Resenha CD: Alice In Chains - The Devil Put Dinosaurs Here

Quando Layne Stayley morreu de overdose em 2000, ali se encerrava o Alice In Chains; algo que aconteceria com muitas bandas (pra não dizer todas). Claro que temos casos e casos, já que o guitarrista rouba a cena em certas vezes, caso de um Dimebag ou um Iommi. Em outros, o vocalista é muitas vezes o expoente da banda: oras, quantos sentem a falta de Freddie Mercury até hoje? Ou mesmo de um baixista ou o baterista, respectivamente muitos questionam a falta que Cliff Burton faz ao Metallica, e que o The Who sem Keith Moon nunca mais foi o mesmo.

Em todos esse casos, menos no caso do Dimebag com o Pantera (até porque o que aconteceu é algo que foge a toda compreensão mais comum), as bandas em tempos diferentes, continuaram. Em todos esses casos, seja maior ou em menor escala, elas tiveram sucesso e na minha opinião continuaram porque sentiam que tinham mais a oferecer como músicos. Como somos obrigados a continuar a vida após uma morte dolorosa em nossa família ou círculo de amizades, pois a vida.... é a vida. Um músico, como humano, segue da mesma forma; seja para aplacar um pouco a dor da perda, ou mesmo continuar porque é a homenagem mais digna que ele poderia fazer a alguém que tocou ao lado dele a grande parte da vida. E foi isso que o Alice In Chains fez.

Foram seis anos entre o intervalo da morte de Layne e o lançamento de "Black Gives Way To Blue", em que nesse meio tempo o guitarrista Jerry Cantrell achou William DuVall para continuar seu caminho. Quando a volta foi anunciada, muitos fãs ficaram com pé atrás e tantos outros botavam fé no que Cantrell aprontava. Se depois de "Black Gives Way To Blue" que mostrou veementemente que a banda sem Layne ainda tinha muito a oferecer, em 2013, com "The Devil Put Dinosaurs Here", terminou por tirar as dúvidas que alguns tinham, principalmente por a banda passar por aquele teste de fogo que é o "segundo álbum".

É uma tarefa complicada dizer a você que "The Devil Put Dinosaurs Here" é melhor que "Black Gives Way To Blue" e vice-versa, talvez numa análise mais criteriosa faixa-a-faixa se possa eleger qual é o melhor, mas também fazendo isso se perderia um dos charmes da música ser música. O que eu poderia dizer que "The Devil... (e tá bom digitar só isso)" é mais coeso do que o álbum anterior, mas pouca coisa, não suficiente para dizer qual é o melhor, entende? Afinal gosto é que nem o c* de cada um. Músicas como "Hollow", "Pretty Done", o single "Stone", "Phantom Limb", "Voices" e a própria faixa-título dão o tom do álbum, esse que passa tão rápida e desapercebidamente que quando você perceber está apertando o play de novo!

Para mim o principal mérito de Jerry Cantrell é não ter se copiado e nem se reinventado, ao mesmo tempo em que deu uma cara diferente a banda do que tinha na época dos anos 90. Layne Stayley é insubstituível, e Cantrell sabe disso. E talvez pensando nisso, Cantrell sabendo que tinha uma voz de timbre bem parecido mas sem a potência que Layne tinha, deixou a cargo de DuVall - com sua voz também parecida com a de Layne - complementar e dar camadas vocais que o Alice In Chains não tinha e por isso mesmo dignificar uma retorno. Essa foi a personalidade principal que a banda adquiriu e precisava para ter uma volta em que não ficássemos remoendo o passado. O que foi fundamental para o resultado explêndido que a banda alcançou, e que poucas vezes pode-se ver um recomeço tão bem sucedido. Algo que nem o cabelo curto de Cantrell possa ter distraído. LOL

Tracklist:

1. "Hollow" 5:43
2. "Pretty Done" 4:35
3. "Stone" 4:22
4. "Voices" 5:42
5. "The Devil Put Dinosaurs Here" 6:38
6. "Lab Monkey" 5:58
7. "Low Ceiling" 5:15
8. "Breath on a Window" 5:19
9. "Scalpel" 5:21
10. "Phantom Limb" 7:07
11. "Hung on a Hook" 5:34
12. "Choke" 5:44

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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