Resenha Filme: O Artista

Saca aquilo que sempre lhe disseram de que imagens valem mais que mil palavras?

Tal qual uma Amelie Poulain, é o prazer pelas pequenas e simples coisas. A fascinação por filmes mudo vem daí. Imagens, gestos, sorrisos. Você abre um livro cheio de fotos e as palavras a colorem, já imagens em movimento colorem as palavras. A imaginação de todo o modo é fluida e a fascinação é a mesma. "O Artista " entra perfeitamente nesse quesito.

Feito em 2011 e campeão de indicações ao lado de Martin Scorsese e sua "Invenção de Hugo Cabret" nos Oscar de 2012, Foi vencedor de 5 Oscars: melhor filme, melhor ator, melhor diretor, melhor figurino e melhor trilha sonora. O longa franco-belga recheado de artistas americanos, foi rodado por Michel Hazanavicius, e se trata do cinema de glamour hollywoodiano da década de 30 e da sua mudança mais abrupta da história, o som. Até por isso sua simpatia no meio Hollywoodiano foi tão grande, e tantas indicações ao Oscar foram feitas. Porém ao assistir o filme, posso entender porque foram tão justas, ao contrário do filme do rei gago vencedor no ano anterior, " O Discurso do Rei".

No fim dos anos 30, mais precisamente em 1928, eram rodados cerca de 250 filmes onde 95% eram mudos, já no ano seguinte um salto, cerca de 95% eram mudos. Essa mudança tão abrupta de mercado com a descoberta do som, pegou muitos artistas de surpresa, e muitos até ficaram jogados ao ostracismo. Orgulho ou pura defesa da sua arte? Não sabemos bem. Mas é justamente nessa época que se passa a história do filme e seu protagonista, George Valentin (Jean Dujardim).

Galã da época, George Valentin como a maioria dos grandes artistas - e falamos de uma época onde ser "famoso" significava ser quase que exclusivamente a única estrela -, era orgulhoso e por muitas vezes arrogante. Desacreditando que os filmes falados substituirão os mudos, George vê sua estrela por apagar rapidamente, enquanto coincidentemente uma outra nasce. Trata-se de sua fã, e ironicamente escolhida por seu dedo para contracenar em seu filme nos anos de glória, Peppy Miller (Bérénice Bejo). Jovem, bonita e simpática, Peppy aos poucos ganha simpatia do público e da crítica, e é contratada pelo mesmo estúdio sedento pelos filmes falados onde George trabalha. Ou melhor, trabalhava, já que em 1929 os filmes falados eram a nova tendência e George cegamente ria disso. Agora um ator ultrapassado viciado no seu próprio talento, e vendo Peppy Miller cada vez mais alcançar voos altos, George ainda vê sua empreitada ainda no cinema mudo fracassar como poderia se esperar. Como desgraça pouca é bobagem, 1929 é o ano da quebra da bolsa de Nova York, e bom, daí você pode imaginar o resto...

O filme é daqueles de roteiro calculadinho, simples, mas nunca datável. Porém o seu charme maior é justamente a falta de palavras que faz o jogo ficar ganho e tornar o filme simpatissíssimo aos nossos olhos, nos tocando direto no nosso coração. É impossível não se ver não se envolvido com a história e com a época. Assim como é impossível não se simpatizar pela beleza meiga de Peppy Miller, pelo sorriso largo de George Valentin e a destreza do seu cão Duggie, amizade mal comparando, como a de Tin Tin e Bilu. Numa época em que temos muitos atores descartáveis, todo esse envolvimento que senti ao final do filme nos mostra como o talento nunca será colocado em segundo plano no fim, é como um piloto e seu carro de Fórmula 1. Assim com o jogo ganho, é impossível não conquistar o espectador.

Provavelmente e infelizmente o filme com o tempo acabará por ser deixado de lado numa época de tanto avanço tecnológico, é o tipo de filme que é mais a cara de cinemas cults. Mas para quem se dispõe a assistir e o mais importante, procura entender o filme como ele é, se torna o tipo de obra inesquecível; uma referência para quando se recomenda um filme a qualquer pessoa.

The Artist - 2011

País: França / Bélgica
Direção: Michel Hazanavicius
Produção: Thomas Langmann / Emmanuel Montamat
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco original:  Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller
Gênero: Comédia / Drama / Romance

Tirinhas da Semana #91

Eu sei que a piada está gasta, mas a estreia do filme do Batman está de matar!

Chega, vamos as tirinhas da semana.














O que passa pelos meus fones #33 - Testament

Fazia tempo que não postava nada nessa seção, mas continuando a tradição de trazer novidades, hoje a bola da vez é o Testament.

"Native Blood" do novo "Dark Roots Of Earth", álbum que tem lançamento programado para 27 de julho na terra do Tio Sam, já tinha sido divulgada, mas agora vem fresquinha em formato de lyric video para você aprender certinho como cantar. 

As guitarras de Alex Skolnick e Eric Peterson continuam matadoras, Promete!

Resenha Filme: Enterrado Vivo

Filmes de terror não me assustam, pode ocorrer um susto aqui e ali, mas isso é igualmente e facilmente comparado a aquele momento em que você abre a porta do elevador e dá de cara com alguém, certo?! Claro que mascarados malucos podem correr atrás de mim e me esfaquear, mas é uma hipótese tão pouco provável que vou acabar rindo dela, é o chamado imaginário. Já "Enterrado Vivo" mexe tanto com uma tensão própria que é o que chamo de um terror de verdade.

Desde quando me conheço por gente, tenho medo de ser Enterrado Vivo, ou simplesmente estar desesperado em busca de o último suspiro de oxigênio; e quem não tem esse medo? Então quando vi o trailer do filme em 2010 fiquei logo interessadíssimo pelo filme, tal cena só tinha visto em Kill Bill 2 e agora teríamos finalmente um filme digno sobre esse medo tão assustador e tão cruel. Bom, você deve ter assistido provavelmente o filme estrelado por Colin Farrell "Por Um Fio", aquele mesmo em que ele fica preso na cabine telefônica. Bom, aqui temos a mesma premissa, mas bem mais cruel.

Dirigido pelo cineasta espanhol Rodrigo Cortês, "Enterrado Vivo" não tem muito a ser dito, não só pelo conselho : "você tem que assistir", mas porque ele não tem muito roteiro mesmo. Tudo o que você precisa saber do filme é que Ryan Reynolds é Paul Conroy, um sujeito que um dia acorda e se vê Enterrado Vivo em um caixão sabe-se lá onde. E é isso. Pronto.

Com essa premissa simples e roteiro quase nulo você deve pegar se pensando: "porque preciso assistir isso?". Bom, realmente o filme tem tudo pra dar errado, mas felizmente temos o resultado contrário. "Enterrado Vivo" é angustiante, tenso, aterrorizante, tanto quanto o que o diretor tem nas mãos para fazer um filme digno. E se o mesmo não pode ser considerado genial, a direção de Cortês é precisa e capta a tensão exata que precisamos pra saber o que acontece até o final, e é disso que exatamente precisamos do filme.

Não é puxar o saco do anti-americanismo, tanto que essa realidade do ser humano é algo descartável ocorre em vários lugares e muitas vezes nem sabemos. O que sabemos bem é que por exemplo o serviço militar e as grandes empresas estão pouco se fodendo pra as pessoas. No filme, não basta Paul estar naquela situação agoniante e a única forma de ele ser salvo é resumida em um "sinto muito". Talvez essa realidade é o que nos dê mais medo ainda ao pararmos pra pensar!

Sobre o "elenco", um cara na verdade, Ryan Reynolds não é um grande ator mas aqui ele não causa problemas, aliás ele interpretou bem numa situação tão difícil e claustrofóbica. Se em Lanterna Verde dou um zero pra ele, aqui dou um dez. Engraçado que como o herói ele tinha o espaço inteiro pra voar... acho que a liberdade pra ele fez mal.

Porém dentre tantas qualidades que apontei da direção, o roteiro propositalmente nulo causou um grave erro, a cobra. Um furo de roteiro enorme é como ele não notou o fato de a cobra entrar no caixão em que ele estava e a solução que ele encontrou pra se livrar dela. Porra, botando fogo num caixão de madeira, porque raios ele não se queimou junto?

Mas esses erros a parte, ao final do filme penso que se o diretor consegue fazer um ótimo filme com tão pouco, imagine com um orçamento de verdade nas mãos. Rodrigo Cortês se saiu muito bem. Vendo de longe, "Enterrado Vivo" parece aqueles fan-films de internet feitos especialmente para quem quer sentir aflição e medo de verdade, talvez ele tenha se inspirado nisso ou nos seus medos comuns.

Se você não está em uma busca (chata) daquele clássico cult, mas quer um filme que realmente te cause algum sentimento de medo. "Enterrado Vivo" é uma boa escolha.