Resenha Single: Lulu (Lou Reed & Metallica) - The View

Fã de metal é uma coisa engraçada, tenho até impressão de que ser adolescente e fã de metal é só "legal" quando se tem seus 15 ou 16 anos de idade. É a época aonde não param de brotar bandas que agradem aos seus ouvidos (Avenged Sevenfold é um claro exemplo de valorização super-estimada), aonde balançar a cabeça junto com o ritmo não importando se a banda seja ruim ou exatamente igual as outras, e aonde empunhar seu "espírito heavy metal" é vociferar pregando contra qualquer banda que vá contra sua vontade, quer dizer, aquela que mude um direcionamento em certo álbum popularmente ela "traiu o movimento", além de claro entender o "heavy metal" como um estilo de vida irrevogável.

(Não, não é! Porque a vida normal não te deixa ser "rockstar" só por ser fã. Somos reles mortais, e as bandas que gostamos trabalham pra caralho empunhando suas guitarras.)

Não estou falando tudo isso sem embasamento nenhum. Com a idade me tornei alguém que deixou de se sentir satisfeito com metal melódico de vocais agudos e bateria na velocidade da luz, de escutar bandas exatamente iguais de heavy metal só pra balançar a cabeça (na balada ou no bar isso vale claro), ou mesmo de apenas curtir vocais de alcance alto (quem acha aqui que Blaze Bayley foi injustiçado e uma escolha errada pra substituir Bruce Dickinson?). O "révi metal" mais que um estilo em si que ultrapassa os tempos, se (re)tornou a ser meu estilo musical preferencial, mas como qualquer outro. Onde música é música, ou como disse Zakk Wylde "ela é boa ou ruim".

Talvez por eu com o tempo gostar mais de prog metal e thrash metal predominantemente, mostre meu lado mais sedento agora por músicas mais trabalhadas e ideias diferentes. Faith No More, Opeth, Metallica, Pantera e Dream Theater são minhas bandas prediletas pra ilustrar a diversidade que procuro.

Voltando a falar dos fãs, eu tenho até aqui uma listinha em mente de fãs chatos de ótimas bandas: os destaques vão para Iron Maiden, Slipknot (com seus "maggots") e Metallica, bom... qualquer fanatismo é chato pra CARALHO. E nesse presente momento o que esses fãs do Metallica mais estão fazendo? Estão apedrejando o Metallica tal qual ele foi apedrejado quando fez seus álbuns "Load" e "Reload". E não só isso, mas dizendo que Lou Reed não canta nada - o que mostra toda a ignorância musical de muitos, pois Lou Reed faz parte da história do rock influenciando muitas das bandas que se ouve por ai.

Confesso que quando eu li que o Metallica iria se unir com Lou Reed para fazer um projeto musical, disse a mim mesmo que isso poderia ser uma MERDA. Não pela falta de competência de cada um dos artistas, pois temos de um lado o Metallica que é a banda de thrash metal e mais que isso, a banda de metal mais influente e mais bem sucedida comercialmente dos últimos 20 anos; e do outro temos Lou Reed, ex-vocalista do Velvet Underground, venerado até hoje tanto pela sua ex-banda, como pela sua carreira solo. Mas sim porque, como dois lados musicais completamente distintos poderiam se unir? Até por esse "lados distintos", resolvi esperar. E o resultado foi bom.

Idolatrar o "Kill'em All", "Ride The Lightning", "Master of Puppets" e "...and Justice For All" é uma avaliação justa, eu como fã dessa fase antiga também idolatro esse álbuns da mesma forma (e acrescentaria o "Black Album"), quero deixar claro. Mas a questão de sentar e apreciar a música e as ideias que ela tem sem esteriótipo de banda, e aí sim julgar se ela é boa ou ruim é outra coisa. Isso passa pelo fanatismo musical ignorante que muitos tem.

Ao contrário de seus fãs, o Metallica sempre foi uma banda inquieta. Dentre aquelas que integram o circuito thrash metal é aquela que mais explorou seus limites musicais e não teve medo de arriscar mesmo quando o resultado foi geral ruim (St. Anger). Prova foi a dupla "Load" e "Reload", e agora esse projeto com Lou Reed é mais um capítulo dessa discussão sofrida e desnecessária, "Lulu" é uma questão de parar de ser fã chato e chorão.

Apesar das minhas ressalvas, sempre interpretei "Lulu" como apenas um projeto de músicos que gostam de fazer música, e essa faceta o Metallica mostrou principalmente com seus "malfadados" por muitos "Load" e "Reload", então eu já conhecia.

Antigamente, como talvez 95% dos fãs de Metallica, eu contestava a dupla falando que aquilo "não era Metallica", mas hoje vejo que sim era, mas era uma banda que tentava algo mais fora se render ao "lado mais comercial" da coisa. Por exemplo a balada "Mama Said" do álbum "Load", e música que James compôs depois da morte de sua mãe, seria mais valorizada se estivesse no "Black Album".

"Load" e Reload" não são álbuns perfeitos, mas não são álbuns de se jogar fora, há grandes músicas ali e "Lulu" resgata esse lado experimental da banda. E é assim a linha de pensamento desse projeto Lulu. De mais que um projeto, mas mostrando o lado "anárquico" de não querer saber do que vão dizer.

Podem dizer que a faixa é chata pelos seus riffs repetitivos e bateria simples, mas... doom metal não se baseia nessa repetição? Ele não causa esse amor ou ódio? Claro que a faixa não é doom metal na sua essência, longe disso, mas traz resquícios claros disso, e os vocais falados de Lou Reed combinam perfeitamente com a atmosfera criada. De um lado Lou tal qual como se "recitasse um conto" a nós, e de outro James Hetfield com seu vocal característico gritando “I am the root, I am the progress, I am the agressor”. É como uma cuspidela na cara, é referências dessa união musical inesperada, e da própria esperada repercussão negativa dos fãs de cada uma das bandas (sempre apontando mais pro lado heavy metal da coisa). Essa primeira faixa divulgada "The View" tanto quanto me surpreendeu, me agradou muito.

O que podemos dizer é que os dois lados sairam ganhando dessa união, de um lado Lou Reed que ganhou uma banda pesada e perfeita para combinar com seu vocal falado característico, e do outro o Metallica, banda sedenta por satisfazer seu lado "musicalmente inquieto" e sério.

A faixa não é a reinvenção da roda e está muito longe de ser - e se ela for extensão do álbum, continua não sendo -, mas reconhecidamente ela é muito acima da média que muitas coisas que vemos por ai. Depois da sua audição, despertou-se em mim a curiosidade que não tinha, então que venha o álbum!

OBS: "Lulu" tem lançamento programado pra 31 de outubro. Será o Helloween de muitos e talvez essa tenha sido a ideia do próprio Metallica, eles sabiam que esse projeto seria o terror da maioria de seus fãs.

Será mesmo que os "fãs chatos" do Metallica acharam que ia sair do disco com a participação do Lou Reed algo tipicamente thrash metal com os vocais dele? Azar desses fãs que perdem muito. Não só especificamente falando sobre esse projeto, mas de reconhecer que há muita música legal por aí. E certos fãs "trües" as deixam de escutar por um fanatismo bobo e que não enche barriga de ninguém.

Fanatismo não muda absolutamente nada, ao contrário, te torna mais "babaca".

PS: Se você não curtiu a música mas sem ter esse "preconceito" de fã na mente. Dou meus parabéns.

Impressões sobre o primeiro fim de semana do Rock In Rio

O Rock In Rio continua sendo o Rock In Rio, mas popularmente, só "até a página dois". Esse é o balanço que temos após o primeiro fim de semana do evento.

A abertura foi com o vídeo da música que virou marca registrada do evento. Queen com "Love of My Life" emocionou os presentes e todos aqueles que estavam assistindo das suas casas, como eu, talvez o único resquício de algo verdadeiramente clássico, junto com Titãs e Paralamas do Sucesso no palco logo depois fazendo o primeiro show, e Elton John como atração principal da noite. Falando deles aliás, Elton John foi uma escolha totalmente errada para o line-up da sexta, e Titãs e Paralamas alternado clássicos como "Óculos", "Policia", "Meu Erro" e "Epitáfio", passaram a impressão de que deveriam virar uma banda só. Principalmente porque o Titãs de nove que eram, agora só são quatro!

Mas como o dia prometia... chacotas, claro. Acompanhado da Orquestra Sinfônica Brasileira, Milton Nascimento entra no palco cantando "Love of My Life". Não sei se dá pra falar realmente se foi uma escolha errada levando em conta a história dele na música popular brasileira, mas numa noite protagonizada também por artistas do calibre de Claudia Leitte, Katy Perry e Rihanna, ele conseguiu ser um dos destaques da noite. Cantando mal e parecendo que tinha soro ao seu lado, ele conseguiu estragar a clássica música do Queen.

Freddie Mercury deve estar se revirando no túmulo, quem dera se alguns entendessem o vídeo fosse o suficiente para homenagear. Veja abaixo:


Mas como disse, o dia prometia, e a axézeira Cláudia Leitte era a mais aguardada da noite por isso. No outro texto que escrevi aqui no blog sobre o Rock In Rio logo na sexta, eu disse que não tinha nada contra a outros estilos (só tenho direito de achar uma merda!), mas que devia ser "cada um no seu quadrado", Rock In Rio tendo só rock, e Carnaval tendo só axé. 

E a tragédia de misturar no mesmo evento artistas de diversos estilos foi protagonizada no dia. Tal qual o apocalipse, Cláudia Leitte, que diz ser fã de Iron Maiden, empunhou guitarra, entre sua música "Beijar Na Boca" emendou de "Satisfaction" dos Rolling Stones, e esquartejou, trucidou, assassinou "D'yer Maker" do supremo Led Zeppelin. 

Só porque a música tem um ritmo reggae, não quer dizer que axézeira metida a rockeira tem que fazer cover da música! Se quer agradar um bando de rockeiros, tire a roupa. #ficadika 

Veja e chore sangue:



Aham Cláudia, senta lá!

Depois desse show de horrores. Colando um bilhete na porta do camarim da loira, o Lokaos Rock Show fez uma pequena homenagem a loira com os dizeres: "Não toque Led Zeppelin nunca mais". Justo, e talvez afetada ainda pela falta de oxigênio no cérebro, ela ainda tirou foto. Saca só a reportagem.

Mais tarde, obviamente não gostou da repercussão negativa que o show dela teve. E sendo mais rasa que um pires cheio de água, ela comparou rockeiros a nazistas. Infelizmente algumas pessoas tem o conceito de liberdade muito deturpado. Entenda clicando aqui.

Posseguindo, Katy Perry (aaah Katy Perry...) e Rihanna também participaram da noite só pra informar, mas como elas não tem fotos comprometedoras nem nada, ninguém quer saber disso. 

Então vamos logo para o segundo dia, onde Nx Zero, Stone Sour, Capital Inicial, Snow Patrol e Red Hot Chili Peppers tocaram. Preparando para o dia metal, o dia que realmente todos esperavam. O sábado protagonizou os primeiros shows realmente empolgantes, tendo Capital Inicial com Dinho Ouro Preto não deixando a galera parada e provando mais uma vez que em 10 palavras, 7 são "caralho, velho e cara". Com o Stone Sour sendo uma ótima banda, mas mostrando que o Corey Taylor é melhor com máscara. E com Red Hot Chili Peppers e um estilo realmente esquisito de "Antônio Keds" - o que era aquilo, uma mistura de emo e chefe de família fanfarrão? -, mas protagonizando um dos melhores shows até agora, e provando que (infelizmente) as músicas de seu mais recente álbum "I'm With You", não empolgam.



Impressionante como a música de Renato Russo, "Que País é Esse?", continua sempre atualizada não importa quantos anos passem, mas infelizmente, porque é prova de quanto o nosso pais é talvez irremediável. 

Mas ao lado do Red Hot Chili Peppers, um dos melhores shows da noite estava no palco Sunset. Mike Patton e um de seus milhares de projetos mostrando toda a versatilidade e talento do cantor, Mondo Cane junto com a Orquestra de Heliópolis. Vejam:


Chegando domingo, chegou o dia, o verdadeiro Rock In Rio na noite em que todos esperavam. Com o intruso e alvo potencial a garrafadas Glória, o desconhecido e esquisitão Coheed e Cambria (explicarei porque), o classudo e supremo Motorhead, a pancadaria do Slipknot, e o thrash clássico e grandioso do Metallica no palco principal. No palco Sunset tivemos Matanza com BNegão (ex Planet Hemp), Korzus com Punk Metal All-Stars e o Sepultura com o grupo francês Tambours Du Bronx.




O dia foi nada menos que histórico, e mostrou que qualquer uma dessas três bandas merecia e poderia estar no palco principal ao invés do Glória (calma que vou explicar porque). Incrível foram as participações do Tambours Du Bronx e do Sepultura, com uma sincronia perfeita e mostrando que a banda está mais viva do que nunca e ainda tendo a participação surpresa de Mike Patton no Roots, foi um dos melhores shows da noite. Do BNegão do classudo Planet Hemp no show do beberrão e mais do que classudo Matanza, com Jimmy fazendo seu estilão e comandando a plateia como sempre faz. E do Punk Metal All-Stars, que era composto por participações de nada menos pelo vocalista e baixista do Destruction, Marcel Schmier; o guitarrista do Suicidal Tendencies, Mike Clark; e de João Gordo, apresentador e vocalista do clássico Ratos de Porão. Ele aliás que protagonizou A declaração do evento até agora:


Descaso que ao lado das atuações das bandas, foi infelizmente um dos destaques negativos do evento. Muitas reclamações sobre o som do palco tanto de quem estava lá e de quem estava vendo pela internet, problemas que causaram o atraso em uma hora do show do Sepultura. Apesar que más lingas dizem que isso, foi também provocado de forma proposital pela organização para coincidir com o show do Glória no outro palco, assim "dividindo" o público e prevenindo uma vaia coletiva a banda. O que vemos que não adiantou bulhufas, afinal era óbvio de a organização entender que para alguém ver um show o máximo possível perto de um palco, é necessário chegar horas e horas antes. E assim rolaram as vaias ao Glória, vulgo o "Carlinhos Brown" do evento até agora.

Emendando uma música na outra assim não deixando espaço suficiente para vaias, parecia mais que a banda estava "cagando nas calças" de medo do que confiante do som que faziam. Esperando que não iam levar muita empolgação, a banda resolveu colocar no seu setlist uma jam de Pantera com "Walk e Domination"; ganharam alguns aplausos. 

Bom, antes que os "patriotas" digam que não estou valorizando o rock e metal nacional ao criticar o Glória, apresento-lhes um argumento novo: "existem bandas boas e ruins". Não faz nenhum sentido ser "patriota" com o rock daqui se comercialmente, mais de 90% tem um talento muito inferior ao de certas bandas que ralaram e ainda ralam para ter seu reconhecimento merecido.   

Para ser justo instrumentalmente a banda não é de todo ruim, apesar de nem termos comercialmente bandas que estabelecem um padrão muito alto, a banda é uma mistura audível do estilo Avenged Sevenfold, e música de Nx Zero e Lamb of God. Confesso que até dei uma animadinha quando eles tocaram Pantera, bom, sendo Pantera não tem como não animar, Mas eu em uma das músicas estar (mal) ouvindo os gritos do vocal Mi (porque aqui no Brasil tá uma mania de diminuir nome de macho?) de "eu te odeio, eu te odeio, eu te odeio" ou "vá se foder" (numa música que se auto intitula assim), com todo respeito as caras, mas não dá pra levar a sério uma banda dessas. 


Só o baterista Eloy Casagrande que se salvou:


Talvez se o Glória tivesse sido jogado para o lineup do segundo domingo, ou até para o sábado, a banda poderia ter melhor recebimento. Mas cá entre nós que eles mereciam estar em um palco menor, pois provaram que não tinham capacidade alguma de comandar aquele público enorme, mostraram que "lugar de Glória e na igreja". 

O Coheed e Cambria veio logo depois, mais conhecido por mim e por muitos pela sua música "Welcome Home" no Guitar Hero 2, a banda mostrou um heavy metal competente mas confesso que sem brilho, muito porque a voz do vocalista é algo que não dá muita personalidade a banda. 

Eu vou colocar o vídeo deles aqui só pela cabeleira do vocalista Claudio Sanchez, é pra dar inveja ao Slash. Juro que uma hora me perguntei de onde a voz estava vindo. LOL


Se faltou banda pra abrir o dia mais esperado do Rock In Rio, logo depois desfilaram bandas que sabem fazer isso. Motorhead e Metallica desfilaram clássicos e não deixaram ninguém piscar o olho. 

O trio composto pela lenda viva Lemmy Kilmister, o guitarrista Phil Campebell, e o baterista Mikkey Dee mostraram mais uma vez como se faz o verdadeiro rock n' roll, dando um gosto de querer uma turnê de um mês. Nada de rótulos, nada de "firulas". Como diz Lemmy ao início de todo show da banda, " We are Motorhead. We play Rock n' Roll". Sem mais. 

Mas talvez o Lemmy poderia ter cantado melhor? Não sei se é preciso.

Já o Metallica, com um setlist basicamente igual ao da sua última passagem por aqui e de sua turnê, protagonizou um dos melhores shows do Rock In Rio até agora e mostrou porque É uma das melhores bandas do planeta. Dando realmente o sangue e empolgados pelo público, James Hetfiield conversou com a plateia, ajoelhou no palco ao estilo Hendrix (confesso que nunca tinha visto isso), e cantou e berrou. Claro que não como nos velhos tempos, mas ao que parece ele se esforçou muito mais do que vinha observando nos shows; o que me agradou muito e me surpreendeu. Pois era uma das minhas principais críticas a banda.

Deixei o Slipknot pro final porque com certeza eles protagonizaram o show mais espetacular da noite, hipnotizando o público. Banda entrosada e brutal, e que cresceu assustadoramente de qualidade ao longo dos anos. O destaque vai principalmente para os DJs e percussionistas que fizeram um show a parte, correndo pelo palco, passando pelo meio do público e até um mosh gigante protagonizado por um deles. 


O vocalista Corey Taylor com sua voz pausada sabia exatamente o que estava fazendo e exatamente o cima que tinha no ar, ele fez o público gritar muitas vezes sem saber a razão e fazendo eles abaixarem e pularem na hora que ele quisesse. Sei lá se ali foi estabelecido um tipo de recorde mundial, mas mais de 100 mil pessoas ao comando de uma pessoa num show de rock é nada menos que histórico. Era um dia inspirado, a banda parecia sentir e absorver isso desde o começo do show. Entende porque falei que ele é melhor com máscara?

Bom, a noite de domingo foi encerrada lá com atrasos lá pelas 3h30 da manhã, e com um gosto de quero mais. Muito mais para os que estavam lá, com certeza, mas sentimento compartilhado pelos fãs que ficaram em suas casas. 

"O Rock In Rio poderia ter acabado aquele dia" é frase que mais li e ouvi por aí. Mas ele vai continuar.

Temos na quinta mais um pianista clássico e deslocado, Stevie Wonder; mais uma cantora que só serve para ser gostosa, Kesha; o legalzudo Jamiroquai; e a desconhecida por mim e acho que por muitos, Janelle Monae. Na sexta teremos os nacionais Marcelo D2, Jota Quest, com um axézinho "básico e democrático" passando com Ivete Sangalo, para o pop/rock de Lenny Kravitz e o só pop de Shakira. E no sábado um dia que condiz mais com o nome do evento, mas longe de ser que nem  primeiro sábado. Frejat, Skank, maná, Maroon 5 e Coldplay passarão pelo palco.

Para encerrar o Rock In Rio (pop e axé) teremos o segundo candidato a vaias Detonautas, Pitty, Evanescence, System Of a Down e Guns n' Roses. Acredito que System Of a Down será o destaque absoluto da noite, poderá ser ao lado do Guns N' Roses, mas vamos ver se uma banda "desfacelada" e com um Axl gordo irá realmente empolgar o público mostrando que ainda é relevante, e não só um cover. 

Sendo sincero acho que nem terei o que dizer sobre o segundo fim de semana do Rock In Rio, não sou jornalista nem algo parecido, sou apenas fã. A frase a dois parágrafos atrás faz jus a mim. Mas... se rolarem mais ocasiões cômicas, estarei aqui analisando de novo, quem sabe. =)

O que passa pelos meus fones #20 - Faith No More

Após o dia vergonhoso de ontem, com Milton Nascimento abrindo o evento cantando o clássico do Queen "Love of My Life", de Claudia Leitte pagando de rockeira empunhando guitarra e ofendendo o clássico do Led Zeppelin "D'Yer Maker", e de Katy Perry e Rihanna.

Chega sábado e dá pra se dizer que temos um dia realmente legal, tendo Mike Patton e seu projeto Mondo Cane onde ele apenas canta músicas em italiano, Stone Sour e Red Hot Chili Peppers. Mas em homenagem a Mike Patton e dedicado ao Sr Medina. Uma verdadeira mostra do que é o verdadeiro Rock In Rio.

Clipe ao vivo da música "Epic" retirada do Rock In Riod e 91, Enjoy! =)

Rock In Rio? Agora no Rio. Mas Rock?

Música e um milhão de reais como prêmio!
Eis que chegou 22 de setembro, e finalmente começou o Rock In Rio, ironicamente, voltando a ter uma edição no Rio de Janeiro depois de 10 anos e que por isso, causou empolgação assim que seus ingressos começaram a serem vendidos. Empolgação que naturalmente foi indo embora a medida que as atrações iam sendo anunciadas. 

Apesar que na 3º edição em 2000 (e com aquele logo modificado pelo patrocínio da AOL), já tinha mostrado toda sua “mistura”; então não era de se esperar que essa 4ª edição brasileira seria diferente. 

Mas como a esperança, no fim das contas e das piadas, é a última que morre, e brasileiro nunca desiste; se tinha a esperança que esse Rock In Rio honraria o nome. Mas... passada a empolgação minha e dos meus amigos em fazer um mochilão, ir pra lá, e dormir em qualquer lugar; o tempo passado mostrou que o investimento (entendam bem, investimento) de quem não mora no RJ e sim em SP, não valia tão lá a pena. Afinal, o Brasil, ao contrário da primeira edição em 85, se tornou um circuito obrigatório ao shows internacionais. E hoje se pode escolher mais pra que show você vai, ou não, querer ir em todos provocando falência tão instantânea quanto o preparo de um miojo.

Nasci em 88, e era pequeno demais pra ver o Rock In Rio em 91. Mas ao que minha querida mãe conta, e comparando a programação de cada um dos 3 Rock In Rio's realizados aqui. Rock In Rio mesmo foi só o de 85 com AC/DC, Iron Maiden, Queen, Ozzy Osbourne, Whitesnake, entre outros; e agora meu ponto fala (mentira) que foram nada menos que 15 atrações internacionais em um país que raramente via bandas desse porte passarem pelo país (acho que eles achavam que era cheio de macacos talvez). Bom, creio que tenho que concordar com ela.

Em 91 começou a misturar, mas tivemos grandes bandas como Faith No More (no auge), Judas Priest, Megadeth, Guns n' Roses, Billy Idol, apesar de George Micheal como "intruso". Já em 2001 misturou de vez, abraçou a diversidade e marca, e teve bandas como Iron Maiden e Guns n' Roses (mais uma vez), Foo Fighters e o finado Silverchair. Porém como disse, a diversidade havia, tendo Britney Spears, Sandy e Júnior, e Carlinhos Brown na ocasião abrindo o dia do Guns n' Roses (se não me engano) e sua chuva de garrafas histórica com gritos proferidos de: “nada me atinge”.

Consciente de sua marca, o evento se internacionalizou com várias edições em Madri e Lisboa, inclusive ano que vem voltará pra Madri. Sabe que até imagino os portugueses dizendo: “Rock In Rio”? Rio é Rio de Janeiro ó pá!”, depois os portugueses é que são burros. Mas sabe como é, coração de mãe cabe sempre mais um e o Cristo Redentor está de braços abertos. O Brasil é um país que tem de tudo mesmo, é um país cosmopolita (tanto quanto hipócrita), até das coisas infernais.

As bandas expoentes do rock nacional (jurássico diga-se de passagem) Titãs e Paralamas do Sucesso ficaram encarregadas de fazer o primeiro show abrindo o Rock In Rio. Ai sim realmente o título faz sentido, apesar das participações de Cláudia Leitte e Maria Gadú no palco. O problema é o depois. Fora o Elton John – que é clássico – teremos Claudia Leitte com dois T's mesmo, como um leite de má qualidade; Katy Perry e seus peitos (ahhhh) e Rihanna com sua “umbrella” encerrando o dia. E só falo do primeiro!

Aqueles que dizem que irão vomitar com o evento, terão seus ouvidos invadidos por sangue agora que sabem o “esqueminha malandro” do primeiro dia.

Bom, com todo respeito que a tolerância me faz ter, tanto quanto a democracia me faz odiar esse fato. Isso chega a ser patético!

Quero deixar claro aqui que não tenho nada contra o estilo musical, e muito menos quero pagar de “rockeiro revoltadinho” que só faz protesto quando a internet cai, pregando contra os estilos musicais e artistas. Uma coisa é dizer que eles não deviam participar do evento “Rock In Rio”, outra é taxá-los como incompetentes.

Bom, só sei que trato o axé e o pop (por exemplo) como cachorros, eles lá e eu aqui, e que o inferno não está nada longe, me fazendo achar que a vida é um verdadeiro teste insuportável. Mas se o festival tem “rock” no nome, com todo respeito, não devia-se chamar o axé, pop e eletrônico pra tocarem lá. Tem carnaval, VMA e rave pra quê?

Quando o senhor supremo organizador do evento, Roberto Medina, foi perguntado disso. Entre outras coisas, apoiado no bordão “um mundo melhor” e “evento que une gerações”, ele disse que eles “atraem público”. Bom, se essa for - e É – o atendimento ao nicho da “nova geração”, estamos apocalípticamente lascados. 

Talvez a ideia da diversificação do festival seja essa: “Temos um festival e só podemos ter um, vamos encher de tudo de melhor (ou pior) que temos e conseguimos”. Bom, se é pra atrair público, nessa edição só faltou Justin Bieber...

Ah não, mês que vem ele tocará aqui. Agora entendo sua “dispensa” do Rock In Rio. Foi excesso de contingente.

Bom, pra quem vai acompanhar, e eu irei porque apesar de tudo, tem muita banda legal lá. A programação minha basicamente será no sábado dia 24 que tem Red Hot Chili Peppers e Stone Sour. Domingo dia 25 que tem Metallica, Slipknot e Motorhead. No outro domingo, dia 2, que tem Guns n' Roses e System Of a Down. Sem contar Korzus, Matanza e Sepultura no palco Sunset no dia 25, o “dia metal”. Bons tempos em que éramos mais pobrezinhos e tínhamos apenas um palco... 

Pena que é só isso, poderia ser muito mais.

Antes que me apedrejem, sei que claramente que tem outras bandas (inclusive procure a programação clicando aqui), e como fã, apenas apontei minhas preferências como disse; aliás esse texto é expondo minha opinião como fã de rock que sou e apreciador de boa música, e não como um "zé imparcial". 

Com essa breve programação que dei, toda "cortada", ai sim dá pra se dizer que é o Rock In Rio. Acho que queria ser desinformado e ver que é só isso. Que puxa!


Depoimento de um ex-viciado em Restart

Hoje nessa sexta-feira, dia que começa o Rock in Rio, a emoção toma conta com um depoimento comovente de um ex-viciado em Restart. Realmente o fim do movimento emo foi triste, e levou várias pessoas a esse caminho sombrio.




Quando vídeo-game se torna realidade

Nos anos 80, Rodney Mullen venceu 34 das 35 competições em que havia participado nos ultimos dez anos, e essa é a mais bem-sucedida marca na história de competições do skate. Mullen foi campeão mundial oito vezes, mas devido ao fato de que ele realizava manobras que ninguém era capaz de fazer, ele foi proibido de participar novamente dos campeonatos mundiais para dar chance aos outros skatistas. Entretanto a federação mundial de skate deixou Mullen participar em campeonatos mundiais um ano depois, em 1991. Este apenas participou no X Games de 1994 perdendo para Tony Hawk.

O primeiro game que Mullen foi incluído foi no clássico Tony Hawk's Pro Skater 2. Mas agora clique no play e entenda de uma vez por todas que vídeo-game e realidade se tratando dele, se misturam.

Kutcher e a nova temporada de Two and a Half Men

Sobre uma das minhas séries prediletas e "hypadas" ao lado de House e Big Bang Theory.


Depois de ano passado a 7ª temporada nem ter terminado por causa da briga de Charlie Sheen e o roteirista Chuck Lorre, culminando na demissão de Sheen. Uma das séries mais bem sucedidas dos últimos tempos, Two and a Half Men, ame ou odeie, surpreendentemente continua. Digo isso porque Sheen interpretava a si mesmo na série, e sinceramente não fazia e não faz muito sentido continuar sem ele. Talvez deveria ter um acordo para que se encerrasse a 8ª temporada. 

Agora - pensou a CBS (rede que transmite a série nos EUA) - se Chuck Lorre continua lá e Sheen é um canalha, sem contar que pelo seu sucesso ao longo de anos a série rende gordas cotas de patrocínio e audiência. Que a série continue mesmo com as piadas desgastadas (cá entre nós) e sem seu expoente máximo. Hollywood vive fazendo isso através de seus remakes quase sempre vergonhosos.

Mas como substituir Sheen? Essa era a pergunta. Bom, os produtores da série tiveram uma ideia genial!. Se tínhamos com o Sheen um ator que interpretava a si mesmo, vamos trazer outro que interpreta a si mesmo! Jack Black? Não. Muito gordo. Então que venha o insosso Ashton Kutcher, famoso por ser marido da Demi Moore, e o Kelso da falecida série That 70th Show.

Bom, tão logo que a série estreiou lá, ela vazou aqui via YouTube, legendada, bonitinha. E a primeira impressão? Sabe que não ficou ruim? Pelo contrário. Ela foi boa, e deu pra dar várias risadas, já arrancadas com o velório de Charlie no início. Com sua característica veste pendurada num cabide. 

A série continua engraçada, como disse. Mas nota-se claramente que Charlie morto com suas cinzas num pote e o resto do elenco a carregam nas costas, principalmente Alan Harper (Jon Cryer). Kutcher? A sua entrada de inicio soou mais como uma "participação especial" do que outra coisa. A estreia de Kutcher foi agradável, porém como se esperava a falta que Charlie faz é imensa, falta cafajestagem. E aqui temos uma versão de Kelso mais velha.

Acho que todos já sabem, mas pra quem não sabe Kutcher interpretará a Walden Schimidt. Um bilionário jovem e bonitão da internet que acabou ser largado pela esposa. Então se falta cafajestagem a ele, a "sorte" o acompanha. Rico, bonitão e que mora em Malibu... Entende porque Alan continuará sendo o fracassado?

E infelizmente Two and a Half Men continua, ou felizmente, depende do seu ponto de vista.

Infelizmente porque faria mais sentido terminá-la com a saída de Sheen. E não só agora, mas talvez a algumas temporadas, visto que as piadas estavam já desgastadas com um Charlie que dava "brilho" a série porque era a vida dele retratada, um Alan reduzido a fracassos, e um Jake Harper (Angus T. Jones) adolescente e reduzido a um retardado. E felizmente porque a série continua engraçada por causa de seu bom elenco, e por Chuck Lorre ser um bom contador de piadas.

Esses fatos vinham mantendo a série. Se ela não tinha o mesmo brilho; por ser acima da média, ainda garantia diversão. Entretanto seu personagem principal não está mais lá, parte da risada se foi. A série agora em seu "novo tempo" produziu boas risadas. Mas resta saber se isso continuará, e Sheen as continuava.

Sitcom de Jesus #20

Sitcom de Jesus #20
Eu nem preciso fazer esforço pra fazer a piada de hoje, Seus filhos continuam nos surpreendendo. E a notícia é quentinha, poderia ter sido publicada no "mundo bizarro"!


Artista cria 'Jesus sarado' para aproximar jovens da religião
Americano Stephen Sawyer quer renovar a ideia que a atual geração faz de Cristo.

Jesus Cristo, herói do século XXI. A reinvenção de quem, para os cristãos, é o filho de Deus gerou um fenômeno artístico nos Estados Unidos. Com peitoral marcado, braços musculosos e atitude de vencedor, o Cristo chegou inclusive à capa do jornal 'The New York Times'. 'Um Chuck Norris de sandálias', assim definiu-o a publicação. O autor dos desenhos, o artista Stephen Sawyer, de 58 anos, criou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens da religião.

'Todos somos evangelistas de alguma coisa', disse Sawyer à BBC. 'Sou o pregador do homem que viveu há 2 mil anos e continua sendo meu herói.'

O artista sustenta que a imagem de Jesus masculino e forte vem da Bíblia.

'Dificilmente poderiam ter narrado cenas como o ataque de Jesus aos mercadores do templo se o protagonista da história fosse um fracote', defende Sawyer.

'Era um carpinteiro da classe trabalhadora. Com certeza o seu corpo era forte e musculoso, porque essa era a sua ferramenta de trabalho.'

Através de livros, revistas e blogs, o desenhista, que vive em Kentucky, tem viajado os Estados Unidos alimentando o seu movimento. Apesar do sucesso, as imagens foram questionadas por grupos de conservadores, para quem destacar o físico de Jesus relega o seu aspecto espiritual.

'Fico feliz que se crie um movimento em torno disto. A ideia é deixar de lado nossos prejuízos e aceitar as crenças de todos a partir da tolerância', responde o autor.

'Não sei como Cristo era visto há 2 mil anos, nem me importa. Quero criar uma iconografia que seja relevante para hoje.'

Via G1