Resenha CD: Anathema - Distant Satellites

Depois de muito escutar "Distant Satellites", décimo álbum de estúdio da banda inglesa Anathema, eu consegui defini-lo de duas formas: emoção e sentimento.

Apesar de as duas palavras soarem parecidas - e realmente elas caminham muito próximas derivando de um só lugar: a mente subconsciente -, analisando mais profundamente não é difícil perceber que os dois tem sim uma boa diferença.

Numa pesquisa rápida no Google, a definição de emoção basicamente é resumida em ação e reação, ao mesmo tempo mental e orgânica. Enquanto o sentimento abrange diversos elementos intelectuais e emocionais, como se fosse um álbum musical da qual as emoções são faixas do mesmo, no sentimento há uma elaboração maior de espiritualidade e racionalidade, ao contrário da emoção que é definida pelos instintos e inferioridades.

No parágrafo anterior, comparei que o sentimento para a emoção é como se fosse um álbum. Talvez essa seja a definição mais precisa que encontrei para não só definir a banda em si, como o recente "Distant Satellites".

O Anathema em toda sua evolução musical ao longo dos anos, do simples doom metal ao progressivo ou ambient rock (que seja), se notabilizou em conseguir expressar musicalmente sentimentos que, ao ouvi-los, também não conseguimos expressar. É como se fosse uma via de mão dupla, em que ninguém diz nada, e imagens e lembranças mergulhadas em nossa mente são apenas transmissões entre banda e ouvinte.

Em mera inexistência de um rótulo mais preciso para a banda, e nas diversas nuances que o Anathema apresenta, "Distant Satellites" é marcado pela maturidade, onde a banda não se conteve em ir além, improvisar e se aperfeiçoar. E mais do que isso, é uma provação de curiosidade sonora. É preciso ouvi-lo várias vezes para o absorver de uma forma mais precisa e expressar uma opinião.

A emoção é definida pelos instintos, numa ação e reação mental e orgânica, em que ao ouvir determinada música nos faz compartilhar-las imediatamente no perfil do Facebook ou de qualquer outra forma que a tecnologia e a amizade nos proporciona, e essa é a reação que tive em cada faixa de "Distant Satellites". A intensidade marca as composições de Danny Cavanagh e o feeling marca a dupla formada mais uma vez por Vincent Cavanagh e Lee Douglas. As três partes de "The Lost Song" são simplesmente comoventes (principalmente a parte 2 cantada por Douglas) e se igualam perfeitamente a magnificiência de "Untouchable" do álbum passado.

Diria que a partir da música "Anathema" e sua dramática atmosfera que sintetiza tudo aquilo que a banda proporcionou esses anos - soando como uma auto-homenagem mais que justa -, começa a segunda parte de "Distant Satellites". Apesar de experimentações eletrônicas aparecerem, dando um toque mais moderno e até pop ao som da banda, não é absurdo dizer que as faixas (surpreendentemente) complementam o álbum perfeitamente. Adentrando um gênero que só o Muse sonharia em alcançar um dia (especulando um pouco), a faixa-título "Distant Satellites" é a que mais se destaca das demais na doce voz de Vincent Cavanagh.

É impressionante e admirável que mesmo após 25 anos de carreira e dez álbuns gravados, o Anathema ainda tenha uma quase que incontrolável ânsia de se inovar e se renovar. Não bastou o ápice que a banda atingiu no magnífico "Weather Systems", é preciso sempre mais, provar que mesmo no mesmo caminho é possível o percorrer de forma diferente.

"Distant Satellites" é nem melhor nem pior que "Weather Systems", apenas diferente. Mais uma vez.

Tracklist

1. "The Lost Song, Part 1" - 5:53
2. "The Lost Song, Part 2" - 5:47
3. "Dusk (Dark Is Descending)" (D. Cavanagh, Vincent Cavanagh) - 5:59
4. "Ariel" - 6:28
5. "The Lost Song, Part 3" - 5:21
6. "Anathema" - 6:40
7. "You're Not Alone" (D. Cavanagh, Jamie Cavanagh, John Douglas) - 3:26
8. "Firelight" - 2:42
9. "Distant Satellites" (D. Cavanagh, Douglas) - 8:17
10. "Take Shelter" - 6:07

Artes em carros sujos por Scott Wade

Artes em carros sujos por Scott Wade
Um carro sujo pode quase que nos implorar dizendo: lave-me, mas Scott Wade ignora isso.

Enquanto meros mortais como nós apenas pensam em escrever o próprio nome ou desenhar um pinto pra sacanear. Scott vendo os vidros sujos e enlameados, é capaz de fazer uma arte única, curiosa e talentosa: incríveis telas utilizando apenas as linhas por entre os vidros enleameados.

Com o sucesso na internet Scott até abriu um site para divulgar seu trabalho, o Dirty Car Art; e o talento é tanto que ele até fez uma exposição de carros com suas "pinturas". Nada mais justo. 





Weird Al Yankovic ataca novamente!

Weird Al Yankovic ataca novamente!
E ele continua genial!

No mais novo álbum do único cara que conseguiu notoriedade apenas fazendo paródias (muito criativas por sinal) das músicas alheias. Weird Al Yankovic dessa vez faz uma paródia da música da linda cantora Lorde chamada "Royals".

Eu já dei risada só escutando a paródia. Mas quando você compara as duas, dá pra ver claramente a criatividade da paródia, além de causar mais risadas! xD

Confira abaixo o video de "Foil" de Al Yankovic legendado em português.


Tirinhas da Semana #185

Olá, quero me desculpar e explicar essa semana que passei longe do blog.

O lance é que (mais uma vez) tive alguns problemas no meu PC essa semana. Formatação, congelamento de tela, problema com memória RAM... Então por causa dessa frustração e um fim de semana agitado (ressaca do sábado e preguiça do domingo), nem cheguei perto de tocar nele pra tentar ver o que aconteceu. Hoje com mais coragem, o abri novamente e resolvi limpar as peças uma a uma - coisa que não fiz antes. Suspeito de que o problema seja o resfriamento, então concentrei forças em limpar o cooler (que estava bem empoeirado) e com isso eu imagino que resolva o problema. Agora é esperar, já que a qualquer momento posso acabar sendo forçado a reiniciar o PC por causa dessa treta doida. xD

Contudo, mesmo se o problema for resolvido, no mês que vem especulo comprar um notebook pra dar fim as dores de cabeça, e passar pra frente meu desktop pra fazer um pouco de graninha pra ajudar a pagar as parcelas. Além de dar uma renovada no visual aqui na minha mesa (leia-se: conforto para pessoas mais preguiçosas) e "modernizar" meu espaço.

Bom, enquanto não acontece nada fora do normal, vamos as Tirinhas (atrasadas) da Semana.










Nitinol: O arame com "memória"

Nitinol: O arame com "memória"
Revirando o ótimo canal Manual do Mundo, encontrei um vídeo interessante que o Iberê Thenório nos apresenta o "arame que tem memória". E ao contrário do que você pensa, esse poder de ficção existe na realidade.

Esse material se chama nitinol, uma liga formada por níquel e titânio que é capaz de "lembrar" seu formato previamente programado.

Não entendeu? Então conheça um pouco mais da surpreendente ciência clicando no play!

Como seria um Super Mario realista?

Como seria um Super Mario realista?
Todo mundo sabe que comer certos cogumelos dão efeitos alucinógenos.

Uma coisa que quando crescemos passamos a saber, é que uma dessas espécies foi inspiração para o famoso "inofensivo" cogumelo vermelho do Mario, e que o fato do Mario crescer quando come um deles não é mero "acidente".

Essa espécie se chama Amanita muscaria, que também é conhecido como agário-das-moscas ou mata-moscas, um fungo natural do hemisfério norte e que é rico em propriedades alucinógenas. Usado em iguarias do hemisfério norte, pois suas toxinas são solúveis em água, ao ingeri-los você não se sente grande e forte ao contrário do que vemos nos vídeo-games, mas você sofrerá com náuseas, vertigem e confusão mental, boca seca, sono e delírios. Louco né?

Claro que o Mario não se trata de uma viagem alucinógena (vai saber), pois muitos games atuais são capazes de nos dar essa sensação. Mas como seria o Mario comesse um cogumelo e ficasse viajadão com as dorgas?

O trailer clássico Pulp Fiction com o visual noir de Sin City!

O trailer clássico Pulp Fiction com o visual noir de Sin City!
A adaptação da graphic novel de Frank Miller dirigida por Robert Rodriguez "Sin City", marcou história no cinema. Elogiado e vencedor de diversos prêmios, o filme conseguiu transportar fielmente o clima noir das HQs da série, tanto em visual e atuações elogiáveis, como no roteiro que nos deu a sensação de estarmos lendo uma HQ da série, nos apresentando uma nova linguagem gráfica e característica que filmes subsequentes viriam a adotar.

Enquanto estamos a quase 10 anos no aguardo da estreia constantemente adiada da franquia, o "Sin City 2: A Dama Fatal" marcado pro dia 11 de setembro. O canal The Unusual Suspect, famoso por seus "mash-ups", resolveu relembrar o trailer do clássico filme Pulp Fiction, mas com o visual noir adotado em Sin City.

O resultado ficou tão bom e combina tão bem com o filme de Quentin Tarantino, que não pensaria duas vezes em assisti-lo novamente!

Tirinhas da Semana #184

Depois de passar ontem com uns probleminhas com o meu computador que me deixaram ausente daqui, volto para mais uma rodada das tirinhas da semana! Isso não atrasa.












André e o Rock: A minha história com opiniões e saudades


Como comemoração a essa semana do rock que se iniciou no último dia 13, resolvi dividir com você um pouco da minha experiência com o rock, e como cresci e aprendi com um estilo que é muito mais que alguns acordes. É um jeito de ser.

Costumo pensar que um rockeiro não nasce, é concebido. Pais rockeiros tem filhos rockeiros, é quase uma máxima absoluta. Superando o fato de crianças serem meras "esponjas" de ensinamentos e gostos, pra ganhar um significado ainda maior, e por isso esse gênero que tanto amamos é um estilo de ser. Permanece por toda a vida; exceto daqueles que o transformam em uma muleta para seus erros juvenis numa suposta conversão religiosa. A classe do rock n' roll tantas vezes mal vista por gente preconceituosa (principalmente por essas pessoas que citei), é cercada de mística justamente por isso, e passa através de gerações intacta. Modas vem e vão, mas o rock fica por mais que se diga que ele está morto - e creio que o propósito da geração passada é fazer o coro da crítica a qualquer coisa que se oponha ao seu gosto particular: a moda.

Bom, quando nasci a 26 anos atrás vivíamos a época dos LPs, o crescimento vertiginoso dos vídeos-clipes e anos mais tarde a ascensão do que viríamos a conhecer como o já obsoleto CD. Nesse tempo ainda fazia sentido ouvir a rádio, menos popular e mais democrática, já que o rock naquela época de início dos anos 90 vivia num de seus auges comerciais. Era a época do "Grunge" famigerado e apedrejado por muitos, mas lembrado com carinho por pessoas que nasceram nessa época. Fora desse nicho lembro que tocavam muito na época Guns N' Roses, Faith No More, Skid Row, U2, Roxette, The Cure, The Police, Bon Jovi, Queen... mais tarde Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Stone Temple Pilots se juntaram a esse grupo, era o auge dessas e tantas outras bandas que estouravam com um hit só. Na parte nacional quem roubava a cena era o Cazuza, Titãs, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Ultraje a Rigor e Legião Urbana.

Falando nela, grande parte da minha formação e iniciação musical no gênero se deve a ela (uma das poucas coisas boas que ela me passou...). Ela não era de ficar andando de preto e cortando o cabelo à la Robert Smith. Ela era eclética na medida certa, apreciava o rock e o pop da época, tanto que gostava da Madonna e New Kids On The Block - curiosamente de Michael Jackson nem tanto. De camiseta de banda ela tinha uma branca com a capa do álbum debut do Pearl Jam, Ten, e só. Entretanto, como disse, ligar na rádio naquela época era outra conversa. A saudosa 89FM vivia também seus grandes momentos, e ela costumava ligar o nosso som 3 em 1 e colocar essa rádio pra tocar enquanto limpava a casa. Se você é mais novo, o 3 em 1 é simplesmente a junção de vinil, fita K7 e rádio, e ele era tão antigo que precisava colocar pilhas na parte de trás do aparelho se você quisesse memorizar as rádios. Coisa impensável de existir hoje em dia. Bom, a tecnologia evoluiu e hoje vinil é peça de colecionadores e entusiastas e a fita K7 virou nostalgia.

Voltando ao assunto, diversas vezes durante as fins de semana com sol na maioria das minhas lembranças, minha mãe colocava na rádio e enquanto tomava sol na varanda gravava fitas K7 que muitos anos antes do MP3, serviam para fazer nossas coletâneas. Dava trabalho se você quisesse "pegar" música de graça seus noobs! E ela seguia o mesmo processo quando gravava os vídeo-clipes na fita VHS. Naquele tempo a MTV acabava de nascer e muita gente nem tinha, então os clipes se retinham a TV aberta e grande parte da popularização dessa mídia audiovisual se deve ao saudoso Clip Trip da TV Gazeta, que trazia além de clipes, trazia também artistas ao palco da emissora. Era a MTV daqueles tempos, mesmo quando essa dava seus primeiros passos!


Ela costumava dizer que enquanto ela grava as fitas VHS dela, eu ficava quietinho até quando estava no berço escutando as músicas, e gostava principalmente do clipe com o "cara na montanha". Bom, é esse:


E assim fui me criando, crescendo e com a MTV ao lado, felizmente numa época que tocavam melhores músicas capazes de criar uma maior nostalgia. Nessa época, já criança, acompanhava assíduamente o canal. E na sua época mais saudosa de Astrid, Cazé, Marina Person, Sabrina Parlatore, João Gordo, Edgard Piccoli, Cuca Lazzaroto, Chris Nicklas e Chris Couto, Gastão Moreira, Fábio Massari e tantos outros, formou musicalmente muitas cabeças e colocou muitos programas na história. Vendo o canal fui capaz de aprender o que era música, coisa que essa geração que acompanhou os últimos dias confusos do canal e formavam o coro contra seu fim, não foram capazes de saborear. Todavia, o canal acompanhou o declínio da música num todo... sacomé.

O primeiro clipe de rock eu vi muito antes dessa época, mas o primeiro clipe de metal que vi foi do Metallica, nos anos de 1996 com "The Memory Remains". Na época não entendia muita coisa do que estava acontecendo, mas era legal ver aquilo. Quando dizem que os vídeoclipes foram uma revolução musical da indústria se trata justamente disso, você pode nem compreender muito bem a música, mas a comunicação que o vídeo faz com você, o faz vê-lo e revê-lo de novo. E foi assim com esse clipe de certa forma. Talvez por isso tenha tanto carinho por essa época do Metallica mais "coxinha".


Pulando um pouco da história, demorou vários anos para eu voltar ao Metallica. 

Tudo começou com dois grandes amigos, no começo dos anos 2000. Na época temia-se o bug do milênio, mas o que surgiu foi a moda do Nu Metal, a mistura de Metal com Hip Hop ou alguma coisa assim ainda odiada por muitos. Na época estava no colégio e vira e mexe ia a casa de um dos meus amigos (chamado Cássio) para jogar o vídeo-game da época. O irmão dele, Diogo, curtia muito esse estilo e principalmente Metallica, e graças ao Estevam fui apresentado oficialmente a banda e ao gênero que nunca mais deixei. Num belo dia que não lembro qual, o Estevam foi na minha casa e ele me emprestou uma coletânea da banda gravada em CD. Não sei como e nem quem ao certo gravou ou comprou, mas o que eu sei que o CD era do Diogo. Não lembro também porque o Estevam me emprestou, acho que nem pedi, ele apenas apareceu com o CD da banda que já era fã. 

Nesse buraco na minha mente, entre fatos que lembro e que eu não lembro, lembro até hoje dessa coletânea do Metallica. Se tratava de um CD branco, simples, prensado com os títulos das músicas e com um logo da banda. Lembro também até hoje vagamente a sequência que abria o CD: "Enter Sandman", "Sad But True", "Wherever May Roam" e "Nothing Else Matters", coloquei tanto pra tocar no meu Discman que até decorei.

Adorei o Cd e aquela energia da banda. Não existia YouTube na época, então era aquela sensação perdida de não só ter somente aquele CD como registro, mas mal ter um lugar pra buscar material a mais da banda. Na época que isso acontecia era 2001 ou 2002 acho, e em 2003 o Metallica lançava a porcaria mal produzida chamada "St.Anger". Como a banda estava em evidência por isso, lá ia eu pedir para minha mãe os dois primeiros álbuns de metal da minha vida: o próprio "St Anger" do Metallica e o "Dance of Death" do Iron Maiden, outra banda que tinha lançado álbum na época. 



Bom, acho que todo mundo começa pelos maiores expoentes do estilo e eu não fui diferente né? 

Lembro que curti muito esses dois novos presentes que ganhei, mas a medida que a internet foi chegando e o meu gosto foi ficando sedento a mais bandas, esses dois álbuns ficaram cada vez mais em segundo plano. Hoje não tenho mais os dois CDs, vendi os dois em rolos por aí, mas mesmo musicalmente eles não me agradando mais, ainda ocasionalmente paro pra dar uma olhada nos dois e lembrar um pouco da história que ajudaram a construir.

Como disse, a internet chegou e com isso mais bandas adentraram meu catálogo. É um mundo mais fácil e mais globalizado, e na mesma onda de igualdade que democratiza e dá a qualquer pessoa o direito de usufruir da música de um determinado artista como bem entender. Deixando o lado das gravadoras e legalidade, por outro lado isso foi o que acabou afetando a música de mainstream de certa forma. Hoje cada vez mais um artista que chega ao topo das paradas é descartável. É simples descartar um artista já que a internet logo coloca um outro em seu lugar, não é mais necessário batalhar para ganhar seu "lugar ao sol" como em outros tempos. Hoje sem muito trabalho se faz música profissional e com qualidade de estúdio, e essa falta de "luta" foi o que empobreceu a qualidade do mercado na minha visão. A qualidade virou quantidade. E essa queixa deixou de ser apenas um chororô de saudosismo, mas onde apenas comparando décadas a décadas, vê-se claramente que não existem mais tendências e que o talento musical diminuiu consideravelmente.

Com essa ferramenta da internet meu "leque" de opções abriu consideravelmente, e mesmo naquela internet discada que a gente tinha antigamente com aquele barulhinho que nos enfurece, eu suportava as quedas de linha, e como todo brasileiro esperava pelos corujões pra usar a internet de graça após a meia-noite. Outra coisa impensável em tempos atuais de internet a cabo, de meus 35mb, e um tipo de impaciência tecnológica que nunca mais me abandonará.

Hoje lembro daqueles dias com saudade, saudade da minha paciência que monges teriam inveja, pra baixar uma música de cada vez de artistas que acabava de descobrir. Às vezes até álbuns inteiros naquele ritmo vagaroso comemorado, quando deixar o computador ligado a noite inteira era rotina. Pobre do meu Compaq Presario.

É quase que impossível dizer a vocês todos a bandas que baixei, mas asseguro que fui o cara mais "metaclético" que conhecia. Não tinha cabeça fechada a nada, indo do Speed Metal do Stratovarius até o Black Metal modinha: Cradle Of Filth. Só tinha receio da gritaria do Death Metal, mas aos poucos fui me acostumando com bandas como Children Of Bodom e Arch Enemy que apresentavam um som mais melódico e "amigável" aos ouvidos que ainda se iniciavam nos guturais potentes. Tudo que meu amigo Patrício me apresentou. 



Daquela época até hoje deixei de gostar de muita coisa, de Cradle of Filth a Iron Maiden, de Helloween a Stratovarius, de Nightwish a Epica, e de Linkin Park a Korn. Como qualquer pessoa, amadureci e selecionei melhor o rock que queria ouvir. O clássico de bandas como Queen, Scorpions e Led Zeppelin sempre permaneceu, aliado ao moderno e alternativo que se ouve num Mastodon e Opeth hoje em dia, ao virtuosismo de um Dream Theater, e do peso cavalar do eterno Pantera. No final, entre tantas idas e vindas, gostos e críticas, o rock sempre permaneceu em minha vida, e me mostrou quantas milhares de nuances, emoções e balanços se precisa ter para permanecer eternamente na minha história.

E você, qual sua história com o rock?

Ilustração ultra-realista do Homem de Ferro

Ilustração ultra-realista do Homem de Ferro
O artista italiano Marcello Barenghi já é famoso por seus desenhos ultra-realistas que ele semanalmente posta em seu canal no YouTube, mas o desenhos desta vez é espetacular em seus pequenos detalhes.

Bom, simplesmente fiquei com a boca aberta com esse desenho do Iron Man, nem tem muito a comentar. Só clica no play.


Visite seu canal para muito mais artes como essa =)


Cover incrível de um clássico do Dire Straits feito por um brasileiro

Cover incrível de um clássico do Dire Straits feito por um brasileiro
Depois dos 7x1 da Alemanha em cima do Brasil, talvez caímos na real de que deixamos de ser a muito tempo o país do futebol, e que sim, temos muito a aprender com aqueles que um dia almejaram ser reflexos de nós. Mas se não somos mais o pais do futebol, com certeza somos o país de muitos mais qualidades. A simpatia e a garra do povo brasileiro contrastam com sua famosa preguiça, e a musicalidade em todos os gêneros é reconhecida mundialmente. Somos talentosos.

Esse cover de "Sultans of Swing", clássico absoluto do rock de todos os tempos, feito por mais um amante do rock que pegou sua guitarra e seu amplificador, e foi tocar no centro de SP (se não me engano no Viaduto Sta. Ifigênia) pra humildemente ganhar uns trocados, é simplesmente fantástico! Desde a voz idêntica a de Mark Knopfler ao talento na guitarra. Esse sim foi o verdadeiro craque da Seleção Brasileira.


Ah sim, esse cara foda se chama William Lee =)

Tirinhas da Semana #183

Depois de a Alemanha conseguir superar a própria fábrica de automóveis na velocidade em produzir Gols, nada melhor do que rir ainda mais disso conferindo as tirinhas da semana.












O que passa pelos meus fones #78 - Pink Floyd / Faith No More

O que passa pelos meus fones #78 - Pink Floyd / Faith No More
Nesse clima ainda de Copa do Mundo de final e durante o holocausto que a Alemanha provocou na Seleção Brasileira no 7 a 1 (provando que essa é a Copa das Copas mesmo, da pior forma agora), e do feriado chuvoso e preguiçoso que houve aqui em São Paulo ontem, fiquei afastado da internet esses dias (sim, faz bem dormir um pouco). Aí hoje acompanhando as notícias fiquei surpreendido e empolgado com dois "retornos" de duas bandas das quais sou fã: o Faith No More e o Pink Floyd. Então nesse ritmo atrasado, falarei sobre as duas notícias.

O primeiro que mês passado anunciou através de seu vocalista inconfundível, Mike Patton em seu Twitter, que depois de 17 anos estaria trabalhando em músicas inéditas. Então que dia 06, em seu show em Londres no Hyde Park, a banda divulgou duas músicas inéditas, que se vão estar no possível próximo álbum ou são simplesmente demos e ideias soltas ninguém sabe, mas são animadoras.

Com aquele espírito sempre debochado, as duas músicas "Superhero (Leader of Men)" e "Motherfucker" de primeira lembram bastante aquele espírito do Angel Dust. Guardadas as devidas proporções, claro.



Já o segundo que vive um hiato de 20 anos de músicas inéditas desde 1994 quando lançou "The Division Bell" com David Gilmour nos vocais, e 30 anos desde "The Final Cut", último álbum da qual Roger Waters participou das gravações e consequentemente abandonou as mesmas, o Pink Floyd poucas vezes se reuniu depois disso. E agora para comemorar os 20 anos do último lançamento da banda, "The Endless River" será lançado em outubro. 

Bom, costumam dizer que todo gênio tem sua loucura, e assim, todo gênio tem sua peculiaridade. Dificilmente dois dividem o mesmo espaço. E todos sabem que Roger Waters e David Gilmour não se entendem a muitas décadas, impossibilitando qualquer tipo de retorno ou gravação de qualquer música inédita de 10 segundos. Mas então eles fizeram as pazes magicamente? Pois é, já é bom esclarecer que "The Endless River" não se trata de um retorno, mas sim que as músicas que farão parte do álbum se tratam de composições que originalmente foram gravadas em 1994 e por algum motivo ficaram de fora do álbum definitivo. Sendo assim, Roger Waters NÃO participará do álbum, pelo menos inicialmente.

"The Division Bell" é pra mim uma obra prima do Pink Floyd, mesmo sem Roger Waters nos vocais. Mesmo sendo "sobras" do cujo álbum, "The Endless River" é um presente para todos os fãs de Pink Floyd. 

Juntamente com esse anúncio, a banda divulgou dia 02 um inédito clipe ao vivo reunião do Pink Floyd no Live 8 no Hyde Park em 2005. A música é a clássica, imortal, comovente, e um dos melhores solos do rock de todos os tempos: "Comfortably Numb"

RIP Orkut: A minha despedida

A morte da rede social era tão iminente que o "RIP" foi decretado a quatro anos atrás!

Fiz meu Orkut em 2006. Estava no 3º ano do colegial e aquela era a época em que meu amigo e eu dividíamos o meu computador para ver o que estava bombando na época (leia-se Humortadela, Charges e Bate Papo UOL, Fliperama, etc...) e participar das redes sociais que eram novidades, o Orkut e o MSN. Ele fez primeiro e primeiramente fui relutando durante alguns meses a fazer minha conta. Essa era a época dos convites, e ter um perfil na rede social requeria um trabalho visto a facilidade que temos hoje em da em nos inscrevermos pra qualquer coisa. Portanto era uma conquista, e minha relutação em ter um perfil lá passava pela minha indiscrição (um primata com medo pelo novo, na real) e esse trabalhinho que dava conquistar um lugar lá.

Em outubro de 2006, motivado pelos meus amigos de escola que assunto vai e assunto vem falavam nisso, resolvi fazer esta porra (nem lembro se falava porra na época tanto quanto hoje). Me inscrevi e fui lá eu torcendo pelo convite. Quem não lembra daquele O rosa do Orkut ao lado do nome? Era legal ter um né?

Eram bacanas essas viadagens, vai?
Depois de um tempo não bastava ter os conhecidos da escola adicionados lá, o que era longe antes, o Orkut fez ficar mais próximo. Então quem te achava bacana ou bonito, te adicionava. O grande defeito da rede social, como disse: era "não ter o que fazer". E essa era sua maior qualidade para socializar as pessoas, o que o Facebook em suas inúmeras qualidades, não tem. Cada um pode perfeitamente ficar na sua somente curtindo ou compartilhando o que gosta, todo mundo faz isso. Já no Orkut, para passar o tempo você precisava puxar papo com alguém ou na mais provável das hipóteses, ter fuçado seu perfil por aquelas 12 fotos que você suava em escolher.

Eram os tempos que era possível ter fãs, e classificar a pessoa em sexy, divertida, e confiável. Eram os tempos em que ter um bilhão de scraps era o máximo (e depois não ter nenhum). Era o tempo da babaquice do bom dia com glitter e da viadagem do "só add com scrap". Era o tempo daquele jeitinho de mandar uma mensagem privada através do depoimento, e de muitos troladores que o aceitavam. Quem nunca? E ah os depoimentos, realmente essa é uma ferramenta que ainda é única e faz muita falta. Conheci as discografias por lá, quem não participava daquela comunidades "Discografias"? Tinha tudo lá. A capacidade dos fóruns da comunidades só criaram frutos por ali!

Sem contar as comunidades que eram pérolas por si só, e na falta do que fazer, eu passava horas participando de comunidades e visitando infinitamente as relacionadas. Os famosíssimos blogs Gordo Nerd e o Não Salvo vieram de lá sabia?

Aliás, quando migrei para o Facebook, por um breve período de tempo relutei em deletar minha conta no Orkut. Deixei tudo desativado, a não ser as centenas de comunidades que eu tinha e hoje nessa sessão de nostalgia, me arrependo em ter deletado minha conta tão quanto ter jogado minhas centenas de tazos no lixo. Sabe dar valor quando se perde? O propósito de fórum que tinha lá era inútil, mas essa ferramenta se tornou o grande centro de humor non-sense da internet naquela época e até hoje a rede social é querida pelo sabor de adolescência que tem.

Enquanto o Facebook ia roubando a cena com sua integração gigantesca na internet e sua capacidade de integrar tudo aquilo que a gente gostava, o Orkut ficou mais obsoleto do que aquela fita K7 que você tem no fundo do armário, e inevitavelmente acabou virando peça de museu junto com ela. Os travamentos constantes, aquela nossa página inicial morta, a babaquice que tomava conta da rede social, a interface defeituosa e atrasada... Muitos foram os motivos que me fizeram deletar minha conta no site e deixar o Facebook com sua interface simples e seu funcionamento mais funcional e maduro tomar conta da minha vida. Pois é, hoje em dia não vejo mais tanta graça no Facebook como via antigamente, principalmente porque a responsabilidade é um bicho que não permite passarmos tanto tempo na internet como antes, mas inegavelmente a rede social feita por Mark Zuckerberg teve a maior sacada de todos os tempos: "o curta e compartilhe".

Com o tempo o Orkut foi se adaptando com as novidades propostas por outras redes sociais e até seu visual mudou abandonando aquelas fotos tortas e aquele azul bebê enjoativo da tela. Porém ele nunca mais recuperaria seu espaço. As mudanças em vez de satisfazer os usuários, só fizeram os irritar mais. Nessa brecha veio o Facebook, a Google desesperada criou o Google + - sem apresentar nenhuma novidade e mais irrelevante que o próprio Orkut -, e de resto você já sabe a história...

O Orkut foi o inclusor digital de muita gente, felizmente ou infelizmente, revelando o pior da insolência juventude brasileira. Presenciando nossos primeiros amores, as primeiras azarações, as muitas babaquices, as primeiras fotos de rolês, as primeiras amizades virtuais... E graças a ele talvez tenhamos tido tudo que temos hoje. Hoje temos redes sociais para cada canto da nossa vida, mas graças a aquele boom dessa pacata rede social que cresceu com a gente, aprendemos a conhecer melhor a capacidade social da internet, e a nos descrevermos no "quem sou eu" (e a ler o MiGuuXês também). Quem nunca colocou uma letra de música na descrição ou uma frase batida na descrição? Quem nunca enfeitou ou modificou seu nome de perfil?


Ah, éramos tão idiotas. =)

Lembro que tinha muitas comunidades que literalmente rachava o bico, e de tão non-sense é praticamente impossível que as veja novamente em uma qualquer homenagem ao Orkut. Entretanto, com alguma pesquisa, recuperei algumas das quais participava e outras que todo mundo tinha que ter!

Tirinhas da Semana #182

Nesse meio tempo de jogo do Brasil, fim de semana, jogo do Brasil de novo e feriado em São Paulo, quase não deu para pensar no blog. Mas respire fundo e relaxe, essa folga tá acabando. Vamos conferir as melhores tirinhas da semana (passada).