dos piratas espaciais Yondu (Michael Rooker). 26 anos depois, Peter Quill, agora um mercenário conhecido por ser o "Senhor das Estrelas" - bom, ninguém o conhece assim -, e entre suas "aventuras" rouba uma esfera. É aí que a treta começa. Por causa da orbe Quill começa a ser perseguido, não só pelo terrorista Ronan (Lee Pace) que envia a assassina Gamora (Zoe Saldana) para recuperar o artefato, mas também por Yondu que emite uma recompensa pela sua captura e é aí que entra o caçador Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e simpática árvore Groot (Vin Diesel) na brincadeira. Na confusão de um tentar recuperar o orbe, outro tentar capturar a sua recompensa e a recompensa fugir dos dois, eles vão para a prisão e lá conhecem o brutamontes Drax (Dave Bautista), que apenas quer se vingar de Ronan pela morte de sua família (isso soa familiar?) e por esse conluio de interesses de personalidades tão distintas, que mais tarde descobrem que essa orbe nas mãos de Ronan é uma ameaça a toda população do planeta de Xandar, formam-se os Guardiões da Galáxia.

Personagens

Rocket Raccoon é um exímio atirador e estrategista, o simpático guaxinim é natural da colônia Halfworld, um lugar abandonado para doentes mentais onde animais são geneticamente manipulados para dar-lhes inteligência a níveis humanos e a capacidade de andar em duas patas para muitos para se tornarem cuidadores dos detentos. Rocket foi chefe da segurança que protegia a colônia de ameaça distintas.

Seu companheiro Groot é uma árvore humanóide que descende de uma raça flora, que originalmente veio ao planeta Terra à procura de seres humanos para capturar e estudar. Groot é poderoso, além da grande força e durabilidade que detém, e de um intelectuo genial devida sua linhagem nobre, ele é capaz de absorver matéria orgânica, regerana-se celularmente e manipular plantas!

Peter Quill ou Star-Lord é o único humano da trama (não é bem assim, mas não vou contar aqui para não estragar o filme). Fanfarrão, cara-de-pau e mulherengo. Oi Han Solo? Tem em seu antigo Walkman com a trilha sonora mais bacanuda dos últimos tempos, a única lembrança de sua mãe e da Terra. Hábil piloto de naves espaciais, Peter tem uma forte ligação com a sua nave, e seu capacete Kree - principal característica dele no Guardiões da Galáxia -, o auxilia em espionagem e em batalhas, analisando dados estratégicos, oxigenação no espaço e até visão. Muito bem interpretado pelo Chris Pratt, e continuando a tradição da Marvel na maioria das vezes de buscar um ator desconhecido para interpretar o papel principal, o mercenário se torna líder do improvável grupo de defensores cósmicos.

Gamora, tanto quanto gostosona e perigosa, ela é a última de sua espécie, a "Zen Whoberi", que foram exterminados pela raça alienígena reptiliana Badoon. Resgatada ainda criança por Thanos com o intuito de criá-la como uma poderosa arma. Exímia nas artes marciais, Gamora logo se transformou numa assassina nata e sempre foi muito leal a Thanos, até descobrir que seu "pai adotivo" tinha o plano de destruir todo o Universo.

Drax, O Destruidor tem uma história bem interessante. Ele na verdade era Arthur Douglas, que enquanto dirigia com sua família pela estrada teve sua família atacada pela nave espacial de Thanos, onde apenas a sua filha Heather sobreviveu. Levada pelo pai de Thanos, Mentor, que o levou à sua casa, ela após anos de estudos com os Titãs, ganhou forma física e poderes mentais se transformando na poderosa sacerdotiza Serpente da Lua. E Arthur? Bom, Mentor precisava de um campeão para combater a Serpente da Lua e capturou o espírito de Arthur a pedido do Titã Cronos, e este o colocou num novo e poderoso corpo dando origem a Drax, O Destruidor na qual seu único objetivo era matar Thanos. E aí que chegamos ao ponto da história do filme.

Ronan é natural do planeta Hala, e seu pseudônimo "O Acusador" tem origem por ele ser o membro (tã-rã) do "Conselho dos Acusadores" que são o equivalente aos militares, governadores e juristas. Logo ele se tornou o terceiro mais poderoso do Império Kree, não demorando para a entidade conhecida como "Inteligência Suprema" o nomea-lo como a "Supremo Acusador do Império Kree", e neste cargo ele ficou conhecido simplesmente como Ronan, o Acusador. No contexto do filme, Ronan continua a lutar uma guerra antiga entre seu povo e os Xandarianos, fazendo um pacto com o maligno Thanos de em troca da erradicação de Xandar, recuperar o artefato misterioso que é a chave o enredo.

Yondu Udonta, originalmente era um caçador da tribo primitiva Zatoan, nativos do planeta Centauri IV. Seu planeta foi o primeiro a ser colonizado pelos humanos fora do sistema solar. Arqueiro e dono de uma flecha mágica que é teleguiada apenas pelo seu assobio, esse ladrão interestelar de pele azul é naturalmente manipulador, e tem um relacionamento paternal nada perfeito com Peter Quill. Como líder dos fora-da-lei conhecidos como "Ravagers", Yondu e seus asseclas percorrem a galáxia pegando tudo o que querem apenas para seu próprio benefício.

Awesome Mix Vol 1

A trilha sonora dos Guardiões da Galáxia é apenas uma pitada de extremo bom gosto do diretor James Gunn foi certeiro ao colocar. Recheada de clássicos dos anos 70, como David Bowie, Blue Swede, The Runaways e Jackson 5, a trilha sonora contida na fita K7 - que muitos sequer sabem o que é - de Peter Quill só serviu para reforçar a imagem carismática do filme além de uma jogada de marketing muito esperta. "Groot bebê" dançando Jackson 5 no final do filme rendeu uns inevitáveis óóóúns meus e da minha namorada. É muito bonitinho!

A trilha você pode conferir clicando aqui nessa playlist do Spotify

Risos e mais risos

Como se fosse um tipo de Vingadores ambientado na atmosfera de Star Wars com uma dose de Indiana Jones, a equipe dos Guardiões nessa empreitada na tela grande cativa logo de cara. A produção, os efeitos e atuação do elenco é um show a parte, mas quem rouba a cena são os dois únicos personagens animados do longa: a dupla Rocket Raccoon e Groot com as vozes de Bradley Cooper (o Phil de Se Beber Não Case) e Vin Diesel (de tantos filmes...) na melhor atuação da história de um personagem reduzido a apenas uma frase: "I Am Groot".

Além das piadas que os dois protagonizam (e que dão a tônica do filme todo), o contraponto da personalidade debochada do guaxinim Rocket e carinhosa do humanóide Groot rendem o titulo de dupla mais carismática dos últimos anos no cinema. Apesar de Groot ter só uma frase no filme inteiro, você sabe exatamente o que ele quer transmitir em cada frase que ele solta, assim como Rocket o entende e até discute com ele. O que evidencia o grande trabalho de animação e de dublagem de Bradley e Diesel.

Alguém notou uma semelhança com R2-D2 e C3PO?

Conclusão

Bom, a Marvel Studios apostou alto, afinal, apostar em personagens que uma parcela muito pequena do público nerd conhecia era uma jogada de alto risco. Mas a Marvel também sabe muito bem de seu peso e soube muito bem, através de tropeços (como o Homem de Ferro 3) e acertos (como o primeiro filme) moldar uma fórmula quase perfeita para transportar seu universo nas HQs para a telona.

Saí do cinema com um sorriso estampado no rosto, tudo no filme é muito bem balanceado naquele esquema já conhecido pelos fãs do Universo Marvel: humor e muita ação. Entretanto, mesmo tendo um enredo, com heróis e vilões que atendem essencialmente a expectativa do público, não me lembro de nenhum filme que conseguiu balancear tão bem essas duas características.

Facilmente o melhor filme da Marvel ao lado do Capitão América 2, Guardiões da Galáxia é imperdível tanto para fãs, tanto para aqueles que nem ligam para HQs e que só procuram umelo de um blockbuster para assistir. Agora com mais uma franquia nas mãos, a Marvel se consolida de vez e afasta qualquer dúvida da dependência de seus heróis mais famosos para sobreviver, expandindo ainda mais o seu Universo e abrindo um leque ainda maior de possibilidades para os seus próximos filmes.

O maior fã de sanduíche de presunto no mundo ganha homenagem

O maior fã de sanduíche de presunto no mundo ganha homenagem
Na comemoração dos 30 anos de Chaves, nada mais justo que o menino pobre que (supostamente) morava num barril e que nos deu tanta alegria com um humor tão inocente e que nem existe mais, ganhasse uma homenagem.

Nessa propaganda bem sacada da Seara postada hoje no seu canal no Você Tubo, ela usa o seu melhor produto: o presunto. Então adivinha como o Chavinho reagiria a isso?


Isso! Isso! Isso! ^^


A excelentíssima Banda dos Seguranças do Metrô

A excelentíssima Banda dos Seguranças do Metrô
A Banda dos Seguranças do Metrô ou simplesmente BSM, nasceu em 2011 quando o chefe do departamento da empresa em São Paulo sugeriu a ida de seus funcionários a um asilo com o intuito de "humanizar" o serviço, que é por muitas vezes duro e cansativo. Como alguns dos seguranças tinham uma apitidão com instrumentos, eis que surgiu a ideia fácil de reunir uma banda e proporcionar alguns minutos de música aos idosos.

Todos adoraram a brincadeira, então a diretoria acabou sugerindo que a banda se reunisse novamente e organizasse uma apresentação interna. A primeira apresentação em público foi na estação Sé em 2012 e desde então, nessa "brincadeira" tão bem sucedida, os integrantes-seguranças se apresentam uma vez por mês pelas estações do Metrô. O repertório é variado, indo dos anos 70 aos tempos atuais, sempre com o intuito de levar música a um ambiente tão estressante.

Resumindo: Quem tem talento, é outra história. E que talento!

A performance da "Still Loving You" do Scorpions é de arrepiar qualquer um. Todas as músicas aliás.





Confira mais do trabalho deles no canal da BSM no YouTube

Resenha Livro: A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

Segue a sinopse:

"Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final.

Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.

Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense."

Eduardo Spohr além autor do livro A Batalha do Apocalipse lançado em 2010 pela editora Verus, é professor, jornalista, professor, blogueiro e podcaster (ufa). Carioca de nascimento, Spohr nasceu literalmente "viajado", já que seus pais trabalhavam em profissões que eram relacionadas com aeronática, sendo sua mãe comissária e seu pai piloto de aviões. Em vista disso, é fácil imaginar o porque de Spohr logo em seu primeiro livro ter escrito uma obra tão grandiosa, cheia de referências históricas e religiosas. 

O boom em sua carreira se deu por esse livro, principalmente pela forte divulgação pelo site Jovem Nerd - da qual ele trabalhava como colaborador - e pela velha propaganda do boca-a-boca, afinal Spohr, antes de ter seu livro pela editora Verus, divulgou independentemente A Batalha do Apocalipse através do selo NerdBooks e na loja Nerdstore. Então sabe como é: "nerds unidos jamais serão vencidos", Spohr teve esse boom na sua carreira como escritor e tem até agora mais três livros publicados, sendo que ano passado publicou a segunda parte da série Filhos do Éden.  

Voltando ao que interessa, A Batalha do Apocalipse é uma obra grandiosa; e como vocês puderam ler na sinopse, trata da luta final entre anjos e demônios que decidirá o futuro do Universo. 

Yahweh, como é chamado Deus no livro, repousa em sono profundo após a criação. Assim, seus filhos foram designados para governar o planeta. O Arcanjo Miguel vê os humanos como "o único erro do Pai", então tomado pelos ciúmes e inveja do amor que seu Pai tinha pela sua criação, ordenou a destruição em massa dos humanos. Entretanto os Renegados, anjos que foram incubidos do plano de Miguel se recusaram a fazer tal atrocidade, sendo assim expulsos do Paraíso e condenados a viverem como anjos caídos na Haled, ou Terra.

Um desses anjos Renegados e protagonista, Ablon no ano de 2012, reside no Rio de Janeiro e presencia uma espécie de Terceira Guerra Mundial entre as nações do planeta desencadeando os sete selos do Apocalipse. Lúcifer, a Estrela da Manhã e do Alvorecer, se revoltou contra as ideias de Miguel, e em razão de sua cobiça, foi condenado a comandar o seu próprio reino nas profundezas do inferno. 

Nas vésperas do último dia do Planeta, Ablon é convidado por Lúcifer ao inferno com a (suposta) intenção de juntar forças com Ablon para impedir o Juízo Final e se vingar de seu irmão Miguel, tentando convencer Ablon a governar o planeta junto a ele. Contudo as coisas não são tão simples assim, e Ablon sabe muito bem disso. 

O livro contém três partes: A Vingadora Sagrada, A Ira de Deus e A Flagelo de Fogo, contendo flashbacks contando a saga de Ablon pela história e na busca da sua humanidade e razão de ser. Oscilando de inúteis a fascinantes e reveladoras, esses flashbacks vão até os tempos antigos da criação e queda da Torre de Babel, a destruição de Sodoma e Gomorra, e nas ruínas da Babilônia. Sempre com junto a seu verdadeiro amor: a feiticeira de En-Dor: Shamira, que descobriu a magia da imortalidade e desde então acompanha Ablon nessa paixão milenar.

Um dos pontos negativos no livro é o que tornam ele tão longo, são os tais "flashbacks". Na minha opinião eles poderiam ser resumidos e não tão abruptos, o que melhoraria a minha impressão final pelo livro. Apesar de A Batalha do Apocalipse ser um livro inegavelmente fantástico, ele sofre justamente por esses pontos que o transformam em várias partes em uma leitura maçante e lenta. Na obra, nota-se uma clara influência do RPG e da fantasia que Spohr sempre esteve envolvido, mas no começo da leitura, mesmo para quem está acostumado a designações que transformam cada personagem em mais uma peça de um roteiro cinematográfico, a designação de diversos codinomes aos Anjos e Arcanjos acaba atrapalhando um pouco para a designação de cada personagem no começo da história. No entanto, logo eu me acostumei a isso e a leitura se tornou mais fluida. 

Ablon, apesar de sua saga e sua determinação em chegar a seu objetivo, não é um personagem carismático. Já Shamira por sua vez em diversos momentos rouba a cena, dona dos diversos sentimentos mais valorosos do ser humano, Shamira é peça-chave na história, muito mais que Ablon. A mim até passou a impressão de que se Shamira fosse uma renegada ao invés de Ablon, a empatia seria diferente. 

Eduardo Spohr, no mercado brasileiro carente de obras desse gênero, foi corajoso em "tapar" um buraco na literatura fantástica nacional, até então um mercado ausente em 2010 e que incentivou outros bons autores como Affonso Solano e Leonel Caldeira. A Batalha do Apocalipse, mesmo com esse flashbacks abruptos e o final previsível e passando até a impressão de ter sido um pouco apressado, é uma obra muito bem escrita em suas 581 páginas e muito bem ambientada, numa estreia fantástica de um autor que só estava no seu primeiro livro. E apesar de altos e baixos pela leitura e um final um pouco brochante, é uma obra grandiosa com pesquisa e conhecimento profundo da mitologia que ao final cabem ao entendimento e a sensibilidade de cada um. 

A Bienal do Livro começa no Anhembi nesse sábado, e Eduardo Spohr estará lá no dia 30 (mais conhecido como sábado que vem) fazendo uma sessão de autógrafos no espaço da Bienal, das 15h às 20h. Porém no domingo (31), Spohr, além do tradicional bate-papo com os leitores, à partir das 14h, estará no estande da Record fazendo mais uma sessão de autógrafos e até o último leitor! O evento está no Facebook, e confirme sua presença lá para acompanhar as últimas novidades. =)  

Acompanhem também seu blog, o Filosofia Nerd

O que passa pelos meus fones #80 - Slipknot

O que passa pelos meus fones #80 - Slipknot
Depois de longos 6 anos e da reclusão da banda após a morte de seu baixista, Paul Grey, o Slipknot vive momentos meio conturbados pois seu baterista e um dos integrantes mais queridos da banda, Joy Jordison anunciou sua saída em carta aberta aos fãs. Bom, pra quem quer saber, os motivos não são muito claros; rendendo mais capítulos futuramente. Enquanto isso, aos poucos, o Slipknot vive e está voltando a ativa.

No começo desse mês a banda soltou nas redes sociais o clipe "The Negative One" do misterioso novo álbum que nem tem data e nem tem nome oficial.

Nunca fui um fã assíduo de Slipknot, mas gostei bastante do último álbum "All Hope Is Gone" que mostrava uma banda mais madura, tanto instrumentalmente como nos vocais, e menos (desnecessariamente) agressiva. E no caso dessa faixa "The Negative One" não espere absolutamente nada de novo, apenas o velho (e até certo ponto) desgastado Slipknot, tanto que nem vim aqui correndo postar ela.

Carlos Lischetti e sua doce arte

Carlos Lischetti e sua doce arte
Resumindo, Carlos Lischetti é um exímio confeiteiro argentino que usa suas influências do mundo nerd para fazer incríveis e deliciosos bolos. Dá uma dó de comer...

Através do seu blog sempre atualizado, você poderá ver mais desses bolos com Carlos comentando sobre cada um deles, indo das influências a inspiração (em inglês). Mas mesmo se você não entender a língua do Tio Sam, vale muito a pena conferir com olhos gordos as esculturas dele!


Como devemos buscar a verdadeira felicidade?

Como devemos buscar a verdadeira felicidade?
Matthieu Ricard é PH.D. em genética molecular, fotógrafo escritor e monge budista (sim), e nesta palestra do TED ele fala sobre a genuína felicidade e as ferramentas e hábitos que podemos adquirir para termos uma vida com mais serenidade e plenitude.


"Todos os grandes pensadores da humanidade deixaram a felicidade na imprecisão, de forma que cada um pudesse defini-la a sua maneira" - Henri Bergson

Já este vídeo é do grande professor, escritor e filósofo brasileiro Mario Sérgio Cortella, que em entrevista ao programa Canal Livre fala sobre a vida, morte e a longevidade, o que elas são e como podemos lidar melhor com cada uma delas. Assuntos diretamente ligados a ideia de felicidade.

Seria uma honra ter umas aulas com ele =)

"O que apequena a vida é uma vida que se diminua com uma capacidade de plenitude"

Resenha Série: True Detective (1ª Temporada)

Menos é sempre mais.

Não vou falar do enredo da primeira temporada de True Detective, afinal, até pelo título e a trama recorrer a formação clássica de uma dupla de detetives, torna desnecessário o trabalho de expor uma sinopse. Contudo, essa exploração desses clichês policias apoiados numa trama suficientemente forte e original, fundamenta o grande trunfo da série.

Tendo três épocas distintas de narrativa, em 1985, em 2002 após a briga resultando na dissolução da dupla, e 10 anos depois em 2012 para a conclusão da investigação de algo muito maior que nenhum dos dois imaginavam a quase 20 anos atrás, o telespectador nas mãos de Nic Pizzolato é apresentado a uma narrativa forte e densa onde ele próprio sabe o que vai acontecer a cada desfecho da trama resumido na luta simples entre a luz e a escuridão.

A série começa logo no interrogatório da dupla, em 2012, onde os detetives Martin Hart e Rust Cohle são interrogados sobre os desfechos da investigação que corria alheia a polícia de Louisiana e da causa dos dois terem rompido a parceria dez anos antes. Consequentemente somos apresentados através dos depoimentos, à investigação que resultou na descoberta de uma seita ritualística em 1985 resultando na morte brutal de dois suspeitos.

O foco em três pólos narrativos dá alicerces suficientes a Pizzolato para explorar brilhantemente a curiosidade do telespectador e manejar a história para si apresentando somente o que ele queria mostrar. Ao mesmo tempo em que através da forte narrativa usando o artifício das lembranças, em um gênero policial que por si só é imutável e cheio de clichês, numa exploração quase que pessoal através da profissão de detetive.

Pizzolato dá força a sua narrativa usando principalmente três pontos para fundamentar sua história a quem assiste: os crimes brutais, a violência a mulher e principalmente as crianças, e os objetos e adereços encontrados por toda a investigação denotando uma seita. A sensação ao assistir a série é de estranheza e choque. Ficamos em dúvida dizendo a nós mesmos: o que é isso? Deixando impossível não ter o contato quase que pessoal diante a trama.

Logo no início da divulgação de True Detective uma frase chama a atenção: "o homem é a mais cruel das criaturas".

Acompanhamos Martin "Marty" Hart (Woody Harrelson) e Rust Cohle (Matthew McConaughey), na formação típica da dupla de detetives que se contrapõem entre si. Marty é o detetive mais comum, aquele que trabalha durante horas para no final do dia comer sua cota de rosquinhas, usa sua religião como pilar moral, e ao chegar em casa vive um casamento rotineiro com duas filhas. Mas é em cima de Rust que se constrói o principal pilar da trama. Misterioso e niilista, Rust tem uma visão extremamente racional de mundo, com problemas com álcool e drogas, e de maneira lacunar, revela-se um homem que sofre até hoje pelo acidente fatal da sua filha e pela dissolução de seu casamento.

Marty, sempre deu prioridade aos próprios prazeres carnais como se ele como homem e chefe da casa, merecesse somente isso após um dia duro de trabalho, causando a insatisfação da sua esposa Maggie. Sendo assim, Marty "pula a cerca" com casos extra-conjugais, cercados por ciumes e violência por causa da bebida, o que inevitavelmente destruiu seu casamento. Já Rust, não expõe de forma clara, mas dado a seus problemas com álcool e drogas, é possível que ele mesmo tenha destruído também sua família. Fato que dói a ele mesmo, em seu orgulho, admitir aos outros.

A seita e os crimes brutais causadas por ela, no estado de Lousiana e em Carcosa, lugar de adoração em que residem mortos sacrificados com a figura central de troncos de árvores com caveiras humanas e manto amarelo, causam um choque, é a realidade. H. P. Lovecraft é conhecido por suas histórias marcadas pelo mistério, terror e sombras, mas que principalmente expunham o próprio homem como seu maior inimigo numa explicação sobrenatural inexistente a não ser pela própria natureza humana. Essa é a realidade.

Ao final de um labirinto onde se encontra o mal, residido no homem. Homens contra homens. Rust com a arma em punho olha para cima e vê um céu estrelado, a luz e a escuridão. A dupla ferida gravemente pega o molestador (ou seja o que for) revelando uma rede de pedófilos. No hospital Rust diz a Marty que ele não deveria estar ali. De primeira e é fato, a investigação não terminou e ele deveria ser capaz de tomar a parte de tudo isso. Marty diz que o que importa é que o molestador foi morto e apesar da dimensão muito maior que a investigação revelou, não ia se conseguir pegar todos. A justiça humana é falha, mas omite. Billy Lee Tuttle, senador, foi descoberto como envolvido. Porém, a política o protege. E ao ver o desfecho no jornal, Rust na cama do hospital se indigna e ali vemos de uma vez por todas que seu senso de justiça sempre será maior que sua concepção e compreensão sobre a hipocrisia humana.

Rust Cohle ao sair do hospital, pela primeira vez revela a Marty o porque que ele não deveria estar ali, e se abre pela primeira vez a Marty e ao público encarando seus dogmas pela primeira vez. Marty, que faz parte do romantismo investigativo, diz olhar para céu estrelado e vislumbrar que no final das contas, a escuridão é sempre maior que a luz, uma das lições da série quando diz que o homem é a mais cruel das criaturas. No final em que tudo acaba bem, vencer a escuridão é a maior luta de todas e resume tudo o que aconteceu na trama. Assim Rust, numa visão otimista, diz crer que a luz há muito da escuridão.

É uma série em que é preciso assistir ao invés de tentar saber através de alguém sobre o que se trata, ligada a uma visão muito particular do espectador. Isso sem contar o fato de (mais uma vez) atores consagrados no cinema como Matthew McConaughey (revelado um exímio ator) e Woody Harrelson e do próprio Nic Pizzolato como diretor, buscarem na TV um espaço criativo e liberdade que o cinema no momento, é incapaz de produzir.

Acreditando no seu próprio padrão de qualidade, a HBO, famosa por temporadas curtas e série que fogem do padrão comum, teve em True Detective o sucesso absoluto em não ser o mais do mesmo, e de ter mais uma vez alcançado um padrão de qualidade e narrativa muito própria se diferenciando de qualquer outro caso de extremo sucesso como foi Breaking Bad por exemplo.

A outra maneira de ajudar um morador de rua

A outra maneira de ajudar um morador de rua
Eu não dou esmola, ao menos que perceba que aquela pessoa tem reais necessidades ou mesmo não tenha algum futuro pela frente; como aquele senhor que pede uma ponta de cigarro ou uma dose de bebida. Já se tratando de crianças, jovens e adultos, acho uma pouca vergonha alguém com capacidade de procurar um emprego e com as mesmas capacidades físicas que eu, vir pedir dinheiro que eu ganhei com esforço. Podem falar pra mim de falta de oportunidade, e isso realmente é capaz de amolecer corações, contudo, a culpa não é minha de a sociedade marginalizar pessoas, como nem é a dele. Então tratando-se de escolhas, e escolhas que certos moradores de rua fazem em permanecer na rua, prefiro não ajudar.

No entanto nesse vídeo, acompanhamos um morador de rua na Alemanha. O 7x1 começa onde que as ruas de lá são bem mais limpas, e este morador de rua nem seria julgado como morador de rua se fosse aqui do Brasil - o que indica como tal situação por lá é rara.

Não sei se ele passou por um "trato" de propósito antes do vídeo e nem sei se ele está nessa condição realmente. Mas achei bem legal a iniciativa de três jovens que quiseram ajudá-lo de uma forma diferente. Muitos podem dizer que eles se aproveitaram da condição do morador de rua, eu já penso de outra forma: eles deixaram o dia dele um pouco mais feliz, concorda?

Assista:


Via Xpock

Animação: MAN

Animação: MAN
Parafraseando Matrix podemos classificar o ser humano não como mamífero, mas sim como um vírus. E parando para pensar e analisar nossa existência, realmente isso faz todo sentido, deixando de lado o pensamento de que isso é vindo de um filme de ficção científica. Um vírus tem como natureza se infiltrar em algum lugar, se estabelecer, se reproduzir e sugar todos os recursos naturais da onde vive; e o ser humano faz exatamente isso e em pleno século XXI, muitos ainda não agem com um mínimo de sustentabilidade em favor sempre do lucro maior e do próprio conforto.

Bom, essa pequena animação feita toda em flash pelo animador Steve Cutts, é uma demonstração simples e divertida de como o ser humano é por muitas vezes cruel com o lugar onde habita.



O que podemos levar da vida de Robin Williams?


Acho que todo mundo ouviu essa frase por aí: "Por trás de todo palhaço se esconde uma tristeza"

Por trás de letras positivas e de luta que Chorão difundiu através do Charlie Brown Jr, do deboche e molecagem de um Fausto Fanti no Hermes & Renato, e agora do gênio Robin Williams, ator como Heather Ledger, se escondia a mesma doença: depressão.

Não faltam em sites de notícias aqueles comentaristas de oportunidade debochando e se aproveitando da hipocrisia religiosa para dizerem no alto de sua razão e humor: "cheirados e pecadores".

Eleita como mal do século pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão é uma doença silenciosa que tem o pior tratamento que possa ter: o livre-arbítrio. Basta parar pra pensar que é comum passar dias e semanas tentando convencer uma pessoa a passar no médico para uma tal tosse que não passa, então imaginemos tentar convencer uma pessoa da sua condição de "suposta tristeza" que passou dos limites a tempos, e mais, tentando convencer uma pessoa de uma estado que é invisível aos olhos exteriores. Podemos identificar uma suposta depressão, mas o diagnóstico, como para outros sentimentos, não passa de uma pergunta, bastando apenas a pessoa negar esse estado, até a si mesma. Então o que diríamos de pessoas como Fausto e Robin?

Nunca ter tido esse problema, não significa de forma alguma ter uma suposta autoridade sobre alguém que o tem, afinal não podemos dizer nem a nós mesmos "como sermos felizes". Qualquer sentimento é muito individual e por isso a depressão é tão silenciosa e tão grave.

Contando um caso pessoal, perdi minha avó para a depressão. Não lembro em que idade, mas ela anos antes de completar 60 anos, teve um derrame que afetou os movimentos da parte direita do corpo, incluindo a fala, a perda de 20 quilos, e dificultando a sua capacidade de digerir alimentos sólidos. Ela era o tipo daquela pessoa dócil e que reclamava diariamente de seu trabalho de dona de casa, como qualquer avó acredito eu, mas que adorava mimar seu filhos e seu querido neto (eu) fazendo comidas deliciosas e as demais tarefas cotidianas de casa.

Mas então ela teve esse AVC e a consequência disso foi fatal, já que sua alegria em poder reclamar e fazer suas "coisinhas" foi seriamente prejudicada, perdendo capacidades motoras que fariam qualquer um sofrer. Tinha cerca de 10 anos na época e até hoje me lembro dos momentos de tristeza que me cercavam, desde encarar minha família tentando de todas as formas ajudar uma pessoa que se via abalada por aos 60 anos não ter capacidade de fazer quase nada sozinha, até eu sozinho em casa evitando uma tentativa de suicídio dela. Na época por ser criança, ainda não entendia e gritava com ela na época como se aquilo fosse reversível só pela vontade dela, afinal ela estava fazendo fisioterapia e daí na minha concepção, qualquer um poderia se recuperar dessa "tristeza". Mas não era assim. E assim ela foi se negando a vida aos poucos já que impedi seu suicídio meses antes, e que possivelmente não teria ido muito longe, se tratando de um produto de limpeza que numa ida ao hospital seria desintoxicado, mas bastaria para uma tentativa em ficar presa em uma cama, que era o que ela queria.

Meses se passaram e até ela ensaiou uma leve melhora, mas com o desgosto pela vida cotidiana, pelas pessoas, e pelas alternativas que lhes davam, no inverno ela meio que forçou uma pneumonia e daí sua situação de saúde piorou de tal forma que numa tarde ela foi levada de ambulância do prédio em que morava e essa foi a última vez que a vi viva. Num domingo ensolarado no primeiro dia de maio ela faleceu, não estou lembrado das causas da sua morte, mas mais do que qualquer coisa ela desistiu de viver.

A dor que senti e sinto até hoje é grande, e apesar de ela ter decidido pela desistência, qualquer um da minha família que teve um envolvimento próximo com ela, e principalmente eu que na incapacidade de compreender a gravidade da situação na época. Há um sentimento de arrependimento até hoje pelas coisas ditas e não ditas, pelas coisas que poderiam terem sido feitas. Mais do que isso, a falta do que uma pessoa amada faz e a dor da perda de uma pessoa que escolheu ir dessa forma. Suicídio ou não, a depressão é a mesma com o mesmo resultado final, a única diferença é o tempo.

Mesmo que tenham-se doenças em vida, é difícil quantificar e explicar o porque uma pessoa desiste da vida. Procurar paz, se livrar do vício, fugir da angústia. Como disse, não podemos entender os motivos que fazem uma pessoa chegar a esse ponto, mas a única coisa que se pede para tentar entender tais dores que assolam alguém que amamos é não julgar. E antes de criticar, fechar os olhos e se colocar no lugar de uma pessoa que ficou. Que tem que trabalhar, estudar, ou simplesmente sorrir depois de ver uma pessoa amada dar tchau de uma forma tão melancólica como foi com minha avó ou da forma tão abrupta que foi com Robin, Fausto e Chorão, antes de ameaçar tirar a própria vida por causa de qualquer decepção cotidiana.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia:

"Esse é o pior dos mundos possíveis. Com todas as suas variantes e diferenças, com toda a sua multiplicidade, durante o seu desenvolvimento, a realidade íntima do mundo e do homem é sempre a mesma vontade onipotente; a própria história é sempre a repetição do mesmo acontecimento sob aparências diversas: a vontade de viver determinado o sofrimento como condição humana: VIVER É SOFRER".

Robin Williams nunca escondeu seus problemas com cocaína e o alcoolismo nos anos 80, e recentemente após anos de sobriedade Robin teve uma recaída, o que o fez voluntariamente entrar para uma clínica de reabilitação. Trabalhar era seu principal escape, há 4 filmes agendados com o ator, entre eles Uma Noite No Museu 3 que logo estreará. Porém ele sofria de uma depressão aguda e a três semanas não aparecia em público, e supostamente, dado aos sorrisos de suas atuações, ele estava bem.

O ator e comediante era conhecido pela sua versatilidade, de no puro improviso e talento conseguir transpassar credibilidade em papéis distintos. O palhaço Robin era conhecido por ser uma pessoa socialmente dócil e gentil na sua vizinhança, sempre simpático e fazendo brincadeiras capazes de melhorar o humor de qualquer um, foi um choque para quem o conhecia de perto vê-lo ir de uma forma tão abrupta, sem dizer adeus.

Fecham-se as cortinas.

E talvez essa sua existência tenha sido um retrato de sua obra: comédia e drama. Perdi hoje mais uma parte da minha infância, mas que felizmente testemunhei em vida um dos atores mais completos de sua geração. Uma Babá Quase Perfeita, Gênio Indomável, Bom Dia Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos, Retratos de Uma Obsessão... suas atuações nos entregavam uma capacidade ímpar em nos emocionar e nos fazer sorrir (levante a mão quem chorou no Homem Bicentenário). Diante de tantos filmes marcantes, vale muito a pena baixar a filmografia dele, então que tal fazer uma sessão pipoca em sua homenagem?

Vídeo reúne os melhores cosplays na San Diego Comic Con 2014

Vídeo reúne os melhores cosplays na San Diego Comic Con 2014
Esqueça a Anime Friends como a referência em cosplays que temos aqui no país, a coisa lá fora é profissional. E é mesmo, nos dois sentidos da palavra.

Por mais que tenhamos ótimos cosplayers aqui no Brasil, o pessoal da SDCC não brinca em serviço. Além dos cosplayers anônimos que existem em qualquer evento como esse, querendo desfilar da forma mais digna possível seu amor por certo personagem; o time de feras em efeitos especiais da Stan Winston School e LegacyFX, além de celebridades do meio como Yaya Han e Chloe Dykstra marcaram presença com seus cosplays extremamente bem feitos. 

O canal SneakyZebra mais uma vez reuniu alguns desses destaques, mostrando um pouco da fauna de lá. Será que você consegue reconhecer todos?

Dá até uma emoção ao ver seu personagem predileto tão bem representado ali!

O que passa pelos meus fones #79 - Alice In Chains

O que passa pelos meus fones #79 - Alice In Chains
No último dia 3 nos Estados Unidos, rolou uma apresentação do Alice In Chains no programa Guitar Center Sessions pela DirecTV. E no dia para aquecer o público, foi disponibilizado no YouTube o clássico "Would?" dessa apresentação exclusiva.

Inquestionavelmente Layne Stayley é a voz insuperável do Alice In Chains até hoje, e é latente a falta que ele faz quando a banda executa as cações de sua época, como a "Would?". Com o retorno em 2004, em que o líder Jerry Cantrell assumiu os vocais com William DuVall, dividindo essa árdua tarefa de diminuir um pouco da falta que Layne faz, é claro que o Alice In Chains apesar de ter ainda a pegada do começo dos anos 90 acertadamente mudou muito sua característica. A ordem foi inovar e não fazer um simples revival. Mesmo com muitos fãs torcendo o nariz até hoje, principalmente nas apresentações ao vivo quando executam as músicas de Layne, a banda não faz feio, como nessa apresentação do GCC.

Clássico do AC/DC "Thunderstruck" em versão caipira!

Clássico do AC/DC "Thunderstruck" em versão caipira!
Não é a primeira vez que os finlandeses do Steve n' Seagulls pegam algum clássico do rock e "encaipiram" (tem essa palavra?) tudo. "Holy Diver" e The Trooper" foram as escolhas anteriores, mas na minha modesta opinião nenhuma delas chegou perto da repaginada que eles deram pra "Thunderstruck" do AC/DC. A música parece que se encaixou direitinho com o espírito do grupo.

Dê o play e confira:

R.I.P. Fausto Fanti



"Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto.


O médico diz: "O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo." 

O homem se desfaz em lágrimas. E diz: "Mas, doutor... Eu sou o Pagliacci." 

Rorschach - Watchmen

Muitos podiam reclamar e dizer que não sentiram a mínima falta com a notícia de seu fim, mas a MTV tem uma importância inegável na formação musical e no entretenimento de muita gente. E o grupo de humor Hermes & Renato foi talvez a parte mais marcante da "época de ouro" do canal, e que melhor representou o espírito que se tinha na época inspirando o que conhecemos de Porta dos Fundos hoje, por que não? .

Do humor do Monty Phyton, Trapalhões e até Mazzaropi, nasceu o grupo que não media palavras ao mesmo tempo em que eram inocentes nas suas esquetes. Propositalmente "fundo de quintal" e toscos tão quanto bestas e mal-criados; como o humor devia ser. O humor de um bando de moleques que cresceu com a gente e como a gente, imortalizando personagens como Boças e Joselitos da vida - esse último que até virou adjetivo. E essa era a graça.

Fausto Fanti, o Hermes, na última quinta-feira se suicidou. Pois é, todo mundo que conhece o seu humor escrachado no grupo ficou chocado, pela sua morte e dessa forma ela aconteceu. É triste ver mais uma parte da nossa adolescência ir embora dessa forma tão abrupta. O grupo em 2015 ia retornar a TV no canal pago FX, mas agora fica difícil dizer se o grupo vai retornar tão cedo.

Bom, imagino que todos da minha geração conheçam o Hermes & Renato, mas se você mora no mato ou é dessa geração "mais nova" que adora ficar de luto e baixar a discografia de qualquer famoso morto que surja por aí no Facebook, vou lhes apresentar um pouquinho das ótimas esquetes que o grupo fazia.









Tirinhas da Semana #186

Ontem pudemos ver que os palhaços também são tristes. Como Chorão e Champignon do Charlie Brown Jr, o humorista Fausto Fanti do Hermes & Renato se suicidou e com ele foi embora grande parte da minha adolescência. Breve um pequeno texto sobre o assuntos no Pensamento Descafeinado. Segunda ou terça deve sair.