Resenha CD: Opeth - Pale Communion

quarta-feira, setembro 10, 2014

Nos caminhos da internet, a muito tempo, sobre a música denominada "progressiva" eu li algo assim: "A música progressiva por si só é sem limites", frase que o líder da banda sueca de prog metal Opeth, Lars Mikael Akerfeldt, representa como bandeira. Suas participações em projetos paralelos, na colaboração com o Katatonia no fim dos anos 90, mas principalmente com o death metal puro aplicado no Bloodbath, com Jonas Renske, grande amigo, fundador e membro do Katatonia, e no projeto com o vocalista do Porcupine Tree, Steven Wilson, no chamado Storm Corrosion, dizem perfeitamente o que Akerfeldt gosta de experimentar. É como se ele dissecasse suas influências indo do brutal ao melódico, em suma, tivesse separado o sal da água. Mistura que fez o Opeth tão único, uma simbiose em que sentimos que por trás de toda a agressividade sua música vai além, e é também exatamente por isso que a discografia do Opeth é tão forte.

Contudo, nessas aventuras e com um rol de fãs e um nome já estabelecido - e especulando, talvez por um desgaste com a sua voz - Akerfeldt resolveu "virar a mesa" e, não modificar o som do Opeth, mas tirar das sombras a sombriedade e o mistério que vez ou outra sempre fez parte do instrumental da banda. Gozando de seu prestígio e seu reconhecimento comercial que finalmente chegou com "Watershed", talvez o Opeth tenha se dado conta de que deveria mostrar muito mais transformando seu som em algo um pouco mais palatável, até a Akerfeldt e cia que sempre se negaram a ser uma eterna repetição. O fabuloso "Heritage" foi o primeiro passo de uma evolução melódica que já vinha desde "Ghost Reveries", mas foi o mais polêmico. Apresentando guitarras mais abafadas e vocais limpos de Akerfeldt, e flertando fortemente com suas influências setentistas e gótia. O Opeth dividiu muitos fãs, algo que aconteceria naturalmente - dado a muitos não aceitarem mudanças bruscas como essa na sua banda predileta -, mas se manteve em seu alto nível apresentando música de altíssima qualidade em um álbum comovente.

Isso foi em 2011. Obviamente quatro anos se passaram e desde o anúncio de um novo álbum de estúdio com muita ansiedade, inclusive por este que vos fala, afinal a curiosidade era: o que Akerfeldt aprontaria novamente? Os caminhos que ele seguiu em "Heritage" seriam únicos, ou por ali começaria uma evolução musical e natural?

Bom, naturalmente Akerfeldt optou pelo segundo caminho, ignorando qualquer pedido por uma volta aos guturais. Resumindo, as influências setentistas com órgãos, violões e um clima teatral e viajante de "Heritage", ganharam um reforço ainda maior do progressivo, contidos principalmente nas guitarras e nos vocais de Mikael Akerfeldt que resolve explorar ainda mais a musicalidade da sua bela voz.

Costumo dizer que para mim o Opeth sempre foi uma banda que se definiu como uma trilha caótica de sonhos e pesadelos, algo que logo na abertura se sente com a faixa "Eternal Rains Will Come" e em todas as oito composições que compõem "Pale Communion". Nesse álbum, temos uma sequência natural do que vimos em "Heritage", e são necessárias muitas audições para se compreender o que está contido ali. Então se você já não curtiu esse álbum, chance zero de você "Pale Communion", simples assim. Contudo, simplicidade que também permeia a opção daqueles que tem os horizontes musicais mais amplos, ou somente querem experimentar algo além do que o Opeth tem a oferecer, resolverem tentar compreender o rock progressivo de "Pale Communion".

Eu como fã do que o Opeth foi e agora é, os convido.

Tracklist:

1. "Eternal Rains Will Come"   6:43
2. "Cusp of Eternity"   5:35
3. "Moon Above, Sun Below"   10:52
4. "Elysian Woes"   4:47
5. "Goblin" (instrumental) 4:32
6. "River"   7:30
7. "Voice of Treason"   8:00
8. "Faith in Others"   7:39

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Você pode curtir também

0 comentários