"Loucura é uma saída de emergência" - Coringa, A Piada Mortal

sábado, 17 de novembro de 2012

Resenha Livro: A Tumba - e outras histórias (H.P. Lovecraft)

Howard Philips Lovecraft tinha a ideia de que a vida é incompreensível à mente humana e que o universo é fundamentalmente alienígena.  

Seus trabalhos foram profundamente pessimistas e cínicos, muitas vezes desafiando os valores do Iluminismo, do Romantismo, do Cristianismo e do Humanismo. Comumente os protagonistas de Lovecraft eram o oposto do tradicional misticismo por momentaneamente anteverem o horror da última realidade e do abismo. Fato que contribuiu para durante a sua vida ter um número relativamente pequeno de leitores, no entanto, sua reputação cresceu com o passar das décadas e ele agora é considerado um dos escritores de terror mais influentes do século XX. Lovecraft, como aconteceu com Edgar Allan Poe no século XIX, tem exercido "uma influência incalculável sobre sucessivas gerações de escritores de ficção de horror". 

O livro "A Tumba - e outras histórias" na versão da L&M Pocket obviamente traz vários contos de H.P. Lovecraft, além das primeiras histórias datadas de quando Lovecraft tinha apenas 15 anos, e alguns fragmentos de sonhos que ele nunca chegou a terminar como contos. 

Analisando o livro de forma direta, ele é muito bom. O estilo inglês de escrita de Lovecraft ao mesmo tempo que consegue ser poético, é tão quanto impactante. Entretanto não é um estilo fácil de ler, não no sentido gramatical como Kafka, mas sim porque os contos necessitam de uma verdadeira imersão na história, sem contar o fato de vários contos dele terminarem de forma misteriosa ou até abrupta. 

Tendo um estilo todo especial de narrar histórias em que casam um terror na mente de quem lê, para compreender é necessário a tal imersão que disse da nossa mente. As histórias eram inspiradas nos pesadelos que Lovecraft tinha dando origem a uma obra marcada pelo subconsciente e pelo simbolismo, então cá entre nós que nada mais justo nos dedicarmos dessa forma a sua obra. 

Podemos citar também que em alguns do contos do livro, ele acaba "estendendo" demais a história. Como se fosse um George R. R. Martin ou um Stephen King, só que em vez de ser detalhista, acaba se estendendo tanto que deu sono em mim. Exemplo são os contos do início "O Festival" e "Aprisionado Com Os Faraós", o primeiro por sono, e esse segundo que de longo acabei por dormir tantas vezes que pulei para o conto seguinte; é o tal detalhismo que às vezes faz mal. 

Porém cercado dessa aura de mistério e terror que o estilo de Lovecraft, com seus defeitos e qualidades como numa bela mistura, fazem seus contos tão bons e únicos. Exemplo se vê em "Entre as Paredes de Enyx", uma ficção científica passada em Vênus, em que a narração em forma de diário do personagem traz emoção, agonia e suspense até o seu desfecho (que não vou contar); o conto que dá nome ao livro "A Tumba", de um terror gótico totalmente mórbido puro Lovecraft; e o "O Horror em Red Hook" que narra uma investigação terror/policial de tirar o fôlego.

Sobre os fragmentos (que são pequenas notas de sonhos que Lovecraft tentou por transformar em contos): "Azathoth", "O Descendente", "O Livro", e "A Coisa No Luar", e as suas primeiras histórias que são: "A Fera Na Caverna", "O Alquimista", "Poesia e os Deuses", "A Rua", e a "Transição de Juan Romero", diria que elas denunciam o que o autor é, inconstante e genial.

Bom, Estevão Rei Stephen King declarou que H.P. Lovecraft é "o maior praticante do século XX do conto de horror clássico". Então, sem mais.
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário: