Resenha CD: Myrath - Tales Of The Sand

Bom, vou começar falando um pouco da banda para quem ainda não conhece:

Atualmente formada por Malek Ben Arbia na guitarra, Zaher Zorgati nos vocais, Elyes Bouchoucha nos teclados e backing vocals, Anis Jouini no baixo, Piwee Desfray na bateria. O Myrath é uma banda de prog-metal de Tunis, capital da Tunísia, formada em 2001. Com seus dois primeiros lançamentos "Hope" de 2007, e "Desert Call" de 2010 a banda se tornou respeitadíssima dentro do mundo prog metal. Seu estilo distinto é basicamente definido como "Oriental Metal", pois é marcado com ritmos orientais, escalas e harmonias.

Em 2011 o Myrath lançou seu terceiro álbum, o ótimo "Tales Of The Sand", e é dele que vamos falar nessa resenha.

Ao contrário do estilo e do que a própria banda vinha fazendo, "Tales Of The Sand" é marcado por faixas mais diretas não passando de 6 minutos, porém recheadas de técnica e peso. Se a banda deixou a criatividade mais de lado, entretanto isso até tornou a banda mais direta na sua proposta. Nesse álbum, o Myrath se destaca mais pelo seu peso e riffs agressivos, remetendo ao que o Symphony X vem fazendo nos excelentes dois últimos álbuns "Paradise Lost" de 2007 e "Iconoclast" de 2011, com sua mistura já tradicional de instrumentos orientais, assim te fazendo imaginar estando no jogo "Prince Of Persia".

Sobre as faixas, os destaques são a pesadíssima "Under Siege", a "Wide Shut", o single "Merciless Times", a rápida "Sour Sigh" e a prog "Time To Grow" que poderiam estar muito bem num álbum do Symphony X.

A banda inteira é um destaque pois o álbum todo é muito bem executado - além de muito bem produzido -, mas claramente a guitarra, vocal e bateria se sobressaem sobre os outros, Malek Ben Arbia com sua guitarra é um show a parte inclusive. E falando sobre os vocais especificamente, quando Zaher Zorgati canta na sua forma toda interpretativa, é impossível não lembrar de Roy Khan (ex Kamelot), até pelo timbre às vezes. Creio que irão concordar comigo.

Claramente o Myrath é uma ótima banda, e é com certeza um dos destaques dentro do mundo prog-metal. "Tales Of The Sand" é um álbum recomendadíssimo pra quem curte o estilo.

Tracklist:

1. "Under Siege" 4:28
2. "Braving The Seas" 4:20
3. "Merciless Times" 3:28
4. "Tales of the Sands" 5:19
5. "Sour Sigh" 4:58
6. "Dawn Within" 3:31
7. "Wide Shut" 5:25
8. "Requiem for a Goodbye" 4:23
9. "Beyond the Stars" 5:15
10. "Time to Grow"

Abaixo o clipe de "Merciless Sands":


Resenha CD: Iced Earth - Dystopia

É fato de que os dois últimos álbuns da banda "Framing Armageddon" de 2007 e "The Crucible of Man" de 2008 retomando o conceitualismo do clássico absoluto "Something Wicked The Comes" de 1998, representaram muito pouco daquilo que conhecía do Iced Earth como banda. Os riffs estavam ali, mas o próprio conceitualismo, além das trocas constantes de vocalista (Matthew Barlow saiu, Tim Owens veio, e Barlow voltou pra sair de novo), atrapalharam a qualidade da banda. Era muito épica e pouco produtiva.

Mas o guitarrista e líder Jon Schaffer, como guerreiro que é, saiu em busca de um novo vocal e eis que encontra Stu Block da banda Into Eternity. Confesso que inicialmente fiquei com um pé atrás, não por causa da escolha de Schaffer, mas porque Barlow era uma voz extremamente marcante definindo muito do que o Iced Earth é. Mas eis que chega "Dystopia" e vemos que a escolha foi mais que acertada!

A escolha acertada se deve ao fato de que Stu Block consegue agradar gregos e troianos. De voz poderosa ele durante toda a audição do álbum consegue se assemelhar muito fortemente a Barlow, porém com uma personalidade própria. E para quem curtiu o Tim Owens no "Framing Armageddon", irá lembrar de primeira dele quando Block solta seus agudos, como na excelente faixa título e na "Equilibrium" por exemplo.

Além da escolha do vocalista ter sido extremamente acertada, falar sobre "Dystopia" é uma tarefa extremamente tranquila, pois o álbum retoma tudo aquilo que o Iced Earth é, poderoso e energético, uma power metal com uma mistura perfeita entre o thrash/heavy do Metallica e os riffs cavalgantes do Iron Maiden. Enfim... é um deleite para os fãs.

Os destaques, logicamente, são vários; mas citar alguns não é difícil. Começando pela excelente faixa-título, a arrastada e grudenta "Anthem", a "Maideniana" "Dark City", a thrash "Days of Rage", e as belas baladinhas "End Of Innocence" e a "Anguish of Youth" que lembra muito a clássica "Melancholy (Holy Martyr).

Bom, se você como eu, se decepcionou com os últimos dois registros de Jon Schaffer e companhia, com certeza não se decepcionará com "Dystopia". Torço sinceramente para que essa formação vingue permanecendo por muitos anos, caso semelhante ao do Anthrax com Joey Belladonna, principalmente porque "Dystopia é um dos melhores lançamentos do ano como o "Worship Music"!

Tracklist:

1. Dystopia
2. Anthem
3. Boiling Pont
4. Anguish of Youth
5. V
6. Dark City
7. Equilibrium
8. Days of Rage
9. End of Innocence
10. Tragedy and Triumph